Papa
Keywords: Papa, 1054, 1155, 117, 1274, 1309, 1378
Papa é o título dado ao Bispo e Patriarca de Roma, supremo líder espiritual da Igreja Católica Apostólica Romana e também chefe do Estado do Vaticano. Nos primórdios da Igreja, os sucessores de São Pedro denominavam-se apenas Bispos de Roma.
Papa é também o título dos Patriarcas da Igreja Copta e da Igreja Arménia. O Papa formalmente tem os títulos de Bispo de Roma, Vigário de Cristo, Sucessor do Príncipe dos Apóstolos, Supremo Pontífice, Patriarca do Ocidente, Primaz de Itália, Arcebisto e Metropolita da Província Romana, Soberano do Estado do Vaticano e Servidor dos Servidores de Deus, embora no direito canónico seja apenas referido como Pontífice Romano.
A eleição de um Papa é feita através de votação (secreta desde 1274) dos cardeais com menos de 80 anos e reunidos num conclave. Em teoria, qualquer homem baptizado pode ser eleito para Papa, embora se escolha sempre um dos Cardeais. O cargo é vitalício, e até agora, apenas o Papa Celestino V resignou quando se retirou para um convento.
O Papa é auxiliado pela Cúria Romana, o governo da Igreja Católica. A presença tradicional do Papa em Roma não obriga a que o Papa resida na cidade. Tal aconteceu quando, entre 1309 e 1378, a residência papal se estabeleceu em Avinhão (Avignon - Sul de França).
O atual Papa (o alemão Joseph Ratzinger) detém o nome de Bento XVI, foi eleito em 19 de abril de 2005.
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Fundação da Igreja
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A tradição católica afirma que, o primeiro chefe da Igreja Católica (o primeiro Papa) foi São Pedro, a quem, Jesus Cristo disse Tu és Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja (Mateus XVI:18-19). O título de Papa surgiu historicamente depois do primeiro grande cisma (1054) do cristianismo, quando se dividiu entre o catolicismo e a ortodoxia, passando a designar o Sumo Pontífice da facção romana (esta informação é contestável, já que a palavra possivelmente era usada desde o século IV).
O evangelho reflecte a vontade de Jesus Cristo de que os seus discípulos permanecessem unidos sob a direcção de Pedro, a quem Cristo deu o nome num momento solene, levando os seus apóstolos a uma cidade edificada junto a uma falésia, Cesareia de Filipo: "Tu és Pedro e sobre esta pedra, edificarei a minha Igreja. A ti darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus" (Evangelho segundo São Mateus, 16, 13-20).
O governo hierárquico da Igreja Católica baseia-se posteriormente na autoridade dos sucessores dos Apóstolos, chamados Bispos, reunidos em concílio sob a autoridade do primaz de todos os Bispos, o Bispo de Roma, porque tanto São Pedro como São Paulo morreram em Roma, e daí a igreja da cidade ser reconhecida como cabeça das demais. Para o caso de São Paulo, além do testemunho das suas cartas desde a prisão em Roma, existem testemunhos arqueológicos e escritos do seu martírio em Roma.
Mais importante é o caso de São Pedro, de quem propriamente se considera que sucedem os outros 264 Papas. Nas excavações arqueológicas realizadas na segunda metade do século XX por baixo do altar maior da Basílica de São Pedro no Vaticano provou-se que o túmulo principal ali situado, junto a várias inscrições com o nome "Petrus", contém vestígios do século I. Existem adicionalmente testemunhos escritos. De entre os mais importantes estão:
- A carta de Clemente Romano (terceiro sucessor de Pedro), dirigida no ano 98 aos fiéis de Corinto. Nela menciona-se o martírio de Pedro em Roma no ano 64, e também o de Paulo. O facto de que se dirija com autoridade a uma Igreja distante (grega) deixa claro que os cristãos reconheciam a autoridade do sucessor de Pedro.
- Vinte anos depois (117), o Bispo Inácio de Antioquia (Igreja que também havia sido presidida por Pedro), escreveu sete cartas aos seus fiéis enquanto viajava para Roma, como condenado à morte. Numa delas pede aos cristãos romanos que não intercedam pela sua libertação, esclarecento que "Não os comando como Pedro e Paulo". Além de testemunho do martírio romano dos principais apóstolos, mostra a submissão das demais igrejas à de Roma.
Papel político
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A antiguidade do estatuto secular e de condução de assuntos de estado do Papa é demonstrada já na confrontação do Papa Leão I com Átila em 452 e aumentou substancialmente em 754, quando o líder dos francos Pepino, o Breve doou ao Papa um território que formaria a base dos futuros Estados Papais. No ano 800, o Papa Leão III coroou Carlos Magno como Imperador, passo decisivo no caminho para o Sacro Império Romano. Desde essa data tornou-se uma tradição a coroação dos Imperadores pelo Papa, até Carlos V. Napoleão Bonaparte fez reviver essa tradição fazendo-se coroar do mesmo modo.
Conjuntamente com a posição do Papa como regente territorial e príncipe da Cristandade (especialmente proeminente com os Papas da Renascença como Alexandre VI e Júlio II), e como líder espiritual do Sacro Império Romano (mais relevante com Papas como Gregório VII e Alexandre III), o Papa, como Supremo Pontífice, tem autoridade política e temporal. Alguns dos exemplos ao longo da história são a bula Laudabiliter em 1155 (que autoriza Henrique II de Inglaterra a invadir a Irlanda), a bula Manifestus Probatum que reconhece a independência de Portugal, a bula Inter Caeteras em 1493 (que conduz ao Tratado de Tordesilhas no ano seguinte, dividindo o mundo entre Portugal e Espanha) ou a bula Inter Gravissimas de 1582 (que estabelece o calendário gregoriano, actualmente em uso).
Nos dias de hoje, o papel político do Papa traduz-se no exercício de um cargo cerimonial, religioso e diplomático de grande importância.
Até 1870 a autoridade temporal do Papa exercia-se sobre um território no centro de Itália, denominado Estados Papais ou Estados Pontifícios, muito mais vasto do que o pequeno estado do Vaticano de hoje.
Papel religioso
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O Papa dispõe, para os católicos, de autoridade religiosa em matéria de fé. É igualmente quem aprova e preside às cerimónias de beatificação ou canonização, e à nomeação de Cardeais. O Concílio do Vaticano I de 1869-1870 definiu o dogma da "Infalibilidade Papal", pelo qual pronunciamentos solenes ("ex-catedra") do Papa a respeito da fé e da moral não apresentam possibilidade de erro. Desde que foi estabelecida, a infalibilidade papal só foi usada uma vez, pelo Papa Pio XII, nos anos 50.
Veja também
Listas de Papas
Entre os sucessores de São Pedro foram eleitos 212 italianos, 17 franceses, 11 gregos, 6 sírios, 6 alemães, 3 espanhóis, 3 norte-africanos, 2 da antiga Dalmácia, 1 português, 1 inglês, 1 holandês, 1 cretense e um polaco.
- Lista sucessória dos Papas
- Lista de papas ordenados alfabeticamente
- Lista dos pontificados mais longos
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