Hicsos
Keywords: Hicsos, Abraão, Delta do Nilo, Egipto, Flávio Josefo, História do Egipto, Jacó, Menfis
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O termo grego Hicsos deriva do egípcio Hik-khoswet, e significa "governantes de países estrangeiros". Flávio Josefo, historiador judeu do 1.º Século AC, prefere a tradução de "Hicsos" por "pastores cativos", em vez de "reis pastores". O único relato pormenorizado sobre os Hicsos em qualquer antigo escritor é uma passagem não fidedigna duma obra perdida de Máneto (sacerdote egípcio e historiador do 3.º Século aC), citada por Flávio Josefo em sua réplica a Apião. É interessante que Josefo, afirmando citar Máneto palavra por palavra, apresenta o relato de Máneto como associando os Hicsos directamente com os israelitas.
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Período dos Hicsos na História Egípcia
O "Período dos Hicsos" é um período ainda obscuro da história do Egipto e a sua suposta conquista é entendida muito imperfeitamente. Acredita-se em geral que os Hicsos fossem uma vaga de povos asiáticos que ocupou o Baixo Egipto em busca de alimentos e que conseguiu o domínio do Egipto. Segundo os historiadores, os Hicsos teriam conquistado o Egipto por volta de 1680 aC e o dominam o Egipto durante um século. Sua capital terá sido Avaris. São expulsos por Amósis I (1580 a 1546 aC). A capital volta a Nô-Amom (Tebas).
O único relato pormenorizado sobre os Hicsos em qualquer antigo escritor é uma passagem não fidedigna duma obra perdida de Máneto (sacerdote egípcio e historiador do 3.º Século aC), citada por Flávio Josefo em sua réplica a Apião. É interessante que Josefo, afirmando citar Máneto palavra por palavra, apresenta o relato de Máneto como associando os Hicsos directamente ao povo de israel. Josefo, pelo que parece, aceita esta ligação, mas argumenta veementemente contra muitos dos pormenores do relato. Parece preferir verter Hicsos por "pastores cativos", em vez de "reis pastores".
Os historiadores modernos acreditam que as citações de Flávio Josefo não são exactas ao associarem o termo Hicsos excluivamente ao povo israelita. Mas, eles se apegam à ideia de uma conquista pelos Hicsos. Isto se deve principalmente a que podem achar pouca ou nenhuma informação nas antigas fontes egípcias para encher os registros do Segundo Período Intermédio que supostamente abrange as "14.ª a 17.ª Dinastia". Por este motivo, os eruditos presumem que houve uma desintegração de poder egípcio. Não está bem estabelecido se os Hiscos conquistaram em batalha ou ocuparam pacificamente e gradualmente o Delta do Nilo.
Máneto, segundo Flávio Josefo, apresenta os Hicsos como conquistando o Egipto sem batalha, destruindo cidades e “os templos dos deuses”, e provocando matança e devastação. São apresentados como se fixando na região do Delta. Por fim, diz-se que os egípcios se sublevaram, travaram uma longa e terrível guerra, com 480 mil homens, cercaram os Hicsos na sua cidade principal, Avaris, e então, de modo estranho, chegaram a um acordo que permitiu que os Hicsos deixassem o país sem sofrer danos, junto com suas famílias e seus bens, e daí, esses foram para a Judeia e construíram Jerusalém. (Veja Contra Apião, Vol. I, pág. 73-105 § 14-6; pág. 223-232 § 25-6). Numa referência adicional, Máneto supostamente aumenta a narrativa com uma história que Josefo chama de história fictícia. Menciona um grande grupo de 80 mil leprosos e doentes receber permissão para se estabelecer em Avaris, depois da partida dos pastores. Esses mais tarde se rebelaram, chamaram de volta os "pastores" [os Hicsos], destruíram cidades e aldeias, e cometeram sacrilégio contra os deuses egípcios. Por fim, foram derrotados e expulsos do país. (Contra Apião, Livro I, § 26, 28)
Muitos comentadores bíblicos situam a entrada de José no Egipto, a sua ascenção a 2.º governante do Egipto, a entrada de Jacó e sua família, no que é popularmente conhecido como o "Período dos Hicsos" ou o Segundo Período Intermediário. O livro bíblico de Génesis mostra que o Egipto era bem receptivo aos estrangeiros desde do tempo do nómada Abraão. Mas é bem possível que o relato de Máneto sobre os Hicsos, seja a versão egípcia oficial dos sacerdotes no esforço de justificar a permanência israelita no Egipto durante 215 anos e no destaque que José, Jacó e Moisés obtiveram.
Razões para Invasão
As principais razões que atraíram os Hicsos foram:
- 1- Escassez de alimentos na Ásia Ocidental, enquanto no Egipto ambundava alimentos;
- 2- A desordem resultante da presença de estrangeiros e a falta de coesão;
- 3- O atraso técnico e milítar do Egipto em comparação com alguns povos asiáticos; os exércitos egípcios eram formados essencialmente pela infantaria a pé. Como não dispunham de cavalos e não usavam carros de combate puxados a cavalo (pois, a roda não era "muito útil" no deserto), seriam um presa fácil para qualquer exército que tivesse cavalaria.
Análise Cronológica em Estudo
Por volta de 1800 aC, iniciou uma onda migratória pacífica para o Egipto, oriunda da Ásia Ocidental; as regiões do oriente passavam por um período de seca e fome. Os povos semíticos asiáticos não eram pessoas bem-vindas ao Egipto, pois os egípcios desprezavam os asiáticos até então, referiam-se a estes como "vagabundos das areias". Todos os povos oriundos da Ásia eram instalados na região do Delta do Nilo, para evitar o acesso dos estrangeiros à parte mais civilizada e rica do país, e também evitar a miscigenação com a população natural. Nessa leva pacífica de povos semitas ao Egipto estava um povo que iria influenciar o destino dos filhos de Jacó.
No final do reinado de Amenemhet III, iniciou uma lenta e constante decadência do poderio do Império Egípcio. Eles derrotaram a fraca décima-terceira dinastia cuja capital se situava perto de Menfis e governaram o médio e baixo Egipto por volta de 1700 aC. por um período de cerca de 100 anos.
Os Hicsos eram um grupo etnicamente misto de pessoas da Ásia ocidental que imigraram para o delta do Nilo durante o segundo período intermediário e formaram a 15.ª e 16.ª dinastias dos governantes do Egipto. Estas duas dinastias foram compostas de governantes completamente distintos.
A sua superioridade militar baseava-se em novas técnicas como o arco de flecha composto, o cavalo e a carruagem de combate.
A invasão iniciou com um banho de sangue na região do Delta, seguido pelos saques às cidades:
"-Havia então um rei nosso chamado Timaios. Foi no seu reinado que isso aconteceu. Não sei por que os deuses estavam descontentes conosco. Surgiram de improviso, homens de nascimento ignorado, vindos das terras do oriente. Tiveram a audácia de empreender uma campanha contra nossa terra e a subalugaram facilmente sem uma única batalha. Depois de haver submetido nossos soberanos ao seu poder, incendiaram barbaramente nossas cidades, destruíram os templos, os deuses, e todos os habitantes foram tratados barbaramente; mataram uma parte e levaram os filhos e as mulheres de outros como escravos. Por fim, elegeram rei um dos seus; o nome dele era Salatis; vivia em Mêmphis e cobrava tributo ao Alto e Baixo Egipto; instalou guarnições em lugares convenientes... Escolheram no distrito de Saís (Baixo Egipto) uma cidade adequada para seus fins, que ficava à leste dos braços do Rio Nilo, junto a Bubaste, e chamaram-na de Avaris". (Mêneto) Esse historiador foi exilado em sua época por registrar essa história em uma Estela de pedra; os Hicsos fizeram do Egito a sede de seu império sendo a Síria e Canaã extensão de seus domínios. Após a ocupação permitiram que a 13a. dinastia continuasse no Alto-Egito, desde que pagasse o tributo anual. Era o início do período histórico conhecido como Segundo Período Intermediário.
Em 1704 aC, tem início do reino do Faraó Aya (Merneferre). Desse ano até o ano de 1640, sucederam-se outros 43 Faraós no trono, mas, não sem oposição. Os vizires do Alto e Baixo-Egito adquiriram forças política cada qual em suas regiões administrativas e iniciaram a descentralização do país aproveitando a desordem que começou gradativamente com a chegada dos imigrantes asiáticos; o aumento das riquezas nivelou as famílias mais importantes, fragmentando em diversos nomos as quatro divisões em que Sesóstris III havia estabelecido no ano de 1878, agindo de forma independente. Os asiáticos se agrupavam cada vez mais no delta do Rio Nilo, chegaram a superar a população egípcia, muitos deles foram absorvidos pelas camadas mais pobres da sociedade, alguns alcançaram elevados postos na administração local; um dele, cujo nome era “Kadjer” (Khendjer) chegou a ser Faraó por um ano. Os Hicsos permitiram a princípio que a 13.ª e 14.ª dinastia (que foram Faraós remanescentes da 13.ª sem importância) se mantier no Alto Egito, desde que pagassem o tributo anual.
Guerras entre Egipcios e Hicsos
Em 1640 aC, no Baixo Egito, iniciou a 15.ª dinastia Hicsa com o Faraó Salitis (Swoserenre), o 1.º faraó não egípcio; sues domínios se estendia do Delta do Nilo (Baixo Egito) até a cidade de Meir no Alto Egito; dessa cidade rio até até à 1.ª catarata estava os egípcios divididos em diversas unidades políticas tributárias dos Hicsos; da 1.ª até a 4.ª catarata estava o Reino da Núbia, sediado na cidade de Kerma, aliado aos Hicsos na manutenção do estado de ocupação do Egito.
Entre o ano de 1640 e 1585 aC, sucederam-se 3 faraós hicsos no trono de Avaris: Salatis, Sheshi e Khian. Em 1585 aC, passou a reinar Apophis (Awoserre). Apophis provocava os egípcios com os motivos mais banais, tentando-os à guerra. Em 1555 aC, deu-se a primeira guerra entre o Faraó hicso Apophis e o Faraó Seqenenré Tao II da 17.ª dinastia tebana. A múmia de Seqenenré mostra-nos que ele morreu violentamente, seu crânio apresenta uma perfuração, talvez tenha tombado em combate.
Em 1554 aC, o sucessor de Seqenenré Tao II foi o Faraó Kamósis (Wadjkheperre). Diz-nos a História, que o Faraó hicso mandou seu mensageiro à Nô-Amom (Tebas), ordenando-lhe que matassem os hipopótamos que viviam no Rio Nilo próximo à Nô-Amom, pois o barulho feito por eles impedia o seu descanso; caso não fossem tomadas as devidas providências, ele mesmo invadiria o Alto-Egipto para dar cumprimento às suas ordens. Kamósis conclamou o Alto Egipto em levante contra o governante hicso; este se aliou com os Núbios no Sul, para conter a revolta. Os egípcios lutaram em duas frentes de batalhas, ao norte contra os hicsos e no sul contra os núbios e venceram ambas, levando a luta até as proximidades de Avaris no Norte, e Buhen no Sul. Mas, nada se sabe sobre ele depois dos 3 anos que durou o levante contra os invasores.
Em 1550 aC, o Faraó Amósis I (Nebpehtire), filho de Kamósis, inaugura a 18.ª dinastia tebana. No Sul do Egipto, Amósis derrotou os núbios, levando a fronteira até a 3.ª catarata, voltando à mesma posição da época da 13.ª dinastia. Em 1542 aC, Khamudi assume o trono de Avaris, e continuidade à guerra contra os egípcios. Em 1532 aC, Amósis I continuou a guerra de expulsão dos Hicsos, iniciada por seu pai conseguindo seu objetivo após 10 anos de guerra contra Khamudi; termina os combates com vitória de Amósis. Ele expulsou os Hicsos do Egito, perseguindo-os pela Canaã, Fenícia e Síria, até a cidade de Carquemis (Karkemis) junto ao Rio Eufrates, onde se deteve em choque militar com um povo em marcha: os Hurritas do Mitanni. Teve início de uma série de conflitos que duraria 132 anos.
Influências da Ocupação dos Hiscos
O período da ocupação Hicsa trouxe algumas vantagens para o Egipto:
- Vulgarizaram o uso do bronze até então raramente empregado no país
- Substituíram da liga de bronze importada, pela de cobre-arsênico
- Introduziram a roda de oleiro aperfeiçoada;
- O tear vertical;
- O boi indiano, mais resistente que o boi egípcio;
- Novas culturas de hortaliças e frutas até então desconhecidas no Egipto;
- Uso do cavalo e o carro de guerra;
- A roda mais leve de arcos composto;
- Novas formas de cimitarras (um instrumento musical)
- Novas armas e táticas militares.
- Forma de dançar mudou em relação aos períodos anteriores.
