Cabanagem
Keywords: Cabanagem, 10 de Maio, 1833, 1834, 1835, 1836, 1839, 1840, 6 de Janeiro, 7 de Janeiro
A cabanagem ou guerra dos cabanos foi uma revolta ocorrida entre 1835 e 1840 no estado brasileiro do Grão-Pará.
Entre as causas dessa revolta as principais são: a miséria extrema do povo paraense e a irrelevância política à qual a província do Grão-Pará foi relegada após a independência do Brasil. A denominação Cabanagem remete ao tipo de habitação paupérrima que era moradia da população mais pobre, formada principalmente por mestiços, escravos libertos e índios. A elite fazendeira do Grão-Pará, embora morasse muito bem, ressentia-se da falta de participação nas decisões do governo central, dominado pelas províncias do Sudeste e do Nordeste.
A Cabanagem é considerada a revolta de participação mais autenticamente popular da história do Brasil.
Situação do Grão-Pará e antecendentes
Durante a Independência, o Grão-Pará se mobilizou para expulsar as forças reacionárias que pretendiam reintegrar o Brasil a Portugal. Nessa luta, que se arrasta por vários anós, destacaram-se as figuras do cônego João Batista Campos, dos irmãos Vinagre e do fazendeiro Félix Antônio Clemente Malcher. Formam-se diversos mocambos de escravos foragidos e são frequentes as rebeliões militares. Terminada a luta pela independência e instalado o governo provincial, os líderes locais são marginalizados do poder.
Em julho de 1831 estoura uma rebelião na guarnição militar de Belém (Pará); o cônego Batista Campos é preso como uma das lideranças. Cresce a indignação do povo, e em 1833 já se fala em uma criar uma federação. O governador provincial Bernardo de Sousa Lobo não só deixa de tomar as medidas para melhorar a vida da população como desencadeia uma política altamente repressora, na tentativa de conter os inconformados. Com a morte de Batista Campos no final do ano de 1834, as lideranças revolucionárias organizam-se e aliciam o povo. A rebelião efetivamente se inicia.
A Cabanagem
Na noite de 6 de janeiro de 1835 inicia-se o movimento. A cidade de Belém é tomada, e já na madrugada do dia 7 é assassinado Sousa Lobo e diversas autoridades.
Clemente Malcher é convidado a assumir o governo. Esse fazendeiro, preocupado com a radicalização do movimento, toma medidas contra os revoltosos, e graças a sua inabilidade política também é deposto, assassinado e arrastado pelas ruas de Belém. Francisco Vinagre assume como segundo presidente cabano, mas repete os mesmos erros do antecessor: oferece auxílio às tropas do regente. O caráter ambíguo de Vinagre não inspira confiança, e o governo regencial indica o marechal Manuel Jorge Rodrigues para tomar o poder, que lhe é entregue por Francisco Vinagre em julho de 1835. Pouco depois Francisco Vinagre é preso.
Seu irmão Antônio Vinagre assume o comando da rebelião, que se desloca para o interior. O jovem fazendeiro Eduardo Angelim assume a presidência dos cabanos. Mas a situação para os revoltosos fica cada vez mais difícil, principalmente com a nomeação para presidente da província, em março de 1836, do experiente brigadeiro José de Sousa Soares Andréia.
As forças navais bloqueiam Belém, e no dia 10 de maio Angelim deixa a capital, sendo preso logo em seguida. Ao contrário do que pensava Soares Andréia, a resistência não termina com a prisão de Angelim. O golpe mais forte será dado com a decretação de anistia aos revoltosos, em 1839. Em 1840 o último foco rebelde, sob liderança de Gonçalo Jorge de Magalhães, se rende e termina a Cabanagem.
Referências
- CHIAVENATO, Júlio José. Cabanagem, o povo no poder. Editora Brasiliense, 1984.
- CHIAVENATO, Júlio José. As lutas do povo brasileiro. Editora Moderna, 1988.
