Febre amarela
Keywords: Febre amarela, América Central, América do Sul, Aëdes aegypti, Aëdes albopictus, Boa Vista, Brasil, Bromélia, Dengue, Leptospirose
A febre amarela é uma doença infecciosa transmitida por mosquitos contaminados por flavivírus e ocorre na América Central, na América do Sul e na África. No Brasil, a febre amarela pode ser adquirida em áreas urbanas, silvestres e rurais. Ou seja, o indivíduo entra em regiões onde existam os mosquitos que picam uma pessoa infectada e em seguida picam outra que ainda não teve a doença, portanto não adquiriu defesas naturais.
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A ocorrência e transmissão da enfermidade
A enfermidade não se transmite diretamente de uma pessoa para outra. Em área silvestre, a transmissão da febre amarela é feita por intermédio de mosquitos do gênero Haemagogus em geral. Por ser virótica, pode ser transmitida por outros tipos de insetos que se alimentam de sangue. A infecção pode ocorrer também através de mosquitos que picam macacos e em seguida humanos. Existe também transmissão transovariana no próprio mosquito.
A infecção humana ocorre no indivíduo que entra em áreas de cerrado ou de florestas e é picado pelo mosquito contaminado. A propagação para áreas urbanas ocorre porque a pessoa contaminada é fonte de infecção para o mosquito desde imediatamente picada, portanto antes de surgirem os sintomas, até o quinto dia da infecção (reforçando, sem sintomas), esta retorna para a cidade e serve como fonte de infecção para o Aëdes aegypti, que então pode iniciar o ciclo de transmissão da febre amarela em área urbana.
Aëdes aegypti
O Aëdes aegypti transmite o vírus da febre amarela de 9 a 12 dias após ter picado uma pessoa infectada. Em áreas de fronteiras agrícolas, existe a possibilidade de adaptação do transmissor silvestre para o novo habitat.
O Aëdes aegypti e o Aëdes albopictus proliferam-se nas casas, apartamentos, etc. A fêmea do mosquito põe seus ovos em qualquer recipiente que contenha de água limpa, caixas d'água, cisternas, latas, pneus, cacos de vidro, vasos de plantas. As bromélias, que acumulam água na parte central, chamada de aquário, são os principais criadouros nas áreas urbanas. Os ovos ficam aderidos e sobrevivem mesmo que o recipiente fique seco. Apenas a substituição da água, mesmo feita com freqüência, é ineficiente. Dos ovos surgem as larvas, que depois de algum tempo na água, vão formar novos mosquitos adultos.
O Aëdes aegypti e o Aëdes albopictus transmitem também o dengue. Ambos picam durante o dia, ao contrário do mosquito comum (Culex), que tem atividade noturna.
Onde está o risco
As localidades infestadas pelo Aëdes aegypti, cerca de 3600 municípios brasileiros, têm risco potencial da febre amarela. Em Boa Vista no Estado de Roraima na Região Norte do Brasil existe a endemia nas áreas urbanas. Na cidade do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, na Região Sudeste do Brasil, devido à falta de conscientização das autoridades governamentais e da população em geral, aliadas às péssimas condições de higiene nas favelas e morros, com o acúmulo de lixo, ocorreram duas grandes epidemias de Dengue, a primeira de 1986/1987, com cerca de 90 mil casos, e a segunda em 1990/1991, com aproximadamente 100 mil casos confirmados e muitas mortes. Felizmente não foi Febre Amarela.
A maior quantidade de casos de transmissão da febre amarela no Brasil, ocorre em regiões de cerrado. Porém, em todas as regiões (zonas rurais, regiões de cerrado, florestas) existem áreas endêmicas de transmissão das infecções. Estas principalmente ocasionadas pelos mosquitos do gênero Haemagogus, e pela manutenção do ciclo dos vírus através da infecção de macacos e da transmissão transovariana no próprio mosquito.
Onde existe a possibilidade de febre amarela, existe para malária e também para o dengue.
Segundo cartilhas distribuídas à população:
"(sic)...O combate ao mosquito deve ser feito de duas maneiras: eliminando os mosquitos adultos e, principalmente, acabando com os criadouros de larvas. Para isso é importante que recipientes que possam encher-se de água sejam descartados ou fiquem protegidos com tampas. Qualquer recipiente com água e sem tampa, inclusive as caixas d'água, podem ser criadouros dos mosquitos que transmitem febre amarela e dengue. Para combater o mosquito adulto, é feita a aplicação de inseticida através do "fumacê", que deve ser empregado apenas quando está ocorrendo epidemias, de febre amarela ou dengue. O "fumacê", no entanto, não acaba com os criadouros. Para eliminar os criadouros do mosquito transmissor, devem ser observados, nas residências, escolas e locais de trabalho, os seguintes cuidados:
Medidas para evitar a proliferação dos mosquitos
- Substituir a água dos vasos de plantas por terra e manter seco o prato coletor.
- Utilizar água tratada com cloro (40 gotas de água sanitária a 2,5% para cada litro) para regar bromélias.
- Desobstruir as calhas do telhado, para não haver acúmulo de água.
- Não deixar pneus ou recipientes que possam acumular água expostos à chuva.
- Manter sempre tampadas as caixas d'água, cisternas, barris e filtros.
- Acondicionar o lixo domiciliar em sacos plásticos fechados ou latões com tampa."
Sintomas
A febre amarela muitas vezes pode estar oculta, muitos dos indivíduos infectados com o vírus, nem sempre desenvolvem sintomas visíveis e não apresentam manifestações da doença. Os sintomas da febre amarela, quando ocorrem, em geral aparecem entre 3 e 6 dias após a picada de um mosquito infectado(a isto se dá o nome de período de incubação).
As manifestações iniciais são:
- Febre alta de início súbito.
- Sensação de mal estar.
- Dor de cabeça.
- Dor muscular.
- Cansaço.
- Calafrios.
Com o agravamento em algumas horas podem surgir:
- Náuseas.
- Vômitos.
- Em alguns casos diarréia.
- Cerca de 85% dos doentes após três ou quatro dias, a maioria recupera-se completamente e fica permanentemente imunizado contra a doença.
Evolução para a forma grave
- Cerca de 15% dos indivíduos evoluem para a forma grave, esta tem alta letalidade.
Sintomas da forma grave
Nestes casos, após um ou dois dias ocorre um período de aparente melhora, e em seguida há reexacerbação dos sintomas:
- Febre reaparece muito alta.
- Dor abdominal muito forte.
- Diarréia pútrida.
- Vômitos intensos.
- (Os vômitos e as fezes podem ser hemorrágicos, "negros". Surgem:
- Icterícia (olhos amarelados, semelhante à hepatite).
- Manifestações hemorrágicas (equimoses, sangramentos no nariz, olhos e gengivas).
- Funcionamento inadequado de órgãos vitais como fígado e rins.
- Diminuição do volume urinário até a anúria total e coma.
Ocorência de morte e os sobreviventes
- A evolução para a morte ocorre em até 50% destes casos, mesmo nas melhores condições de assistência médica.
- Os sobreviventes, recuperam-se totalmente e ficam imunes à doença.
Os cuidados com o diagnóstico e tratamento
- Os sintomas iniciais da febre amarela, dengue, malária e leptospirose são os mesmos. Portanto, é necessário a realização de exames laboratoriais para a diferenciação.
- A confirmação do diagnóstico de febre amarela não exclui a possibilidade de malária.
Da mesma forma que a febre amarela, o dengue e a malária também podem se tornar graves quando o indivíduo aparenta melhora.
- Há que se ter cuidado ao verificar os sintomas da febre amarela, isto deve ser feito somente por profissional de saúde, pois a meningite meningocócica pode ser muito parecida com as formas graves da febre amarela.
- Após contraída, a febre amarela não tem tratamento específico. Os doentes com suspeita da doença devem ser levados imediatamente para ser internados para investigação diagnóstica e tratamento de suporte, que vai ser decidido pelos profissionais de saúde especializados.
- O Ministério da Saúde Brasileiro recomenda que não se deve utilizar medicamento para dor ou para febre que contenha ácido acetil-salicílico, que pode aumentar o risco de sangramentos.
- As formas graves da doença necessitam de tratamento intensivo e medidas terapêuticas adicionais como transfusões de sangue e diálise peritonial.
