Esquistossomose

Keywords: Esquistossomose, Anemia, Baço, Brasil, Cefaléia, Circulação sanguínea, Diagnóstico, Diarréia, Endemia, Esplenectomia

Esquistossomose Mansônica

A esquistossomose é a doença causada pelo Schistosoma. Endêmica em várias regiões tropicais e subtropicais do globo terrestre, com estimativas de 200.000 mortes por ano, o Schistosoma tem três espécies com interesse clínico: o S. mansoni, o S. japonicum e o S. hematobium. No Brasil é causada pelo Schistosoma mansoni, que veio provavelmente trazido da costa ocidental da África para a região nordeste do país com o tráfico de escravos e a inadequada exploração dos recursos hídricos. Hoje a estimativa de prevalência é de dez milhões de indivíduos infectados, com 60 a 80 % morando na região nordeste.

Conteúdo

Ciclo Evolutivo

O ciclo evolutivo inicia-se com o caramujo Biomphalaria, cujas principais espécies são o B. glabrata, o B. straminea e o B. tenagophila. Estes caramujos são hospedeiros intermediários das cercarias, albergando o ciclo assexuado. O homem é contaminado ao entrar em contato com as águas dos rios onde existem estes caramujos infectados. No homem a cercária entra pela pele, instala-se na circulação sanguínea, indo para os pulmões, onde são fixados. Após alguns dias ocorre a transformação para a forma jovem, liberam-se e migram para o fígado. Lá ocorre o amadurecimento da larva e o acasalamento (forma sexuada). Após este acasalamento, os parasitas migram contra o fluxo sanguíneo, atingindo as veias mesentéricas e do plexo hemorroidário superior. Lá, os parasitas põem ovos por três a cinco anos, que é o tempo de vida do parasita. Os ovos atravessam a luz dos vasos sanguíneos, atingindo o intestino e são eliminados pelas fezes. Os ovos, em contato com a água, liberam os miracídios que penetra no caramujo. Dentro do caramujo ocorre a forma assexuada, com a liberação da forma larvária. Assim recomeça o ciclo.

Clínica

Fase inicial ou aguda:

A doença inicia com a entrada das cercarias através da pele, que pode passar despercebida ou cursar com febre, mal estar, cefaléia, astenia, dor abdominal, diarréia sanguinolenta, dispnéia, artralgias, reação de sensibilidade com urticária (dermatite cercariana), prurido, linfonodomegalia e esplenomegalia. Os sintomas podem ceder espontaneamente, mas a doença silenciosa continua.

Fase crônica:

O verme adulto parasita as veias mesentérica superior e o plexo hemorroidário, que é um complexo de veias que levam o sangue dos intestinos para a filtragem pelo fígado, como foi falado antes. A produção de grande quantidade de ovos que são depositados nos tecidos pelos parasitas seriam o estímulo à produção de reação inflamatória crônica ao redor dos mesmos, causando fibrose cicatricial, diminuição da elasticidade hepática e obstrução ao fluxo sanguíneo. As veias que chegam ao fígado começam a dilatar-se pela dificuldade encontrada no escoamento do sangue, formando varizes que envolvem os intestinos, o estômago, o esôfago e o baço. Cronicamente, o paciente evolui com ascite e hemorragias.

Exames Complementares

Os ovos podem ser encontrados no exame parasitológico de fezes, mas nas infecções recentes o exame apresenta baixa sensibilidade. Para aumentar a sensibilidade podem ser usados de coproscopia qualitativa, como Hoffman ou quantitativo, como Kato-Katz. A eficácia com três amostras chega apenas a 75%. O hemograma demonstra leucopenia, anemia e plaquetopenia. Ocorrem alterações das provas de função hepática, com aumento de TGO, TGP e fosfatase alcalina. Embora crie a hipertensão portal, classicamente a esquistossomose preserva a função hepática. Assim, os critérios de Child-Pught, úteis no cirrótico, nem sempre funcionam no esquistossomótico que não tem associado hepatite viral ou alcoólica. A ultra-sonografia em mãos esperientes pode faer o diagnóstico, sendo patognomônico a fibrose e espessamento periportal, hipertrofia do lobo hepático esquerdo e aumento do calibre da mesentérica superior.

Profilaxia

Saneamento básico com esgotos e água tratadas. Erradicação dos caramujos que são hospedeiros intermediários.

Tratamento

As duas únicas drogas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde são a oxamniquine e o praziquantel, que podem ser contraindicadas devido ao quadro clínico grave do paciente, pelo menos até que haja melhora.

O tratamento cirúrgico é reservado para as complicações, como o hiperesplenismo (esplenomegalia maciça) com manifestações clínicas, onde é indicado a esplenectomia, e no casos de sangramentos maciços por varizes esofágicas, quando é feita a desvascularização esofagogástricsa com esplenectomia e anastomose esplenorrenal distal. Utilização de propanolol tem sido útil na profilaxia da hemorragia digestiva por redução da pressão portal do gradiente de pressão venosa hepática e do fluxo da veia ázigos. O octreotide é usado no sangramento agudo com sucesso.

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