Disco (música)
Keywords: Disco (música), 1971, 1972, 1973, 1974, 1975, 1976, 1999, ABBA, Andrea True Connection
framed|Capa do LP Saturday Night Fever, de 1977. A disco music, ou discothèque, ou simplesmente disco' é um estilo de dança que se origiou no início dos anos 70, principalmente a partir de músicas dos estilos funk e soul. Inicialmente, popularizou-se entre gays e negros nas grandes cidades norte-americanas, e deriva seu nome da palavra francesa discothèque (passando a significar boate, clube noturno). O nome "disco music" passou a abranger as variedades mais aceleradas e dançantes do soul e do funk, com alguma influência do pop e da salsa.
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Origens
Como todos os gêneros musicais similares, definir um único ponto de início é difícil, uma vez que muitos elementos daquilo que hoje se chama "disco music" aparecem em gravações bem anteriores ao seu "boom" (como exemplo, a gravação de 1971 do tema do filme Shaft, feita por Isaac Hayes). Em geral se pode dizer que os primeiras músicas disco' surgiram em 1973, no entanto muitos consideram a música "Soul Makossa", do africano Manu Dibango (lançada em 1972) como o primeiro sucesso da "disco music" (cf. Jones and Kantonen, 1999). No começo, a maioria das músicas era consumida por pequenas audiências, em clubes noturnos e de dança, e não por um público mais amplo, ouvinte de rádio.
Entre as tendências sociais que contribuíram para o crescimento da disco music estão o aumento de consumo de gravações musicais entre negros e hispânicos acima do consumo do público branco, além do aumento da independência financeira das mulheres, da liberação gay e a revolução sexual (conforme Jones and Kantonen, 1999).
Entre as influências musicais que a disco' recebeu estão o funk, o soul, a salsa e os ritmos musicais latinos ou hispânicas que originaram a salsa.
Entre as gravações de soul anteriores à disco music e que a influenciariam, os estudiosos Jones e Kantonen apontam:
- Sly and the Family Stone - "Dance to the Music" (1968), e "Everyday People" (1968)
- Stevie Wonder - "Yester-Me, Yester-You, Yesterday" (1969), "Superstition" (1972)
- Incredible Bongo Band - "Bongo Rock" (1973)
- Average White Band - "Pick Up the Pieces" (1974), "Cut the Cake" (1975)
A Philadelphia International Records (com a marca dos produtores Kenneth "Kenny" Gamble e Leon Huff) criou aquilo que chamou de "a música soul da Filadélfia" e dela temos as seguintes gravações:
- Three Degrees - "When Will I See You Again" (1974)
- Intruders - "I'll Always Love My Mama" (1973)
- The O'Jays - "I Love Music" (1975), "Love Train" (1972)
- MFSB - "TSOP (The Sound of Philadelphia)" (1974)
Entre as primeiras gravações da "era disco" feitas pela TK Records (segundo Jones e Kantonen, 1999) estão:
- Betty Wright - "Clean Up Woman" (1972)
- Harry Casey - "Get Down Tonight" (1975)
- KC and the Sunshine Band - "That's the Way (I Like It)" (1975)
Entre os primeiros sucessos considerados "disco music", temos:
- Harold Melvin & the Blue Notes - "The Love I Lost" (1973)
- George McGrae - "Rock Your Baby" (1974)
- Hues Corporation - "Rock the Boat" (1974)
- LaBelle - "Lady Marmalade" (com o verso: "Voulez-vous coucher avec moi?") (1975)
É possível apontar também Barry White e seu Love's theme (de 1974), o grupo espanhol Barrabas, com sua gravação Woman (1972), e mesmo Philadelphia Freedom e Island Girl, de Elton John, como tendo elementos do que se tornou conhecido como disco' music, principalmente nos arranjos instrumentais.
Popularidade
No ano de 1975 é que a "disco' music" realmente decolou, com sucessos como "The Hustle" (de Van McCoy) e o primeiro sucesso de Donna Summer, "Love To Love You Baby" (gravado na Alemanha) atingindo os primeiros lugares. Em 1975 ocorreu também o lançamento do primeiro "disco mix" (música remixada por um disc-jóquei), com a música de Gloria Gaynor "Never Can Say Goodbye". O ritmo da "disco' music" também está presente em músicas como o tema musical da série de TV SWAT, de 1976 (gravado pelo grupo de estúdio Rhythm Heritage) ou a música "Gonna Fly Now", tema do filme "Rocky, o Lutador". Da Europa, surgiram grupos como Silver Convention e Boney M (na Alemanha), Santa Esmeralda (na França) e La Bionda (na Itália). O grupo sueco ABBA, que inicialmente fazia um gênero romântico, também embarcou no "fenômeno disco'", com Dancin' Queen, Gimme, Gimme, Gimme, Super Trouper e outras.
A popularidade do estilo atingiu o auge na chamada Era Disco, entre 1977 e 1979/1980, em parte devido ao filme de 1977 "Saturday Night Fever", com John Travolta (traduzido no Brasil como "Os embalos de sábado à noite"). O fenômeno disco' também aumentou a popularidade de algumas formas de dançar pré-coreografadas. Até no Brasil o estilo deixou sua marca, com a novela Dancin' Days, da Rede Globo de Televisão (em 1978) e o efêmero sucesso do grupo As Frenéticas.
Artistas populares da Era Disco'
Entre os mais populares artistas e grupos desta fase e gênero estão o Chic (dos produtores Bernard Edwards e Nile Rodgers), Sister Sledge, Tina Charles, Michael Jackson (com o LP Off The Wall), Ritchie Family, Donna Summer, Gloria Gaynor, Boney M, o Village People, K.C. and the Sunshine Band, Voyage, Salsoul Orchestra, The Trammps, e Barry White, com sua Love Unlimited Orchestra.
O sucesso do gênero foi tanto que grupos de outros gêneros, como ABBA e Bee Gees (românticos), incluindo-se aí grupos de rock, como The Eagles e até os Rolling Stones e o The Clash acrescentaram toques de disco' music às suas músicas. Blondie fez o mesmo na música "Heart of Glass". E nada (ou quase nada) escapou à "febre disco'" de regravações e criação de versões dançantes: até mesmo a 5-a Sinfonia de Beethoven ganhou versão disco' (compondo uma das faixas do LP Saturday Night Fever.
O papel dos disc-jóqueis (DJ's) e produtores
A Disco Music era diferente do rock composto e executado nos anos 60 por significar (apesar das muitas exceções) um retorno da influência dos produtores, que faziam contratos curtos, verdadeiros aluguéis de músicos, para produzirem sucessos para artistas diferentes, cujo papel era simplesmente o de cantar e divulgar as músicas. Isto pode explicar a opinião de alguns críticos de rock que odeiam a disco', afirmando que várias músicas "têm a mesma cara". Os principais produtores e mixadores da Era Disco' incluíam Patrick Adams, Biddu, Cerrone, Alec R. Costandinos, Gregg Diamond (produtor, em 1975, de More, More, More, interpretada por Andrea True Connection), Bernard Edwards (e seu parceiro Nile Rodgers, criadores do Chic), Rick Gianatos, Quincy Jones, François Kevorkian, Meco Monardo, Tom Moulton, Kenton Nix, Boris Midney, Vincent Montana Jr, Giorgio Moroder, Rinder and Lewis, e Michael Zager. Entretanto, aquilo que muitos críticos e fãs de rock enxergam como perda de autenticidade e credibilidade significou não exatamente um retorno à música dirigida pelo produtor, mas à música voltada para os ouvintes, que apreciavam dançar.
Fora da indústria fonográfica, diversos DJs (disc-jóqueis), muitos dos quais às vezes trabalhavam em estúdios como produtores e remixadores, tiveram muita influência no fenômeno. As vendas de discos muitas vezes dependiam, apesar de isso não significar garantia absoluta, do sucesso nas pistas de dança. Notáveis DJs incluíam Jim Burgess, Walter Gibbons, Francis Grasso (Sanctuary), Larry Levan (Paradise Garage), Ian Levine (Heaven), David Mancuso (The Loft), e Tom Moulton. Dentre as "discotecas" (aqui significando pista de dança, danceteria) mais famosas da época estava o Studio 54, em Nova Iorque, EUA.
Retrocesso
Apontam-se muitas razões para a decadência da disco' bem no final dos anos 70, que vão desde a reação de puristas do rock até não tão sutis sentimentos anti-gays e racistas; a música disco' e as coreografias que a caracterizaram eram taxadas não apenas de tolas, mas também de "efeminadas".
No Reino Unido, na mesma época em que surgiram manifestações "anti disco'" nos EUA, uma publicação do Partido Nacionalista Britânico dizia que "a disco' e sua pseudo-filosofia de caldeirão cultural devem ser banidas, ou então as ruas britânicas ficarão cheias de adoradores da música soul negra", apesar disto já ser realidade entre muitos jovens brancos daquele país por vinte anos.
Enquanto isto, aquela primeira audiência que consumiu a disco music, ao vê-la sendo difundida nos meios de comunicação, passou a buscar outras formas de música dançante, muitas vezes apenas a mesma disco' com outro nome. Já os fãs de rock tradicional, mais sério, criaram a expressão "Disco sucks!" (disco' enche!). Uma rádio de rock em Chicago chegou a criar um evento em 1979 chamado "Disco Demolition Night" que envolviam a explosão de LPs de "disco music", e a coisa quase terminou em tumulto.
Descendentes, influência, e renascimento
No início dos anos 80 músicos e grupos como George Benson, Patrice Rushen, os Brothers Johnson, Commodores, S.O.S. Band e outros artistas lançaram sucessos claramente influenciados pela disco' (porém, sem o rótulo "disco music", que já parecia ter "cansado" o público. Eram rotulados apenas de "dance music" ou de funk).
Após 1980 a disco' music se metamorfoseou e deixou influências nos gêneros que a sucederam, incluindo a chamada acid house e outras variações. E basta escutar I'm gonna get you de Bizarre Inc. (1993), Murder on the Dance Floor, de Sophie Ellis-Bextor, ou Can't Get You Out of My Head de Kylie Minogue para perceber o som disco', ainda que com outro nome, claramente presente.
Fontes de pesquisa (em inglês)
- Michaels, Mark (1990). The Billboard Book of Rock Arranging. ISBN 0823075370.
- Jones, Alan and Kantonen, Jussi (1999). Saturday Night Forever: The Story of Disco. Chicago, Illinois: A Cappella Books. ISBN 1556524110.
