Deus
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O conceito deus assumiu, ao longo dos séculos, várias concepções, evoluindo desde as formas mais primitivas provenientes das tribos politeístas da antiguidade até os inquestionáveis dogmas das modernas religiões monoteístas. Embora, hoje, o monoteísmo abarque a grande maioria dos fiéis religiosos, o politeísmo ainda constitue uma minoria significativa.
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Concepção Politeísta
Historicamente, não é possível definir qual foi a primeira tribo a criar o primeiro conceito de deus. Contudo, os escritos mais antigos até hoje encontrados, referem-se às concepções politeístas advindas das mitologias suméria, védica e egípcia, as quais surgiram por volta de 3600 aC.
Nas mitologias e religiões politeístas, deus é uma entidade masculina ou feminina, superior ao homem, antropomorfo ou zoomorfo, e com poderes sobrenaturais, geralmente identificados com um elemento ou fenômeno da natureza, ou ainda, uma virtude ou atividade inerente aos seres humanos. Assim temos, por exemplo:
right|thumb|100px|Zeus, deus do trovão.
- na mitologia grega:
thumb|right|100px|Iemanjá, deusa dos mares
- na religião de Umbanda:
thumb|right|100px|Shiva.
- na religião hinduísta:
No intuito de criar explicações para a existência dos elementos e dos seres da natureza, bem como, para conhecer o sentido dos fenômenos naturais (a tempestade, o vento, o dia e a noite, as estações, etc.), os povos e tribos da antiguidade conceberam diversos deuses, que passaram a ter sentimentos e emoções idênticas às dos humanos. Desta forma, nasceram as lendas, das quais nasceram os rituais, cerimônias e sacrifícios, que tinham como objetivo agradecer as benesses enviadas pelos deuses ou aplacar a ira de alguma divindade que castigava o homem com alguma calamidade.
Concepção Monoteísta
Não somente tribos politeístas e animistas da antiguidade, como também civilizações como a egípcia e a suméria, a partir de uma certa época, passaram a adotar práticas henoteístas, isto é, elegiam um único deus dentro de seu panteão cultural, o qual se tornava o deus daquela tribo ou daquela cidade. Ali, nesse lugar, esse deus escolhido era adorado ou idolatrado como um Deus-Supremo, isto é, superior a todos os outros deuses. Tal prática foi a precursora da concepção monoteísta, visão na qual se acredita na existência de um único Deus.
Historicamente, os primeiros escritos puramente monoteístas datam de 1200 aC, com a unificação de tribos pagãs, que deram origem posteriormente ao povo judeu.
thumb|right|Deus criou Adão - Michelangelo.
Nas religiões monoteístas modernas (Judaísmo, Cristianismo, Islamismo), o termo “Deus” refere-se à idéia de um ser antropomorfo, Supremo, Infinito, Perfeito, criador do universo, que seria a causa primeira e fim de todas as coisas. Dentre as características principais deste Deus-Supremo estariam:
- a Onipotência: poder absoluto sobre todas as coisas;
- a Onipresença: poder de estar presente em todo lugar; e,
- a Onisciência: poder de saber tudo.
Essas características foram reveladas aos homens através de textos contidos nos Livros Sagrados, quais sejam:
Esses livros relatam histórias e fatos envolvendo personagens, tais como:
- Noé e Abraão, no Judaísmo;
- Jesus Cristo, no Cristianismo; e,
- Maomé, no Islamismo;
escolhidos para testemunhar e transmitir a vontade divina na Terra.
Outros conceitos
Além da visão teística (politeismo ou monoteísmo) apresentada nas seções anteriores, deus pode ainda ser visualizado sob a ótica dos seguintes conceitos filosófico-religiosos:
- Ateismo – Contrapondo-se à visão do teismo, o ateismo nega a existência de Deus ou dos deuses. Para alguns ateus, o conceito Deus deixou como sequela para a humanidade uma inumerável quantidade de tradições e costumes, mantidas em seu nome, que conduziram o ser humano a um segundo plano, fato este que fez girar a roda da história contra ele mesmo, subjugando-o à vontade deste conceito intangível, e limitando sua vida e sua criatividade por gerações e gerações.
- Agnosticismo – Dentro da visão agnóstica, não é possível provar racionalmente a existência de Deus, como também é igualmente impossível provar a sua inexistência. O politeismo e o monoteismo enquadram-se dentro de uma visão gnóstica de deus, isto é, Deus ou os deuses são seres cujos atributos estão perfeitamente definidos ou revelados em seus livros sagrados. Para um agnóstico, no entanto, Deus pode até existir, porém suas características são incompreensíveis para a razão humana.
- Espiritismo – Para a doutrina espírita, Deus é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas, eterno, imutável, imaterial, único. Todas as leis da natureza são leis divinas, pois que Deus é seu autor. Além do mundo corporal, habitação dos homens, existe também o mundo espiritual, habitação dos espíritos desencarnados. Os ciclos de desencarnação e reencarnação são julgados e dirigidos unicamente por Deus, o qual se supoe um soberano perfeitamente justo e benevolente.
- Panteísmo – A visão panteísta sustenta que o Universo inteiro é o próprio Deus. Assim: “Deus é o Universo, e o Universo é Deus”. No panteismo dá-se ênfase às divindades imanentes, enquanto que no Panenteísmo (visão em que o Universo está inteiramente contido em Deus, porém Este é alguma coisa maior que o Universo) dá-se ênfase às características transcendentais de Deus.
- Animismo – Crença na qual se atribui a todos os elementos do cosmos (Sol, Lua, estrelas), a todos os elementos da natureza (rio, oceano, montanha, floresta, rocha), a todos os seres vivos (animais, árvores, plantas) e a todos os fenômenos naturais (chuva, vento, dia, noite) um princípio vital e pessoal, isto é, uma Alma. Consequentemente, cada um desses elementos são passíveis de possuirem sentimentos, emoções, vontades ou desejos.
Variantes especulativas
- Algumas pessoas especulam que Deus ou os deuses são seres extra-terrestres. Muitas dessas teorias sustentam que seres inteligentes provenientes de outros planetas visitaram a Terra no passado e influenciaram no desenvolvimento das religiões. Alguns livros propoem que tanto os profetas como também os messias foram enviados ao nosso mundo com o objetivo exclusivo de ensinar conceitos morais e encorajar o desenvolvimento da civilização.
- Especula-se também que toda a religiosidade do homem criará no futuro uma entidade chamada Deus, a qual emergirá de uma inteligência artificial. Arthur Charles Clarke, um escritor de ficção científica, disse em uma entrevista que: “Pode ser que nosso destino nesse planeta não seja adorar a Deus, mas sim criá-Lo”.
- Outros especulam que as religiões e mitos são derivadas do medo. Medo da morte, medo das doenças, medo das calamidades, medo dos predadores, medo do desconhecido. Com o passar do tempo, essas religiões foram subjugadas sob a tutela das autoridades dominantes, as quais se transformaram em governantes divinos ou enviados pelos deuses. Dessa forma, a religião é simplesmente um meio para se dominar a massa. Napoleão Bonaparte disse que: “o povo não precisa de deus, mas precisa de religião”, o que quer dizer que a massa necessita de uma doutrina que lhe discipline e lhe estabeleça um rumo, sendo que deus é um detalhe meramente secundário.
Veja também
- Argumentos contra a existência de Deus
- Argumentos pela existência de Deus
- Lista de nomes de Deus
- Lista de deuses
