Cinema brasileiro

Keywords: Cinema brasileiro, 1975, 1976, 1978, 1982, 1990, 1991, 1994, Anos 70

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Um pouco da trajetória do cinema brasileiro

A produção cinematográfica brasileira teve seu apogeu na década de 1960, mas começou a entrar em decadência a partir do final dos anos 70. Apesar dos números aparentemente positivos -- a produção em 1978 de uma centena de longas-metragens, público de 60 milhões e o recorde de bilheteria de 10 milhões de espectadores em 1976 com Dona Flor e Seus Dois Maridos (de Bruno Barreto) -- a morte prematura do Cinema Novo, a contínua ascensão do cinema norte-americano, a popularização da televisão, a crise econômica da década de 1980 foram os fatores que provocaram a queda do cinema brasileiro, juntamente com a extinção da Embrafilme e do Concine em março de 1990.

O período mais crítico foi entre 1991 e 1994, com a produção de menos de 10 filmes por ano. Inúmeras salas de exibição são fechadas (em 1975 chegava a aproximadamente 3.300; hoje, não passam de 1.000). Em 1991 apenas 1% do público que foi ao cinema assistiu a filmes nacionais. Em comparação, em 1982 a porcentagem era de 35%.

Na verdade o ato do ex-presidente Fernando Collor, extinguindo a Embrafilme e o Concine, foi apenas o golpe final, uma vez que entre 1985 e 1990 pouco se realizou em termos de cinema no país. “A Embrafilme limita a criatividade...”, dizia Glauber Rocha em 1978. Destaca-se no período a produção de curtas-metragens, que apesar da excelente qualidade não teve a divulgação e exibição merecida. Este setor transformaria-se no foco de resistência contra a derrocada e atualmente produz cerca de uma centenas de filmes por ano.

Cinema nacional bancado pelo Estado

Com a aprovação da Lei do Audiovisual, em 1994, esboça-se a retomada da produção de filmes brasileiros. O primeiro sinal desse renascimento foi Carlota Joaquina, Princesa do Brazil (1994), de Carla Camurati. O filme, uma espécie de marco zero da era pós-Collor, leva um milhão e 300 mil pessoas aos cinemas. É pouco, diante dos números dos tempos áureos, mas é significativo se compararmos com os anos de 1985 a 1994, ou mesmo com o público alcançado pela maioria dos filmes atuais.

Entre 1996 e 2003 foram lançados 64 filmes, sendo que em 1998 eles conquistaram 5% da bilheteria.

A demora para entrar em cartaz é outro problema, com várias produções empacadas por falta de patrocínio. Além disso, quando um filme entra em cartaz fica pouco tempo em exibição, a maioria confinados no circuito alternativo.

Boleiros, Alma Corsária, Um Céu de Estrelas, Bocage, O Sertão das Memórias, Dezesseis-Zero-Sessenta, Amor & Cia., Como nascem os anjos, A Ostra e o Vento, O Baile Perfumado, entre outros, foram muito bem recebidos pela crítica, mas o grande público não viu. Por exemplo: a décima maior bilheteria entre 1992 e 1998 – Todos os corações do mundo, de Murilo Salles – teve 265 mil espectadores. Nesse período as dez maiores bilheterias alcançaram pouco mais de sete milhões e seiscentas mil pessoas. Central do Brasil, o maior sucesso dos novos tempos, teve cerca de um milhão e meio de público. Para comparar: A Dama do Lotação (1978), de Neville d’Almeida, alcançou quase sete milhões de espectadores.

O problema não é recente. Acusado de ser intelectual demais, o Cinema Novo, que projetou a imagem do Brasil no mundo na década de 1960, não agradou as massas, das quais – e para as quais? – invariavelmente falava. Invariavelmente, não foi sucesso de bilheteria, apesar de conquistar a crítica brasileira e alcançar prestígio internacional.

Nacionalismo e cinema no Brasil

O cinema brasileiro, com algumas exceções, sempre teve uma vertente para falar do nacional ou para ser nacionalista. Isso poderia ser uma das razões pelas quais há um certo repúdio por parte de alguns cinéfilos brasileiros contra o seu próprio cinema. Há, claro, a questão comercial e a falta de bons roteiros, fazendo com que o melhor deste cinema recaía sobre documentários, filmes de cunho realistas e os baseados em fatos reais. Com o subsídio estatal ao cinema brasileiro atual, esse cunho nacionalista agravou-se criando um estigma de filme de "patriotada".

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