Grunge
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Grunge (às vezes chamado de Seattle Sound, ou Som de Seattle) é um gênero musical de raízes da música independente (indie), que tornou-se comercialmente bem-sucedido, como sendo uma “ramificação” de hardcore punk, thrash metal, e rock alternativo no final dos anos 1980 e começo da década de 1990. Bandas das cidades do noroeste dos Estados Unidos, como Seattle, Olympia, e Portland, foram responsáveis pela criação do grunge e o tornaram popular para a maior parte da audiência. O gênero é muito associado à Geração X, devido ao fato de sua popularização ter ocorrido em seguida ao surgimento desta geração, a qual consiste nas pessoas nascidas nas décadas de 1960 e 1970.
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Estilo
Como estilo musical, o grunge é geralmente caracterizado por guitarras “sujas”, riffs fortes, bateria pesada, letras melancólicas e cheias de angústia (isso quando não são absolutamente sombrias). Selos musicais independentes foram os principais responsáveis por levar o estilo ao público, no início. A maior parte das bandas mais bem-sucedidas eram associadas ao selo de Seattle Sub Pop, apesar de várias outras gravadoras independentes da região terem ganho reconhecimento, como a Kill Rock Stars e a K Records. O bilionário produtor musical David Geffen, que criou a Geffen Records, também é considerado como um dos dos principais protagonistas no desenvolvimento do grunge em um negócio mais conhecido do público.
Além das raízes punk, o movimento grunge também tem forte influência da Cultura Musical do Noroeste e da cultura jovem local. A semelhança sonora com as músicas de bandas do noroeste dos anos 1960, como The Wailers e particularmente The Sonics é indiscutível. A indrumentária que os fãs de grunge usavam, no noroeste, nos anos iniciais, era uma mistura da estética punk com a típica moda “descolada” daqueles que ficavam o dia todo fora de casa (por exemplo, as camisas de flanela das grifes Eddie Bauer e R.E.I.) da região. Este modismo, juntamente com outros aspectos da cultura local, acabariam tendo excessiva importância pela mídia (de acordo com os fãs de grunge de Seattle). Um interessante exemplo foi a “barriga” da mídia no caso Grunge Speak, um boato que levou o The New York Times a imprimir uma lista de falsas gírias que eram supostamente usadas pelo movimento grunge. Este episódio foi posteriormente comprovado, por Megan Jasper, da Sub Pop, de tratar-se de uma “piada”. Os excessos da mídia sensacionalista foram observados num documentário de 1996, Hype!.
A banda de Seattle Green River é, acredita-se por muitos, a que criou o gênero. Foi também a que inspirou muitas outras bandas grunge, apesar de seu pequeno sucesso comercial. Depois que a banda se separou, os membros do Green River formaram as bandas Mudhoney e Mother Love Bone, continuando no mesmo estilo. O Green River, que usava um som mais “pesado” do que outras bandas grunge que surgiriam depois, também inspirou grupos pioneiros como Soundgarden e Alice in Chains a usarem o estilo “pesado” similar. Contudo, a “batida” do som deste gênero musical tornou-se uma mistura do estilo grunge inicial com o rock alternativo, logo após a explosão de sucesso que alcançou. Isto deve-se ao estilo do Nirvana, que combinou o estilo grunge inicial com o som dos Pixies. O uso do padrão dos Pixies, “versos suaves, refrão pesado”, popularizou este approach estilístico, tanto no grunge como em outros gêneros alternativos de rock and roll.
Chegada à popularidade
O grunge emergiu como um gênero popular, e sua aceitação pelo público é geralmente entendida como uma reação contra o domínio do hair metal. As bandas de hair metal, como W.A.S.P, Poison e Guns n' Roses estavam dominando as paradas, especialmente nos Estados Unidos, por vários anos. O grunge pode ser identificado como um contraste às letras “de macho” do hair metal e aos seus riffs dignos de hinos. No final dos anos 1980, a popularidade do hair metal começava a cair, ao passo que a do grunge começava a subir.
O grunge foi assimilado pela juventude graças ao seu simples caráter desafiador, que era uma provocação às normas da cultura popular da época, vista por muitos como dominada por corporações e superficial.
O Nirvana é geralmente tido como a banda que levou o gênero à consciência popular, em 1991. O sucesso da música "Smells Like Teen Spirit" (do álbum Nevermind) surpreendeu toda a indústria da música. O álbum foi um hit que atingiu o primeiro lugar em todo o mundo, e abriu caminho para outras bandas, como o Pearl Jam. Esta última, na verdade, havia lançado seu álbum de estréia, Ten, um mês antes do que o do Nirvana, em Agosto de 1991, mas suas vendas só decolaram após o sucesso do Nirvana. Para muitos - na época, e posteriormente – o grunge tornou-se quase totalmente um sinônimo destas duas bandas. Outras bandas populares baseadas em Seattle também serviram como “pilares” do gênero, embora bandas grunge de outras regiões, como Stone Temple Pilots, de San Diego, o The Smashing Pumpkins, de Chicago, o Silverchair, da Austrália, e a banda britânica Bush também tenham alcançado o sucesso.
Debate-se bastante quem mereceria o título de “o Pai do Grunge”. Mark Arm, do Mudhoney, Kurt Cobain, do Nirvana, Jack Endino do Skin Yard, Andrew Wood de Malfunkshun e Mother Love Bone, Buzz Osborne dos Melvins, e até Neil Young (que não é propriamente um músico do grunge, mas é considerado uma inspiração para a criação do gênero) têm sido creditados com tal, em uma época, ou em outra (veja o link externo abaixo para mais informações sobre este debate). As bandas Killdozer, The Wipers, e Sonic Youth também são tidas como influenciadores do som grunge.
O declínio da popularidade
A popularidade que o grunge atingiu nas massas teve vida curta. Muitos acreditam que o grunge efetivamente começou seu declínio quando Kurt Cobain morreu, em Abril de 1994. Curiosamente, Kurt Cobain era freqüentemente fotografado usando camisetas como os dizeres “O grunge está morto”.
É consenso entre fãs e historiadores da música que o gênero era contrário a tornar-se mais “pop”, de modo que pudesse obter uma popularidade mais duradoura. Muitas bandas grunge se recusaram a cooperar com gravadoras em compor músicas mais “pop”, mais palatáveis, mais “mainstream”, que pudessem ser tocadas em rádios de modo que não só os admiradores do grunge gostassem. Contudo, os selos encontraram novas bandas que aceitaram fazê-lo, embora estas acabassem por criar um som “mutilado”, que não condizia com a história do estilo e nem com o gosto dos fãs de longa data. Apesar de tudo, um declínio geral nas vendas fonográficas em 1996 pode ter levado os selos a procurarem novos e diferentes gêneros musicais e promovê-los, ao contrário de estilos que eram populares até o momento – como o grunge. Outro fator que pode ter levado ao declínio da popularidade do grunge foi o advento de um sub-gênero do grunge, conhecido como “pós-grunge”. O pós-grunge foi uma variação do grunge que caracterizava-se pela ausência do som “sujo” que a maioria dos fãs do “verdadeiro” grunge estava acostumada. Este sub-gênero é tido como uma imposição de executivos de gravadoras que queriam vender uma variação do grunge que teria sucesso comercial com uma audiência maior, como resultado de uma aproximação da música pop. Em meados da década de 1990, os selos/gravadoras começaram a fechar contratos com bandas que aceitavam este tipo de som e deu-lhes enorme exposição na mídia. Ao passo que algumas dessas bandas, como Silverchair e Bush, mudaram seu som e foram capazes de conseguir sucesso global, muitos fanáticos pelo grunge “original” denunciaram bandas “pós-grunge” como sendo “mercenárias”. Casos notáveis disto foram as bandas Candlebox e Collective Soul, que foram “blasfemadas” pela maioria dos fãs de grunge. Até mesmo as bandas de pós-grunge comercialmente bem-sucedidas sofreram este tipo de acusação, o que lhes causou, majoritariamente, períodos de sucesso apenas breves, ao contrário das bandas grunge iniciais. À medida que o grunge começou a sair da cena musical, as bandas pós-grunge – como Creed e Days of the New – também começaram a receber muitas críticas negativas dos fãs remanescentes.
Para muitos fanáticos pelo gênero, a decadência do grunge não era fato consumado até a dissolução da banda pioneira Soundgarden, em 1997. Só então reconheceram que o grunge – enquanto gênero musical principal das paradas – “era passado”. Apesar dos pesares, o grunge permaneceu na cena musical por alguns anos, embora com pouca popularidade. Muitas bandas continuaram gravando e fazendo turnês, com sucesso mais restrito, como por exemplo o Pearl Jam. Grupos como este também adaptaram suas músicas de acordo com as novas tendências musicais. A música grunge ainda tem muitos seguidores e simpatizantes, muitos dos quais conduzem debates na Internet sobre a história do movimento; seu significado atual na sociedade; bandas que surgiram deste estilo; e a situação atual de músicos do grunge.
Bandas principais
- Alice in Chains
- Bush
- Candlebox
- Foo Fighters
- Green River
- Hole
- L7
- Melvins
- Mother Love Bone
- Mudhoney
- Nirvana
- Pearl Jam
- Screaming Trees
- Silverchair
- Soundgarden
- Stone Temple Pilots
- Tad
- Willard
Referências
- Humphrey, Clark, Loser:The Real Seattle Music Story. Harry N. Abrams, Outubro de 1999.
Links externos
- Artigo da All Music Guide sobre grunge
- "Neil Young: Pai do Grunge?"
- Chuck Ayoub's Grunge Music - History Page
- Fórum sobre Grunge
- Uma breve história do grunge
