Cisma do Ocidente

Keywords: Cisma do Ocidente, 11 de Novembro, 1377, 1378, 1389, 1394, 1404, 1406, 1409, 1410

O Cisma do Ocidente foi uma rotura que ocorreu na Igreja Católica em 1378. As motivações deste cisma não foram de ordem teológica mas sim política, resultado do fim do Papado de Avignon. O cisma terminou décadas mais tarde no Concílio de Constança de 1414, com o papado restabelecido em Roma.

Gregório IX, sexto de uma sequência de papas de origem francesa sedeados em Avinhão, tomou, em 1377 a iniciativa de regressar a Roma, onde morreu a 27 de Março de 1378. Na altura da eleição do seu sucessor, a população de Roma exigiu a escolha de um italiano e o regresso definitivo do papado à cidade. O conclave de cardeais cedeu às ameaças de revolta e escolheu Bartolomeo Prigano, Arcebispo de Bari, até então um administrador da chancelaria do Papa em Avinhão. Prigano, que tomou o título de Urbano VI era uma figura consensual e prometia a paz no seio da Igreja Católica. No entanto, o novo papa não respondeu às expectativas e depressa se mostrou instável, colérico e pouco dado a diplomacia. Os principais cardeais retiraram-se da capital no Verão, supostamente para fugir ao calor, e começaram a conspirar sob a protecção da Rainha Joana I de Nápoles. A 20 de Setembro foi reunido novo conclave e Roberto de Geneva foi eleito para substituir Urbano VI. Roberto tomou o nome de Clemente VII (ficou conhecido como Antipapa Clemente VII) e restabeleceu a sede da Igreja de novo em Avinhão. O cisma foi assim concretizado e resultou, em primeira instância, em acusações recíprocas de heresia e excomunhões mútuas.

Ao contrário de Urbano VI, Clemente VII era um diplomata e soube chamar a si o apoio de várias casas reais e personagens da Igreja, nomeadamente França, Aragão, os Ducados da Borgonha e Ducado de Sabóia, o Reino de Nápoles e Escócia. Pelo seu lado, Urbano VI contava com Inglaterra, Sacro Império, norte de Itália e o apoio de Santa Catarina de Siena. O conflito depressa deixou de ser um assunto da Igreja para se tornar num incidente diplomático à escala do continente europeu, como se deixa adivinhar pela lista de apoios a ambas as facções. Por exemplo, na época do cisma viveu-se na Península Ibérica a Crise de 1383-1385 que opôs Castela e Portugal por questões dinásticas. Como Castela defendeu o papa romano, não será de estranhar que João I de Portugal fosse pelo partido de Avinhão.

Os anos passaram sem que fosse encontrada uma pouco procurada solução para o conflito. Bonifácio IX sucedeu a Urbano VI e Benedito XIII a Clemente VII. Mas nem dentro do papado em Avinhão havia consenso e Benedito XIII acabou por ver o seu pontificado ameaçado por Alexandre V, sucedido pelo Antipapa João XXIII. Este cisma dentro do cisma resultou na existência de três papas ao mesmo tempo no princípio do século XV. A instabilidade política resultante desta situação inédita acabou por forçar a resolução do conflito.

O Concílio de Constança foi iniciado em 1414 para resolver a questão do cisma do Ocidente e logo se tornou numa arena de luta política. Após acesa discussão, que incluiu interferência e ameaças dos poderes seculares, o Concílio recomendou a abdicação dos três papas e a eleição de um único novo papa de consenso geral. O Papa Gregório XII, de Roma, acedeu e resignou, mas os antipapas de Avinhão foram depostos. Finalmente, a 11 de Novembro de 1417, a assembleia do concílio elegeu Martinho V, pondo fim ao cisma.

Os papas do cisma

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Keywords: Cisma do Ocidente, 11 de Novembro, 1377, 1378, 1389, 1394, 1404, 1406, 1409, 1410