Feminismo
Keywords: Feminismo, 1848, 1889, 1922, 1927, 1933, 1934, 1985
Feminismo é uma teoria social, uma corrente filosófica e um movimento político. Formado e motivado primeiramente a partir de experiências da mulher, ele apresenta uma crítica à desigualdade social dos sexos (numa perspectiva sociológica de gênero) e promove os direitos das mulheres, seus temas e interesses.
right|thumb|230px|Cartaz do movimento feminista As autoras (e os autores) do feminismo tentam compreender a natureza da desigualdade e enfocam a política dos sexos, relações de poder e sexualidade. Activistas políticas feministas advogam a igualdade social, política e económica entre os sexos, inscrita inclusivamente nas constituições e tratados internacionais. Tentam esclarecer questões sobre temas como direitos reprodutivos, a posição da mulher como objecto (essencialmente sexual), violência sexual e doméstica, licença pós-parto, igualdade salarial, assédio sexual, discriminação no local de trabalho, pornografia e o patriarcalismo.
As bases do feminismo se assentam na idéia de que a sociedade é organizada de forma patriarcal, em que o homem recebe vantagens sobre a mulher.
A teoria feminista moderna é predominantemente, embora não exclusivamente, associada a teóricas e teóricos acadêmicas de classe média, no ocidente. O feminismo no entanto é profundamente amplo e enraizado na sociedade, estendendo-se através das fronteiras de classe, raça ou localidade. O movimento tem especificidade cultural, procurando questionar os tópicos relativos à posição da mulher na sociedade em questão (por exemplo, quando trata de mutilação sexual em sociedades onde isso acontece, ou o sexismo das sociedades ocidentais). Alguns temas, entretanto, são universais, como estupro, incesto, aborto, criação de filhos, etc.
| Conteúdo |
História
Os primeiros textos sobre a questão do papel da mulher criticavam as restrições de atividades impostas às mulheres, sem necessariamente culpar os homens por isso ou dizer de modo geral que as mulheres eram inferiorizadas. O livro "Em defesa dos direitos da mulher", de de Mary Wollstonecraft, é um dos poucos trabalhos escritos antes do século XIX que podem ser classificados como feminista. Pelos padrões modernos, a sua metáfora das mulheres como a nobreza, a elite da sociedade, mimada, frágil e em perigo de preguiça intelectual e moral, não soa como um argumento feminista. Wollstonecraft acreditou que ambos os sexos contribuíram para esta situação e tomou como uma verdade que as mulheres tinham um poder considerável sobre os homens.
O feminismo é tido geralmente como iniciado no século XIX, período em que os povos adoptaram cada vez mais a percepção que as mulheres são oprimidas numa sociedade centrada no homem (veja patriarcalismo). Para alguns, este tipo de perspectiva só seria possível após o fenómeno do iluminismo, do século XVIII; e não seria por acaso que o feminismo tivesse surgido iniciamente nos países protestantes, onde o iluminismo foi mais acentuado — países como Portugal, católicos e sócio-economicamente menos desenvolvidos, apresentariam, segundo essa perspectiva, um défice histórico relativamente à sensibilidade para o feminismo que ainda se faz sentir. As raízes do movimento encontram-se pois no mundo ocidental, em especial nos movimentos de reforma do século XIX. Como movimento organizado, data da primeira convenção dos direitos da mulher em Seneca Falls, Nova Iorque em 1848.
left|200px|thumb|Primeira convenção internacional dos direitos da mulher (realizada nos EUA)
Emmeline Pankhurst foi uma das fundadoras do movimento das sufragistas e pretendeu revelar o sexismo institucional na sociedade britânica, tendo criado a união social e política das mulheres (WSPU). Após ser presa repetidas vezes com base na lei "Cat and Mouse", por infrações triviais, inspirou membros do grupo a fazer greves de fome. Ao serem alimentadas à força e ficarem doentes, chamaram à atenção pela brutalidade do sistema legal na época e também divulgaram sua causa.
Ao longo de um século e meio, o movimento cresceu para hoje incluir diferentes perspectivas sobre o que constitui discriminação contra mulheres. As feministas pioneiras e os primeiros movimentos feministas são normalmente chamados de primeira onda. Movimentos feministas ativos a partir dos anos 60 são chamados da segunda onda. Existe uma terceira onda, nos dias atuais, embora haja grande diferença entre os pontos de vista dos diversos grupos feministas. A associação com ondas remete a característica dessas fases, de sempre recobrir a fase anterior, aproveitando alguns elementos.
Feminismo em Portugal
- Ver artigo principal: Feminismo em Portugal
Feminismo no Brasil
- Ver artigo principal: Feminismo no Brasil
As raízes do feminismo no Brasil se encontram no movimento pelos direitos políticos, ainda no século XIX. Durante o império, alguns juristas tentaram legalizar o voto feminino, com ou sem o consentimento do marido. A constituição republicana de 1889 continha inicialmente uma medida que dava direito de voto para as mulheres, mas na última versão essa medida foi abolida, pois predominou a idéia de que a política era uma actividade desonrosa para a mulher.
Em 1922, aquela que é considerada a pioneira no feminismo brasileiro, Berta Lutz, fundou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, que lutava pelo voto, pela escolha do domicílio e pelo trabalho de mulheres sem autorização do marido.
O Rio Grande do Norte foi o estado pioneiro no país a legalizar o voto feminino, em 1927. A primeira eleitora registrada foi Celina Guimarães Viana. O código eleitoral elaborado em 1933 finalmente estendia o direito a voto e a representação política às mulheres; na constituinte de 1934 houve uma representante do sexo feminino, a primeira deputada do Brasil: Carlota Pereira de Queirós.
O movimento feminista actualmente tem como bandeiras principais, no Brasil, o combate à violência doméstica — que atinge níveis elevados no país — e o combate à discriminação no trabalho. Também se dá importância ao estudo de gênero e da contribuição, até hoje um tanto esquecida, das mulheres nos diversos movimentos históricos e culturais do país. A legalização do aborto (que atualmente só é permitido em condições excepcionais) e a adoção de estilos de vida independente são metas de alguns grupos.
Feminismo e suas formas
O nome "feminismo" sugere uma ideologia singular, mas em realidade o movimento tem vários sub-grupos. De acordo com precedentes históricos, com a situação legal das mulheres em alguns países, e com outros fatores, a ideologia feminista foi direcionada para diferentes objetivos. Como resultado, existem muitos tipos de feminismo.
Há um tipo de feminismo chamado de feminismo radical que considera a concepção patriarcal da sociedade como causa de seus mais sérios problemas. Essa forma de feminismo foi popular na chamada segunda onda, mas hoje não tem muita força. Pela radicalidade e força aparente desse tipo de feminismo, muitos ainda associam o termo "feminismo" somente às idéias do feminismo radical. Alguns acreditam que é inútil buscar uma generalização universal do conceito de mulher (que é parte do feminismo radical), e que as mulheres de outros países jamais chegaram a experimentar o mulher que experimentam aquelas dos países ocidentais. A crítica diz que as mulheres de países de outras partes do mundo encaram a opressão não como causa da discriminação de gênero, e sim como discriminação social e econômica.
Algumas feministas radicais clamam pelo separatismo completo entre homem e mulher, na sociedade e na cultura. Outros ainda questionam o conceito real de homem e mulher. Dizem alguns que os papéis atribuídos aos gêneros, a identidade dos gêneros e a sexualidade são apenas padrões sociais. (Veja também heteronormatividade.) Para esses feministas, o feminismo é a libertação não só da mulher, como também do homem; a libertação da humanidade em geral.
Um movimento que tem suas origens no feminismo radical é o feminismo descontrutivista, que acredita ser o sexo (tanto no sentido biológico quanto social) uma construção social, que deve ser rejeitada enquanto unidade de classificação. Para esse tipo de feminismo, o paradigma de dois sexos deve ser substiuído por outro, que considere diversas sexualidades.
Outros grupos feministas acreditam que existem outros problemas sociais separados ou anteriores ao patriarcalismo (como o racismo ou a disparidade econômica). Vêem o feminismo como um movimento de liberação que se relaciona com muitos outros.
Alguns tipos de feminismo:
- anarca-feminismo
- ecofeminismo
- feminismo cultural
- feminismo descontrutivista
- feminismo de gênero
- feminismo espiritual
- feminismo francês
- feminismo pop
- feminismo liberal
- feminismo libertário ou individualista
- feminismo mágico
- feminismo materialista
- feminismo marxista
- feminismo radical
- feminismo de libertação sexual
- feminismo separatista
- feminismo terceiro-mundista
- transfeminismo
- Alguns atos, concepções ou pessoas podem ser descritas como proto-feminismo ou pós-feminismo.
Embora muitos líderes do feminismo tenham sido mulheres, nem todos os feministas são mulheres e nem todas as mulheres são feministas. Há muita discussão sobre a participação de homens no movimento feminista. Alguns feministas dizem que os homens devem tomar partido nos movimentos, e mesmo na liderança dos mesmos — pois a tendência socialmente construída do homem em agir agressivamente em busca de poder ajudaria o movimento. Isso faria do feminismo um movimento controlado por homens, o que discorda do ideal de representação da mulher no poder.
Na maioria das vezes são aceitas e buscadas as colaborações de homens para o movimento feminista. Esses homens podem ser descritos como "pró-feministas", uma vez que parece inadequado, para certas feministas, descrevê-los também como "feministas".
O feminismo encontra bastante limitação fora do ocidente, onde esteve restrito durante o século XX. Os movimentos feministas esperam que suas ações e conquistas ganhem espaço em todo o mundo durante o século XXI.
Relações com outros movimentos
A maioria dos grupos feministas adopta uma visão holística quanto à política — o que concordaria com a frase de Martin Luther King, "Uma injustiça em algum lugar é uma injustiça em todo lugar". Seguindo a linha dessa frase, alguns feministas costumam apoiar outros movimentos como o movimentos dos direitos cívicos e o movimento dos direitos homossexuais. Muitas feministas negras participam também do movimento negro, e criticam o feminismo por ser ele dominado por mulheres brancas; argumentam que os problemas enfrentados pela mulher negra são ainda piores em razão do preconceito racial somado ao preconceito de género. Essa idéia é a chave do feminismo pós-colonial. Muitas mulheres negras dos EUA preferem o termo womanism (algo como mulherismo) em detrimento do tradicional feminism.
Entretanto, feministas são geralmente precavidos a respeito do movimento transexual, porque questionam a tradicional distinção entre homem e mulher. Mulheres transexuais são quase sempre excluídas de reuniões fechadas à mulheres e eventos feministas, e são rejeitadas por algumas feministas que dizem que ninguém que nasceu homem poderá realmente entender a opressão que a mulher enfrenta. Por outro lado, mulheres transexuais argumentam que enfrentam discriminação semelhante, e inclusive lutam a respeito de direitos legais que não lhes são assegurados; e que a discriminação contra pessoas de géneros diferrentes não é nada mais do que outra face do heterosexismo e patriarcalismo.
Efeitos do feminismo no Ocidente
O feminismo foi responsável por várias mudanças nas sociedades ocidentais, inclusive:
- o voto feminino
- crescimento das oportunidades de trabalho para mulheres, com salários iguais aos dos homens
- direito de pedir divórcio
- controle sobre o próprio corpo em questões de saúde, inclusive quanto ao uso de preservativos e ao aborto
- etc
Algumas feministas dizem que muito falta a ser conquista nessas frentes, e as feministas do terceiro mundo muito provavelmente não tomariam essas conquistas por reais. A medida que a sociedade ocidental aceita os princípios feministas, exigências que antes pareciam absurdas se tornam convencionais e inquestionáveis: hoje em dia poucas pessoas questionariam o direito ao voto ou à propriedade de terras para mulheres, direitos que pareciam insensatos há 100 anos.
Em alguns casos (notadamente em relação aos salários iguais pela mesma função), apesar dos avanços, o movimento feminista ainda precisa batalhar para alcançar os objetivos completos.
Feministas propõe frequentemente o uso de uma linguagem não sexista, que utiliza, por exemplo, "senhorita" tanto para mulheres casadas como para mulheres solteiras. Também procuram criticar o uso de palavras que derivam do género masculino para descrever coisas relativas tanto à mulher quanto ao homem (por exemplo, homem para designar o ser humano; ou o uso de pronomes masculinos no plural, quando em referência a grupo de homens e mulheres — eles). Isso pode ser visto como uma tentativa de eliminar o sexismo de algumas línguas, pois algumas feministas acreditam que a linguagem afeta diretamente a percepção da realidade (veja hipótese de Sapir-Whorf). Existem línguas que possuem pronomes masculinos, femininos e neutros; nos locais onde a língua não impõe uma preferência por género, a discussão sobre linguagem sexista tende a ser minimizada. Mas uma vez que o idioma inglês (que é sexista) se torna a cada dia uma língua universal, o debate sobre linguagem sexista adquire importância.
Efeitos na educação moral
Aqueles que se opõe ao feminismo dizem que a busca da mulher por poder externo, aparente, em oposição à força interior no sentido de afetar a ética e os valores de outras pessoas, deixou um vácuo na área da educação moral, área em que tradicionalmente a mulher tinha influência. Algumas feministas argumentam que a educação, incluindo a educação moral, não devem ser encarada como responsabilidade exclusiva da mulher. Paradoxalmente, alguns dizem que a educação dada em casa pelas mães é uma maneira de agir feminista. Esses argumentos são muito discutidos, no que tange a responsabilidade do ensino de valores sociais e compaixão para as crianças.
Efeitos nas relações heterossexuais
O feminismo certamente teve efeitos nas relações heterossexuais, no Ocidente e em outros locais onde se fez presente. Conquanto esses efeitos foram em geral encarados como positivos, algumas consequências negativas devem ser apontadas.
Em alguns relacionamentos, houve uma mudança sensível na relação entre o homem e a mulher. Ambos tiveram de se adaptar a novas situações, não sem embaraços e tropeços. A mulher começou a se conscientizar de que tinhas novas oportunidades, mas ao mesmo tempo sofreu com a necessidade de tentar equilibrar uma carreira bem-sucedida e a vida familiar ("desfrutar de tudo"). O ônus da criação dos filhos não pesa mais somente para a mulher, e do homem passou a se exigir o desempenho de algumas tarefas na educação das crianças. Muitas feministas adeptas do socialismo argumentam que na verdade o problema se encontra na omissão do Estado quanto a educação dos futuros cidadãos; por exemplo, através de creches. Argumentam que em muitas sociedades do passado o papel de cuidar das crianças era muito mais do Estado do que dos pais. Mas assistência por parte do Estado existe em alguns lugares, e mesmo assim nesses lugares enfrentam dificuldades em conciliar diversas actividades.
O homem em alguns casos sentiu uma perda de poder e identidade, e tentou lutar para readquirir alguns privilégios (ou adquirir novos).
Quanto ao comportamento sexual, as mulheres passaram a ter mais controle sobre seus corpos, e passaram a vivenciar o sexo com mais liberdade do que antes lhes era permitido. A consequência dessa revolução sexual é vista como positiva, uma vez que homens e mulheres passaram a poder ter experiências sexuais mais livres e compartilhadas. Entretanto algumas feministas argumentam que a revolução sexual foi benéfica apenas para os homens.
O casamento também sofreu abalos em razão do feminismo. Muitas mulheres hoje pensam que o casamento é uma instituição que serve apenas para oprimí-las, preferindo a coabitação com os parceiros. (Algumas feministas discordam disso.)
Efeitos na religião
O feminismo teve grande efeitos em variados aspectos da religião. Nas correntes liberais do protestantismo, a mulher agora pode ser ordenada clériga, e em algumas correntes do judaísmo a mulher pode ser ordenada rabina e cantor . Nesses grupos católicos e judaicos a mulher adquiriu certa igualdade perante o homem, na capacidade de obter posições de poder. Essas mudanças enfretam resistência na igreja católica e no Islão. Toda a tradição do Islão proibe as mulheres muçulmanas de ocupar posições religiosas e de estudo da religião. Movimentos liberais dentro do islamismo procuram trazer reformas ao Islão que permitam, por exemplo, a participação mais efetiva das mulheres. Já quanto a Igreja Católica, é notória sua tradição quanto ao abuso e discriminação contra as mulheres (veja por exemplo, o funcionamento do Convento das Madalenas); as mulheres católicas são proibidas de ascender na hierarquia religiosa, e se decidirem dedicar-se à religião só podem ser freiras.
O feminismo também foi importante na criação de novas formas de religião. Especialmente as religiões neopagãs enfatizam a importância de uma deusa ou divindade feminina, e questionam a sujeição da mulher nas religiões tradicionais. Certo ramo da Wicca conhecido como Wicca de Diana tem sua origem no feminismo radical. Próximo a Wicca, há o feminismo mágico, corrente que argumenta quanto a incompreensão dos homens para com aquilo que chamam de bruxas, ou seja, mulheres com conhecimento científico ou médico superior. A auto-identificação como bruxas revela a posição dessas feministas em recuperar conhecimentos perdidos em razão da perseguição e eliminação das bruxas no passado.
O feminismo também discute o papel das mulheres na mitologia das religiões tradicionais. Especialmente no caso de Maria, é discutida a contradição de se acreditar que foi mãe e virgem, o que levaria muitas mulheres a aspirar um ideal impossível, e portanto teria consequências negativas em relação à sexualidade feminina.
Críticas ao feminismo
O movimento feminista atraiu atenção por sua capacidade de alterar a sociedade no Ocidente. Embora o feminismo seja geralmente aceito, existem vozes discordantes.
Além das críticas apontadas na seção anterior, outras tantas são dirigidas ao movimento. Alguns críticos (tanto homens quanto mulheres) pensam que as feministas estão efetivamente pregando o ódio contra os homens, ou tentando mostrar a inferioridade do homem; argumentam que se as palavras "homem" e "mulher" forem substituídas por "negro" e "branco", os textos feministas podem se transformar naturalmente em manifestos racistas.
Outros dizem que, por conta do feminismo, os homens começam a ser oprimidos. Embora as feministas neguem a veracidade dessa crítica, aqueles que a defendem dizem que em países como os EUA a taxa de suicídios entre homens é maior do que entre mulheres, levando a conclusão de que os homens estão sendo oprimidos. Desde a década de 1970, a razão entre os suicídios de homens para os suicídios de mulheres tem aumentado. Mas podem haver várias causas para esse aumento, que não necessariamente uma sociedade opressora para os homens.
Alguns grupos conservadores vêem o feminismo como elemento de destruição dos papéis tradicionais dos géneros, nomeadamente quando o pai e a mãe são trabalhadores bem sucedidos e ocupados — não sobrando ninguém para cuidar bem das crianças. As feministas geralmente respondem que os papéis tradicionais de género servem para silenciar e oprimir a mulher.
Certos homens argumentam que as mudanças sociais e legais acarretadas pelo feminismo foram muito longe, e agora afetam negativamente ao homem a às crianças. Por exemplo, muitos homens acreditam que nas dispustas de custódia após um divórcio, a justiça tende a entregar os filhos para a custódia da mãe. As feministas do terceiro mundo são geralmente mais receptivas a esse tipo de idéia, aceitando que a sociedade patriarcal está oprimindo tanto ao homem quanto à mulher.
Também há críticas quanto a existência da barreira que impede as mulheres de ocupar postos de chefia: alguns homens dizem que muitas mulheres são promovidas não por méritos, mas para melhorar a imagem das empresas ("não somos machistas"). Essa questão se relaciona com a promoção e o emprego de negros não qualificados para funções, atos também realizados para fins de propaganda, em muitos casos (veja: acção afirmativa). O argumento apresentado pelas feminista é que medidas desse tipo (a promoção realizada não por mérito) são necessárias para ajustar a sociedade, refém da discriminação de séculos.
Em casos de assédio sexual também se critica a posição pró-mulher que sempre envolve os casos. Normalmente é dado pouco crédito ao homem acusado de assédio sexual, e mesmo que a situação não tenha sido constrangedora, fica difícil para ele provar que não cometeu o assédio. Tratar-se-ia de um preconceito indireto, e de uma situação em que a mulher teria quase um poder absoluto. Além disso, quando o homem é vítima de assédio sexual, recebe pouco crédito e é geralmente motivo de piadas e zombaria.
Feministas pós-coloniais criticam as formas ocidentais de feminismo, notadamente o feminismo radical e sua tentativa de universalizar a experiência de ser mulher. Os pós-coloniais argumentam que o conceito generalizado e global de que é ser mulher geralmente é baseado em padrões de classe média e de mulheres brancas, e logo não é capaz de lidar com experiências de mulheres para as quais o preconceito de género é apenas secundário ou terciário, em relação ao preconceito racial e de classe social. Hoje em dia, muitas moças associam a palavra "feminismo" ao feminismo radical, o que as afasta do engajamento na luta feminista.
O feminismo hoje
Muitas feministas acreditam que a discriminação contra mulheres ainda existe tanto em países subdesenvolvidos quanto em países desenvolvidos. O quanto de discriminação e a dimensão do problema são questões abertas.
Existem muitas idéias no movimento a respeito da severidade dos problemas atuais, sua essência e como enfrentá-los. Em posições extremas encontram-se certas feministas radicais que argumentam que o mundo poderia ser muito melhor se houvessem poucos homens. Algumas feministas afastam-se das correntes principais do movimento, como Camille Paglia; se afirmam feministas mas acusam o feminismo de ser, por vezes, uma forma de preconceito contra o homem. (Há um grande número de feministas que questiona o rótulo "feminista", aplicado a essas dissidentes.)
Muitas feministas, no entanto, também questionam o uso da palavra "feminismo" para se referir a atitudes que propagam a violência contra qualquer género ou para grupos que não reconhecem uma igualdade entre os sexos. Algumas feministas dizem que o feminismo pode ser apenas uma visão da "mulher como povo". Posições que se baseiam na separação dos sexos são consideradas, para esses grupos, sexistas ao invés de feministas.
Há feministas que fazem questão de assumir diferenças entre os sexos — ao contrário da corrente principal que sugere que homem e mulher são iguais. A ciência moderna não tem um parecer claro sobre a extensão das diferenças entre homem e mulher, além dos aspectos físicos (anatómicos, genéticos, hormonais). Essas feministas sustentam que, embora os sexos sejam diferentes, nenhuma diferença deve servir de base à discriminação.
O debate sobre questões feministas no Ocidente não deve, no entanto, distrair o movimento feminista de seu principal objectivo no século XXI: promover maiores direitos para as mulheres nas sociedades do Oriente.
Estatísticas mundiais
Apesar dos avanços feitos pelas mulheres no que respeita à igualdade no mundo ocidental, há um longo caminho a percorrer para se chegar à igualdade, de acordo com as seguintes estatísticas:
- As mulheres detêm apenas 1% da riqueza mundial, e ganham 10% das receitas mundiais, apesar de constituirem 49% da população.
- Quando se considera a criação dos filhos e o trabalho doméstico, as mulheres trabalham mais do que os homens, quer no mundo industrializado, quer no mundo sub-desenvolvido (20% a mais no mundo industrializado, 30% no resto do mundo).
- As mulheres estão sub-representadas em todos os corpos legislativos mundiais. Em 1985 a Finlândia detinha a maior percentagem de mulheres na legislatura nacional, com aproximadamente 32% (cf. NORRIS, P.. Women's Legislative Participation in Western Europe, West European Politics). Actualmente a Suécia tem o maior número, com 42%. A média mundial é apenas 9%.
- Em média e a nível mundial, as mulheres ganham 30% menos do que os homens, mesmo quando têm o mesmo emprego.
Veja também
Links externos
categoria:feminismo
