Espírito Santo (religião)

Keywords: Espírito Santo (religião), A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, Actos dos Apóstolos, Apóstolos, Basílica de São Pedro, Batismo no Espírito Santo, Cristianismo, Cátedra de Pedro

Nota: Se procura outros termos de Espírito Santo, consulte: Espírito Santo.

Imagem não encontrada
Stpetersbasilicaholyspiritwindow.jpg
O Espírito Santo retratado como uma pomba no vitral que fica atrás da Cátedra da Basílica de São Pedro, Roma.

Na Bíblia hebraica (Velho Testamento), o termo hebraico Ruach HaKodesh é usado muitas vezes; ele é traduzido literalmente como Espírito Santo. Na Bíblia Hebraica ele se refere à presença de Deus na forma experimentada por um ser humano. A maioria dos cristãos considera o Espírito Santo como o próprio Deus, parte da Trindade.

Conteúdo

A visão judaica do Espírito Santo

A literatura midrash contém muitas afirmações acerca do Espírito Santo. É escrito que o Espírito Santo, sendo de origem celeste, é composto, como tudo aquilo que vem do céu, de luz e de fogo. Quando descansou sobre Finéias, a sua face ardeu como um archote (Midrash Lev. Rabbah 21). Quando o Templo foi destruído e o povo de Israel foi para o exílio, o Espírito Santo regressou ao céu, o que é indicado em Eccl. 12:7: "o espírito voltará para Deus" (Midrash Eccl. Rabbah 12:7). O espírito por vezes fala com voz masculina, e outras com voz feminina (Eccl. 7:29). Isto é, como a palavra "ruah" é tanto masculina como feminina, o Espirito Santo foi concebido como sendo por vezes como um homem e outras como uma mulher.

De acordo com a tradição Judaica, o Espírito Santo se apresenta apenas a uma geração digna, e a frequência das suas manifestações é proporcional à retidão. Não se registaram manifestações deste no tempo do Segundo Templo (Talmude, Yoma 21b), embora se dessem muitas no tempo de Elias (Tosefta ao Talmude Sotah, 12:5). De acordo com Job 28:25, o Espírito Santo repousa sobre os Profetas em vários graus, alguns profetizando o conteúdo de apenas um livro, outros preenchendo dois livros (Midrash Lev. Rabbah 15:2). Ainda assim não repousava sobre eles continuamente, mas apenas por períodos de tempo.

Os estágios de desenvolvimento, dos quais o mais elevado é o Espírito Santo, são os seguintes: zelo, integridade, pureza, santidade, humildade, temor do pecado, o Espírito Santo. O Espírito Santo conduziu Elias, o qual traz os mortos à vida (Yer. Shab. 3c, acima, e passagem paralela). O acto sagrado através do Espírito Santo (Midrash Tanhuma, Vayeki, 14); qualquer um que ensine a Torah em público partilha do Espírito Santo (Midrash Canticles Rabbah 1:9, end; comp. Midrash Lev. Rabbah 35:7). Quando Finéias pecou, o Espírito Santo apartou-se dele (Midrash Lev. Rabbah 37:4).

A tradição Judaica divide os livros da Bíblia Hebraica em três categorias, de acordo com o nível de profecia que os seus autores terão alcançado.

Os resultados visíveis da actividade do Espírito Santo, de acordo com a concepção Judaica, são os livros da Bíblia, os quais terão sido, na sua totalidade, compostos sob a sua inspiração. Todos os Profetas falaram "no Espírito Santo"; e o sinal mais característico da presença do Espírito Santo é o dom de profecia, no sentido em que a pessoa sobre a qual ele repousa vê o passado e o futuro. De acordo com o Talmude, com a morte dos três últimos profetas, Ageu, Zacarias, e Malaquias, o Espírito Santo cessou de se manifestar em Israel; mas o Bat Kol (voz celestial) ainda estava disponível.

De acordo com uma das perspectivas do Talmude, o Espírito Santoestava entre as dez coisas que foram criadas por Deus no primeiro dia (Talmude Bavli, Hag. 12a, b). Embora a natureza do Espírito Santo, na realidade, não esteja descrita em lugar algum, o seu nome indicia que era concebido como uma espécie de vento que se manifestava através de ruído e luz.

De especial interesse é a distinção feita pelas antigas autoridades Judaicas entre o "Espírito do Senhor" (o qual é o termo mais comum para referir o Espírito Santo no Tanakh) e a Shekinah, a presença de Deus. Esta distinção é feita no Talmude, o qual nos dá uma lista das coisas que se encontravam no primeiro Templo de Jerusalém, mas ausentes do segundo Templo. Esta lista inclui o Espírito Santo e a Shekinah. A diferença não é facilmente compreendida, mas parece que a glória da Shekinah era, de alguma forma, mais tangível do que o Espírito. Isto poderia referir-se à presença literal de Deus no Santo dos Santos, e à presença de Deus que dele emanava em alguma forma especial, em oposição à presença do Espírito Santo, o qual estaria em muitos locais mundo fora, e especialmente em indivíduos. No Tanakh, entretanto, esta presença do Espírito é reservada para os reis, profetas, sumo sacerdotes, etc. e não é concedida ao crente comum.

Nos apócrifos

O Espírito Santo é referido com menor frequência nos Apócrifos e pelos escritores Judeus Helénicos; isto pode significar que a cencepção do Espírito Santo não era proeminente entre o povo Judeu da época, especialmente na Diáspora.

Na profecia de I Macabeus 4:45, 14:41 é referido como algo há muito perdido. Sabedoria 9:17 refere-se ao Espírito Santo enviado por Deus dos céus, através do qual os decretos de Deus são reconhecidos. A disciplina do Espírito Santo protege do logro (ib. i. 5). Diz o Salmo de Salomão, 17:42, em referência ao Messias, o filho de David: "ele é poderoso no Espírito Santo"; e em Susana, 45, que "Deus elevou o Espírito Santo num jovem, cujo nome era Daniel."

Perspectivas Cristãs do Espírito Santo

Imagem não encontrada
Folio_79r_-_Pentecostes.jpg
Representação do dia de Pentecostes, (At 2,1-13)

Na principal corrente do Cristianismo, o Espírito Santo é uma pessoa da Trindade, co-igual com o Pai e o Filho (i.e. Jesus Cristo), parte da Deidade. Nas igrejas Unitárias, nas Testemunhas de Jeová, e em outras igrejas que não aceitam a doutrina da Trindade, o Espírito Santo é o poder ou vontade de Deus, e não uma pessoa da Deidade. Para A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias o Espírito Santo é um personagem de espírito, terceira pessoa da Deidade, no entanto separado e distinto do Pai e do Filho.

Os Cristãos crêem que é o Espírito Santo que conduz as pessoas à fé em Jesus Cristo e aquele que lhes dá a capacidade para viverem um vida Cristã. O Espírito habita dentro de cada Cristão. Ele é descrito como um 'conselheiro' or 'ajudante' (paraclete em Grego), guiando-os no caminho da verdade. Os 'Frutos do Espírito' (i.e. os resultados da sua influência) são "amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança" (Gálatas 5:22). Ele também concede dons (i.e. habilidades) aos Cristãos tais como os dons de profecia, línguas e conhecimento, embora alguns Cristãos acreditem que isto apenas aconteceu nos tempos do Novo Testamento.

O movimento Pentecostal coloca uma ênfase especial nas obras do Espírito Santo, em especial nos dons acima mencionados, acreditando que estes são ainda hoje concedidos. Muitos Pentecostais acreditam num batismo no Espírito Santo, através do qual o poder do Espírito é recebido pelo Cristão de uma nova forma. Uma parte minoritária dessas seitas afirmam que esse baptismo do Espírito Santo é o verdadeiro sinal de Cristianismo numa pessoa, ou seja, que até uma pessoa ter experimentado o baptismo do Espírito Santo, ela não pode estar certa da sua salvação.

Os Mórmons (membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias) recebem o "Dom do Espírito Santo" pela imposição das mãos, após o baptismo pela água. Esta concessão do Dom do Espírito Santo através da imposição das mãos dos portadores do Sacerdócio constitui para este grupo o baptismo pelo fogo, ou pelo Espírito.

O Espírito Santo é frequentemente simbolizado pelo sinal de uma pomba, baseado no relato do Espírito Santo a descer sobre Jesus Cristo na forma de uma pomba, após este ter sido baptizado no rio Jordão. O livro de Actos descreve o Espírito Santo a descer sobre os Apóstolos durante o Pentecostes na forma de um vento e línguas de fogo, que repousavam sobre a cabeça dos Apóstolos. Baseado nesta imagem, o Espírito Santo é frequentemente simbolizado por uma chama.

No Evangelho de João, no Novo Testamento, a ênfase é colocada, não no que o Espírito Santo fez por Jesus, mas no facto de Jesus ter dado o Espírito aos seus discípulos. No Cristianismo tradicional, o qual foi o mais influente para o desenvolvimento posterior da doutrina da Trindade, Jesus é visto como o cordeiro sacrificial, e com vindo aos homens para concedeo o Espírito de Deus à humanidade.

Embora a linguagem utilizada ao descrever Jesus a receber o Espírito Santo no Evangelho de João seja um paralelo dos relatos nos outros Evangelhos, João relata este episódio com o objectivo de mostrar que Jesus tinha uma especial posse do Espírito para que o podesse conceder aos seus seguidores, unindo-os a Si mesmo, e em Si mesmo unindo-os também com o Pai. (Ver Raymond Brown, "The Gospel According to John", capítulo sobre Pneumatologia).

De acordo com o dispensaçionistas, estamos agora a viver a Era do Espírito. O período do Velho Testamento, nesta corrente, pode ser chamado a Era do Pai; o período coberto pelos Evangelhos, a Era do Filho; do Pentecostes até ao segundo advento de Cristo, a Era do Espírito.

O Género do Espírito Santo

A palavra hebraica presente na Bíblia para espírito é ruwach, que significa vento fôlego, inspiração; o substantivo é, gramaticalmente, feminino. Nos "Cânticos de Salomão", o mais antigo hinário cristão, o Espírito Santo é, gramaticalmente, feminino. A palavra grega para espírito, 'pneuma', não tem género gramatical. O Espírito Santo é traduzido para o masculino apenas em linguas como o Latim e o Inglês.

Ver o artigo Deus e Género para uma discussão sobre como traduzir os nomes de Deus para Português, os aspectos masculinos e femininos do Espírito Santo, e assuntos relacionados.

Veja também

 categoria:Conceitos religiosos
  Categoria:Cristianismo
 
 
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
 

Keywords: Espírito Santo (religião), A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, Actos dos Apóstolos, Apóstolos, Basílica de São Pedro, Batismo no Espírito Santo, Cristianismo, Cátedra de Pedro