Astronomia
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Astronomia, que etimologicamente significa "lei das estrelas" (do Grego: άστρο + νόμος), é uma ciência que envolve a observação e a explicação de eventos que ocorrem fora da Terra e de sua atmosfera. Estuda as origens, evolução e propriedades físicas e químicas de todos os objectos que podem ser observados no céu (e estão além da Terra), bem como todos os processos que os envolvem. Os subcampos que ela inclui é uma questão cuja resposta tem mudado com o tempo. Durante parte do século XX, a astronomia era dividida em astrometria, mecânica celeste e astrofísica. Dos três, a astrofísica ganhou uma certa proeminência, como pode ser visto nos nomes dos departamentos e institutos universitários envolvidos em pesquisa astronômica: os mais antigos são invariavelmente departamentos e institutos de Astronomia, enquanto os mais novos tendem a incluir astrofísica em seu nome, algumas vezes excluindo a palavra astronomia, para enfatizar a natureza de sua pesquisa. Além disso, pesquisa astrofísica, especialmente em astrofísica teórica, pode ser realizada por pessoas com formação em física ou matemática, mas sem formação específica em astronomia.
[[imagem:moon.crater.arp.300pix.jpg|frame|Astronomia lunar: o lado oculto da Lua. A grande bacia mostrada é a Cratera Daedalus. Ela cobre cerca de 93 quilômetros e foi fotografada pela tripulação da Apollo 11 enquanto circundavam a Lua em ]]
A Astronomia é uma das poucas ciências onde amadores possuem um papel ativo, especialmente na descoberta e monitoração de fenômenos temporários. Astronomia não deve ser confundida com Astrologia, uma pseudo-ciência que tenta prever o destino de uma pessoa acompanhando os caminhos de objetos astronômicos. Embora os dois campos compartilhem uma origem comum, eles são bastante diferentes; a astronomia incorpora o método científico, enquanto a astrologia não tem bases científicas.
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Divisões da Astronomia
Por ter um objecto de estudo tão vasto, a astronomia é dividida em muitas áreas. Uma distinção principal é entre a astronomia teórica e a observacional. Observadores usam vários meios para obter dados sobre diversos fenômenos, que são usados pelos teóricos para criar e testar teorias e modelos, para explicar observações e para prever novos resultados. O observador e o teórico não são necessariamente pessoas diferentes e, em vez de dois campos perfeitamente delimitados, há um contínuo de cientistas que põem maior ou menor ênfase na observação ou na teoria.
Os campos de estudo podem também ser categorizados quanto:
- ao assunto: em geral de acordo com a região do espaço (ex. Astronomia galáctica) ou aos problemas por resolver (tais como formação das estrelas ou cosmologia).
- à forma como se obtém a informação (essencialmente, que faixa do espectro eletromagnético é usada).
Enquanto a primeira divisão se aplica tanto a observadores como também a teóricos, a segunda se aplica a observadores, pois os teóricos tentam usar toda informação disponível, em todos os comprimentos de onda, e observadores freqüentemente observam em mais de uma faixa do espectro.
Por assunto ou problema atacado
[[imagem:dust.devil.mars.arp.300pix.jpg|frame|Astronomia planetária ou ciências planetárias: um "dust devil" (literalmente, demônio da poeira) marciano. A fotografia foi captada pela NASA Global Surveyor em órbita à volta de Marte. A faixa escura e longa é formada pelos movimentos em espiral da atmosfera marciana (um fenómeno semelhante ao tornado). O "dust devil" (o ponto preto) está a subir a encosta da cratera. Os "dust devils" formam-se quando a atmosfera é aquecida por uma superfície quente e começa a rodar ao mesmo tempo que sobe. As linhas no lado direito da figura são dunas de areia no leito da cratera.]]
- Astrometria: Mede as posições dos objetos no céu e suas mudanças. É necessária para definir o sistema de coordenadas usado e a cinemática de objetos em nossa galáxia.
- Cosmologia Observacional: Estudo do universo como um todo e sua evolução.
- Astronomia galáctica: Costumava ser o estudo da estrutura e componentes de nossa galáxia. Agora inclui o estudo de outras galáxias que possam ser observadas em detalhe.
- Astronomia extragaláctica: Estudo de objetos (principalmente galáxias) fora de nossa galáxia.
- Formação e evolução de galáxias: Estudo da formação das galáxias, e sua evolução ao estado atual observado.
- Formação de estrelas: Estudo das condições e dos processos que conduziram à formação das estrelas no interior de nuvens do gás, e o próprio processo da formação.
- Evolução estelar: Estudo da evolução das estrelas, de sua formação a seu fim como um resto estelar.
- Astronomia estelar: Estudo das estrelas, em geral.
- Uranografia: Estudos dos asterismos (constelações). Nome atual de Uranometria.
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Por formas de obter informação
Na astronomia, a principal forma de obter informação é através da detecção e análise da radiação eletromagnética, fótons, mas a informação é adquirida também por raios cósmicos, neutrinos, e, no futuro próximo, ondas gravitacionais (veja LIGO e LISA).
Uma divisão tradicional da astronomia é dada pela faixa do espectro eletromagnético observado:
- Astronomia ótica se refere às técnicas usadas para detectar e analisar a luz na faixa do espectro visível ao olho humano ou ligeiramente ao redor (aproximadamente 400 - 800 nm). A ferramenta mais comum é o telescópio, com câmeras eletrônicas e espectrógrafos.
- Astronomia infravermelha trata da detecção de radiação infravermelha (com comprimentos de onda maiores que o da luz vermelha). A ferramenta mais comum é o telescópio, mas com o instrumento optimizado para infravermelho. telescópios espaciais são usados também para eliminar o ruído (interferência eletromagnética) da atmosfera.
- Rádio-astronomia usa instrumentos completamente diferentes para detectar radiação de comprimentos de onda de milímetros a centímetros. Os receptores são similares àqueles usados em transmissão de rádio (que usa estes comprimentos de onda). Veja também Radiotelescópios.
- Astronomia de alta energia
frame|Astronomia extragaláctica: lente gravitacional. Esta imagem captada pelo Telescópio Hubble mostra vários objectos azuis em forma de espiral que na verdade são imagens múltiplas da mesma galáxia. A imagem original da galáxia foi duplicada pelo efeito de lente gravitacional causado pelos clusters de galáxias elípticas e em espiral de cor amarela que aparecem no centro da fotografia. A lente gravitacional deve-se ao poderoso campo gravítico que o cluster cria e que curva, distorce e amplifica a luz de objectos mais distantes.
A astronomia óptica e a radioastronomia podem ser feitas em obervatórios localizados à superfície da Terra, porque a atmosfera é transparente àqueles comprimentos de onda. A luz infravermelha é absorvida pelo vapor de água, pelo que os observatórios de infravermelhos têm que ser colocados em lugares elevados, secos ou no espaço.
A atmosfera é opaca aos comprimentos de onda usados pela astronomia de Raio-X, pela astronomia de raios gama, pela astronomia UV e, à exceção de alguns comprimentos de onda, pela astronomia na região dos infravermelhos distante, por isso as observações têm que ser realizadas em balões ou em obervatórios no espaço.
Breve História da Astronomia
Na parte inicial da sua história, a astronomia envolveu somente a observação e a previsão dos movimentos dos objetos no céu que podiam ser vistos a olho nu. O Rigveda refere-se aos 27 asterismos ou nakshatras associados aos movimentos do Sol e também às 12 divisões zodiacais do céu. Os antigos gregos fizeram importantes contribuições para a astronomia, entre elas a definição de magnitude aparente. A Bíblia contém um número de afirmações sobre a posição da Terra no universo e sobre a natureza das estrelas e dos planetas, a maioria das quais são poéticas e não devem ser interpretadas literalmente; ver Cosmologia Bíblica. Nos anos 500, Aryabhata apresentou um sistema matemático que considerava que a Terra rodava em torno do seu eixo e que os planetas se deslocavam em relação ao Sol.
O estudo da astronomia quase parou durante a Idade Média, à exceção do trabalho dos astrónomos árabes. No final do século IX, o astrónomo árabe al-Farghani (Abu'l-Abbas Ahmad ibn Muhammad ibn Kathir al-Farghani) escreveu extensivamente sobre o movimento dos corpos celestes. No século XII, os seus trabalhos foram traduzidos para o latim, e diz-se que Dante aprendeu astronomia pelos livros de al-Farghani.
No final do Século X, um observatório enorme foi construído perto de Teerã, Irã, pelo astrônomo al-Khujandi, que observou uma série de trânsitos meridianos do Sol, que permitiu-lhe calcular a obliquidade da eclíptica, também conhecida como a inclinação do eixo da Terra relativamente ao Sol. Como sabe-se hoje, a inclinação da Terra é de aproximadamente 23°34', e al-Khujandi mediu-a como sendo 23°32'19". Usando esta informação, compilou também uma lista das latitudes e das longitudes de cidades principais.
Omar Khayyam (Ghiyath al-Din Abu'l-Fath Umar ibn Ibrahim al-Nisaburi al-Khayyami) foi um grande cientista, filósofo e poeta persa que viveu de 1048 a 1131. Compilou muitas tabelas astronômicas e executou uma reforma do calendário que era mais exato do que o Calendário Juliano e se aproximava do Calendário Gregoriano. Um feito surpreendente era seu cálculo do ano como tendo 365,24219858156 dias, que é exato até a sexta casa decimal.
Durante o Renascimento Copérnico propôs um modelo heliocêntrico do Sistema Solar. O seu trabalho foi defendido, desenvolvido e corrigido por Galileu Galilei e Johannes Kepler. Kepler foi o primeiro a desenvolver um sistema que descrevesse corretamente os detalhes do movimento dos planetas com o Sol no centro. No entanto, Kepler não compreendeu os princípios por detrás das leis que descobriu. Estes princípios foram descobertos mais tarde por Isaac Newton, que mostrou que o movimento dos planetas se podia explicar pela Lei da gravitação universal e pelas leis da dinâmica.
Constatou-se que as estrelas são objetos muito distantes. Com o advento da Espectroscopia provou-se que são similares ao nosso próprio Sol, mas com uma grande variedade de temperaturas, massas e tamanhos. A existência de nossa galáxia, a Via Láctea, como um grupo separado das estrelas foi provada somente no século XX, bem como a existência de galáxias "externas", e logo depois, a expansão do universo dada a recessão da maioria das galáxias de nós. A Cosmologia fez avanços enormes durante o século XX, com o modelo do Big Bang fortemente apoiado pelas evidências fornecidas pela Astronomia e pela Física, tais como a radiação cósmica de microondas de fundo, a Lei de Hubble e a abundância cosmológica dos elementos.
Para ter uma história mais detalhada da Astronomia, ver História da astronomia
[[imagem:ant.nebula.arp.300pix.jpg|frame|Astronomia estelar, evolução estelar: A nebulosa planetária de Formiga. A ejecção de gás da estrela moribunda no centro tem padrões simétricos intrigantes diferentes dos padrões caóticos esperados de uma explosão ordinária. Cientistas usando o Hubble tentam entender como uma estrela esférica pode produzir tais simetrias proeminentes no gás que ejecta.]]
Ver também
- Astrónomos e Astrofísicos
- Cronologia da física dos buracos negros
- Cronologia da cosmologia
- Cronologia da astronomia de radiação de fundo negro
- Cronologia do estudo das galáxias, clusters de galáxias e outras estruturas de grande escala
- Cronologia do estudo do meio interestelar e meio intergaláctico
- Cronologia do estudo das anãs brancas, estrelas de neutrões e supernovas
- Cronologia da asronomia estelar
- Cronologia da astronomia solar
- Cronologia do estudo do sistema solar
- Cronologia dos mapas astronómicos, catálogos e pesquisas
- Cronologia dos telescópios, observatórios e tecnologias da observação astronómica
- Cronologia dos satélites artificiais e sondas espaciais
- Exploração espacial
- União Astronómica Internacional
- Royal Astronomical Society
- Observatório Europeu do Sul
- Big Splash - a formação da Lua
- Big Bang - a formação do Universo
Ferramentas Astronômicas
- Telescópio
- Computador
- Radiotelescópio
- Calculadora
- Observatório
- Observatório Espacial
Links Externos
Organizações (em inglês)
- American Association of Variable Star Observers
- Durham Region Astronomical Association
- National Optical Astronomy Observatories
- North York Astronomical Association
- Royal Astronomical Society of Canada
- Royal Astronomical Society (UK)
- Czech Astronomical Society
- Herzberg Institute of Astrophysics
- Saint Louis Astronomical Society
Referências em inglês
- Encyclopedia of Astronomy and Astrophysics
- Los Alamos Astrophysics e-Print Database
- Astronomy Picture of the Day
- 20th Century Astronomers
- Islamic and Arab Astronomy
- http://www.asimpleclick.com/nasa_related.htm
Astronomia em Português
- Portal do Astrónomo - com informação actualizada e artigos de qualidade sobre os diversos aspectos da astronomia
- Urânia Brasil
- Biblioteca Virtual de Astronomia
- Departamento de Astronomia da UFRGS - Não deixe de conferir o hipertexto de Astronomia e Astrofísica!
- Fases da lua
- CAsB - Clube de Astronomia de Brasília
- Uranometria Nova - Astronomia, Astrofísica, História da Astronomia.
- Lendas do Zodiaco O zodiaco na Astronomia e a mitologia das 13 constelações zodiacais.
- Calendário Astronômico Calendário Astronômico e Efemérides Astronômicas
- Cronologia Astronômica Cronologia dos fatos mais importantes da História da Astronomia
- Imagem Astronômica do Dia - Comentada por astrônomo profissional
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