Existencialismo
Keywords: Existencialismo, Albert Camus, Arthur Schopenhauer, Edmund Husserl, Eterno retorno, França, Friedrich Nietzsche, Jean-Paul Sartre, Karl Jaspers, Kierkegaard
O existencialismo é um movimento filosófico unilateral, que coloca o ênfase no individual, no próprio, a experiência do indivíduo e na singularidade dele como a única realidade. Os existencialista acreditam na liberdade absoluta e aceitam as consequências e ramificações de suas acções no seu todo. Os existencialistas preferem a subjectividade e acham a existência em geral como um mistério, e que eles são cada um uma entidade isolada, num universo indiferente e por vezes ambíguo.
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Origem
O existencialismo foi inspirado nas obras de Arthur Schopenhauer, Søren Kierkegaard e nos filósofos alemães Friedrich Nietzsche, Edmund Husserl, e Martin Heidegger e foi particularmente popular por volta dos meados do século XX com as obras do escritor e filósofo francês Jean-Paul Sartre e a escritora e filósofa Simone de Beauvoir. Os principais princípios do movimento são expostos no livro de Sartre "L'Existentialisme est un humanisme". O termo existencialismo foi adotado apesar de existência filosófica ter sido usado inicialmente por Karl Jaspers, da mesma tradição.
Relação com a Religião
Apesar de muitos, senão a maioria, dos existencialistas terem sido ateístas, os autores Søren Kierkegaard, Karl Jaspers e Gabriel Marcel propuseram uma versão mais teológica do existencialismo. O ex-marxista Nikolai Berdyaev desenvolveu uma filosofia do Cristianismo existencialista na sua Rússia natal e mais tarde em França, na véspera da Segunda Guerra Mundial.
Principais conceitos
A Existência precede a essência
Entre as proposições existencialistas mais famosas de Sartre está o ditado: "a existência precede e domina a essência", que em geral é interpretado pela não existência pré-definida da Humanidade excepto naquilo que nós a fazemos dela. Uma vez que o existencialismo de Sartre não reconhece a existência de Deus ou qualquer outro princípio determinante, os seres humanos são livres de fazerem aquilo que quiserem.
Uma vez que não existe uma natureza humana pré-definida ou avaliação última para além daquilo que os humanos projetam para o mundo, as pessoas podem apenas ser julgadas ou definidas pelas suas acções ou escolhas e as escolhas humanas são o avaliador último. Este conceito é baseado no conceito de Nietzsche do eterno retorno: a idéia de que "as coisas perdem valores porque deixam de existir". Se todas as coisas continuassem sempre a existir então elas seriam muito importantes, mas porque elas são apenas passageiras e deixarão de existir, elas perdem o seu valor. O conceito de existência precedendo a essência é importante porque ele descreve a única realidade concebível como o juiz sobre o bem ou o mal. Se as coisas apenas "existem", sem directiva, objectivo ou verdade universal, então a verdade (ou essência) é apenas a projecção de aquilo que é produto da existência, ou experiência colectiva. Uma vez que a verdade existe, a existência tem de existir antes dela.
Temáticas
Trata-se de uma posição que foi bastante fértil no terreno da criação literária, nomeadamente em França, e que continua com bastante vitalidade no mundo filosófico e literário contemporâneo.
As principais temáticas abordadas sugerem o contexto da sua aparição (final da Segunda Guerra Mundial), reflectindo o absurdo do mundo e da barbárie injustificada, das situações e das relações quotidianas ("L'enfer, c'est les autres", Jean-Paul Sartre). Paralelamente, surgem temáticas como o silêncio e a solidão, corolários óbvios de vidas largadas ao abandono, depois da "morte de deus" (Friedrich Nietzsche). A existência humana, em toda a sua natureza, é questionada: quem somos? o que fazemos? para onde vamos? quem nos move?
É esta consciência aguda de abandono e de solidão (voluntária ou não), de impotência e de injustificabilidade das acções, que se manifesta nas principais obras desta corrente em que o filosófico e o literário se conjugam.
