Corão

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O Corão, ou Alcorão, Qur'an, Quran, Koran ou em árabe قُرْآن, é o livro sagrado do Islão. Os muçulmanos acreditam que o Corão é a palavra literal de Deus (Alá) revelada ao Profeta Maomé ao longo de um período de 22 anos. O seu título significa "Recitação" ou "Leitura". Consiste de 114 capítulos ou Surahs e um total de 6236 ayats (versos) onde se exalta o Nome de Deus. Os capítulos estão dispostos aproximadamente de acordo com o seu tamanho: o maior está próximo do início, o mais pequeno no fim. Personagens bíblicas bem conhecidas como Adão, Noé, Abraão, Moisés, Jesus, Maria (a mãe de Jesus) e João o baptista são mencionados no Corão como profetas do Islão. O Corão descreve as origens do Universo, o Homem e as suas relações entre si e o Criador. Define leis para a sociedade, moralidade, economia e muitos outros assuntos. Foi escrito com o intuito de ser recitado e memorizado. Os muçulmanos consideram o Corão sagrado e inviolável.

Conteúdo

Uma fonte de inspiração divina

Para os muçulmanos, o Corão é a palavra de Deus, sagrada e imutável, que fornece as respostas acerca das necessidades humanas diárias, tanto espirituais como materiais. Ele discute Deus e os seus nomes e atributos, crentes e suas virtudes, e o destino dos não-crentes (kuffar); a Virgem Maria, Jesus, e todos os outros profetas; até mesmo temas de ciência. Os muçulmanos não seguem apenas as leis do Corão, eles também seguem os exemplos do profeta, o que é conhecido como os Sunnah, e a interpretação do Corão contida nos ensinamentos do profeta, conhecida como a Ahadith.

Aos muçulmanos é ensinado que Deus lhes enviou outros livros. Para além do Corão, os outros são o livro de Ibrahim (que se perdeu, a lei de Moisés (a Taurah), os Salmos de David (o Zabûr) e o evangelho de Jesus (o Injil). O Corão descreve os Cristão e os Judeus como "o povo do livro" (ahl al Kitâb).

Os ensinamentos do Islão englobam muitas das mesmas personagens do Judaísmo e do Cristianismo. No entanto, os muçulmanos frequentemente se referem a eles por nomes em língua árabe, o que pode criar a ilusão de que se trata de pessoas diferentes. Exemplos: Alá para Deus, Iblis para Diabo, Ibrahim para Abraão, etc.

A crença no dia do julgamento (ver: escatologia) e na vida após a morte (Akhirah) também fazem parte da teologia islâmica.

Ablução

Os muçulmanos não tocam no livro senão após a ablução, conhecida como "wudu." Normalmente, os muçulmanos guardam-no numa prateleira alta do quarto, em sinal de respeito pelo Corão e alguns transportam pequenas versões consigo para seu conforto ou segurança. Apenas a versão original em árabe é considerada como o Corão; traduções são vistas como sombras fracas do significado original.

Versículos Satânicos

Críticos e alguns académicos muçulmanos afirmaram que existiram três versos no Corão inspirados por Satanás, os quais Maomé removeu após o anjo Gabriel ter revelado a sua fonte. Estes versos são conhecidos como os Versículos Satânicos. Também questionáveis são os dois versos 9:128-129 os quais certos académicos entre os quais Rashad Khalifa, afirmaram ser inconsistentes com a revelação do Corão.

A Jihad, ou Guerra Santa

O Corão descreve duas formas de Jihad ("luta"). Uma forma, a "Jihad Maior", é descrita como uma luta do indivíduo consigo mesmo, pelo domínio da alma, a outra forma, a "Jihad Menor", é descrita como uma Guerra Santa que os muçulmanos são obrigados a travar contra aqueles que são inimigos do Islão.

Há opiniões divergentes quanto às formas de conflicto que são consideradas Jihad. A Jihad só pode ser travada para defender o Islão. No entanto, alguns grupos (ver: Islamismo)acham que isto tem aplicação não apenas à defesa física dos muçulmanos, mas também à reclamação de terra que em tempos pertenceu a muçulmanos ou a protecção do Islão contra aquilo que eles vêem como influências que "corrompem" a vida muçulmana. A ideia da Jihad como uma guerra violenta tornou-se mais popular na segunda metade do século XX, especialmente dentro do movimento Wahaabita e nos movimentos Islamistas. De acordo com as formas comuns do Islão, se uma pessoa morre em combate na Jihad, ela é enviada directamente para o paraíso, sem quaisquer punições pelos seus pecados.

De acordo com o sociólogo sírio-alemão especialista no Islão, ele próprio um muçulmano sunita, Bassam Tibi, o fenómeno do Islamismo é uma forma de oportunismo político de alguns grupos, que se aproveitam da noção de Jihad, desvirtuando o Islão para torná-lo um factor de acção política em proveito próprio.

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