Guerra dos Farrapos

Keywords: Guerra dos Farrapos, 11 de setembro, 15 de julho, 1835, 1836, 1837, 1838, 1839, 1840, 1842

Guerra dos Farrapos ou Revolução Farroupilha é o nome pelo qual ficou conhecido o conflito ocorrido entre 1835 e 1845, no estado brasileiro do Rio Grande do Sul. O nome Farrapo era a denominação que os conservadores davam, pejorativamente aos liberais, mas que com o tempo ganhou uma significação elogiosa quase do mesmo modo que os sans-cullotes franceses.

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Antecedentes e causas

As causas do conflito remetem a posição secundária, econômica e política, que o Rio Grande do Sul ocupava nos anos que se sucederam à Independência. Diferentemente das províncias mais ao norte, o Rio Grande do Sul produzia para o mercado interno, sendo seu principal produto o charque (que era usado na alimentação de escravos). Assim, encontrava-se dependente de um mercado que por sua vez era dependente do mercado externo, e sofria as consequências disso. O charque da Argentina e do Uruguai chegava mais barato ao mercado nacional, tanto porque nesses países o trabalho livre era utilizado quanto porque havia taxação elevada ao produto rio-grandense, e ausência de taxas de importação aos produtos estrangeiros.

Havia fazendas agrícolas destinadas ao consumo interno, mais para o interior da província. Ali, muitos colonos se estabeleciam, bem como militares desmobilizados. Alguns colonos e militares não conseguiram adquirir suas próprias fazendas, e acabaram formando bandos armados que se ofereciam aos proprietários ricos.

Além disso, o Rio Grande do Sul, como estado de fronteira, estava sempre em estado de alerta e frequentemente em guerra para proteção do Brasil. Havia poucos anos se desenvolvera por ali a Guerra da Cisplatina, na qual lutaram vários rio-grandenses. No entanto, não havia uma compensação política para essa função estratégica. Os chefes militares normalmente provinham do norte, bem como os governadores da província.

Também é preciso citar o conflito ideológico presente no Rio Grande do Sul a partir da criação da Sociedade Militar, um clube com simpatia pelo império e até mesmo suspeito de simpatizar com a restauração de Dom Pedro I. Os fazendeiros rio-grandenses não viam com bons olhos a Sociedade Militar, e pediam que o governo provincial a colocasse na ilegalidade.

A guerra

Em 1835 os ânimos estavam exaltados. Fazendeiros liberais e militares descontentes promoviam reuniões em casas particulares, destacando-se as figuras de Bento Manuel Ribeiro e Bento Gonçalves, dois militares.

Naquele ano fora nomeado como presidente da província Antonio Rodrigues Fernandes Braga, que inicialmente agradou aos liberais, mas aos poucos se mostrou pouco digno de confiança. No dia em que tomou posse, Fernandes Braga fez uma séria acusação de separatismo contra os fazendeiros rio-grandenses, chegando a citar nomes, o que praticamente eliminou suas chances de conviver em paz com seus governados.

Em 20 de setembro de 1835 Bento Gonçalves marcha para a capital Porto Alegre e toma a cidade, dando início à revolta. O governador Fernandes Braga se refugia em Rio Grande, que viria a ser tomada alguns meses depois. Os farroupilhas, como também ficam conhecidos os rebeldes, empossam Marciano Pereira Ribeiro novo presidente.

O regente do Brasil então, Diogo Feijó, nomeia um presidente rio-grandense pra a província, José de Araújo Ribeiro, tentando acalmar os ânimos. A Assembléia Provincial mostra-se indecisa quanto a esse nome, e decide adiar sua posse. José Ribeiro deveria comparecer no dia marcado e ser informado que não seria empossado. Contra esse ardil se opõe Bento Manuel, que a partir de então se desliga dos revoltosos. José Ribeiro não comparece diante da Assembléia em Porto Alegre e toma posse em Rio Grande, o que irrita ainda mais os rio-grandenses.

Os rebeldes proclamam, através de Antônio de Sousa Netto, a República Rio-Grandense em 11 de setembro de 1836. Bento Gonçalves é indicado para presidente da República recém-formada. Pouco depois, no entanto, na batalha do Fanfa, Bento Gonçalves acaba cercado por Bento Manuel e por navios comandados por John Grenfell. Se rende, é preso e levado ao Rio de Janeiro e depois a Salvador, onde fará ligações com os rebeldes da Sabinada.

Gomes Jardim assume o governo da Piratini, que se sustenta com as forças de Sousa Netto. Bento Gonçalves havia fugido da prisão em 1837, e retoma a presidência em 1837, organizando o Estado e fazendo com que a revolução atinja seu auge: já é possível crer que a Piratini conseguirá consolidar-se como república.

Mas ainda faltava tomar as cidades de Porto Alegre (recuperada pelos legalistas) e Rio Grande. As tentativas feitas para isso em 1838 são frustantes. Não só isso, como também a capital da república é transferida de Piratini para Caçapava, cidade mais inacessível e mais fácil de defender.

Chega ao Rio Grande do Sul o revolucionário italiano Giuseppe Garibaldi, e com apoio de Davi Canabarro, parte para Santa Catarina. Em 15 de julho de 1839 é proclamada a República Juliana em território catarinense, formando com a República Piratini uma confederação. Mas a nova república dura quatro meses: sem condições de expandir-se pelo estado de Santa Catarina, em novembro mesmo as forças do Império retomam Laguna, sede da Juliana.

A paz

Em 1840 é oferecida anistia aos rebeldes, por ocasião da maioridade de Dom Pedro II. Eles a recusam. A partir daí, os rebeldes passam a perceber que não poderão vencer. Uma possibilidade de reanimar o movimento dá-se em 1842, com a promulgação de uma constituição para a República. Mas nesse mesmo ano é nomeado para presidente da província rio-grandense o general Luís Alves de Lima e Silva (que viria a se tornar Duque de Caxias, patrono do exército brasileiro). Lima e Silva trata de negociar a paz por vias diplomáticas, mais do que pela guerra.

Os farroupilhas entram em discordância, com episódios como a morte de Antônio Paulo da Fontoura e o duelo entre Onofre Pires (ferido e depois morto) e Bento Gonçalves.

As negociações de paz são conduzidas por Lima e Silva, de um lado, e Davi Canabarro (que subtituiu Bento Gonçalves), do outro. Foi no dia 28 de fevereiro de 1845 (algumas fontes referem 1 de março ou 25 de fevereiro), depois de 10 anos de lutas, que foi assinada a paz em Poncho Verde, que tinha as condições principais:

A atuação de Lima e Silva foi tão nobre e decente para com os rebeldes que os rio-grandenses o escolheram para presidente da província.

Referências

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