Candomblé
Keywords: Candomblé, 1549, 1888, 1954, 1995, Alagoas, América
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Candomblé é uma das Religiões Afro-Brasileiras praticadas principalmente no Brasil mas também em países adjacentes como Uruguai, Argentina, e Venezuela.
A religião foi desenvolvida no Brasil com o conhecimento dos sacerdotes africanos que foram escravizados e trazidos da África para o Brasil, juntamente com seus Orixás, sua cultura, e seus dialetos, entre 1549 e 1888.
Embora confinado originalmente à população de escravos, proibido pela igreja Católica, e criminalizado mesmo por alguns governos, o candomblé prosperou nos quatro séculos, e expandiu consideravelmente desde o fim da escravatura em 1888. É agora uma das religões principais estabelecidas, com seguidores de todas as classes sociais e dezenas de milhares de templos. Em levantamentos recentes, aproximadamente 3 milhões de brasileiros (1,5% da população total) declararam o candomblé como sua religião. Na cidade de Salvador existem 2.230 terreiros registrados na Federação Baiana de Cultos Afro-brasileiros. Entretanto, na cultura brasileira as religiões não são vistas mutuamente como exclusivas, e muitos povos de outras crenças religiosas — até 70 milhões, de acordo com algumas organizações culturais Afro-Brasileiras — participam em rituais do candomblé, regularmente ou ocasionalmente. Orixás do Candomblé, os rituais, e as festas são agora uma parte integrante da cultura e uma parte do folclore brasileiro.
O Candomblé não deve ser confundido com Umbanda e Macumba, duas outras religiões Afro-Brasileiras com similar origem; e com religiões Afro-derivadas similares em outros países do Novo Mundo, como o Voodoo Haitiano, a Santeria Cubana, e o Obeah, os quais foram desenvolvidos independentemente do Candomblé e são virtualmente desconhecidos no Brasil.
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Nações
Os escravos brasileiros pertenciam a diversos grupos étnicos, incluindo os Yoruba, os Ewe, os Fon, e os Bantu. Como a religião se tornou semi-independente em regiões diferentes do país, entre grupos étnicos diferentes, evoluíram diversas "divisões" ou nações, que se distinguem entre si principalmente pelo conjunto de divindades veneradas, o atabaque (música) e a língua sagrada usada nos rituais.
A lista seguinte é uma classificação pouco rigorosa das principais nações e sub-nações, de suas regiões de origem, e de suas línguas sagradas:
- Nagô ou Iorubá
- Ketu ou Queto (Bahia) e quase todos estados - Língua Yoruba (Iorubá ou Nagô em Português)
- Efan na Bahia Rio de Janeiro e São Paulo
- Ijexá principalmente na Bahia
- Nagô Egbá ou Xangô do Nordeste no Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Rio de Janeiro e São Paulo
- Mina-nagô ou Tambor-de-Mina no Maranhão
- Xambá em Alagoas e Pernambuco (quase extinto).
- Bantu, Angola e Congo (Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Sul), mistura de Bantu, Kikongo e Kimbundo línguas.
- Candomblé de Caboclo (entidades nativas índios)
- Jeje A palavra Jeje vem do yorubá adjeje que significa estrangeiro, forasteiro. Nunca existiu nenhuma nação Jeje na África. O que é chamado de nação Jeje é o candomblé formado pelos povos fons vindo da região de Dahomé e pelos povos mahins. Jeje era o nome dado de forma pejorativa pelos yorubás para as pessoas que habitavam o leste, porque os mahins eram uma tribo do lado leste e Saluvá ou Savalu eram povos do lado sul. O termo Saluvá ou Savalu, na verdade, vem de "Savê" que era o lugar onde se cultuava Nanã. Nanã, uma das origens das quais seria Bariba, uma antiga dinastia originária de um filho de Oduduá, que é o fundador de Savê (tendo neste caso a ver com os povos fons). O Abomei ficava no oeste, enquanto Ashantis era a tribo do norte. Todas essas tribos eram de povos Jeje[1].(Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo) - língua Ewe e língua Fon (Jeje)
- Jeje Mina língua Mina São Luiz do Maranhão
- Babaçuê no Pará
Crenças
Candomblé não é uma religião politeísta. Embora alguns defendam que o candomblé cultua um deus principal (Olorum), e na prática diária, cultuam outros orixás. Os Orixás recebem homenagens regulares, com oferentas, cânticos, danças e roupas especiais. Então, podemos dizer que o Candomblé é uma crença em diversas divindades, tendo como Deus maior Olorum.
- os Orixás da Mitologia Yoruba, foram criados por um deus supremo, Olorun (Olorum) dos Yoruba;
- os Voduns da Mitologia Fon ou Mitologia Ewe, foram criados por Mawu o deus supremo dos Fon;
- os Inkices da Mitologia Bantu, foram criados por Zambi, Zambiapongo deus supremo e criador.
Candomblé cultua entre todas as nações umas cinquenta das centenas de deidades ainda cultuadas na África. Mas, na maioria dos terreiros das grandes cidades, são doze as divindades mais cultuadas. O que acontece é que algumas divindades têm "qualidades", que podem ser cultuadas como um diferente Orixá em um ou outro terreiro. Então, a lista de divindades das diferentes nações é grande, muitos Orixás do Ketu podem ser identificados com os Voduns do Jejé e Inkices dos Bantu em suas características, mas na realidade não são as mesmas, seus cultos, rituais e toques são totalmente diferentes.
Orixás teêm individuais personalidades, habilidades, e preferências rituais, e são conectadas ao fenômeno natural específico (um conceito não muito diferente do Kami do japonês Xintoísmo). Toda pessoa é escolhida no nascimento por um ou vários "patrono"s Orixá, que um babalorixá identificará. Alguns Orixás são "incorporados" por pessoas iniciadas durante o ritual do candomblé, outros Orixás não são incorporados, são cultuados em árvores pela coletividade. Alguns Orixás chamados Funfun (branco) que fizeram parte da criação do mundo também não são incorporados.
Sincretismo
No tempo das senzalas os negros para poderem cultuar seus Orixás, Inkices e Voduns usaram como camuflagem um altar com imagens de santos católicos e por baixo os assentamentos escondidos, segundo alguns pesquisadores este sincretismo já havia começado na África, induzida pelos próprios missionários para facilitar a conversão.
Depois da libertação dos escravos começaram a surgir as primeiras casas de candomblé, e é facto que o candomblé de séculos tenha incorporado muitos elementos do Cristianismo. Crucifixos e imagens eram exibidos nos templos, Orixás eram freqüentemente identificados com Santos Católicos, algumas casas de candomblé também incorporam entidades caboclos, que eram consideradas pagans como os Orixás.
Mesmo usando imagens e crucificos inspiravam perseguições por autoridades e pela Igreja, que viam o candomblé como paganismo e bruxaria.
No últimos anos, tem aumentado um movimento "fundamentalista" em algumas casas de candomblé que rejeitam o sincretismo aos elementos Cristãos e procuram recriar um candomblé "mais puro" baseado exclusivamente nos elementos Africanos.
Rituais
O ritual do Candomblé (toque, festa) tem duas partes: a preparação, que começa uma semana antes de cada festa, com muita gente na casa lavando, passando, cozinhando, limpando e enfeitando, quando você entra no barracão e vê as bandeirinhas no teto da cor do Orixá que está sendo homenageado, alguém teve que comprar, cortar e colar as bandeirinhas e colocá-las no lugar para que o barracão fique bonito. Durante a semana diversas obrigações são feitas, de acordo com a determinação do jogo de búzios, animais são sacrificados à Exús, Eguns e aos Orixás homenageados. Os animais tem que ser limpos e preparados por alguém, pois será servido uma parte para os Orixás e outra parte para todos os presentes na festa. Na "parte pública" que é a festa, os filhos-de-santo (iniciados) dançam e entram em transe "incorporando" seu Orixá. O babalorixá evoca cantigas que lembram os feitos do Orixá e este executa uma dança simbólica recordando seus atributos. A cerimônia termina com um banquete.
A música do Candomblé é uma parte essencial do ritual; ela deriva da música africana e teve uma influência forte em outros estilos brasileiros (não religiosos) da música popular brasileira.
Templos
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Os Templos de Candomblé são chamados de casas, roças ou Terreiros. As casas podem ser de linhagem matriarcal, patriarcal ou mista:
- Casas pequenas, que são independentes, possuídas e administradas pelo babalorixá ou ialorixá dono da casa e pelo Orixá principal respectivamente. Em caso de falecimento do dono, a sucessão na maioria das vezes é feita por parentes consanguineos, caso não tenha um sucessor interessado em continuar a casa é desativada. Não há nenhuma administração central.
- Casas grandes, que são organizadas tem uma hierarquia rígida, não é de propriedade do sacerdote, nem toda casa grande é tradicional, é uma Sociedade Civil ou Beneficente.
- Casas de linhagem matriarcal: (só mulheres) assumem a liderança da casa como Iyalorixá.
- Ilé Axé Iyá Nassô Oká - Casa Branca-Engenho Velho - considerada a primeira casa a ser aberta em Salvador, Bahia
- Ilé Iyá Omi Axé Iyámase do Gantois - Terreiro do Gantois - Salvador, Bahia
- Ilé Axé Opó Afonjá - Opó Afonjá - Salvador, Bahia
- Ilé Maroialaji - Terreiro do Alaketu - Salvador, Bahia
- Zoogodô Bogum Malê Rondó - Terreiro do Bogum - Salvador, Bahia
- Querebentan de Zomadônu - Casa das Minas - fundada +/- 1796 - São Luiz, Maranhão
- Terreiro São Jorge Filho da Goméia - Terreiro do Portão - Lauro de Freitas, Bahia
- Casas de linhagem matriarcal: (só mulheres) assumem a liderança da casa como Iyalorixá.
- Casas de linhagem patriarcal: (só homens) assumem a liderança da casa como Babalorixá no Culto aos Orixá ou Babaojé no Culto aos Egungun.
- Ilê Agboulá - Ilha de Itaparica
- Sociedade Cultural e Religiosa Ilê Axipá - Ilê Axipá - Salvador, Bahia
- Casas de linhagem patriarcal: (só homens) assumem a liderança da casa como Babalorixá no Culto aos Orixá ou Babaojé no Culto aos Egungun.
- Casas de linhagem mista: tanto homens como mulheres podem assumir a liderança da casa.
- Ilé Axé Oxumarê - Casa de Oxumare - Salvador, Bahia
- Ilé Axé Odó Ogè - Terreiro Pilão de Prata - Salvador, Bahia
- Obá Ogunté - Sitio de Pai Adão - Recife, Pernambuco
- Kwe Ceja Undé - Roça do Ventura - Cachoeira e São Felix, Bahia
- Terreiro da Goméia
- Casas de linhagem mista: tanto homens como mulheres podem assumir a liderança da casa.
A progressão na hierarquia é condicionada ao aprendizado e ao desempenho dos rituais longos da iniciação. Em caso de morte de uma ialorixá, a sucessora é escolhida, geralmente entre suas filhas, na maioria das vezes por meio de um jogo divinatório Opele-Ifa ou jogo de búzios. Entretanto a sucessão pode ser disputada ou pode não encontrar um sucessor, e conduz frequentemente a rachar ou ao fechamento da casa. Há somente três ou quatro casas em Brasil que viram seu 100° aniversário.
Sacerdócio
Nas Religiões Afro-brasileiras o sacerdócio é dividido em:
- Babalorixá ou Iyalorixá - Sacerdotes de Orixás
- Doté ou Doné - Sacerdotes de Voduns
- Tateto e Mameto - Sacerdotes de Inkices
- Babalawo - Sacerdote de Orunmila-Ifa do Culto de Ifá
- Bokonon - Sacerdote do Vodun Fa
- Babalosaim - Sacerdote de Ossaim
- Babaojé - Sacerdote do Culto aos Egungun
- Lista sacerdotes do candomblé
Livros
- Pierre Fatumbi Verger: Dieux D'Afrique. Paul Hartmann, Paris (1st edition, 1954; 2nd edition, 1995). 400pp, 160 fotos a a preto e branco, ISBN 2-909571-13-0.
- Roger Bastide: O Candomblé na Bahia: rito nagô. (Título original: Le candomblé de Bahia: rite nagô). São Paulo; Companhia das Letras, 2001.
- Notas Sobre o Culto aos Orixás e Voduns. 624pp, fotos a a preto e branco. Tradução: Carlos Eugênio Marcondes de Moura EDUSP 1999 ISBN 85-314-0475-4
- O que é Candomblé(Coleção Primeiros Passos), autor: João Carmo - Editora Brasiliense, São Paulo
- Carybé: Mural dos Orixás. Raizes Artes Gráficas, Bahia 1979
- Lista de livros tema: Afro-brasileiro
==
- REDIRECT Predefinição:Links externos==
- Candomblé at the Brazilian Embassy in London website
- Ilé Axé Opô Afonjá, uma casa grande
- Orixá imagery
- Mural dos Orixás
- Ama, A Story of the Atlantic Slave Trade
- Extensivo info sobre os Orixás (em Português)
- Axé Ilê Obá
- Candomblé (em Português, inclui léxicos de línguas sagradas do Candomblé)
- Bibliografia de Candomblé
- Candomblé no Brasil
- Guia de Candomblé
- Agudás Os brasileiros do Benin
- Memorial Iyá Davina
