Guerra civil inglesa

Keywords: Guerra civil inglesa, 10 de Julho, 11 de Outubro, 12 de Maio, 14 de Junho, 1599, 15 de Agosto, 1625, 1626, 1628

A Guerra civil inglesa foi uma guerra civil entre os partidários do rei Carlos I da Inglaterra e o Parlamento, liderado por Oliver Cromwell. Começada em 1642, acaba com a condenação à morte de Carlos I em 1649. [[imagem:Charlesx3.jpg|frame|Carlos I, Rei de Inglaterra. de ]]

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Prelúdio à guerra

Carlos I, filho de Jaime I da Inglaterra, sonhava em reunir todas as ilhas britânicas num só reino. Como o seu pai, ele acreditava no "direito divino dos reis". Profundamento católico e autoritário, uma série de incidentes com os membros do Parlamento levaram a um grave conflicto entre os dois.

Antes da Guerra civil, o Parlamento não era um orgão permanente da política inglesa, mas uma assembléia temporária e aconselhadora. O monarca inglês podia ordenar a sua dissolução. O Parlamento era composto de representantes da pequena nobreza e tinha o cargo de recolher os impostos e taxas do rei. O rei recebia os avisos do Parlamento por intermédio dos chamados bills, todavia o rei não tinha obrigação de os seguir.

Primeiras preocupações

Pouco depois de subir ao trono em 1625, Carlos I casa-se com a princesa francesa e católica Henrietta Maria, contrariando a poderosa minoria puritana, um terço dos membros do Parlamento. A participação nas guerras europeias agravou as oposições entre o rei e os parlamentares. Consideradas como cruzadas católicas, Carlos I mandou como comandante um dos seus favoritos George Villiers, primeiro duque de Buckingham. Desde o reino de Jaime, o Parlamento desconfiava de Buckingham e pediu que caso ele não alcançasse os seus objectivos, lhe fosse retirado o comando das forças. Depois do desastraso raide em França, o Parlamento demitiu Buckingham do seu cargo em 1626. Carlos I, furioso, estimando esta decisão como uma insulta pessoal, dissolveu o Parlamento.

Petição dos direitos

Um novo Parlamento é reunido em Março de 1628. É o terceiro parlamento do reinado de Carlos I. Oliver Cromwell é um dos eleitos. Em Junho, o rei aprova a Petição dos direitos que exige :

Todavia, Carlos I tenta descobrir outros meios para recolher novas receitas. Uma das medidas mais controversas é a de estender o imposto ship money cobrado nos portos à totalidade do país. O imposto não é aprovado pelo Parlamento.

A prisão de John Eliot (um dos inspiradores da Petição dos direitos) e de 8 outros membros do Parlamento depois de não terem pago este imposto indigna o país.

A tirania dos dezanove anos

Durante uma década, Carlos I reina sem parlamento. Essa política revela-se desastrosa, particularmente quando estoura a Guerra dos bispos entre 1639 e 1640 contra os escoseses.

Carlos I, aconselhado pelo arcebispo de Canterbury William Laud, defende a ideia de uma Igreja da Inglaterra mais pomposa e cerimoniosa. Os puritanos acusam Laud de tentar reintroduzir o Catolicismo. Face às críticas, Laud manda prender e torturar os seus opositores. Em 1637, John Bastwick, Henry Burton e William Prynne têm as orelhas cortadas por terem escrito panfletos contra as opiniões de Laud - sentença rara para homems deste nível social e que provocou mais rancor.

Laud e Carlos I acreditavam que o primeiro passo para a unificação da Escócia e da Inglaterra seria introduzir um livro comum de orações. Em 1638, os escoceses reagem de maneira brutal e expulsam os bispos das igrejas da Escócia. Um ano depois, o rei envia tropas para controlar os rebeldes. Sem sucesso, ele deve assinar a pacificação de Berwick e é humilhado quando aceita não interferir na religião em Escócia, e também pagar reparações de guerra.

O quarto Parlamento

[[Imagem:Briggs2C_Robert_Blake.jpg|thumb|200px|Robert Blake, Almirante, 15991657 por Henry Perronet Briggs, pintado em 1829.]] Carlos I, sem fundos e desejando acabar com a rebelião no norte, convoca um novo Parlamento em 1640. Um dos seus membros é Robert Blake. Mas, pouco depois, o Parlamento é de novo dissolvido porque recusa aprovar novos subsídios. O apelido "Parlamento curto" fica para designar a época. O rei ataca a Escócia e perde de novo. Northumberland and Durham passam a ser territórios escoceses. É o fim da Segunda guerra dos bispos.

O longo Parlamento

Carlos I convoca um novo Parlamento em Novembro de 1640. A Lei trienal é votada, obrigando a convocação de um Parlamento todos os três anos. Outras leis impedem a dissolução do Parlamento pela Coroa, impedem o rei de decidir de novos impostos e permitem o controlo dos ministros do rei.

Após a pacificação aparenta da Irlanda durante os oitos anos da administração de Thomas Wentworth, conde de Strafford, Carlos I imagina usar um exército católico liderado por ele contra os escoceses. Simplesmente imaginar tropas católicas contra a Escócia era um insulto feito aos parlamentarios. Em 1641, Strafford é preso na Torre de Londres. O rei recusa assinar a ordem de execução. Todavia, Thomas Wentworth, pensando salvar o país de uma guerra iminente, pede ao rei de assiná-la. Wentworth é executado em 12 de Maio de 1641.

O efeito da morte de Strafford é contrário ao esperado. Os católicos irlandeses atacam primeiro, temendo o regresso de um poder protestante. Os rumores dizem que Carlos I apóia os irlandeses. Em 4 de Janeiro de 1642, a tentativa de aprisionar 5 membros do Parlamento (John Hampden, John Pym, Arthur Haselrig, Denzil Holles e William Strode) por traição falha.

A primeira Guerra civil inglesa

O Parlamento reúne tropas lideradas por Robert Devereux, 3° conde de Essex. O objectivo era defender a Escócia e impedir o regresso ao poder do monarca. Carlos I escapa-se de Londres e reúne tropas em Agosto em Nottingham.

No início do conflito, a Royal Navy e a maioria das cidades inglesas apoiam o Parlamento, o rei encontra partidários nas zonas rurais; porém, a maior parte do país é neutra. Cada adversário junta 15000 homens. Os defensores do rei combatem para uma Igreja e um poder tradicional. Os partidários do Parlamento defendem reformas na religão, na política económica e na repartição dos poderes.

O Parlamento tinha a vantagem de ter ao seu lado as grandes cidades que abrigavam grandes arsenais como Londres e Kingston upon Hull. A primeira batalha é uma vitória do Parlamento em Hull em Julho de 1642. Segue a batalha de Edgehill vista vitoriosa pelos partidários do rei.

Derrotado em Turnham Green, Carlos I foge para Oxford, a sua principal base para o resto da guerra. Em 1643, os monarquistas ganham as batalhas de Adwalton Moor, Lansdowne, Roundway Down e controlam o Yorkshire e Bristol. Entretanto, Oliver Cromwell cria os "Ironsides", que permitem a vitória em Gainsborough em Julho.

Depois da batalha de Newbury sem vencedor, as tropas do Parlamento vencem em Winceby, em 11 de Outubro de 1643, ganhando o controlo de Lincoln. Ajudado pelos escoceses, ganham em York. Cromwell, que inventou um modelo de forças armadas com mais professionalismo, torna-se um líder militar e político. Em 1645, todas as tropas do Parlamento adoptam esse modelo e Thomas Fairfax é nomeado comandante, assistido por Cromwell. As vitórias de Naseby (14 de Junho) e de Langport (10 de Julho) destroem as forças de Carlos I.

Captura de Carlos I

Sem recursos, o rei busca refúgio na Escócia em 1646. É o fim da primeira guerra civil. Preso em Holdenby House, os militares raptam o rei, descontentes das condições da desmobilização ordenadas pelo Parlamento. Depois de três meses no palácio de Hampton Court, escapa-se para a ilha de Wight, onde é de novo preso. Os militares, sempre insatisfeitos dos atrasos de pagamentos e das condições de vida, marcham para Londres em Agosto de 1647.

A segunda guerra civil

Carlos I aproveita da falta de atenção sobre ele para renegociar um acordo com os escoceses, prometendo de novo uma reforma da Igreja em 28 de Dezembro de 1647. Este acordo é a causa do segundo conflito.

Em 1648, os partidários do rei revoltam-se enquanto os escoceses invadem o país. A poderosa e organizada força amarda inglesa fica vitoriosa. A traição de Carlos I provoca discussãos no seio do Parlamento. Alguns tentam negociar com o rei, outros questionam a sua autoridade e legitimidade no país. As tropas, durante os eventos chamados Pride's Purge (purgação de Pride, nome de um dos comandantes da revolta), fazem prisioneiros 45 parlamantares, 146 expulsos. Só 75 membros do parlamento são autorizados a se reunir. Eles organizam um tribunal que julgará Carlos I.

Processo de Carlos I por traição

Depois de algumas dificuldades para encontrar juízes, em 1648, com 68 votos contra 67, Carlos I é declarado culpado de traição. É executado no palácio de Whitehall em 1649. Quando a monarquia será restaurada, a maioria dos juízes que votaram para a pena de morte serão também executados.

Resistência em Irlanda e Escócia

Depois do bloqueio da frota do príncipe Rupert em Kinsale, Oliver Cromwell chega em Dublim em 15 de Agosto de 1649, e mais tarde, em 1650, na Escócia. Uma paz fraca instala-se. Graham resiste sem sucesso.

Carlos II é coroado em Escócia. Na batalha de Worcester (3 de Setembro de 1652), as forças de Cromwell são vitoriosas frente ao rei. Oliver Cromwell toma então o poder no Commonwealth da Inglaterra.

Cromwell é muito impopular em Escócia e Irlanda. Não foram esquecidos os múltiplos massacres e repressões, uma das causas do conflito dos três séculos a seguir entre católicos e protestantes, irlandeses e ingleses.

Conseqüências

Estima-se que 10% da população tenha morrido durante a guerra, a maioria de enfermidades. A Inglaterra é o único país sem monarca. Um governo republicano lidera a Inglaterra e depois todas as ilhas britânicas de 1649 a 1653, e de 1659 a 1660. Entre os dois períodos, instala-se a ditadura militar de Oliver Cromwell.

Depois da morte de Cromwell, o seu filho tenta tomar o poder absoluto à imagem do seu pai. Ele encontra a oposição de ambos os defensores do rei e do Parlamento. Pouco depois, a monarquia é restaurada com Carlos II. A Inglaterra transforma-se numa monarquia parlamentar.

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