Arthur Schopenhauer
Keywords: Arthur Schopenhauer, 1788, 1860, 21 de Setembro, 22 de Fevereiro, Alemanha, Beethoven, Berlim
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Arthur Schopenhauer (22 de Fevereiro 1788 - 21 de Setembro 1860) foi um filósofo alemão do século XIXdas correntes irracionalista e romântica. Sua obra principal é O mundo como vontade e representação, embora o seu livro Parerga e Paraliponema (1851) seja o mais conhecido. Friedrich Nietzsche tem Schopenhauer como o filósofo que mais o influenciou. Schopenhauer foi o filósofo que introduziu o Budismo e a filosofia indiana na metafísica alemã. Ele, entretanto, foi conhecido por seu pessimismo e entendia o Budismo como uma confirmação dessa visão, fazendo então que Nietzsche criticasse o Budismo como uma doutrina que, insatisfeita com as mazelas do mundo, requer a auto-mortificação em nome de uma moral artificial.
Schopenhauer nasceu em Danzig (na época uma cidade livre do báltico) em 22 de Fevereiro de 1788, morreu em Frankfurt em 21 de Setembro de 1860.
Principais Obras
- Sobre a raiz quádrupla do princípio da razão suficiente (1813).
- O mundo como vontade e representação (1819).
- Da Morte e Sua Relação com a Instrumentabilidade do Nosso Ser-Em-Si (1819).
- Metafísica do Amor (1819).
- Sobre a Vontade da Natureza (1836).
- Os Dois Problemas Fundamentais da Ética (1841).
- Parerga e Paraliponema (1851).
Contexto filósofico e cultural
1788
Nascimento de Schopenhauer de Danzig, no dia 22 de fevereiro. Kant: Crítica da razão pura.
1789
Revolução Francesa
George Washington é o primeiro presidente dos Estados Unidos.
1793
Os Schopenhauer se mudam para Hamburgo.
1803-1804
Napoleão é imperador pela Europa. Beethoven compõe a Heróica.
1805
Suicida-se o pai de Schopenhaer; este permanece em Hamburgo e sua mãe muda-se para Weimar. Napoleão é rei da Itália.
1807
Schopenhauer inicia seus estudos no Liceu de Weimar. Hegel: "Fenomenologia do Espírito".
1808
Goethe: Fausto (primeira parte)
1811
Ingresso de Schopenhauer na Universidade de Berlim, onde estuda filosofia.
1813
Sobre a raiz quadrupla do príncipio de razão suficiente. Nascimento de Kierkegaard.
1814
Schopenhauer rompe relações com a mãe e muda-se para Dresden. Napoleão abdica e se retira para a ilha de Elba.
1819
O mundo como vontade e representação.
1841
Os dois problemas fundamentais da ética. Feuerbach: A essência do cristianismo.
1844
Segundo edição de O mundo como vontade e representação. Kiergaard: O conceito da angústia. Nascimento de Nietzsche.
1860
Schopenhauer morre em 21 de setembro. Fechner: Elementos de psicologia.
Trechos da obras "Do Sofrimento do Mundo"
- "É uma verdade incrível como a existência da maior parte dos homens é insignificante e destituída de interesse, vista exteriormente, e como é surda e obscura sentida interiormente. Consta apenas de tormentos, aspirações impossíveis; é o andar cambaleante de um homem que sonha através das quatro épocas da vida, até à morte, com um contejo de pensamentos triviais. Os homens assemelham-se a relógios a que se dá cordae trabalham sem saber a razão. E sempre que um homem vem a este mundo, o relógio da vida humana recebe corda novamente, para repetir, mais uma vez, o velho e gasto refrão da eterna caixa de música, frase por frase, com variações imperceptíveis."
- "O Sentido mais próximo e imediato de nossa vida é o sofrimento, e se não fosse assim, nossa existência seria o maior dos contra-sensos, pois é um absurdo imaginar que a dor infinita, que nasce da necessidade essencial à vida, da qual o mundo está pleno é meramente acidental e sem sentido."
- "Quem quiser comprovar a afirmação de que no mundo o prazer ultrapassa a dor, ou que pelo menos se mantêm em equilíbrio, que compare a sensação do animal que devora um outro, com a sensação daquele que é devorado."
- "O pássaro na gaiola canta não de alegria, mas de raiva.' o mesmo sucede ao cão, o tão fiel e amigo do homem, que vive preso por correntes! Não consigo ver um cahorro preso sem experimentar imensa compaixão por ele e profunda indignação contra o seu dono e lembro-me com satisfação do caso relatado no Times, há alguns anos, em que um lord, dono de um imenso cão, que mantinha sempre acorrentado, certo dia, passeando pelo jardim, tentou acariciá-lo e, como resposta o cão arrancou-lhe o braço - e com toda razão! Com isso, certamente queria dizer: 'Não és meu dono, mas meu demônio, fazendo um inferno minha curta existência'. Que todos que deixam seus cães acorrentados sofram o mesmo!"
- "Na infância, nos situamos frente ao futuro de nossas vidas. É uma sorte não sabermos o que efetivamente virá, pois para quem sabe poderá, ás vezes, parecer que as crianças são deliquentes inocentes, condenadas não à morte, mas à vida, as quais ainda não ouviram o conteúdo de sua condenação. Não obstante, ainda assim, todos querem para si uma vida prolongada; por conseguinte aspiram a um estado em que a situação é: 'Hoje está mal, amanhã será pior, até que sobrevenha o mal definitivo.'"
- "Suponhamos que o ato da procriação não fosse uma necessidade e nem viesse junto com o prazer, mas fosse um assunto de pura reflexão racional: será que nesse caso a humanidade continuaria a existir? Ou, pelo contrário, cada um teria compaixão suficiente para não impor, com tanta frieza, o fardo da existência à geração seguinte? Pois o mundo constitui o inferno, e os homens dividem-se em dois grupos: de um lado ficam os atormentados e, do outro, os demônios."
- "Efetivamente, a convicão de que o mundo e, portanto, o homem, é algo que não deveria ser, é apropriada para nos dotar de tolerância em relação aos outros, pois o que devemos esperar de seres assim? E desse ponto de vista, deveríamos pensar que seria mais apropriado que os homens se tratassem não como Monsieur, Sir, etc., mas como 'companheiros do infortúnio'."
Outras citações:
"A modéstia é a humildade de um hipócrita que pede perdão por seus méritos aos que não têm nenhum."
"O que um indivíduo pode ser para o outro, não significa grande coisa, no fim cada qual acaba só. Ser feliz, diz Aristóteles, é bastar-se a si mesmo."
"Nada merece nosso esforço, todas as coisas boas são apenas vaidades, o mundo é uma bancarrota e a vida, um mau negócio, que não paga o investimento. Para ser feliz, é preciso ser como as crianças: ignorante."
"O médico vê o homem em toda a sua fraqueza; o jurista o vê em toda a sua maldade; o teólogo, em toda a sua imbecilidade."
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