Dengue

Keywords: Dengue, Aedes aegypti, Alagoas, América, Bahia, Boa Vista, Brasil, Ceará, Cuba, Egito

A dengue é uma das principais doenças transmitidas por vírus no mundo e um problema gravíssimo especialmente em países tropicais (como o Brasil), onde o clima e os hábitos urbanos oferecem condições muito boas para o desenvolvimento e proliferação de seu mosquito transmissor, o Aedes aegypti.

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Histórico

O primeiro relato de dengue no mundo foi em 1779, na ilha de Java. Nas Américas, o primeiro país atingido foi Cuba, em 1782. No Brasil, há referências sobre dengue desde 1846, sendo que a primeira epidemia documentada no país foi Boa Vista (Roraima), entre 1981 e 1982.

Mas foi em 1986 que houve uma epidemia realmente grande, iniciada no Rio de Janeiro e seguindo para Ceará e Alagoas. No ano seguinte, atingiu também Bahia, Minas Gerais, Pernambuco e São Paulo, tornando-se endêmica nestes locais.

Em 1990 foi detectado um surto de dengue hemorrágica (ver quadro sobre os tipos da doença) no Rio, que incidiu principalmente nas pessoas que já haviam ficado doentes na epidemia de 1986.

Os dois tipos

Há dois tipos principais de dengue, chamadas de “dengue clássica” e “dengue hemorrágica”. A segunda é a mais fatal, podendo ocasionar até a morte do doente. Vale a pena saber quais são os sintomas de cada uma.

Dengue clássica - Suspeita: Dor de cabeça, dor nos olhos, febre alta muitas vezes (passando de 40 graus), dor nos músculos e nas juntas, manchas avermelhadas por todo o corpo, falta de apetite, fraqueza e, em alguns casos, sangramento de gengiva e nariz. Algumas características: A febre é a primeira manifestação e de início repentino e é alta (mais de 38ºC, quando o doente não faz uso de antitérmico). A prostração é intensa nos adultos e pode-se arrastar mesmo após o término da febre; já nas crianças pequenas, a dengue parece com uma infecção viral não específica, sendo os sintomas mais freqüentes a febre, o exantema, o vômito e, nas que já falam, a dor abdominal

Dengue hemorrágica - Suspeita: Mesmas suspeitas da dengue clássica com manifestações hemorrágicas, podendo chegar até a hemorragias leves e severas. Mas é importante observar que os casos da dengue hemorrágica são minoria entre os doentes.

Mosquito transmissor

A dengue é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, mas quase ninguém sabe nada além disso sobre o bichinho. O Aedes aegypti é originário do Egito (que, por sinal, originou seu “sobrenome”). Além da dengue, o mosquito também transmite outras doenças, como a febre amarela. Interessante observar que só as fêmeas picam os seres-humanos, já que os machos só se alimentam de seiva vegetal.

Além de gostar de sangue (já que precisa da proteína ferro-globulina, presente no sangue, para ajudar a desenvolver seus ovos), o inseto consegue sugar até cinco microlitros de sangue (parece pouco, mas para o abdome de um mosquito é uma boa quantidade).

O Aedes aegypti é preto e menor que um pernilongo comum. Ele prefere picar antes das 9h e depois das 16h. Gosta também de lugares cuja temperatura esteja entre 26 e 28 graus (acima de 42 graus, ele morre). Além disso, costuma voar num raio de um quilômetro e a uma altura máxima de dois metros (embora chegue a andares altos de prédios, por exemplo, subindo pelo elevador ou pela escada, ajudado por correntes de ar).

E para não dizer que ele é o único culpado pela transmissão da dengue, o mosquito Aedes albopictus tem as mesmas características que o Aedes aegypti, mas que normalmente só é encontrado em ambiente silvestre.

Transmissão

A única forma de pegar dengue é através da picada de uma fêmea contaminada do Aedes aegypti. E o mosquito só pode contaminar alguém no máximo 12 dias depois de ter sugado o sangue de uma pessoa já contaminada. Não há perigo de pegar dengue através do contato com um doente ou através de água ou comida.

O maior problema, porém, é que um único mosquito desses em toda a sua vida (45 dias) pode contaminar até 300 pessoas. Além disso, há um período de incubação que varia de 3 a 15 dias após a picada.

Tratamento

Se você suspeita estar com dengue, algumas providências têm que ser tomadas, além logicamente de ir a um médico para fazer uma análise. Quem está com dengue precisa ficar em repouso e beber muito líquido. É importante evitar a automedicação. Para aliviar a dor e a febre, só utilizar remédios indicados pelo médico.

Nunca, em nenhum caso, se deve usar remédios à base de ácido acetil salicílico (AAS), como aspirina, Melhoral, Doril, Sonrisal, Alka-Seltzer, Engov, Cibalena, Doloxene e Buferin porque eles podem facilitar o sangramento. É importante evitar antiinflamatórios também.

Quem já teve dengue alguma vez precisa de cuidado em dobro. Na segunda vez, as chances da doença evoluir para a dengue hemorrágica são maiores.

Evitando

A única forma de evitar a dengue é atacando o mosquito. É importante acabar com todos os lugares em que ele pode se desenvolver. O mosquito da dengue coloca seus ovos em lugares com água parada (mesmo limpa). A melhor atitude é observar em casa, na escola e na rua se há algum local que possa oferecer perigo.

Alguns exemplos de objetos que podem acumular água parada: garrafas, pneus, pratos de vasos de plantas e xaxim, bacias, copinhos descartáveis, caixas d’água destampadas, cisternas, tambores, poços e outros depósitos de água.

Atitudes simples podem ajudar a evitar que a epidemia piore. Por exemplo, as pessoas podem trocar água por areia molhada nos pratinhos das plantas; limpar bem as calhas e as lajes de casa; lavar as vasilhas de água dos animais; guardar garrafas vazias de cabeça pra baixo; etc... A responsabilidade na luta contra a dengue é de todos!

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