Caso Dreyfus
Keywords: Caso Dreyfus, 13 de Janeiro, 15 de Outubro, 1894, 1895, 1898, 1899, 1906, 19 de Setembro, 3 de Junho
O caso Dreyfus foi um escândalo político que dividiu a França por muitos anos, durante os finais do século XIX.
Centrava-se no condenamento por traição de Alfred Dreyfus em 1894, um oficial de artilharia Judeu no exército francês. Dreyfus era, em verdade, inocente: o condenamento baseava-se em documentos falsos, e quando oficiais de alta-patente franceses se aperceberam disto tentaram ocultar o erro. O escritor Émile Zola expôs o escândalo ao público geral no jornal literário L'Aurore numa famosa carta aberta ao Presidente da República Félix Faure, intitulada J'accuse! (Eu acuso!) em 13 de Janeiro de 1898. Nas palavras da historiadora Barbara W. Tuchman, foi "uma das grandes comoções da história". Enquanto que Bernard Lazare e Scheurer tinham até então defendido Dreyfus, Zola partiu para o ataque, denunciando os culpados pela farsa.
O caso Dreyfus dividiu a França entre os dreyfusards (os apoiantes de Alfred Dreyfus) e os antidreyfusards (contra ele). A disputa foi particularmente violenta, uma vez que envolvia vários assuntos no clima controverso e agitado de então. De certa forma, estas divisões seguiam a linha de demarcação entre uma direita apoiando frequentemente o retorno à monarquia e clericalismo - ou seja, o envolvimento da Igreja Católica Romana na política pública - e uma ala esquerda apoiando a República, muitas vezes com sentimentos anti-clericais. A virulência das paixões levantadas pelo caso deveu-se ao anti-Semitismo em França. Em 1886 havia sido publicado o livro anti-semita de Edouard Drumont, "La France Juive". Intelectuais - professores, estudantes, artistas, escritores - assinaram pedidos intercedendo por Dreyfus.
Em suas demonstrações gritavam "Vive Dreyfus! Vive Zola!". Do outro lado da barricada, os gritos eram de "Vive l'Armée! Conspuez Zola! Mort aux Juifs!" Dreyfus era apresentado como o bandido que vende os seus irmãos como Judas (supostamente) vendera o seu "Deus". Houve pilhagens de lojas de judeus, numa premonição da Kristallnacht da vizinha Alemanha. Houve verdadeiros pogromas na Argélia em Boufarik, Mostaganem, Blida, Médéa, Bab el-Oued. Houve mortos e feridos.
Tabela cronológica dos acontecimentos
- 15 de Outubro de 1894 - Dreyfus é preso
- 5 de Janeiro de 1895 - são-lhe retirados os galões de oficial numa cerimónia humilhante e foi condenado à prisão perpétua na Ilha do Diabo
- 13 de Janeiro de 1898 - é publicado o "J'accuse"
- 3 de Junho de 1899 - o tribunal de cassação anula o julgamento de 1894 e reabre o processo, re-enviando Dreyfus a um novo conselho de Guerra. Zola é autorizado a regressar do exílio de Inglaterra.
- 7 de Agosto a 9 de Agosto de 1899 - conselho de Guerra em Rennes- Dreyfus permanece um traidor e é condenado a 10 anos de prisão.
- 19 de Setembro de 1899 - Dreyfus é amnistiado e deixa a prisão
- Julho de 1906 - Dreyfus é finalmente reabilitado
Ver também
- Anti-semitismo
- Charles-Ferdinand Walsin Esterhazy, o verdadeiro culpado
Contra o anti-semitismo
- Auguste Scheurer-Kestner
- Bernard Lazare
- Salomon Reinach
- Pierre Quillard
- Sébastien Faure
- Anton Checov
- Eça de Queirós
