Abreu e Lima
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Abreu e Lima é um município brasileiro do estado de Pernambuco. Localiza-se a uma latitude 07º54'42" Sul e a uma longitude 34º54'10" Oeste, estando a uma altitude de 19 metros. Sua população estimada em 2004 era de 95 198 habitantes.
Possui uma área de 129,1 km2.
O município tem em seu circo arqueológico, as ruinas da Igreja de São Bento, no engenho Jaguaribe, no engenho Utinga afirma-se ter escondido-se Frei Caneca em 16 de setembro e 17, quando da derrota na revolta conhecida como Confederação do Equador em 1824 em Pernambuco. É certo ainda que nas terras do município de Abreu e lima, na época povoado de Maricota, se deu no dia 10 de novembro de 1848 a primeira batalha da Revolução Praieira que havia sido deflagrada 03 dias antes na cidade de Olinda. Hoje estudos arqueológicos estão sendo feitos no local onde já foram encontrados vestígio da passagem dos holandezes nas terras de Pernambuco, na cidade de Abreu e Lima O município tornou-se autônomo em 1982, através do voto popular em pleibiscito realizado ao dia 09 de maio daquele ano, com forte participação do PMDB do município em campanha, a população foi as urnas e deu seu "sim" para a emancipação do município, o que se tornou realidade no dia 14 de maio de 1982 após assinatura do decreto que também emancipava os distritos de Itapissuma e Camaragibe. Em 1983, o município que acabara de emancipar-se e eleger pelo voto direto seu prefeito e o governador do estado em 1982, deu o primeiro grito por eleições diretas para presidente, tendo sido organizado pelos membros do PMDB local a primeira manifestação pública. Posteriormente, quando da emenda Dante de Oliveira, surgiu a campanha intitulada Diretas Já que tomou o país em suas principais cidades.
''''RAÍZES HISTÓRICAS''''
A 09 de março de 1535 desembarca nos marcos (Igarassu) Duarte Coelho e grande comitiva para tomar posse da Capitania de Pernambuco. Vindo com a intenção de aqui fundar engenhos de açúcar, logo toma iniciativa, e para tal, dôa aos privilegiados da Côrte as primeiras Sesmarias. Assim sendo, coube a Vasco Fernandes de Lucena e família a primeira dessas doações, fundada em documento do próprio punho do donatário em 24 de julho de 1540.
Esta data marca o início da povoação das Sesmarias de Jaguaribe, que daria origem ao Município de Abreu e Lima. Jaguaribe é nome de origem indígena = YAGUÁ-Y-PÊ, que significa "rio da onça" ou "rio do jaguar". Sendo um dos primeiros engenhos de Burgo Duartino, que logo se tornaria a mais opulenta das Capitanias pelo açúcar que produzia, é presumível que o antigo Engenho Jaguaribe tivesse na sua vida ativa a efervescência compatível com a época. No entanto, o aglomerado humano haveria de se firmar mais tarde ao longo da “estrada pública que vai desta Vila dos Cosmos (Igarassu) (para Olinda)". A referência a "estrada pública" vê-se já em documento de 1573 e trata-se da principal artéria pública que ainda hoje corta a cidade. Não se deu fácil o desgarrar dos colonos das suas primitivas bases, sair das cercanias da Casa Grande dos barões do açúcar. O "urbano" Engenho Timbó, cuja referência mais antiga documentalmente falando é de 1770, por ter sede mais próxima da "estrada das boiadas", só em meados do século XVIII (dezoito) é que atrairia os primeiros artífices a se instalarem em rústicas choupanas ao longo da "Estrada dos Tropeiros". O primitivo Engenho Jaguaribe não teve como combater a sedução da estrada sobre os colonos. Antes, por volta de 1591, os Beneditinos adquirem as terras de Manoel Gondinho, terras encravadas na área do Jaguaribe. A partir daí vai dominando, uma a uma, as propriedades que alimentavam de cana o seu Maquinário, até que este definha, voltando os monges de São Bento os seus interesses para Mussurepe, originando a cidade de Paudalho. Como marco de sua passagem os Beneditinos deixaram a capela de São Bento, construída em terras doadas em 1660, por D. Inêz de Oliveira. Consta que por volta de 1674 está em ruínas o Jaguaribe, - primitivo pólo aglutinador de população - como consta no Testamento de João Fernandes Vieira. Só nos idos de 1800 é que voltamos a ter notícias de vida produtiva, de seu maquinário e de sua gente. Tomando posse como arrendatário, o inglês Henry Koster (1812), informa-nos estar o engenho bem equipado, "muitos escravos, bois, maquinários, acessórios, capacitando os novos senhores a um trabalho imediato". Como era tempo de muita prosperidade no Jaguaribe, por essa época, logo mudou-se para cá. Como a casa grande ainda estivesse ocupada, Henry Koster que era português e filho de pais ingleses, aloja-se na sacristia da Capela de São Bento, um belíssimo templo barroco de estilo português, provavelmente por este tipo de construção fazer-lhe recordar a sua terra natal. Os relatos da feliz fértil estada deste inglês pernambucanizado estão magistralmente registrado no seu precioso livro "Travels in Brazil".
Outro fator que concorreu para o retardamento e consolidação do aglomerado urbano foi as ações dos Quilombos, Aqui se reuniam em torno do chefe Malunguinho (1822-1832), fugindo dos horrores da escravidão. Havia Saques, mortes e perseguições, e como diz um ofício de 1824: "...os moradores já Começam a se mudar (...)". Por outro lado, teve proteção nas matas do Engenho Utinga, Frei Joaquim do Amor Divino Caneca que, fugindo da morte por sua participação na Confederação do Equador (1824), passou aqui os dias 16 e 17 de setembro, alimentando-se de cana, farinha e bacalhau. Em seguida caminha até o Ceará, mas é encontrado, trazido ao Recife e, por fim arcabuzado no Forte das Cinco Pontas.
Aos poucos o adensamento populacional se fazia nesta região. Em 1838 o Coronel Manoel Pereira de Morais, Senhor do Engenho Inhamã, impulsiona a formação definitiva do povoado, se bem que de maneira aleatória. Compra um "sitio de terras" em Maricota, justo na área que compreende hoje a Rua Cap. José Primo e marginais, delas fazendo doação a D, Francisca Joaquina da Conceição, fazendo-a acompanhar quatro escravos, para que possa progredir. Assim, propagou-se nesta artéria a primitiva população urbana, e em forma de "T" ramificavam-se ao longo da "Estrada dos Tropeiros" únicos lugares disponíveis para a moradia fora dos engenhos. A "Estrada do Norte", na altura do povoado de Maricota, pela época já era referência estratégica para tropeiros e viajantes e, em torno desse rancho, forma-se um natural mercado consumidor. Com a construção de casebres de taipa em terrenos baldios, cujos proprietários geralmente não se opõem a ocupação temporária gratuita, consolida-se a primitiva sociedade.
É dessa forma que o povoado vê estourar em 1848 a Revolução Praieira, anunciada em Olinda no dia 7 de novembro, e logo a 10, trava-se a primeira batalha, que se deu sangrentamente em Maricota. No centenário desta revolução (1948), um de seus heróis é homenageado, passando o seu nome a identificar o "Berço da Revolução Praieira": Abreu e 1ima (José Inácio de Abreu e Lima). Passadas as turbulências, onze anos depois reune-se o povo às margens da "estrada do norte" para assistir a passagem do Imperador D. Pedro II. Anota o Imperador em seu Diário de Viagem essa passagem por Maricota, além de registrar a importância do Rio Timbó como divisor natural das velhas Comarcas de Olinda e Igarassu.
''''MARICOTA''''
O registro de referência mais antigo que se refere ao nome vem de 1784, faz alusão a um batizado havido na capela de São Miguel do Engenho Inhamã. Acreditamos ser mais antiga a origem, entretanto, sem prova documental é precipitado afirmar ser o topônimo Maricota designativo de engenho, trapiche, nome jocoso dado a alguém ou coisa, ou mesmo a uma mulher ou homem. Até que se prove permanece, com certas ressalvas, a duvidosa tradição oral. A mudança do nome deve-se ao então deputado estadual Antônio Torres Galvão, autor do Projeto de Lei nº 378 propondo a troca quando a Revolução Praieira completava o seu primeiro Centenário (1848 - 1948). Sancionada a lei pelo governador Barbosa Lima Sobrinho em 24 de dezembro de 1948, adota o distrito o nome do General Abreu e Lima
