Criacionismo

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right|thumb|250px|Visão artística sobre o criacionismo Criacionismo ou teologia da criação pode referir-se a todas ou a alguma crença cultural sobre a origem do mundo e dos seres; geralmente endossando a importância do envolvimento de um ser sagrado (por meio de poderes sobrenaturais, deíficos ou mitológicos) ou de uma explicação espiritual no processo do surgimento das coisas.

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Uso do termo

O termo Criacionismo pode referir-se à crença de que o mundo foi criado exatamente conforme consta em livros antigos como o do Gênesis ou o Corão. Outros definem como sendo a explicação da origem de todo o universo e da vida através de vontade divina, não entrando no mérito de como esta Criação ocorreu. Na maioria das civilizações antigas é possível encontrar relatos explicando a origem de tudo como um ato intencional criativo, muitas vezes destacando uma figura central como o originador da vida.

Diversidade de conceitos

O criacionismo destaca-se como corrente oposta à teoria da evolução. Assim como os cientistas não são unânimes quanto à forma como se processou a evolução dos seres vivos (os cientistas que não aceitam a evolução são uma minoria sem grande representatividade ou não estão ligados directamente à área da biologia e paleontologia), o movimento do criacionismo também tem diversas facções contraditórias, apoiando diferentes idéias sobre a origem do universo.

Há os que apoiam radicalmente a idéia da criação em sete dias literais, contrariando as evidências arqueológicas. Outros defendem a idéia que a Bíblia dá margem a uma mistura da evolução com a criação, dizendo que Deus deu origem à vida, mas permitiu que esta 'evoluísse'.

A Bíblia faz menção de seis dias criativos e um sétimo dia não terminado. Alguns criacionistas entendem que isto dá margem para dizer que a expressão 'dias' envolve milhares ou até mesmo bilhões de anos, tornando mais compatível a idéia da criação com a Geologia moderna. Alguns grupos mais radicais trabalham basicamente em argumentos para tentar refutar evidências evolucionistas em vez de estudar a Criação. Entre as diversas facções há:

Argumentos neocriacionistas

Apesar da predominância de correntes evolucionistas nos meios acadêmicos, alguns cientistas tornaram-se notados por defenderem o criacionismo clássico, que envolve a crença num Criador. Note-se, contudo, que a Ciência não trata de assuntos de fé, mas apenas daquilo que é observável e passível de experimentação. Um cientista pode defender princípios religiosos, mas esses princípios religiosos ou metafísicos não passam a ser científicos por serem defendidos por um cientista. Os argumentos da comunidade científica apoiante do criacionismo apontam para a organização e exactidão das leis naturais. Esta visão dá uma imagem que se parece com aquela proposta por Isaac Newton, ao comparar o mundo a um mecanismo que evidencia um projecto inteligente e sobrenatural. Claro que esta visão descura por completo as novas tendências científicas que estudam igualmente o caos subjacente a toda esta "organização". É comum dar como exemplo a distância propícia entre o Sol e a Terra, que permite temperaturas amenas que possibilitam a continuidade da vida - é interessante verificar que este mesmo argumento é utilizado pelos evolucionistas para referir o carácter excepcional da posição da Terra, não para uma suposta "continuidade" (palavra que implica a ideia de um projecto ou um plano para a Criação), mas para a sua emergência e evolução. Todas as características e regularidades da natureza (como a regularidade verificada nos elementos químicos na tabela periódica ou o facto de os acontecimentos físicos obedecerem a leis que podem ser expressas em equações matemáticas "exactas"), ao pressuporem uma ordem, são citados e interpretados como prova da existência de um legislador que legisla e faz cumprir essas leis.

A probabilidade matemática de que a vida tenha surgido espontaneamente de uma sucessão de eventos casuais numa ordem específica é também considerada por alguns matemáticos pequena demais.

A complexidade e organização estrutural das formas mais simples da matéria viva é, de facto, espantosa para todos, cientistas ou não, criacionistas ou evolucionistas. Os primeiros, contudo, consideram pouco provável (ou mesmo impossível) que estas "causas de espanto" sejam a consequência evolutiva de um caldo orgânico primordial desorganizado. Todos estes argumentos não são de carácter científico porque se baseiam na interpretação dos dados científicos usando pressupostos de outra ordem (filosófica, por exemplo).

O método que permite recriar um organismo a partir de fragmentos do seu corpo (um dente fossilizado, por exemplo) é duramente criticado pelos criacionistas que consideram abusivas as conclusões como a apresentação de antepassados do Homo sapiens com traços simiescos. Fraudes nos trabalhos e pesquisas envolvendo fósseis (como o 'Homem de Orce') têm sido também usadas para desacreditar a teoria da evolução.

O maior argumento dos criacionistas, com carácter científico, baseia-se num dos conceitos fundadores da Biologia moderna - a refutação da Geração espontânea. Louis Pasteur provou experimentalmente (e continua por se provar o contrário) que não é possível que a vida surja espontaneamente de matéria sem vida. Se não é possivel reproduzir em laboratório a abiogênese, o assunto passa a ser metafísico, não científico.

Argumentos filosóficos contra o Criacionismo

Durante mais de trinta séculos, a crença criacionista perdurou como uma verdade absoluta, interpretada literalmente da forma como está escrita nos textos sagrados das diversas literaturas religiosas, não dando chance a qualquer opinião discordante, uma vez que, imposta pelas autoridades na antiguidade, obrigava a uma aceitação passiva e cega de suas determinações.
Somente nos últimos dois séculos, com o advento dos métodos científicos e com a valorização do direito do homem à liberdade de pensamento, uma série de argumentos foram levantados contra esse predomínio eminentemente religioso. A interpretação criacionista literal perdeu sua unidade, provocando o surgimento dos neo-criacionistas.
No entanto, de acordo com a maioria dos cientistas, todas as ramificações do criacionismo ferem os mais importantes princípios filosóficos da ciência. Nesse sentido, os principais argumentos comparativos propostos são:

  1. O Criacionismo não pode ser considerado como uma ciência, nem sequer uma teoria. Uma teoria requer análises, estudos, testes, experiências, modificações e, finalmente, adequações. Uma teoria evolui com o decorrer do tempo, à medida que o ser humano amplia seus conhecimentos e suas descobertas. Nesse contexto, o Criacionismo é apenas uma visão estacionária criada pelas religiões, e que requer a autoridade da fé para ser sustentada;
  2. O Evolucionismo é uma estrutura teórica, ainda que incompleta, mas bem definida, colocada pela ciência para ser discutida, preenchida e alterada; ao passo que, o Criacionismo é constituído de uma multiplicidade de idéias imaginárias, sem uma unidade estabelecida, criadas pelas centenas de religiões e mitos hoje existentes ou que já existiram outrora;
  3. O Evolucionismo é uma teoria fundamentada em achados fósseis concretos ou em experiências bio-genéticas realizadas, enquanto que o Criacionismo é abstrato, indemonstrável e desprovido de bases científicas;
  4. Os argumentos neo-criacionistas, que utilizam recentes descobertas da ciência, são falácias que podem provar a veracidade de qualquer crença, seja ela judaico-cristã, muçulmana, hinduista, umbandista, pagã, animista ou de qualquer outra mitologia;
  5. O fato de que a ciência não tem respostas para as principais questões universais, tais como a razão da existência ou o destino do ser humano, não pode ser usado como prova de que o Criacionismo é uma verdade inabalável. A ignorância humana não justifica a transformação de uma idéia em verdade, simplesmente para solucionar uma questão.

Carácter teórico

Note-se que esta questão envolve várias questões de ordem filosófica e epistemológica. Se olharmos para a Ciência como um sistema teórico em constante mutação e que não pressupõe verdades absolutas que não possam ser refutadas experimentalmente, as críticas de ambos os lados da barricada centram-se no mesmo problema: a dogmatização das teorias científicas. Os evolucionistas acusam os criacionistas de transporem para a Ciência as suas crenças pessoais e de misturarem fé com realidade observável. Os criacionistas acusam os evolucionistas de fazerem exactamente o mesmo ao imporem a sua visão das coisas, tentando demonstrar que a teoria não assenta em bases sólidas que justifiquem encarar a evolução como um facto, independentemente da forma como esta se processou ou não. Estas críticas levaram a crescentes controvérsias, nos EUA principalmente, sobre o ensino da evolução nas escolas e universidades. Apesar das Provas da Teoria de Oparin, por exemplo, os criacionistas mantêm a polémica.

O evolucionismo é uma teoria construída a partir dos pressupostos do paradigma científico atual, com o intuito de explicar os achados da paleontologia e outros dados científicos presentes nos organismos (como órgãos vestigiais, entre outros). Sempre que novos dados refutam as teorias propostas, lançam-se novas hipóteses, ou muda-se a teoria, como no caso da evolução gradual de Charles Darwin, que perdeu o apoio de muitos para o novo modelo de saltos pontuados do paleontólogo Stephen Jay Gould; uma tentativa de explicar o súbito surgimento de várias espécies diferentes num mesmo sítio arqueológico e a falta de formas transitórias entre espécies. Note-se contudo que é assim mesmo que a Ciência evolui ela mesma - pela constante rectificação de teorias e pela constante experimentação, não com o objectivo de assegurar a teoria mas de procurar onde estão as falhas, para que estas possam ser corrigidas e expostas de forma mais aproximada da realidade. O criacionismo propõe uma explicação para as observações naturais, mas como o seu âmbito é transcendental, não passível de ser refutado experimentalmente. Os criacionistas, ao partirem do pressuposto de que houve um criador (pressuposto que para eles é tão ou mais inquestionável que a evolução para os evolucionistas), interpretam os dados científicos para justificarem a sua crença. De facto, a dificuldade em estabelecer formas de experimentação das duas teorias dificulta o diálogo entre duas perspectivas irredutíveis que se acusam mutuamente de intolerância e de cegueira.

Outros observam que as duas teorias olham o mesmo fenômeno, a vida, com lentes diferentes. Ao passo que o evolucionismo procura olhar para o passado e para o registro fóssil em busca de evidências que expliquem como ocorreu a evolução, os criacionistas olham para o presente e questionam se é realmente aceitável pensar que a vida em toda a sua complexidade e variedade poderia ter surgido por acaso e evoluir sem direção ou sem um objetivo. Os evolucionistas estão preocupados em saber como a vida surgiu, os criacionistas procuram saber o motivo e o objetivo da vida e recusam-se a crer que tudo seja fruto do acaso ou causa desconhecida.

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