Adam Smith
Keywords: Adam Smith, 1723, 1750, 1751, 1776, 1790, 17 de Julho, 17 de julho, 5 de junho
right|thumb|Adam Smith Adam Smith (provavelmente Kirkcaldy, Fife, 1723 - Edimburgo, 17 de Julho de 1790) foi um economista e filósofo escocês. O seu livro Riqueza das nações foi e continua a ser uma obra de referência para gerações de economistas. É considerado como o pai da economia moderna.
| Conteúdo |
Biografia
Adam Smith foi filho de um controlador alfandegário em Kirkcaldy, Fife, Escócia. A data exacta do seu nascimento é desconhecida, mas ele foi baptizado em Kirkcaldy em 5 de junho de 1723, tendo o seu pai falecido 6 meses antes. Com a idade de 15 anos, Smith iniciou os estudos na Universidade de Glasgow, estudando filosofia moral com o "inesquecível" (como Smith lhe chamou) Francis Hutcheson. Em 1740 ele entrou para o Balliol College da Universidade de Oxford, mas como William Robert Scott disse, "o Oxford deste tempo deu-lhe pouca ajuda, se é que a deu, para o que viria a ser a sua obra" e ele acabou por abdicar da sua bolsa em 1746. Em 1748 ele começou a dar aulas em Edimburgo sob o patronato de Lord Kames. Algumas destas aulas eram de retórica e de literatura, mas mais tarde ele dedicou-se à cadeira de "progresso da opulência", e foi então, em finais dos anos 20, que ele expôs pela primeira vez a filosofia económica do "sistema simples e óbvio da liberdade natural" que ele viria a proclamar no seu Inquérito sobre a natureza e as causas da riqueza das nações. Por volta de 1750 conheceu David Hume, que se tornou um dos mais próximos entre os muitos amigos.
Em 1751, Smith foi nomeado professor de lógica na Universidade de Glasgow, passando em 1752 a dar a cadeira de filosofia moral. Nas suas aulas ele cobria os campos da ética, retórica, jurisprudência e política económica ou ainda "polícia e rendimento" (police and revenue). Em 1759 ele publicou a sua "Teoria dos sentimentos morais", incorporando algumas das suas aulas de Glasgow. Este trabalho, que estabeleceu a reputação de Smith durante a sua própria vida, refere-se à explicação da aprovação ou desaprovação moral. A sua capacidade de argumentação, fluência e persuasão, mesmo que através de uso da retórica estão ali bem patenteados. Ele baseia a sua explicação, não como o terceiro Lord Shaftesbury e Hutcheson tinham feito, num "sentido moral", nem (como David Hume) com base num decisivo sentido de utilidade, mas sim na simpatia. Tem havido uma controvérsia considerável quanto a saber se há ou não uma contradição ou contraste entre a ênfase de Smith na simpatia como motivação humana fundamental em "sentimentos morais", e o papel essencial do auto-interesse na "Riqueza das nações". Ele parece colocar mais ênfase na harmonia geral dos motivos e actividades humanas sob uma providência benigna no primeiro livro, enquanto que no segundo livro, apesar do tema geral da "mão invisível" promovendo a harmonia de interesses, Smith encontra mais ocasiões para apontar causas de conflitos e o egoísmo estreito da motivação humana.
Smith começava agora a dar mais atenção à juriprudência e à economia nas suas aulas, e menos às suas teorias de moral. Esta ideia é reforçada pelas notas tomadas por um dos seus alunos em cerca de 1763, mais tarde editadas por E. Cannan Lectures on Justice, Police, Revenue and Arms (Aulas de justiça, polícia, rendimento e armas, 1896) e pelo que Scott, que o descobriu e publicou, descreve em "Um esboço inicial de parte da Riqueza das nações" ("An early draft of part of the Wealth of Nations"), datado de 1763.
No final de 1763, Smith obteve um posto bem remunerado como tutor do jovem duque de Buccleuch e deixou o cargo de professor. De 1764 a 1766 ele viajou com o seu aluno, sobretudo em França, onde veio a conhecer líderes intelectuais como Turgot, D'Alembert, André Morellet, Helvétius e, em particular, François Quesnay, o principal nome na escola fisiocrática da economia cuja obra ele respeitava muito. Depois de regressar a casa para Kirkcaldy, ele dedicou muito do seu tempo nos 10 anos seguintes à sua magnum opus, que surgiu em 1776. Em 1778 ele recebeu um posto confortável como comissário da alfândega da Escócia e foi viver com a sua mãe em Edimburgo. Faleceu ali a 17 de julho de 1790, depois de de uma doença dolorosa. Ele tinha aparentemente dedicado uma parte considerável dos seus rendimentos a numerosos actos secretos de caridade.
Ideias
Posição face à situação nos EUA
Na sua estadia em Glasgow, onde foi professor na Universidade local entre 1751 e 1764, Adam Smith tomou contacto com vários dos comerciantes de tabaco da cidade, como por exemplo John Glassford. Estes punham-no a par dos últimos acontecimentos nas colónias. Adam Smith era um forte crítico da política restrictiva dos ingleses nas colónias, os quais impunham impostos e tinham criado frequentemente situações de monopólio. As manufacturas inglesas tinham nas colónias americanas um importante cliente. Alguns empresários ingleses influentes pediram mesmo ao parlamento inglês que proibisse as colónias americanas de terem as suas próprias manufacturas, com o fim de proteger os negócios dos ingleses. A política inglesa destes tempos era pois protecionista e aversa à livre competição. Adam Smith sabia que estas restrições acabariam por resultar na revolta dos Americanos. Como Benjamin Rush, um doutor e líder cívico da Pensilvânia disse em 1775: "Um povo que depende de estrangeiros para comida e vestimentas será sempre dependente deles". Os americanos não tolerariam essas restrições. A solução de Adam Smith para as colónias americanas era fomentar o livre comércio, acabar com os pesados impostos aduaneiros e restrições comerciais e oferecer às colónias uma representação política no parlamento de Westminster.
Obra
Pouco antes da sua morte, os manuscritos de Smith tinham sido quase totalmente destruidos. Nos seus últimos anos, ele terá planeado dois grandes tratados, um sobre a teoria e história do direito e outro sobre ciências e artes. Os Ensaios sobre temas filosóficos (1795), postumamente publicados, contém provavelmente partes do que deveriam ter sido o último daqueles dois tratados.
A Riqueza das Nações foi muito influente uma vez que foi um grande contributo para o estudo da economia e para a tornar uma disciplina autónoma. Este livro será provavelmente a obra mais influente no mundo ocidental, jamais publicada. Quando o livro, que se tornaria um manifesto contra o mercantilismo, foi publicado em 1776, havia um sentimento forte a favor do comércio livre, quer no Reino Unido como também nos EUA. Este novo sentimento teria nascido das dificuldades económicas e as privações causadas pela guerra. No entanto, ao tempo da publicação nem toda a gente estava convencida das vantagens do comércio livre: o parlamento inglês e o público em geral continuarão apegados ao mercantilismo por muitos anos.
A Riqueza das nações, e também, se bem que de menor impacto, a Teoria dos sentimentos morais, tornaram-se ponto de partida para qualquer defesa ou crítica de formas do capitalismo, nomeadamente influenciando a escrita de Karl Marx e de economistas humanistas. Em anos recentes, muitos afirmaram que Adam Smith foi tomado de rapto por economistas liberais (Laissez-faire economists) e que como a Teoria dos sentimentos morais mostra, Smith tinha uma inclinação pelo humanismo.
Tem havido alguma controvérsia sobre a extensão da originalidade de Smith na Riqueza das nações; alguns argumentam que esta obra acrescentou pouco às ideias estabelecidas por pensadores como David Hume e Montesquieu. No entanto, permanece um dos livros mais influentes neste campo até hoje.
A obra de Smith aclamada quer pelo mundo académico como na prática. O primeiro-ministro britânico William Pitt, a braços com a derrocada económica e social dos anos que se seguiram à independência americana, foi um partidário do comércio livre e chamou "A riqueza das nações" de "a melhor solução para todas as questões ligadas à história do comércio e com o sistema de economia política".
Citações
"Pessoas do mesmo ofício raramente se encontram, mesmo que em alegria ou diversão, mas se tiver lugar, a conversa acaba na conspiração contra o público, ou em qualquer artifício para fazer subir os preços" - Adam Smith, em Riqueza das nações
citações de Adam Smith em inglês no wikiquote
