Guarapuava
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Guarapuava é uma cidade brasileira situada no centro-sul do estado do Paraná. Faz parte de um importante entroncamento rodo-ferroviário no corredor do Mercosul. Nos últimos sete anos, a cidade inaugura uma nova política de incentivo à economia através do empreendedorismo e da criação de cursos superiores. A cidade assume seu caráter de centro administrativo, comercial, industrial, universitário, firmando-se definitivamente como pólo da região.
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História
Guarapuava é uma cidade camaleônica que se transforma a medida em que o tempo imprime no seu território a marca do desenvolvimento. Terra descoberta pelos portugueses em 1770, que traz no ventre a índole forte dos seus primeiros habitantes, os índios Camés, Votorões e Cayeres, Guarapuava se traduz, literalmente, no significado do seu nome.
Aqui, há muito tempo, bem antes dos europeus chegarem, tudo era uma imensa área silvestre. Campos, matas, cerrados e banhados compunham a paisagem agreste, permeada por animais. Matilhas de lobo-guará eram o alvo perfeito para a caça pela sobrevivência indígena. Pela abundância dessa caça, os índios batizaram a região de Guara (lobo) Puava (bravo).
A história do município começa a ser traçada nos primeiros passos para a colonização quando o príncipe D. João, logo que chegou ao Brasil, queria fundar aqui uma cidade portuguesa com o nome de Real João. Originou-se, então, a Real Expedição Colonizadora de Guarapuava, sob o comando do tenente-coronel Diogo Pinto de Azevedo Portugal. Integrava a expedição o tenente Antonio da Rocha Loures e, para catequizar os índios, o padre Francisco das Chagas Lima.
Foram meses e meses de viagem a cavalo, desbravando o sertão, até que no dia 17 de junho de 1810, a Expedição Colonizadora chegou às margens de um rio, que foi chamado de Coutinho. Ergueram-se ali, barracas. Ao redor, para proteção contra os índios, foi levantado um cercado com 40 palmos de altura, no qual um soldado ficava de guarda, ou seja, de atalaia. Nascia aí o Fortim Atalaia, um marco de resistência contra o povo indígena que, mais tarde transformou-se num povoado.
Um desentendimento entre o comandante da Expedição Colonizadora – desejava que a cidade real fosse construída no Campo Real – e o Padre catequista – queria fundar a cidade no atual município de Pinhão ou entre os rios Coutinho e Jordão – mostrou a força do Padre Chagas.
No dia 11 de novembro de 1818, a pedido do Padre Chagas, D. João VI criou a Igreja Matriz e a Freguesia de Nossa Senhora de Belém. Os moradores do antigo Povoado de Atalaia mudaram-se para o novo local e no dia 9 de dezembro de 1819 foi instalada a Freguesia de Nossa Senhora de Belém, um pequeno povoado que se transformaria na cidade de Guarapuava. Em 17 de julho de 1852, a freguesia foi elevada à vila, pela lei imperial n° 12, passando a ser a Vila de Guarapuava. Somente a partir de 12 de abril de 1871, através da lei provincial n°271 foi denominada como Cidade de Guarapuava.
Os primeiros povoadores eram portugueses ou seus descendentes vindos de São Paulo, local onde exploravam a pecuária. Por motivos políticos se transferiram para a 5ª Comarca do Paraná – Curitiba, São José dos Pinhais, Castro e Palmeira –, mas quando a Real Expedição Colonizadora veio para Guarapuava em 1810, se apresentaram como sesmeiros ou posseiros. Aqui reproduziram o mesmo estilo de vida da Família Patriarcal Rural com seus costumes conservadores, sua vocação de pecuarista, bandeirantes e tropeira.
Os primeiros anos de colonização foram difíceis. Guarapuava ficava longe de outros centros, e não havia estradas. Era preciso sobreviver num território onde tudo estava por fazer e ainda conviver com feras, índios que envenenavam fontes, incendiavam casa e matavam o gado. E ainda havia a ameaça da invasão castelhana. Mas a garra do povo que habitava a "Terra do Lobo Bravo" superou os obstáculos às custas de muito trabalho.
No início, os guarapuavanos dedicaram-se à agricultura de subsistência. Com a abertura da "Estrada das Missões", passaram a praticar o tropeirismo sulino, trazendo mulas de Corrientes (Argentina) e do Uruguai, além de gado vacum das Missões. As atividades evoluíram com a criação de cavalos de raça, extração de erva-mate, suinocultura e extração da madeira. A partir dos anos 60, grandes empresas dedicaram-se com sucesso à fruticultura, plantando maçãs e nectarina.
Localização
25°23'36", latitude e 51°27'19", longitude - Região centro-sul do Paraná
- Superficie: 3.053.83km²;
- Altitude: 1.120 metros acima do nível do mar;
- Distância da capital Curitiba: 270km;
- Distância do porto de Paranaguá: 351km;
Curiosidade: O município de Guarapuava já foi um dos maiores do Brasil em extensão territorial, ocupando mais da metade de todo o estado do Paraná apartir da região central até o oeste do estado.
Clima
Cidade de clima frio. Apresenta inverno bastante rigoroso com ocorrência de geadas, e em geral bastante úmido (em média 78,1%), sendo comuns temperaturas abaixo de zero nesta época além de grande indice pluviométrico chegando a 1,737,7mm/ano.Médias de:
- 12,6ºC (média mínima)
- 23,6ºC (média máxima)
Economia
Participação no PIB Municipal:
- - Agropecuária: 8,95%
- - Indústria: 15,62%
- - Serviços: 75,43%
Produto Interno Bruto: US$ 546.190.853,79
PIB per capita: US$ 3.692,67
População Economicamente Ativa: 77.549 hab.
Repasses: ICMS, IPVA, Fundo de Exportação e Royalties de Petróleo.
Principais Produtos Agrosilvopastoris:
- - Milho Safra Normal
- - Soja Safra Normal
- - Batata da Seca (Lisa)
Indústria Dominante:
- - Papel e Papelão
- - Química
- - Bebidas
- - Madeira
- - Produtos Alimentares
População
- Total de pessoas residentes: 155.161 habitantes;
- Pessoas residentes na área urbana: 141.964 habitantes.
- Dados levantados em 2000-2001. A estimativa do IBGE para 2004 supera os 160.000 habitantes.
Turismo
Com uma localização privilegiada, Guarapuava é hoje uma das principais cidades do Estado. Situada no Terceiro Planalto Paranaense, abre-se ao visitante, pronta para proporcionar surpreendentes descobertas que começam num roteiro para quem busca o contato com a natureza, àqueles assumidamente tradicionais que buscam o sossego e a comodidade de uma boa rede hoteleira, pousadas rurais, atividades interativas.
Catedral de Nossa Senhora de Belém
- Erigida em homenagem à Padroeira do Município - festejada no dia 2 de fevereiro com grandes comemorações, a construção é caracterizada pelos seus belos afrescos. Além de ser um marco da fundação da cidade o destaque desta igreja é o seu acervo em que consta uma imagem originária de Portugal mandada buscar pela esposa de um dos pioneiros de Guarapuava, o Tenente-Brigadeiro Antonio de Rocha Loures. Localiza-se na Rua Senador Pinheiro Machado.
Parque Municipal das Araucárias
- Reserva ecológica que conta com aproximadamente 3800 araucárias preservadas, árvores nativas e fauna rica e variada. Ocupa uma área de 100 ha. Encontra-se às margens da BR 277, na entrada da cidade. No projeto ainda é prevista uma completa infra-estrutura de lazer, restaurantes, lojas e lanchonetes.
Distrito de Entre Rios
- Situado a aproximadamente 30 km do centro da cidade, entre os rios Jordão e Pinhão, a Colônia Entre Rios foi construída por imigrantes alemães (antigos suábios que habitavam às margens do Danúbio) numa área de 100.000 ha, combinando sistema cooperativista e reforma agrária. Entre Rios é formado pelas colônias de Vitória, Samambaia, Jordãozinho e Socorro e teve sua formação baseada na fundação de uma Cooperativa na Alemanha e transferida para o Brasil, por um grupo de 500 famílias que recebeu as terras doadas pelo Governo do Paraná, por volta de 1951. Constitui-se hoje num modelo de agroindústria (principalmente no cultivo de cereais) com avançados recursos tecnológicos como a desenvolvida pela Agromalte, uma das maiores maltarias da América Latina.
- Conta com uma cooperativa, com um centro experimental de pesquisas agrícolas, além de clubes e uma escola modelo. Seus habitantes mantêm a tradição germânica cultivando hábitos e costumes de seu lugar de origem, como na gastronomia e na arquitetura e, que podem ser conhecidos, através de suas fazendas e chácaras abertas a visitação, com pernoite em típicas pousadas, que oferecem ainda passeios a cavalo, caminhadas por bosques e onde o visitante pode saborear os pratos de origem germânica e adquirir peças de artesanato. O acesso é feito pela PR 170.
Lagoa das Lágrimas
- Formação natural encontrada na área central da cidade e que hoje é utilizada como praça de lazer, com pedalinho, pista de cooper, quadras de esportes. É procurada por toda a população, sendo um dos mais pitorescos lugares para visita. No dia 1º de maio, o local é aberto para as solenidades do Dia do Trabalho, quando é realizada a tradicional Pesca da Lagoa.
Parque Recreativo Municipal do Rio Jordão
- Possui 30 ha de muito verde e ar puro, proporcionando momentos de descontração aos habitantes e aos turistas, através de seus equipamentos de lazer: área para camping, churrasqueiras, lanchonetes, campo de futebol, cancha reta para corridas de cavalos, pista de motocross, além de toda uma estrutura de esportes náuticos: pedalinhos, balsa, trampolins, e piscinas naturais para adultos e crianças, saltos e quedas d’água.
- É um local cheio de surpresas, atrações e encantos, que se complementa com as lendas da Gruta do Monge e sua fonte milagrosa. Situa-se a 6 km da cidade, com acesso pela Avenida Rubem Siqueira Ribas.
Museu Municipal Visconde de Guarapuava
- O museu ocupa um velho solar que pertenceu a Visconde de Guarapuava, em estilo colonial do século passado com portas e janelas em arco abatido e telhas goivas. Tem em seu acervo objetos das tribos indígenas que habitavam os campos de Guarapuava e, objetos ligados à história do município. Destaca-se por ser a única residência da cidade, na época, com uma senzala. Localizado na Praça 9 de Dezembro.
Museu Entomológico Hipólito Schneider
- Fruto do trabalho pessoal do Professor Hipólito Schneider, sem nenhuma ajuda oficial, é o maior Museu Entomológico particular da América Latina. Localiza-se na residência do Professor Schneider, à Rua Coronel Lustosa 2654.
Praça da Fé
- Cristãos de várias manifestações de fé dividem um espaço comum para louvar a Deus. Construída numa área ociosa, sobre base sólida, a Praça da Fé ocupa uma antiga pedreira nas proximidades da Rodoviária Municipal.
- Trata-se do maior espaço ecumênico do Sul do país. Ponto que converge para vários bairros com abertura para o centro da cidade, a área é uma verdadeira concha acústica natural.
- Nos finais de tarde é comum ver pessoas fazendo caminhadas pela pista projetada para essa finalidade. Skatistas e jovens que buscam emoções fortes com a prática do rapel que pode ser praticado numa escarpa ali existente. Uma queda d’água que brota das pedras e ao cair ao solo se transforma num espelho de água cristalina dá um toque de magia ao logradouro público.
Cavalhadas de Guarapuava
- Um ritual carregando de manifestações sagradas e profanas é resgatado em Guarapuava e encanta o público. Considerada a maior peça teatral de arena do Sul do País, a encenação da luta entre os exércitos mouros e cristãos pela reconquista da Península Ibérica, "As Cavalhadas" transforma donas-de-casa, estudantes, empresários, profissionais liberais, operários, entre outros profissionais, em atores.
Referências externas
Fonte dos dados estatísticos: IBGE, Prefeitura Municipal de Guarapuava e Simepar.
