Comunismo

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Comunismo é um modelo de sociedade inspirado a partir dos pensamentos inicialmente elaborados por Karl Marx e, posteriormente, continuados por diversos outros teóricos, notavelmente Friedrich Engels, Vladimir Lenin, Leon Trotsky, dentre inúmeros outros. Uma das principais obras fundadoras desta corrente política é "O Manifesto do Partido Comunista" de Marx e Engels.

A principal característica do modelo de sociedade comunal proposto nas obras de Marx e Engels é a da abolição da propriedade privada, e a consequente orientação da economia de forma planejada, embora algumas vertentes do socialismo e do comunismo, identificadas como anarquistas, defendam um socialismo baseado na abolição do estado. Fica mais visível as diferenças entre estes grupos quando se sabe que, no Congresso da Internacional Comunista, Marx condenou veementemente os anarquistas e apontou suas falhas baseado em uma análise bastante detalhada do fracasso da Comuna de Paris. Assim, é necessário diferenciar as diversas experiências e concepções de comunismo.

A teoria que dá base à construção do comunismo tem como ponto de partida a sociedade capitalista, onde, de acordo com a ideologia comunista, impera a propriedade privada dos meios de produção, e imprime a todas as esferas da vida a marca do individualismo e da extração da mais-valia, esta sendo a fonte maior da exploração dos trabalhadores pela classe dominante e a conseqüente desigualdade de classes, na concepção marxista. Marx considerava que somente o proletariado, denominação para os trabalhadores que produzem mais-valia, principalmente os da grande indústria, poderia, por uma luta política consciente e conseqüente de seu papel, derrubar o capitalismo, não para constituir um Estado para si, mas para acabar com as classes sociais e derrubar o Estado como instrumento político de existência das classes.

A definição do termo comunismo é dada após a Revolução russa, no início do século XX, pois Vladimir Lenin entendia que o termo socialismo já estava desgastado e deturpado. Pela teoria, o comunismo só seria atingido depois de uma fase de transição pelo socialismo, onde haveria ainda uma hierarquia de governo.

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Correntes comunistas

O movimento comunista, a partir do início do século XX, passou a se dividir em diversas correntes. Inicialmente, o surgimento do chamado revisionismo, também chamado reformismo, criaria uma divisão entre os partidários destas teses, que depois receberia o nome de social-democracia, promovendo o retorno da expressão "comunismo", adotada por Marx para se distinguir das demais correntes socialistas do seu tempo. As tendências críticas da social-democracia retomaram o nome "comunista", mas logo se viram diante de uma nova divisão: por um lado, os comunistas de partido - os adeptos das teses de Lênin de que o partido de vanguarda seria um instrumento necessário para a revolução comunista - e, por, outro, os comunistas de conselhos, que consideravam os conselhos operários ou "sovietes" como a forma de organização revolucionária dos trabalhadores. Esta divisão seria seguida por várias outras divisões, principalmente dentro da corrente hegemônica, o comunismo de partido - também chamado bolchevismo, leninismo ou marxismo-leninismo, criando diversas tendências, como o maoísmo, o stalinismo, o trotskismo, entre outras. Esta divisão dentro da própria teoria acabaria por minar muitas das iniciativas do Comunismo e causar várias lutas ideológicas internas.

Teorias do Comunismo

Existem diversas concepções de comunismo. Marx considerava, ao contrário de muitos dos seus contemporâneos e de muitos críticos actuais, o comunismo um "movimento real" e não um "ideal" ou "modelo de sociedade" produzido por intelectuais. Este movimento real, para Marx, se manifestava no movimento operário. Inicialmente ele propôs que a classe operária fizesse um processo de estatização dos meios de produção ao derrubar o poder da burguesia, para depois haver a supressão total do Estado. Após a experiência da Comuna de Paris, ele revê esta posição e passa a defender a abolição do Estado e o "autogoverno dos produtores associados".

Depois de Marx, surgiram duas concepções diferenciadas de comunismo:

A concepção bolchevista ou leninista (nas suas diversas corrrentes) que compreendia que o comunismo fosse precedido por um período de transição chamado socialismo, no qual haveria a estatização dos meios de produção, permaneceria existindo a lei do valor e o uso do dinheiro, entre outras características do capitalismo. Este período de transição desembocaria, pelos menos teoricamente, na extinção gradual do Estado e das demais característica do capitalismo, constituindo assim o comunismo. As obras que desenvolvem esta tese são os escritos de Lênin após a revolução bolchevique, o livro de Joseph Stálin "Problemas Econômicos na União Soviética" e em vários escritos posteriores dos seguidores desta corrente, tanto na Rússia quanto no resto do mundo.

A concepção conselhista, por sua vez, retomava Marx e concebia o comunismo como um modo de produção que substituia o capitalismo, abolindo o Estado, a lei do valor, etc., imediatamente, através da autogestão dos conselhos operários. Assim, esta corrente questionava a idéia de um período de transição, colocando-a como sendo contra-revolucionária e produto de um projeto semi-burguês no interior do movimento operário. As principais obras que expressam este ponto de vista são: "Princípios Fundamentais do Modo de Produção e Distribuição Comunista", do Grupo Comunista Internacionalista da Holanda e "Os Conselhos Operários" de Anton Pannekoek, e vários outras obras posteriores que desenvolveram estas teses até os dias de hoje, assumindo o nome contemporâneo de autogestão.

""Comunismo"" na URSS e no mundo

Liderados por Vladimir Lenin e Leon Trotsky, os revolucionários russos valeram-se da ciência marxista para por o controle do Estado nas mãos do proletariado (ditadura do proletariado), visando desenvolver as forças produtivas da Rússia, um país agrário, para a posterior destruição do Estado, a fim de estabelecer a visão stricta de Marx.

Com a morte de Lenin, estabeleceu-se uma disputa pelo poder entre os seguidores de Stalin, com "o socialismo em um só país" e Trotsky, que defendia a "revolução permanente". Após um período de conflitos, tendo como pano de fundo a sabotagem do latifúndio, Trotsky foi expulso da Rússia e, posteriormente, assassinado, na Cidade do México. Após a Segunda Guerra Mundial, em que a Alemanha nazista foi derrotada pela União Soviética, iniciou-se uma fase de revisão dos fundamentos do socialismo soviético, o que resultou, nos anos 90, na reforma da sociedade russa, nos processos que foram então conhecidos como "glasnost" e "perestroika". Para alguns, isto significou uma volta ao capitalismo e uma reaproximação à política dos Estados Unidos, enquanto que, para outros que qualificavam a sociedade russa como um capitalismo de estado, tratava-se de uma volta ao capitalismo privado.

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- Hino da Internacional Socialista em russo (1956) ?

Críticas ao comunismo aplicado na URSS

Muitas são também as críticas tecidas a este regime, mais do que à filosofia que precedeu a sua implantação.

Uma das críticas mais violentas é a que se encontra patente em "O livro negro do comunismo", onde se alude aos abusos praticados nos goulags. Os goulags eram promovidos, perante a opinião pública nacional e internacional, como campos de trabalho comunitário em prol da sociedade, destinados a retratar criminosos. Na realidade, os goulags eram campos de trabalho próximos da escravatura, para muitos intelectuais opositores e traidores do regime, cujas condições de chegada foram descritas e comparadas, por muitos dos seus sobreviventes, às de deportação para campos de extermínio. Os goulags descritos como mais desumanos encontravam-se na região da Sibéria.

Para além dos goulags, muitos dos regimes comunistas são acusados de ditatoriais, promotores da figura do seu líder, centrados na promoção de uma auto-imagem deturpada e parcial dos acontecimentos, nomeadamente através do estabelecimento da censura e na repressão das liberdades individuais. Na verdade, o assassinato de Trotski, após a sua expulsão do país, é apenas um pequeno exemplo.

A queda do muro de Berlim

Após a queda do muro de Berlim, o comunismo foi considerado morto por vários pensadores, intelectuais e pela mídia. O marxismo manteve-se sob outras formas, como na China, com Mao Tsé-Tung, em Cuba, com Fidel Castro e, mais violentamente, na Coreia do Norte, com Kim II Sung e o seu filho Kim Jong II. Segundo alguns pensadores, mais como uma referência filosófica e política geradora de alguma polémica do que propriamente um ente político de largo espectro, pois ter-se-ia limitado ao nível de Governo, deixando o povo com relativa liberdade de acordo com cada norma vigente no respectivo país. O marxismo mantém-se, contudo, como uma referência filosófica e política, (polémica, é certo), que não deve ser desprezada no contexto da globalização. Os seguidores desta doutrina política defrontam-se, entretanto, com as novas realidades históricas que têm originado movimentos renovadores que pretendem repensá-la. O projeto de instauração de uma sociedade comunista ainda é defendido por diversas correntes e pensadores, alguns mantendo a concepção que inspirou a Revolução Bolchevique, o leninismo (para quem as "renovações" são apenas sinal de subjugação ao capitalismo), e outros, fazendo revisão ou aderindo às correntes comunistas anti-leninistas.

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Keywords: Comunismo, 1867, 1884, Alemanha nazista, Anarquismo, Campo de extermínio, Capitalismo, Capitalismo de estado, China