Hanseníase

Keywords: Hanseníase, 1981, 1999, 2000, 2002, Antibiótico, Birmânia, Brasil, Bíblia, Doença

A lepra (ou Hanseníase ou mal de Hansen, do nome de Gerhard Hansen, que identificou o agente da doença) é uma doença infecciosa causada pelo Mycobacterium leprae (uma bactéria próxima do agente responsável da tuberculose) que afeta os nervos e a pele e que provoca danos severos. Ela é endêmica em certos países tropicais, em particular na Ásia.O Brasil ocupa o segundo lugar no mundo em

casos de hanseníase. Os doentes são chamados leprosos, apesar de que este termo tenda a desaparecer com a diminuição do número de casos e dada a conotação pejorativa a ele associada.

A lepra foi durante muito tempo incurável e muito mutiladora, forçando o isolamento dos pacientes em leprosários. Hoje em dia, a lepra é facilmente tratada com antibióticos, e esforços de Saúde Pública são feitos para o tratamento dos doentes, para próteses de pacientes curados e para a prevenção. Além do Homem, o único outro animal de que se tem notícia que pode ser afetado pela lepra é o tatu.

Um dos efeitos da lepra devido à degradação dos nervos, é a supressão da dor, o que é a causa das mutilações. Um exemplo: uma pessoa que não sente dor, ao usar uma ferramenta, coloca mais força do que uma pessoa normal colocaria. Como não sente dor, esta pessoa acaba por cortar parte de um membro (dedo, mão...) sem perceber. Outro exemplo, comum nas condições dos leprosários, onde as condições de vida não são as ideais: ao dormir, pode ocorrer de um rato vir a roer uma orelha ou um dedo do leproso, que não percebe. Resultado: acaba mutilado devido a não percepção da dor.

Conteúdo

História

Desde que a escrita existe, tem-se registro de como a lepra representou uma ameaça, e os leprosos isolados da sociedade. A Bíblia contém passagens fazendo referência à « lepra », sem que se possa saber se se trata da doença: este termo foi utilizado para designar diversas doenças dermatológicas de origem e gravidade variáveis. A antiga lei israelita obrigava aos religiosos a saberem reconhecer a doença. A lepra deu origem a medidas de segregação, algumas vezes hereditárias, como no caso dos Cagots no sudoeste da França.

Epidemiologia

A lepra ataca hoje em dia ainda mais de 700000 pessoas por ano no mundo (a França conta com 250 casos declarados). Em 2000, 738284 novos casos foram identificados (contra 640000 em 1999). A OMS referencia 91 países afetados: a Índia, a Birmânia, o Nepal totalisam 70% dos casos em 2000. Em 2002, 763917 novos casos foram detectados: o Brasil, Madagáscar, Moçambique, a Tanzânia e o Nepal representam então 90% dos casos de lepra. Estima-se a 2 milhões o número de pessoas mutiladas pela lepra em todo o mundo.

A contaminação se faz por via respiratória, pelas secreções nasais ou pela saliva, mas é muito pouco provável a cada contato. A incubação, excepcionalmente longa (vários anos), explica por que a doença se desenvolve somente em indivíduos adultos. Noventa por cento(90%) da população é resistente ao bacilo de Hansen, causador da hanseníase. As formas contagiantes são:virchowiana e dimorfa.

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico-epidemiológico e laboratorial. Em uma região do país em que a hanseníase é endêmica, quando não se dispõe de recursos laboratoriais , o diagnóstico é clínico. Quando se pode valer do laboratório faz-se biópsia da lesão e colhe-se a linfa cutânea dos lóbulos das orelhas e dos cotovelos. Procura-se o BAAR ( Bacilo Álcool Ácido Resistente)que é o Micobacterium leprae ===Hanseníase indeterminada:é a forma inicial, que pode evoluir para as outras formas da enfermidade. Hanseníase indeterminada Esta é a forma inicial da enfermidade.Pode evoluir para as outras formas.

Lepra tuberculóide

Esta forma de lepra é a mais freqüente. Ela associa:

Lepra lepromatosa(Virchowiana)

É a forma onde as lesões cutâneas e mucosas predominam :

=== == Hanseníase Dimorfa ==:apresenta características da Hanseníase Tuberculóide e da Virchowiana. É de se registrar que diversas formas intermediárias existem, apresentando características mistas.

Tratamento

Apesar de não mortal, a lepra pode acarretar invalidez severa e/ou permanente se não for tratada a tempo. O tratamento comporta diversos antibióticos, a fim de evitar selecionar as bactérias resistentes do germe. A OMS recomenda desde 1981 uma poliquimioterapia (PQT) composta de três medicamentos: a dapsona, a rifampicina e a clofazimina. Essa associação destrói o agente patogênico e cura o paciente. O tempo de tratamento oscila entre 6 e 24 meses, de acordo com a gravidade da doença.

Quando as lesões já estão constituídas, o tratamento se baseia, além da poliquimioterapia, em próteses,em intervenções ortopédicas, em calçados especiais, etc.Além disso uma grande contribuição à prevenção e ao tratamento das incapacidades causadas pela hanseníase é a fisioterapia. No Brasil o terma lepra foi substiuído por hanseníase, devido à discrimnação sofrida pelos pacientes.


categoria:Doenças infecciosas

Keywords: Hanseníase, 1981, 1999, 2000, 2002, Antibiótico, Birmânia, Brasil, Bíblia, Doença