Centro de Mídia Independente
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O Centro de Mídia Independente, também chamado Indymedia ou CMI, é um coletivo de pessoas que fazem sua própria Mídia.
O projeto começou em novembro de 1999 durante os protestos contra a OMC em Seattle. Atualmente existem CMIs em 31 países do mundo e centenas de CMIs locais nesses países.
O CMI produz impressos, áudio e vídeo jornalismo, mas o mais famoso é a Publicação Aberta nos sites do CMI, onde se pode entrar nessa página e publicar sua própria notícia, ser você mesmo a mídia. O sistema é semelhante a uma página de wiki, no sentido que a publicação é aberta, mas difere quanto aos conteúdos acessíveis para modificação - geralmente você pode comentar qualquer artigo, porém não modificá-lo diretamente. Muitos dos que participam no CMI o vêem como uma alternativa mais rápida e melhor que a grande mídia, principalmente pela sua organização descentralizada.
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História do CMI Brasil
Quando, por quê e como começou a iniciativa?
O Centro de Mídia Independente (CMI Brasil) começou a organizar-se em maio de 2000 como parte da rede internacional Indymedia/ Independent Media Center. O Indymedia é um projeto nascido no final de 1999 e foi concebido originalmente para coordenar uma cobertura alternativa dos protestos que aconteceram em Seattle contra o encontro da Organização Mundial do Comércio. O projeto consistia originalmente num site de internet de publicação livre onde diferentes órgãos de impressa alternativa publicariam seus relatos, entrevistas, análises e imagens em copyleft (sem recurso a direitos autorais) promovendo o intercâmbio e a cooperação mútua. Durante os protestos, no entanto, não foram apenas os jornalistas independentes que publicaram matérias. Os próprios ativistas que estavam nas ruas publicaram diretamente seus pontos de vista, fotos e depoimentos. A conjunção da cobertura dos meios jornalísticos independentes e o relato direto dos participantes fez do Indymedia a principal fonte de análise do que aconteceu em Seattle e o site teve mais de um milhão de acessos. Depois de Seattle, o que era um projeto temporário transformou-se num projeto permanente. Desde então, Centros de Mídia Independente espalharam-se em diversas cidades do mundo, agregando ativistas de mídia que fazem não apenas um sítio de notícias na internet, como diversos outros projetos de democratização da produção de mídia.
No Brasil, o Centro de Mídia Independente (CMI Brasil) nasceu em maio de 2000 por iniciativa de ativistas da cidade de São Paulo que participavam do chamado movimento "antiglobalização". O CMI Brasil começou principalmente como um sítio de notícias na internet de publicação livre, mas, pouco a pouco foi incorporando projetos de áudio e rádio, vídeo, impressos, informática e foi se espalhando de São Paulo para outras nove cidades do país: Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Fortaleza, Goiânia, Salvador, Caxias do Sul, Brasília e Campinas (além de coletivos se formando no ABC_(cidade) Paulista, Cuiabá, Curitiba, Presidente Prudente, Rio Grande, Santa Maria, Santos, São José dos Campos, Florianópolis e Vitória). Há aproximadamente 400 ativistas trabalhando em caráter totalmente voluntário para o CMI Brasil e o site da internet recebe mais de 20 mil usuários por dia (mais de 60 mil hits). Nenhum trabalho no CMI é remunerado e não há propaganda ou patrocínio. Todos os gastos do projeto são cobertos por doações ou financimento dos próprios voluntários.
Qual é o objetivo da iniciativa?
O CMI Brasil é um projeto que visa democratizar a produção de mídia, contribuindo para a construção de uma sociedade livre, igualitária e com respeito ao meio ambiente. Para isso, o CMI desenvolve diversos projetos dando voz a atores sociais normalmente excluídos da mídia, capacitando-os a produzir seus próprios meios comunicação. Muitas das iniciativas utilizam a tecnologia da internet mas, dado o seu acesso ainda muito restrito, combinam essa tecnologia com mídias tradicionais, potencializando-as.
Resumo dos principais projetos
Oficinas de capacitação: Coletivos do CMI oferecem em várias cidades oficinas de capacitação a indivíduos e movimentos sociais buscando ajudar a produção independente de mídia. Há oficinas de redação, repórteres populares, fotografia, informática, vídeo e rádio.
Impressos: Partindo de notícias publicadas no site (muitas vezes publicadas por usuários que não são voluntários do projeto), são elaborados em nove cidades jornais-poste chamados "CMI na Rua". Os jornais-poste levam as notícias do site para quem não tem internet ou não acessa a página. Eles são impressos em formato A3 e colados nas ruas e em murais de escolas, universidades e associações da sociedade civil (sindicatos, movimentos, etc.). O CMI também imprime um jornal aperiódico chamado "Ação Direta" que leva análises mais aprofundadas sobre temas para um público mais amplo. A última edição do "Ação Direta" foi sobre a ALCA e teve tiragem de 50 mil exemplares.
Rádio: Coletivos do CMI em seis cidades produzem semanalmente um programa de rádio de cerca de 30 minutos chamado "CMI no Ar". Cada cidade produz 5 minutos de notícias locais que são agregadas oferecendo um panorama do que acontece no país de uma perspectiva alternativa àquela da mídia empresarial. O programa é disponibilizado no site em formato digital (MP3) e em copyleft para a reprodução por rádios livres e comunitárias. Em Porto Alegre, é produzido semanalmente um boletim de notícias que é distribuído para dezenas de rádios comunitárias na região metropolitana. O CMI também colabora diretamente com as rádios Bicuda, no Rio de Janeiro; Magnífica, em Goiânia; Muda, em Campinas; Ralacoco, em Brasília e Restinga em Porto Alegre. Em São Paulo, o CMI está montando sua própria rádio livre. O CMI já oferece um canal que transmite por internet a rádio Muda de Campinas e pretende colocar outras dez rádios livres e comunitárias na internet capacitando-as a funcionar em rede e intercambiar programação.
Vídeo: O CMI tem coletivos trabalhando com vídeo, produzindo documentários e videoreportagens. Tudo o que é produzido é disponibilizado gratuitamente no site para download em regime de copyleft e as fitas são distribuídas a baixo custo. O CMI também promove periodicamente exibições públicas gratuitas dos vídeos.
Informática: O CMI também tem projetos de democratização do acesso à internet com ênfase na produção de mídia. Em São Paulo, há dois projetos piloto de centros de informática com acesso gratuito à internet e monitorias e oficinas para a produção de mídia independente. Uma parceria com a ONG americana ACCR está trazendo duzentos computadores remanufaturados doados que serão utilizados em dezenas desses centros de informática em mais de dez cidades do país.
Quem participa da iniciativa?
O CMI Brasil tem aproximadamente 400 voluntários envolvidos na manutenção do site e na execução dos projetos em 19 cidades do Brasil. O site atinge cerca de 20 mil pessoas por dia diretamente e inúmeras outras por meio da reprodução em regime de copyleft (muitos boletins, jornais e rádios independentes utilizam o CMI como fonte de informação). Há também um número de pessoas muito difícil de calcular que participa das oficinas, que lê os impressos, que escuta as rádios, assiste aos vídeos e frequenta os centros de informática.
Entre as entidades parceiras estão: Ação Educativa (centro de informática), Ação Local por Justiça Global (jornal "Ação Direta"), [[Alameda County Computer Resource Center]] (centros de informática), [[Ciranda Internacional da Informação Independente]] (colaboração), Espaço Nove (centro de informática), Instituto Lumiar (centros de informática), Mídia Tática (centros de informática), Rádio Bicuda, Rádio Magnífica, Rádio Muda, [[Rádio Ralacoco]], Rádio Restinga, Rádio de Tróia.
Artigos relacionados
Ligações externas
- Centro de Mídia Independente do Brasil
- Centro de Media Independente de Portugal
- Indymedia Global
- Documentação do Projeto Indymedia
- Indymedia no en.wikipedia.org
- RadioLivre.org
- Análise crítica do CMI
