Doença de Chagas
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A Doença de Chagas (Mal de Chagas ou Chaguismo), também chamada tripanossomíase americana, é uma infecção causada pelo protista cinetoplástida (flagelado)Trypanosoma cruzi, e transmitida por insetos, conhecidos no Brasil como barbeiros, pertencentes aos gêneros Triatoma, Rhodinius e Panstrogylus.
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História
Descoberta em 1909 pelo médico brasileiro Carlos Chagas, a doença não foi vista como problema até a década de '60. O nome de T. cruzi ao agente causador foi dado por Chagas em homenagem ao epidemiologista Oswaldo Cruz.
Na Argentina, muitas vezes a doença é chamada de Mal de Chagas-Mazza, em homenagem ao médico argentino Salvador Mazza, que em 1926 começou a estudar a enfermidade e com os anos transformou-se no principal estudioso da doença naquele país.
Uma passagem do diário de Charles Darwin levou à suposição de que ele sofresse da doença de Chagas, em conseqüência da picada de um inseto, e esta seria a causa do declínio de sua saúde depois da viagem no Beagle. Testes feitos com técnicas PCR em seus restos mortais foram improfícuos.
Epidemiologia e distribuição geográfica
Estima-se que existam até 18 milhões de pessoas com esta doença, entre os 100 milhões que constituem a população de risco, distribuída por 18 países americanos. Dos infectados, cerca 20 000 morrem a cada ano.
A doença de Chagas crônica é um problema epidemiológico na América Latina, mas a migração crescente de populações aumentou o risco de transmissão por transfusão de sangue até mesmo nos EUA, e têm surgido casos da doença em animais silvestres até a Carolina do Norte.
Distribuída pelas Américas desde os EUA até a Argentina, atinge principalmente as populações rurais pobres. As casas pobres, com reboco defeituoso e sem forro, são habitat para o barbeiro, que dorme de dia nas rachaduras das paredes e sai à noite para sugar o sangue da pessoas que dormem, geralmente no rosto ou onde a pele é mais fina.
Manifestações clínicas
A doença tem uma fase aguda, de curta duração, e uma fase crônica.
A fase aguda é geralmente assintomática, mas pode apresentar uma lesão (chagoma) local edematosa, febre, linfadenopatia, anorexia, esplenomegalia e miocardite brandas. Entre 10 e 20% dos casos agudos se transformam, em 2 a 3 meses, em casos crônicos.
O caso crônico pode demorar anos ou mesmo décadas para se tornar sintomático. Afeta o sistema nervoso e o coração, resultando em demência, cardiomiopatia (afecção do músculo cardíaco, a manifestação mais grave da doença), ou dilatação do trato digestivo. Sem tratamento pode ser fatal, geralmente devido à cardiomiopatia.
Ciclo de infestação
Um vetor (inseto triatomíneo) infectado suga o sangue e deposita fezes infestadas com tripomastigotos perto da picada. Ao se coçar, geralmente dormindo, a vítima leva o tripomastigoto a entrar na ferida, ou na mucosa intacta (boca, nariz, olho). Uma vez dentro do organismo do hospedeiro definitivo, os tripomastigotos invadem as células, onde se transformam em amastigotos. Os amastigotos se dividem por fissão binária, dando origem aos tripomastigotos, que caem na circulação sangüínea e vão infectar novas células e assim por diante.
Um dos centros de excelência da pesquisa médica em doença de Chagas é a Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto, onde nos anos 50 o Dr. Fritz Köberle demonstrou que os amastigotos destróem os neurônios do sistema nervoso autônomo no intestino e no coração.
O barbeiro se infecta ao sugar o sangue de um organismo infectado. No intestino do vetor, o tripomastigoto se transforma em epimastigoto e então se reproduz. O tripomastigoto não se reproduz.
A infestação também pode ser por transfusão de sangue ou transplante de órgãos, ou por via placentária.
A recente notícia (março de 2005) de uma forma alternativa, oral, de infecção, abre um campo de pesquisa ainda não explorado sobre novas formas de infestação. Embora exista uma descrição de megaesôfago por T. cruzi em Santa Catarina em 2003 ([1]), não há evidência de infestação oral. Em SC, o T. cruzi, apesar de encontrado na proporção de 21 a 45% em um de seus reservatórios naturais, o gambá (Didelphis marsupialis), existe nesta espécie sob uma forma menos infectante que a encontrada em Minas Gerais, onde a doença de Chagas é endêmica.
Diagnóstico
O diagnóstico pode ser:
- microscópico, buscando o parasita no sangue do paciente
- xenodiagnóstico, onde o paciente é picado por barbeiros não contaminados e, quatro semanas depoia, seu intestino é examinado em busca de parasitas
Prevenção
A prevenção está centrada no combate ao vetor, o barbeiro, principalmente através da melhoria das moradias rurais a fim de impedir que lhe sirvam de abrigo.
Fontes
- Artigo na Wikipédia em inglês.
- Autochthonous Chagas' disease in Santa Catarina State, Brazil: report of the first case of digestive tract involvement
- Doença de Chagas: 90 anos da descoberta
Leituras
- Trypanosoma cruzi e doença de Chagas. Z. Brener e Z. Andrade (orgs.). Rio de Janeiro: Guanabara Koogan Ed., 1979.
- Clínica e Terapêutica da Doença de Chagas: um manual para o clínico geral. J.C.P.Dias & J.R.Coura (orgs.). Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 1997
- Manejo clínico em doença de Chagas. E.D.Gontijo e M.ºC.Rocha (orgs.). Brasília: Fundação Nacional de Saúde, Ministério da Saúde, 1998.
- Enfermedad de Chagas. R. Storino & J. Milei, (orgs.). Buenos Aires: Doyma Argentina,1994
Links externos
- Antimicrob. Agents Chemother. 49: 1521-1528 Garcia, S., Ramos, C. O., Senra, J. F. V., Vilas-Boas, F., Rodrigues, M. M., Campos-de-Carvalho, A. C., Ribeiro-dos-Santos, R., Soares, M. B. P. (2005). Treatment with Benznidazole during the Chronic Phase of Experimental Chagas' Disease Decreases Cardiac Alterations.
- Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 82(2):185-7, 2004. Vilas-Boas F., Feitosa G.S., Soares M. B. P., Pinho Filho J.A., Almeida A., Mota A., Carvalho H. G., Oliveira A. D. D. Ribeiro-dos-Santos R. Bone marrow cell transplantation to the myocardium of a patient with heart failure due to Chagas cardiomyopathy. A case report.
Doença de Chagas - Tripanossomíase
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