Enéas Carneiro

Keywords: Enéas Carneiro, 1938, 1958, 1959, 1965, 1980, 1989, 1994

Enéas Ferreira Carneiro (Rio Branco (Acre), 5 de novembro de 1938) é um político brasileiro, fundador do Partido da Reedificação da Ordem Nacional (PRONA). Foi três vezes candidato à Presidência da República, e em 2002 foi eleito deputado federal pelo estado de São Paulo, recebendo votação recorde de mais de 1 milhão e 700 mil votos.

Enéas perdeu os pais aos 9 anos de idade, sendo obrigado a trabalhar para sustentar seus irmãos. Em 1958 abandonou a vida humilde no estado do Acre para iniciar seus estudos no Rio de Janeiro. Em 1959 formou-se terceiro-sargento auxiliar de anestesia. Em 1965 formou-se em medicina pela Faculdade Fluminense de Medicina, com especialidade em cardiologia. A produção acadêmica de Enéas, entretanto, não se restringiu à medicina, e ele é autor de artigos sobre diversos assuntos, desde cardiologia, até filosofia, lógica e robótica. Em 1980 foi diplomado como médico do Hospital do Câncer do Rio de Janeiro.

Enéas fundou, em 1989, o Prona, lançando-se imediatamente candidato à Presidência nas primeiras eleições diretas do Brasil após o período da Ditadura Militar. O seu tempo na Propaganda Eleitoral Gratuita era de apenas 17 segundos. Mas sua imagem exótica (um homem pequeno, careca, com enorme barba cerrada e grandes óculos "fundo de garrafa"), aliado a uma fala rápida e discurso inflamado e ultranacionalista (terminado sempre por seu bordão: "Meu nome é Enéas"), fizeram com que o então desconhecido político angariasse mais de 360 mil votos, colocando-o em 12º lugar entre 21 candidatos.

Percebendo a penetração de sua imagem junto ao eleitorado, Enéas voltou a se candidatar em 1994, dispondo então de 1 minuto e 17 segundos no horário eleitoral. Mesmo sendo o Prona um partido ainda sem expressão, o resultado surpreendeu os especialistas em política. Enéas foi o terceiro mais votado, posicionando-se à frente de políticos consagrados, como o então governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola, do ex-governador de São Paulo Orestes Quércia, e do então governador de Santa Catarina Esperidião Amim, com mais de 4 milhões e 600 mil votos.

Em 1998, com 1 minuto e 40 segundos disponíveis no horário eleitoral, Enéas expôs seu discurso nacionalista como nunca havia feito antes. Idéias, como a construção da bomba atômica, a nacionalização dos recursos minerais do subsolo brasileiro e a ampliação do efetivo militar se tornaram polêmicas, e passaram a ser usadas com arma política para deter sua crescente popularidade. Nas eleições presidenciais daquele ano, foi o quarto colocado.

Em 2000 candidatou-se à prefeitura de São Paulo, sem muito sucesso, embora tenha conseguido reunir votos para a eleição de sua candidata a vereadora Havanir Nimtz. Em 2002 candidatou-se a deputado federal por São Paulo, obtendo a maior votação da história. Seu partido obteve votos suficientes para, através do sistema de proporcionalidade, eleger mais 3 deputados federais (mesmo com votações inexpressivas, abaixo dos 1000 votos). Este episódio ficou marcado pela polêmica de que alguns destes candidatos teriam mudado de colégio eleitoral de forma ilegal apenas para serem eleitos pelo princípio da proporcionalidade, confiando nos votos conferidos ao partido através de Enéas. Enéas também participou ativamente das eleições para prefeitos e vereadores em 2004, ajudando a eleger vereadores em várias capitais, como Rio e São Paulo, e prefeitos em pequenas cidades.

Enéas Carneiro apresenta-se na atualidade como um político de extrema direita. Alguns críticos o associam como um novo ícone do Movimento Integralista. Analistas enxergam Enéas como um fruto da democracia moderna, alegando que sua imagem excêntrica e seu bordão ("Meu nome é Enéas") se sobrepõe ao seu discurso hermético e intelectualizado frente às classes mais pobres da sociedade brasileira. De uma forma ou de outra, é um dos políticos mais populares do Brasil.


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