Choque (circulatório)
Keywords: Choque (circulatório), Gravidez, Hemorragia, Inconsciente, Infecção, Medula espinhal, Sangue, Toxina, Trauma
Para definir e reconhecer melhor o que é choque, iniciaremos com um exemplo de um quadro de choque profundo, para depois chegar àqueles menos óbvios e mais difíceis de reconhecer.
Um choque circulatório profundo é evidenciado por um colapso hemodinâmico, isto é, a pressão arterial cai a zero, a freqüência cardíaca sobe a 180 batimentos cardíacos por minuto (o normal é de 60 a 85), a pele fica fria e pegajosa, os rins não funcionam, o pulso não é palpável, o indivíduo fica inconsciente e não responde aos chamados. Este é um choque profundo e facilmente reconhecível até por quem não é da área, pois contém sinais óbvios de que o indivíduo está na iminência da morte. No jargão médico: o paciente está chocado.
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Definição
O choque é definido como uma inadequada perfusão e oxigenação dos órgãos e tecidos.
Com a definição acima, podemos perceber que a fase precoce do choque (e portanto a fase mais fácil (?) de reverter este choque) não precisa apresentar todo aquele quadro clássico descrito no início. A fase inicial do choque pode ser bastante pobre em sinais e sintomas, podendo apresentar tão somente uma taquicardia leve e ansiedade, que pode acontecer em várias outras situações. Mas é importante que, existindo alguma história de trauma, fique-se atento para não deixar passar algo mais grave. Em seguida, o paciente pode apresentar palidez cutâneo-mucosa (pele pálida, embranquecida, lábios e olhos sem sinais de sangue). O médico não precisa esperar que a pressão arterial caia para diagnosticar e começar o tratamento do choque.
Tipos de Choque
O colapso circulatório chamado choque pode ocorrer devido a várias condições, mas com fins didáticos dividimos o choque em hemorrágico e não hemorrágico. O choque hemorrágico é causado por hemorragias e deve ser suspeitado em primeiro lugar caso o paciente tenha sofrido algum tipo de trauma nas últimas horas. Este tipo de choque já foi discutido em outra página. O choque não hemorrágico engloba os demais tipos.
Choques não hemorrágicos
Choque cardiogênico
São os choques causados por uma disfunção cardíaca.
- Causas:
- infarto agudo do miocárdio,
- contusão cardíaca
- tamponamento cardíaco.
Pneumotórax hipertensivo
O pneumotórax ocorre quando há um vazamento de ar do pulmão para a pleura, através de um mecanismo valvular que não permite que o ar retorne para o pulmão. O ar sai do pulmão e fica preso dentro de tórax, causando uma compressão progressiva do pulmão, do coração e dos grandes vasos da base (aorta e veia cava). Necessita de drenagem torácica urgente para evitar a morte do paciente.
Choque neurogênico
Ocorre por lesão da medula espinhal. No momento da lesão o paciente fica paraplégico e há uma vasodilatação abaixo do nível da lesão. O sangue fica represado nestes vasos dilatados e ocorre a hipotensão arterial. Classicamente, o paciente não apresenta taquicardia ou vasoconstrição cutânea. Este tipo de choque também pode acontecer no paciente submetido a uma anestesia raquidiana ou peridural. Seu controle é fácil, feito com drogas vasopressoras.
Choque séptico
O choque séptico acontece como uma resposta do organismo as toxinas das bactérias de uma infecção muito grave. Em sua fase inicial (fase quente) cursa com a pele quente e febril, moderada taquicardia, pressão normal e pulso amplo. Com a progressão da resposta inflamatória apresenta um choque profundo como o relatado no início deste artigo (fase fria).
Considerações sobre a taquicardia
Apesar do aumento da freqüência cardíaca ser um indicador inicial do choque, há de se convir que em determinadas situações, mesmo em choque, ela não se altera muito, e , por outro lado, em algumas situações ela está alterada sem que isso signifique nada. São elas:
Idade
Os idosos tem mais dificuldade de responder a um choque com aumento da freqüência cardíaca, devido a diminuição da atividade simpaticomimética. Isto pode ocorrer tanto por falta de produção de catecolaminas quanto por falta de receptores para elas. A complacência cardíaca e dos vasos sanguíneos diminui com a idade. Assim, os idosos suportam muito mal o choque por ter perdido estes mecanismos compensatórios. É comum também que idosos tomem medicamentos betabloqueadores, como o propanolol, que não permitem a ação das catecolaminas.
Por outro lado, em recém nascidos é normal uma freqüência de 160 batimentos cardíacos por minuto, indo diminuindo com a idade até igualar-se à do adulto, na infância.
Atletas
Os atletas apresentam uma melhor resposta cardíaca, e sua freqüência cardíaca normal pode ser em torno de 50 batimentos por minuto. Para essas pessoas, freqüência cardíaca de 80 batimentos por minuto (consideradas normais para os demais) pode ser indicativa de choque.
Gravidez
A mulher grávida possui a chamada hipervolemia fisiológica da gravidez, quando apresenta alguma alteração na freqüência cardíaca o feto já está em franco sofrimento.
Medicamentos
Bloqueadores de canal de cálcio, excesso de insulina, beta bloqueadores e diuréticos podem mascarar, mimetizar ou agravar um estado de choque.
Hipotermia
Pacientes que se apresentam com hipotermia (como é comum nos traumas violentos de trânsito durante o inverno) respondem muito mal a terapia de reposição de volume. Para uma resposta adequada é necessário prevenir a hipotermia, quando já instalada tratá-la adequadamente.
Marca-passo cardíaco
Paciente com marca-passo cardíaco mantém a freqüência estipulada no aparelho, não havendo taquicardia.
