Economia ecológica
Keywords: Economia ecológica
A Economia Ecológica, tendo surgido no final da década de 80, é definida segundo CONSTANZA e DALY como “um novo campo, transdiciplinar que estabelece relações entre ecossistemas e o sistema econômico”, utilizando-se de uma síntese dos conceitos econômicos e ecológicos, embora diferindo dessas disciplinas no que tange a percepção dos problemas e na importância atribuída às interações econômicas-ambientais. A questão ambiental é tratada de forma interdisciplinar, holística e participativa, abordando desde os recursos naturais, passando pelos processos de produção, até as descargas e os dejetos.
Os problemas globais crescentes são interdependentes e relacionam-se com o meio ambiente, a população e o desenvolvimento econômico, sendo, necessário portanto, essa abordagem transdisciplinar que contemple toda a gama de inter-relacionamentos entre os sistemas econômico e ecológico. Entre as diversas disciplinas envolvidas, podemos destacar a Biologia, a Ecologia, a Geologia, a Engenharia Sanitária, a Geografia, a Psicologia Social e logicamente a Economia. Não se trata de uma nova disciplina, mas uma nova maneira de pluralística de se abordar os problemas. Uma dessas maneiras é o enfoque mais direto dos problemas, ao invés do emprego dos modelos e das ferramentas intelectuais específicas que se têm usado para resolve-las, ignorando-se, também, os limites territoriais intelectuais e arbitrários.
A diferenciação entre economia ecológica e a economia e ecologia convencionais é dada em termos de amplitude da sua percepção do problema e da importância atribuída entre a interação meio ambiente - economia. A economia ecológica assume uma visão mais abrangente em termos de espaço, tempo e das partes do sistema a ser estudado.
O que diferencia este posicionamento dos defensores do Desenvolvimento Sustentável, é a discordância no que tange a estratégia proposta para melhorar a qualidade de vida da população. O Relatório Brundtland dá ênfase ao crescimento econômico como solução, mas seria necessário perguntar o que aconteceria se toda a população do planeta tivesse condições de consumir recursos no mesmo ritmo dos países desenvolvidos.
Para os adeptos da Economia Ecológica, a capacidade de assimilação da biosfera não pode suportar o atual nível de consumo de recursos, muito menos um grande acréscimo necessário para generalizar o consumo nos níveis dos países ricos.
Na perspectiva de um estado estacionário, a economia é um sub-sistema aberto num ecossistema finito, de crescimento nulo e materialmente fechado. Um sistema aberto toma energia do seu entorno e devolve dejeitos. No sistema fechado, a matéria circula constantemente pelo seu interior e intercambia energia somente com o exterior. Se denomina rendimento total de processamento (“troughput”) à transformação em produto que sai do sistema ("output"), diferentemente dos insumos que entram previamente no sistema ("input"). Da mesma maneira que um organismo vivo consumindo nutrientes e excretando produtos dos dejeitos (resíduos), uma economia deve, até certo ponto, esgotar e contaminar o ambiente. Uma economia em estado estacionário é aquela cujo rendimento total (“troughput”) é mantido a um nível constante; num nível no qual não se explora o ambiente além de sua capacidade de regeneração e não é contaminado de maneira a ultrapassar a sua capacidade de absorção.
Essa postura tem fortes contradições com o enfoque neoclássico, o qual parte do pressuposto que a economia é o sistema geral e a natureza o sub-sistema, levando aos economistas neoclássicos a postular a não existência de restrições para o crescimento econômico, eles podem até reconhecer que a natureza seja finita, mas colocam que pode ser substituída rapidamente por outro setor da economia.
fontes:
- Maimon, Dália. Ensaios sobre Economia do Meio Ambiente. Rio de Janeiro: APED, 1992, 150 p.
- Constanza, Robert. Economia Ecológica: Uma agenda de pesquisa. In May, Peter H. & Motta, Ronaldo S. (orgs). Valorando a Natureza: Análise Econômica para o Desenvolvimento Sustentável. Rio de Janeiro: Ed. Campus, 1994, cap.7, pp.111-144.
