Domingos de Gusmão

Keywords: Domingos de Gusmão, 1170, Agosto, Albigenses, Alemanha, Anarquia, Apóstolos

Fundador da Ordem dos Pregadores, cujos membros são também conhecidos por dominicanos.

Filho de Joana de Aza e Felix de Gusmão, Domingos nasceu em 1170, em Caleruega, no interior do Reino de Castela.

Seus pais pertenciam à pequena nobreza terratenente. Esta classe social, de índole guerreira, foi sendo criada à medida das necessidades de um território que ia crescendo, mercê das lutas de conquista cristã aos mouros.

Domingos, que teve desde cedo inclinação para a vida religiosa, vai em 1189 estudar para Palência, tornando-se, após conclusão dos estudos, em 1196 membro do cabido da sua Diocese natal, Osma.

Em 1203, o rei de Castela solicita ao bispo de Osma que este fosse negociar e trazer uma princesa da Dinamarca para se tornar esposa do seu filho, tendo S. Domingos sido companheiro de viagem do seu bispo, Diogo. Durante a viagem, Domingos ficou para sempre impressionado com o desconhecimento da doutrina cristã dos povos da Europa do norte, tornando-se-lhe evidente que se tornava necessário ir evangelizar aqueles povos, em especial um com que certamente contactou, os cumanos.

Em 1205, Domingos e Diogo, para conclusão do objectivo inicial, realizaram nova missão ao norte da Europa, tendo também efectuado uma peregrinação a Roma e a Cister. No sul de França, junto a Montpellier, encontraram legados do Papa que pregavam contra as heresias dos Albigenses e Cátaros. Estes dois grupos, defendiam uma vida apostólica, baseada na vida de Cristo e dos primeiros apóstolos. Um modo de vida simples, sem hierarquias que em tudo constratava com o cerimonial as hierarquias e poder financeiro e político de grande parte das estruturas da Igreja do seu tempo. Tiveram grande adesão popular em virtude do seu carisma e honestidade de vida. No entanto, tornaram-se heréticos, ao defenderem ideias contrárias aos fundamentos da Igreja, razão pela qual o Papa entendeu intervir, enviando delegados seus por forma a catequizar, pregar, converter e denunciar os erros dos heréticos.

Diogo e Domingos, perante a evidência das dificuldades sentida na missão dos legados papais, convencem-nos a adoptar uma estratégia de simplicidade ao estilo apostólico e mendicante, pois que os Legados, até aí, deslocavam-se com grande pompa, criados, e riquezas. Os Legados deixam-se convencer, despachando para casa tudo o que fosse supérfluo, na condição que Diogo e Domingos os acompanhassem e os dirigissem na missão. O que estes fizeram. O Papa Inocêncio III, descobrindo virtualidades nesta novo forma de pregação, aprova a mesma e mandata Diogo e Domingo para a “santa pregação”. Diogo, sendo bispo, por razão das suas responsabilidades e não podendo ficar muito mais tempo naquela região e regressou à sua diocese, falecendo pouco tempo depois. Domingos continuou na região, muitas vezes sozinho.

A pregação e o início da Ordem

Em 1206, um grupo de mulheres por si convertida do catarismo pedem-lhe apoio e ele encontra uma casa para elas morarem em Prouille, dá-lhes uma regra de vida, simples, de oração e reclusão, no que veio a ser a primeira comunidade religiosa dominicana de monjas de clausura. Domingos encarava esta comunidade como “ponto de apoio à santa pregação”, pois que aquelas religiosas, por intermédio da oração, seriam o apoio dos pregadores. Em 1208 encontra-se completamente sozinho na missão de pregar pelas localidades do sul de França. Em 1210 está na região de Toulouse, palco de violentos combates entre senhores feudais e heréticos cátaros.

Em 1214 está em Carcassone onde assiste a duras batalhas entre as duas partes e onde começa a juntar um pequeno grupo de companheiros que com ele adoptam a vida de pregadores itinerantes. No mesmo ano, torna-se pároco de Fangeux, localidade junto a Prouille e á sua comunidade Feminina.

Em 1215, em Toulouse adopta uma regra de vida para a sua comunidade de pregadores, obtendo a aprovação do Bispo local. No entanto, o seu objectivo era criar uma ordem religiosa que não ficasse restrita a uma local, a uma diocese, mas sim que tivesse um mandato geral, por forma a poder actuar em todos os territórios onde fosse necessário a evangelização. Dirige-se nesse mesmo ano a Roma, onde decorria o Concílio Latrão por forma a obter o reconhecimento da sua Ordem. No entanto, o Concílio, perante tantos e diferentes novos movimento que surgiram um pouco por todo lado, e por forma a evitar a anarquia, decide proibir que sejam aceites novas ordens religiosas.

Aconselhado pelo Papa, e de regresso a Toulouse, Domingos e os seus companheiros estudam as várias Regras de vida religiosa já existentes e optam pela Regra de Santo Agostinho. Entretanto, o papa Inocêncio III morre e Honório III torna-se papa, sendo um admirador e amigo de Domingos e dos seus pregadores. Em 1217 Domingos volta a Roma com a sua Regra e a seu pedido, o Papa pede à Universidade de Paris o envio para Toulouse de alguns professores destinados ao ensino e à pregação. Entretanto, o Papa confirma a regra da Ordem dos Pregadores como religiosos “totalmente dedicados ao anúncio da palavra de Deus”. Logo após o reconhecimento da as Ordem, Domingos envia os seus primeiros discípulos, dois a dois a fundar novas comunidades em Paris, Bolonha, Roma e a Espanha. Domingos acreditava que apenas o estudo profundo da sagrada escritura poderia dar os meios necessários para uma pregação eficaz. Assim, envia os seus irmãos para as principais cidades universitárias do seu tempo, por forma a não só adquirem os conhecimentos necessários, como para agirem e recrutarem novos membros entre as camadas estundantis e intelectuais do seu tempo.

A fundação da Ordem

Em 1218 Domingos está em Roma, a visitar as novas casas, dirigindo-se depois para Espanha onde um dos seus primeiros companheiros, o português Fr. Soeiro Gomes tinha fundando algumas casas. No principio de 1219 Domingos vai a Paris e posteriormente volta a Itália.

Em 1220 reúne em Bolonha o primeiro Capítulo da Ordem, fazendo-se algumas alteração às respectivas constituições canónicas, estando presentes dezenas de frades vindos de muitos pontos distantes da Europa. É adoptado o modelo de governo democrático, pelo qual todos os superiores de casas são eleitos por todos os membros das comunidades. Em 1221 funda em Roma o convento de monjas de S. Sixto e realiza o segundo Capítulo da Ordem no qual esta passou a estar organizada em “províncias”. O modelo democrático estende-se a toda a Ordem, mediante o qual para cada Capítulo Geral participam por direito os Priores Provinciais e delegados eleitos por todas as comunidades, sendo que o Mestre Geral da Ordem é também eleito. São enviados irmãos pregadores para Inglaterra, Escandinávia, Polónia, Hungria e Alemanha. Completamente desgastado pelo esforço, morre a 6 de Agosto, em Bolonha. É canonizado em 1234.


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