Espiritismo

Keywords: Espiritismo, 1848, 1850, 1857, 1859, 1861, 1864, 1865, 1868

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O Espiritismo é uma doutrina espiritualista com base filosófica, religiosa e científica. Sua origem data do século XIX, época em que o então professor e pedagogo Hippolyte Léon Denizard Rivail, adotando o pseudônimo de Allan Kardec, concentrou em cinco obras básicas ensinamentos colhidos a partir dos depoimentos de várias pessoas tidas como tendo a faculdade de se comunicar com os chamados "mortos" em vários países, os quais foram atribuídos aos espíritos superiores também denominados espíritos mais evoluídos.

O Espiritismo defende a interação incessante dos seres espirituais, os quais são denominados desencarnados na vida cotidiana e procura expor uma explicação racional comprovável por estudos científicos para diversos fenômenos paranormais, desde a existência e comunicação com os espíritos até a existência de Deus.

A base filosófica para o Espiritismo é o Livro dos Espíritos, o primeiro livro das obras básicas da doutrina dos espíritos. Neste livro, estão inseridas perguntas desenvolvidas por Kardec que teriam sido respondidas pelos espíritos em sessões mediúnicas com técnicas diversificadas de psicografia. Essas questões, numeradas de 1 a 1019, serviram como base para os demais livros.

Com a ajuda de teorias sobre o magnetismo oriundas da época da Revolução Francesa, foram desenvolvidas teorias para a causa dos efeitos paranormais que provocavam o movimento das mesas girantes.

A doutrina tem inspiração cristã, com base filosófica positivista, com concepções teológicas bem diferenciadas no que diz respeito à divindade, à humanidade, salvação, graça e destino. Um elemento fundamental é a crença na reencarnação.

Conteúdo

Resumidamente, o Espiritismo tem os seguintes princípios:

As organizações auto-denominadas espíritas cujas características não se encaixam nos itens acima não são considerados pelas Federações Espíritas como espíritas, mas sim espiritualistas.

Embora a doutrina espírita não seja oriunda do Brasil, esté é o país que possui a maior quantidade de seguidores do espiritismo.

Atualmente, a doutrina espírita vem crescendo em países europeus, sul-americanos e asiáticos.

Origem

Primeiras observações

Os espíritas adotaram como oficial a data de 31 de março de 1848 como o início das manifestações espirituais mais difundidas ao ponto de merecer um estudo mais apurado. Entretanto, segundo a visão dos seguidores da doutrina espírita, fatos e acontecimentos envolvendo espíritos (personalidades sem corpos físicos) existem desde sempre.

Os espíritas citam como exemplo os comentários de Sócrates e Platão ao falarem sobre os "daimons", os de Moisés, que proibiu as comunicações mediúnicas usadas para diversão, os de Jesus, que os disciplinou para o bem, e os contidos na obras da codificação espírita, organizadas por Allan Kardec.

Aplicação do método científico de Allan Kardec

Allan Kardec é convidado por Fortier, um amigo estudioso das teorias de Mesmer, a verificar o fenômeno das mesas girantes e foi disposto a observar e analisar os fenômenos.

Segundo os espíritas, as primeiras manifestações inteligentes aconteceram por meio de mesas se lavantando e batendo, com um dos pés, um número determinado de pancadas e respondendo desse modo sim ou não, segundo fora convencionado, a uma questão proposta.

Kardec concluiu que não havia nada de convincente neste método para os céticos, porque se podia acreditar num efeito da eletricidade até então desconhecido pela ciência. Foram então utilizados métodos para se obter respostas mais desenvolvidas por meio das letras do alfabeto: o objeto móvel, batendo um número de vezes correspondente ao número de ordem de cada letra, chegava a formular palavras e frases respondendo às perguntas propostas. A precisão das respostas e sua correlação com a pergunta causaram espanto na época. O ser misterioso que assim respondia, quando interrogado sobre sua natureza, declarou que era um Espírito ou gênio, deu o seu nome e forneceu diversas informações a seu respeito.

Codificação das mensagens

Em 1850, Kardec começou a se dedicar a estudos de fenômenos, que começaram a chamar sua atenção.

A partir de 1848, em Hydesville nos Estados Unidos, no que ficou conhecido como o caso das irmãs Fox. Essas primeiras manifestações espíritas consistiam em ruídos, batidas e movimentos de objetos sem causa conhecida, que ocorriam com freqüência.

Kardec começou então a observar fenômenos semelhantes conhecidos como "mesas girantes", onde mesas, segundo ele e diversas testemunhas, giravam sozinhas nos salões franceses, o que se contituía em diversão para seus freqüentadores. Esses fenômenos foram atribuídos, mais tarde, por Kardec, à influência de espíritos de seres humanos que já faleceram e usavam o magnetismo para interagir com o mundo dos vivos.

Segundo os espíritas, esses fenômenos das mesas ocorriam na França e em diversos lugares do mundo e, observados por Kardec serviram de base para o início de seus estudos.

Como cientista concluiu que precisaria uma inteligência para provocar manifestações inteligentes como as respostas precisas das mesas. Durante as pesquisas, Kardec manteve-se cético, procurando fraudes, e encontrando muitas. No caso específico de algumas mesas, jamais encontrou provas de manipulação humana. Como certamente as mesas não seriam por si só inteligentes, precisava existir alguma força capaz de movê-las, e da forma como faziam, deveriam haver inteligências por trás daquelas manifestações.

Em função dos fenômenos que Kardec acreditou que realmente não eram fraudes, foram escritos cinco livros. Estes acabaram por se constituir como a base da Doutrina Espírita.

Livros publicados por Kardec

Com a publicação de suas obras, Allan Kardec funda o Espiritismo, doutrina que se propõe a estudar tais fenômenos através de experimentações e observações e a reinterpretar princípios do Cristianismo, bem como sanar várias dúvidas sobre o Universo e a existência humana. O movimento de divulgação do Espiritismo se desenvolveu pouco em países da Europa, mas encontrou no Brasil um bom ambiente para sua aceitação e reunião de adeptos.

Preceitos Básicos

Segundo os espíritas, existem alguns preceitos básicos do espiritismo:

Prática Espírita

Para os espíritas existem alguns preceitos referentes à prática da doutrina:

Crescimento no Brasil

Vem crescendo em número de adeptos, em contraposição ao que vem ocorrendo com o número de praticantes do Catolicismo, religião predominante no país. Outra questão que pode estar fazendo o Espiritismo crescer como religião no Brasil, são as pessoas de outras religiões que procuram centros espíritas quando perdem seus parentes. Provavelmente para tentar encontrar respostas e entender a morte numa abordagem diferente da tradicional.

Errônea Utilização do Termo "Espiritismo" e "Espírita"

Há diversas religiões no Brasil que se denominam Espíritas, sendo que algumas chegam a misturar os livros de Allan Kardec com variações de outras doutrinas.

Os vocábulos espírita e Espiritismo são neologismos criados por Allan Kardec com a intenção de distinguir a doutrina nascente das outras já existentes doutrinas chamadas pelos espíritas de espiritualistas.

Segundo os espíritas, a palavra Espiritismo portanto, só pode ser utilizada para referir-se à Doutrina Espírita, que está toda contida nas obras organizadas por Allan Kardec, na segunda metade do século XIX, na França.

Cultos Afro-Brasileiros

Embora no contexto deste artigo o Espiritismo seja o termo que define uma religião em especial, o termo é frequentemente utilizado no Brasil como designação para os cultos afro-brasileiros.

Muitos centros de umbanda são denominados Espíritas e seus frequentadores definem-se como espíritas. Há também a Confederação Espírita Umbandista do Brasil e a Federação Espírita Umbandista do Brasil. (ver Umbanda)

No entanto, a Umbanda tem sua raízes no sincretismo católico-animista. Na época da escravidão, houve a miscigenação e a convivência dos antigos escravos vindos da África para o Brasil, com os senhores-de-engenho católicos. Muitos daqueles donos de escravos eram intolerantes em relação às práticas animistas, os escravos então adotaram os ritos católicos para praticar a sua religião, que acabou por haver uma fusão entre os muitos rituais.

Além disso, por conta da perseguição sofrida à época da ditadura Vargas, os centros de umbanda passaram a ostentar em suas fachadas o termo espírita, para escaparem da perseguição e do fechamento de seus terreiros.

Centros Espiritualistas Ramatis

Há um certo número de centros espiritualistas que seguem os ensinos ditados pelo médium espiritualista Hercílio Maes, que dizia incorporar o espírito Ramatis na cidade de Curutiba - PR nos anos de 1950.

Esses centros distinguem-se bastante dos centros espíritas tradicionais que baseiam seus estudos nas obras básicas da Doutrina Espírita, escritas por Allan Kardec. As Federações Espíritas afirmam que aqueles não podem qualificar-se de espíritas, como geralmente acontece, pois as teorias e práticas estimuladas por Ramatis colidem frontalmente com aquelas contidas nos livros básicos da Codificação Espírita, que têm como base o critério de concordância e universalidade dos ensinos, constante da introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo e aceita pelas Federações Espíritas.

Segundo os espíritas, estudiosos como Deolindo Amorim e Herculano Pires, entre outros, alertaram para os desvios doutrinários propostos por Ramatis, entidade ligada ao ocultismo e ao esoterismo. A mais recente obra existente, que relaciona e confronta os ensinos da Doutrina Espírita com as teorias ramatisistas intitula-se Ramatis - Sábio ou Pseudo-sábio?, publicada pela editora EME, de Capivari-SP, Brasil. A obra propõe pela distinção entre Espiritismo e outras correntes espiritualistas que se auto-denominam espíritas.

Controvérsias

Pseudo-Ciência

Nenhuma das abordagens do Espiritismo são aceitas pela Comunidade Científica: a mediunidade e a reencarnação são ignorados porque não foram suficientemente comprovados. Mesmo havendo estudos com terapias de vidas passadas realizadas em faculdades de medicina, essas teorias não são aceitas no geral. No entanto, recentemente observa-se um aumento do interesse da comunidade científica pelo estudo de fenômenos paranormais, como os que ocorrem em sessões espíritas. Embora muitos casos na história da parapsicologia tenham sido considerados charlatanismo, muitos fenômenos legítimos foram observados e registrados na literatura.

Religião ou Doutrina?

Há autores que consideram que o Espiritismo não é uma doutrina e, sim, uma religião. Essa controvérsia assenta numa diferença de interpretação dos dois termos. Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti, professora do Departamento de Antropologia Cultural da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e estudiosa do Espiritismo no Brasil, por exemplo, sustenta que Se você explica a realidade social pela realidade transcendente, sua visão é religiosa. O Espiritismo entra nesta definição: parte do princípio que os espíritos existem e se comunicam com o ser humano, para transmitir aquilo que os seus defensores referem como Doutrina (e que segundo esta visão é apenas uma explicação religiosa).

Espiritismo x Igrejas Cristãs

As Igrejas em geral não aceitam o Espiritismo como sendo uma doutrina cristã, pois consideram que a base para o cristianismo é a crença na salvação pelo sacrifício e ressurreição de Jesus Cristo.

Antônio Flávio Pierucci, professor do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP) e destacado estudioso da religiosidade brasileira defende, por seu lado, que O Espiritismo não é uma religião cristã e que Os espíritas utilizam o Cristianismo para se legitimarem. Pierucci defende também que o vínculo com a Igreja Católica pregado pelos espíritas serviu, durante décadas, para lutar contra a discriminação: O Espiritismo faz força para não parecer uma religião exótica.

Espiritismo x Catolicismo

No século XIX, por volta de 1895, a Igreja Católica queimou, em um Auto-de-Fé, cerca de 2.000 edições de O Livro dos Espíritos na cidade de Barcelona, Espanha, numa tentativa de frear o avanço da publicação e o crescimento do interesse pela mesma.

Nos dias de hoje o conflito não é oficial: há padres dentro da Igreja que consideram o Espiritismo cristão, há outros que não, mas não há uma posição oficial da CNBB no Brasil sobre o tema.

O Episcopado Brasileiro, reunido no VI Congresso Eucarístico Nacional (1953), presentes os Senhores Cardeais, Arcebispos, Bispos e Prelados e o Representante da Nunciatura Apostólica, Mons. João Ferrofino, determinou que: “Os espíritas devem ser tratados como verdadeiros "hereges".

Comportamento espírita

Centros Espíritas

Os chamados centros espíritas ou casas espíritas, normalmente, são organizações religiosas, constituidas na forma da Legislação civil pertinente à espécie, de acordo com a dicção do Código Civil Brasileiro, devidamente cadastradas na Receita Federal, portadoras de CNPJ. Antes da vigência do Código Civil/2002 se equiparavam às associações civis comuns.

No Brasil, a grande maioria dos Centros Espíritas são ligados e coordenados quanto à sua organização e diretrizes pelas Federações Espíritas estaduais e estas são adesas à Federação Espírita Brasileira, sendo livres para incluir características próprias e comuns aos dirigentes regionais e aos associados para manter a identidade e individualidade.

Por sua maioria, os Centros Espíritas ligados à uma Federação Unificadora são orientadas a manter uma estrutura simples e propõe as seguintes atividades a serem realizadas:

Movimento Espírita

O crescimento do movimento espírita vem seguindo uma tendência mundial, conforme constatado no IBOPE do ano 2000, em que foi registrada uma migração de Católicos para outras religiões, como as frentes Evangélicas, Afro-Brasileiras e outras.

Segundo o IBGE, a grande maioria das famílias espíritas no Brasil são formadas por ex-católicos, que passaram a procurar explicações tidas como mais racionais em substituição aos dogmas das religiões dogmáticas tradicionais.

Reuniões e comportamento nas casas espíritas

No mínimo um dia por semana, são realizadas reuniões abertas à comunidade em Centros Espíritas:

Uma reunião semanal é iniciada pontualmente:

  1. O representante da associação (em geral o Presidente) inicia com as boas vindas aos participantes, faz os comunicados de interesse dos associados e declara aberta a reunião com uma prece;
  2. Após a prece, um palestrante lê um trecho do livro "O Evangelho Segundo o Espiritismo" e faz uma breve explanação sobre o ponto abordado.
  3. Os frequentadores assistem a uma palestra proferida que tem como base os fundamentos doutrinários da doutrina espírita;
  4. Após a palestra, o médium ou dirigente experiente passa a atividade denominada por fluidoterapia ou tratamento através de fluidos ou passe para quem desejar.
  5. Os chamados médiuns tarefeiros da casa são convidados a aplicar passes através da imposição de mãos sobre a cabeça do assistido, em uma sala reservada para tal, seguindo uma voz de comando do orador que dita orientações de autocontrole pessoal, otimismo, entre outros.
  6. Segue então às vibrações coletivas, onde uma voz de comando pede aos participantes vibrarem ou terem bons pensamentos a favor de pessoas carentes, doentes, países em guerra, pelo planeta, pelos familiares, etc.;
  7. Ao final da reunião pública, os participantes são convidados ao se retirarem beber um copo de água ou chá que teria recebido um tratamento energético dos espíritos superiores (fluidoterapia);
  8. Os médiuns permanecem na casa em uma fase final da reunião, onde é realizada a assistência à distância, onde fazem orações e vibrações aos casos mais graves de obsessão ou males espirituais.

As reuniões podem sofrer alterações na ordem ou forma de execução, mas quase todas possuem os elementos descritos nesta lista.

Referências Externas

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