Astrologia

Keywords: Astrologia, Analogia, Aquário (astrologia), Arquétipo, Assurbanipal, Asteca, Astrologia chinesa, Astrologia e alquimia, Astronomia

thumb|right|Um mapa natal: este mapa, ou carta natal, foi calculado para o começo do Terceiro Milênio, 01 de janeiro de 2001, às 0:00 h (horário de verão) em São Paulo, Brasil. A astrologia (grego αστρολογία = άστρον, astron, "estrela" + λόγος, logos, "palavra, discurso") é conhecimento tradicional. Todos os povos desenvolveram, ao observar o céu, um ou outro tipo de calendário, para medir as variações do clima no decorrer do ano. A função primordial destes calendários era prever eventos cíclicos dos quais dependia a sobrevivência humana, como a chegada das chuvas ou do frio. Esse conhecimento empírico foi a base de classificações variadas dos corpos celestes. As primeiras idéias de constelação surgiram dessa necessidade de acompanhar o movimento dos planetas contra um quadro de referência fixo.

Há, portanto, não uma, mas várias astrologias. Todas se baseiam, em alguma medida, nas posições relativas à Terra, e nas relações trigonométricas entre si, dos corpos celestes (principalmente Sol, Lua e planetas), e no movimento relativo de dois eixos terrestres, o Ascendente e o Meio do Céu. Estas posições no momento do nascimento, seja de uma pessoa, um objeto, um país ou um evento qualquer, compartilham de uma mesma configuração com este objeto, sendo portanto expressão deste.

Conteúdo

Descrição

Durante séculos a astrologia se baseou na observação de objetos astronômicos e no registro de seus movimentos, sendo portanto considerada uma protociência. Mais recentemente os astrólogos têm usado dados coletados pelos astrônomos e organizados em tabelas chamadas efemérides, que mostram as posições dos corpos celestes.

A base da astrologia é o mapa natal (também chamado carta natal, carta astrológica, mapa de nascimento, horóscopo ou apenas carta). Este mapa é um digrama bidimensional que representa a posição aparente dos corpos celestes vistos de certo local da Terra em um dado momento. A interpretação do mapa leva em consideração:

Há, no entanto, diferenças na forma como estes três apoios básicos são usados nas diferentes tradições, as quais incluem:

Também de maneira geral estas tradições incluem abordagens diferentes, entre elas:

Ao longo do tempo,a astrologia deixou sua marca na linguagem; influenza, nome antigo dado à gripe, veio a atribuição pelos médicos de causas planetárias à doença. Desastre vem do latim dis aster (má estrela), considerar de sider, porque se acreditava que o ferro vinha do espaço.

Embora a astrologia ocidental use quase que exclusivamente o [[zodíaco|zodíaco tropical], a astrologia hindu usa o zodíaco sideral, que indica a posição astronômica real dos astros no céu. O zodíaco tropical representa o zodíaco sideral da época de Ptolomeu.

Técnicas astrológicas

A Astrologia atual usa, em geral, uma codificação que estabelece o ser (ou país, cidade,etc) como o centro de um "mapa celeste", de 360 graus, o Zodíaco. A configuração do céu no momento do "nascimento" do ser ou evento, constitui o seu mapa astrológico.

A elaboração do "mapa astrológico anual" consiste no cálculo de um novo mapa astrológico com a posição dos planetas no momento exato (do ano atual) em que o Sol passa novamente no mesmo lugar em que passou no dia do nascimento, o que acontece na data (ou próximo) do aniversário. Este novo mapa chama-se retorno solar ou revolução solar.

A análise anual do panorama individual baseia-se em um conjunto de técnicas sendo as mais usadas a progressão do mapa natal, que viso substituir as direções, ainda em uso; os trânsitos dos planetas sobre o mapa natal, e o retorno solar.

Muito usadas, ainda, são as técnicas tradicionais como a astrologia horária e a astrologia eletiva. Estas independem da astrologia natal, e são mais propriamente técnicas previsivas.

Conceitos clássicos

Os signos e as partes do corpo

Segundo Marco Manilius (século I) em seu poema Astronomica, os signos do zodíaco regem as partes do corpo na forma que segue:L

A astrologia médica usa também associações entre planetas e partes do corpo.

História

Ver artigo principal História da astrologia.

As várias astrologias

Além da que se chama hoje ocidental, embora pela história acima se possa ver sua origem oriental, são praticadas hoje no mundo todo outras formas de astrologia.

Na China, a astrologia é conhecida a partir de 2000 a.C. Diz a tradição que Buda, ao morrer, chamou os animais para se despedir e somente 12 vieram e estes são os anos da Astrologia Chinesa.

A Índia conheceu a astrologia da Mesopotâmia quando foi invadida, por volta de 1500 a.C.

Os Astecas usavam uma astrologia com 20 signos. Um padre espanhol, que acompanhou a tomada de Cortez, codificou a astrologia dos Astecas.

Há várias correntes recentes - dos séculos XIX e XX - na astrologia. A astrologia inglesa do século XIX teve forte influência da teosofia, como praticada por Alice Bailey. Alan Leo e [Charles Carter]] são dois de seus expoentes, e dessa linha surgiu a Faculdade de Astrologia de Londres.

Depois dos estudos de astrologia e alquimia por Carl Gustav Jung, a astrologia psicológica tomou corpo em bases principalmente junguianas, embora exista uma astrologia transpessoal baseada no trabalho de Roberto Assagioli.

Mais recentemente há um renascimento da astrologia clássica, com grande número de obras da antigüidade e renascença sendo retraduzidas para o inglês, a partir de originais em árabe, grego e latim. Esse esforço visa retomar o conhecimento antigo, limpando-o de adendos exóticos que redundaram em concepções simplistas sobre, por exemplo, os quatro elementos.

Astrologia e ciência

A astrologia não é uma ciência no sentido cartesiano do termo. Embora haja astrólogos que busquem embasar segundo o método científico e usando estatísticas suas afirmações, por visarem o reconhecimento de seu trabalho pela comunidade científica, um grande número de astrólogos praticantes e de filósofos da astrologia a vê como uma arte baseada em conhecimento técnico, conhecimento tradicional e uma concepção sistêmica do universo.

Uma das idéias que são base da astrologia é que o posicionamento dos astros no momento do nascimento tem relação com seu caráter e portanto seu destino, mas não há consenso entre os astrólogos sobre como se processa esta relação: as várias correntes a atribuem a influência, campos eletromagnéticos ou semelhantes, ciclos, analogia ou sincronicidade.

Na busca do reconhecimento pela ciência oficial, o trabalho estatístico de Michel Gauquelin analisando exaustivamente a incidência de determinados planetas na área da carreira do mapa natal de personalidades de várias áreas de atuação é amplamente conhecido nos meios acadêmicos. No entanto, a validade científica do método estatístico tem sido questionada nas últimas décadas, o que nos leva à relação entre a astrologia e a nova física, o pensamento sistêmico e a complexidade.

A astrologia e a nova física

O trabalho pioneiro de Richard Tarnas junto a Stanislav Grof tem contribuído para explicitar a relação entre as novas concepções da realidade, pós-reducionistas, e a cosmologia.

A astrologia não opera, evidentemente, em termos de gravidade: não é a atração gravitacional de um astro que age sobre uma vida humana. Nem interações eletromagnéticas ou nucleares explicam seu mecanismo de ação. Mas não há na astrologia nenhuma afirmação que contradiga a natureza da realidade como vista pela ciência oficial.

A ciência tem se desenvolvido por novas linhas, como o holomovimento derivado da mecânica quântica, os campos emergentes de dinâmica não-linear, a teoria do caos e a geometria dos fractais.

A interpretação de Bohm da teoria quântica divide a equação de Schrödinger em duas partes: a primeira, dentro dos limites da física clássica, onde Bohm coloca o comportamento do elétron; e a segunda, na forma de campos de informação semelhantes a ondas, o potencial quântico, que explica a interação dos elétrons com a totalidade do universo. A influência desse potencial quântico se deve apenas à forma da onda, não à sua magnitude, portanto atinge todo e qualquer ponto no espaço.

Esta informação é a base do holomovimento, que é a realidade do universo, onde tudo está integrado no mesmo fluxo constante. A base do holomovimento está nos conceitos de ordem implícita e ordem explícita, onde a segunda é apenas a superfície da primeira, sendo ambas intercambiáveis. O espaço que parece vazio participa deste holomovimento, sendo ele mesmo mais rico em energia do que a matéria e a energia explícitas no universo. Matéria, energia e significado são inseparáveis, e compõem a realidade universal.

Por outro lado, um fractal sendo uma representação holográfica, o conjunto de Mandelbrot mostra estruturas auto-similares que reproduzem em escala muitas vezes menor a imagem do objeto original, de maneira semelhante à famosa frase inicial da Tábua de Esmeralda. O conjunto de Mandelbrot mostra mundos dentro de mundos, sendo um golpe no reducionismo científico (segundo o qual a única forma de se estudar um fenômeno é reduzindo-o a suas pares componentes). O que a nova física tem descoberto é que o microcosmo é tão complexo quznto o macrocosmo, porque o reproduz. A nível processual, o micro contém o macro, embora, claro, não a nível físico.

Unindo o conjunto de Mandelbrot com o holomovimento através das ordens implícita e explícita, teríamos uma holografia que inclui um processo de explicitar e voltar ao não-manifesto, dinamicamente. E esse processo estaria em curso em todos os níveis do conjunto, do micro ao macro. Isto correlacionaria planos como o movimentos dos planetas e alteraçõea na psique de uma pessoa, por exemplo. Assim, de forma não-mecanicista, o que acontece em Saturno acontece também em você, literalmente, a nível processual e não de manifestação.

A estrutura holográfica da astrologia aparece, por exemplo, na afirmação de que os três planetas modernos são oitavas superiores - estrutura auto-similares - de Mercúrio, Vênus e Marte. A técnica da progressão, que toma um dia por um ano, é uma estrutura auto-similar no tempo. A este respeito Bohm afirmou que estrutura fractal do tempo se expressa no fato de que cada momento do tempo possui todo o passado e todo o futuro, sendo passado e futuro a medida da ordem de implicitação do tempo explícito. Os arquétipos são a ordem implicita mesma, e à medida que se explicitam constituem os próprios eventos. A leitura de um mapa pode ser feita em vários níveis: em relação aos signos, considerando o universo todo incluído em cada seção do espaço; ou a nível das interações angulares entre planetas, ficando então restrita ao âmbito do sistema solar. Em qualquer dos casos a informação obtida é a mesma, replicada em níveis diferentes.

Matéria e energia, então, formam a ordem explícita, e significado, inseparável delas, a ordem implícita que as interpenetra. A astrologia, em certo sentido, é uma ciência da ordem do significado que interpenetra o universo físico espaço-temporal. Aliada às ciências da ordem explícita, que são as ortodoxas, teríamos uma compreensão da totalidade que é o objetivo maior da expressão humana.

Teorias sobre o funcionamento da astrologia

Após a divisão da astronomia e a astrologia, sempre houve os que vêem a 'astrologia como pseudo-ciência que se utiliza de maneira mística dos conhecimentos de astronomia para tentar estabelecer relações entre o comportamento humano e as posições dos astros, tentando fazer previsões e predições baseadas nesses dados.

Muitos astrólogos atuais pensam que os astros influenciam a personalidade ou caracterísiticas de pessoas ou eventos que ocorrem na Terra, mas muitos outros pensam que há outra relação, que não a de influência, como a sincronicidade da astrologia psicológica de base junguiana.

Buscando ser aceita como ciência, a astrologia procutou preencher os dois critérios que a enquadrariam como tal:

  1. Previsibilidade: passível de ser comprovada por observadores de outras disciplinas científicas.
  2. Consistência: interna e externa, ou seja, no âmbito da filosofia das ciências.

A astrologia deveria demonstrar, portanto, que funciona, e explicar porque funciona.

Não há consenso sobre a forma como a astrologia funciona.

No curso da história, vemos o surgimento de explicações diferentes. Santo Alberto Magno pensava que, embora as estrelas não possam influenciar a alma humana, influenciam o corpo e a vontade humanos.

Heinrich Cornelius Agrippa von Nettesheim (1486-1535) via o universo como o Unus Mundus, onde o que ocorre no mundo celestial chega até o mundo dos fenômenos, intermediado pela esfera dos corpos celestes. Nesta concepção, a relação entre a esfera dos corpos celestes e a esfera humna não é de causalidade, mas de analogia ou sincronicidade.

Cientistas de orientação biológica procuram a explicação nos ritmos e ciclos biológicos, como os circadianos e lunares. John Addey, astrólogo inglês, realizou vários levantamentos estatísticos em busca da comprovação de conceitos astrológicos, como o de quase mil nonagenários e a relação Sol-Saturno. Descobriu, assim, o significado das relações harmônicas entre períodos cósmicos.

Outra concepção é que a influência se dá através da variedade de raios cósmicos que chegam ao nosso planeta. Ebertin é um dos defensores desta hipótese.

Uma forma diferente de abordagem é a da sincronicidade, conceito expresso por C.G.Jung. Jung estudou grande número de mapas de nascimento de casais, e descobriu relações interessantes entre os sóis e as luas dos cônjuges.

Argumentos a favor e contra a astrologia

A astrologia é um campo de conhecimento controvertido, e há argumentos a favor e contra a validade de seu estudo. A ciência ortodoxa não demonstra que a astrologia não funciona, mas questiona que ela funcione. A esse respeito, e, 1975 um grupo de astrônomos assinou um artigo contra a astrologia. Ausência notável nesta lista, Carl Sagan não assinou, declarando que o fato de não sabermos como uma coisa funciona não nos dá o direito de condená-la (citado por William Keepin, Ph D).

Argumentos a favor da astrologia

A astrologia é um meio de ligar o ser humano a alguns arquétipos mais básicos encontrados nas mitologias de várias culturas do mundo todo. Fornece uma moldura de significado para a vida humana em relação ao cosmos, dando um senso de ligação com a totalidade. O uso que faz da intuição permite uma observação dos fatos como um todo, numa contrapartida à ênfase na função reflexão da cultura ocidental.

O que se chama habitualmente de astrologia são os horóscopos de jornal, que não são considerados sérios pelos astrólogos. A astrologia de revistas, baseada no signo solar ou no ascendente apenas, é no mínimo falsa, quando não nociva. O Sol e o ascendente são apenas dois dos muitos pontos no mapa de nascimento, e é preciso considerar as relações angulares entre estes pontos, ao interpretar um mapa natal.

Uma leitura individual por um astrólogo capacitado - que pode ser o próprio indivíduo se ele conhece astrologia o suficiente - auxilia a pessoa a compreender seus sentimentos e pensamentos no presente, e a identificar padrões de comportamento que se repetem, conhecendo assim melhor sua personalidade. Com este conhecimento, é possível reinterpretar acontecimentos do passado, como disse Freud, e com isto criar oportunidades de acontecimentos diferesntes no futuro.

A questão do livre-arbítrio x destino está presente na astrologia. Cada indivíduo é o senhor de sua vida, e a forma como vai vivenciar as indicações de seu mapa é individual e imprevisível pelo astrólogo. Este pode apenas indicar o tipo de pressão que será sofrida em certa fase, e em que área da vida será defrontada.

Muitos astrólogos dizem que a influência dos astros é de ordem espiritual, nada tendo a ver, portanto, com a força gravitacional dos planetas.

Argumentos contra a astrologia

Existem várias críticas que os cientistas fazem sobre a metodologia dos astrólogos.

Uma vez que alguns astrólogos dizem ser capazes de fazer previsões sobre o futuro, deve ser possível construir um experimento para medir a precisão destas previsões. Aqui poderia se usar o mesmo método usado para a Meteorologia que é usada para prever o tempo. A Meteorologia é uma ciência exata, não porque as previsões sejam exatas, mas porque ela oferece os meios de prever e estimar o erro da previsão. Portanto um meteorologista não diz, amanhã vai chover, e sim, existe 70% de chance de chuva amanhã. Neste sentido nenhum dos experimentos realizados até hoje com a astrologia foi capaz de mostrar acuracidade maior do que a que se consegue por puro palpite.

Claro que alguns astrólogos dizem que a astrologia não é usada para prever o futuro, e sim para guiar e orientar os seus clientes através de padrões de comportamento, hora de nascimento, etc. Ainda assim, testes usando dois grupos de controle (double blind tests http://psychicinvestigator.com/demo/AstroSkc.htm) mostraram que a taxa de acerto de um astrólogo ao casar uma carta astrológica com o perfil de um cliente não tem uma taxa de acerto maior que um pessoa leiga, fazendo associações aleatórias de clientes e cartas astrológicas.

  1. O puxão gravitacional de um planeta como Saturno, com massa 90 vezes maior que a da Terra, em pessoa daqui da Terra é igual ao puxão gravitacional de um carro a 1,7 metros desta pessoa. Ainda assim os astrólogos não parecem interessados na posição dos carros no hora do nascimento de ninguém, ou mesmo se a pessoa nasceu em um estacionamento. Na verdade o campo gravitacional da Terra é variável em toda a superfície, e ele próprio varia mais de lugar para lugar sozinho, do que devido à presença dos planêtas mais pesados do sistema solar.
  2. A Astrologia não oferece qualquer explicação plausível e testável de como a força gravitacional pode afetar a personalidade de uma pessoa, porque somos suscetíveis ao efeito gravitacional durante o nascimento nem de como uma influência gravitacional no passado pode afetar nosso destino futuro.

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