História do Iraque
Keywords: História do Iraque, 1918, 1980, 1990, 2004, 22 de Setembro, 28 de Junho, 6 de Agosto, Acádia
A história do Iraque pode ser uma das mais longas que qualquer um pode ler já que foi lá, no lugar onde hoje se localiza este país, que foram feitos os primeiros registros históricos, com o surgimento da escrita.
Com efeito, tais registros remontam a mais de 5000 anos, época em que nem mesmo existia boa parte do território do atual vizinho do Sul, o Kuwait, formando com sedimentos trazidos pelos rios Tigre e Eufrates.
Boa parte da história desta região nos é trazida pela Bíblia, cujos primeiros livros são adaptações de histórias e lendas mesopotâmicas, a exemplo do primeiro, 'Genesis' que já localiza o próprio paraíso terrestre na localidade ainda hoje denominada Édem (ou Adem).
Versões muito mais antigas da lenda do dilúvio universal e da história de Jó, em escrita cuneiforme, podem hoje ser vistas no Museu_do_Louvre, que recebeu os primeiros materiais arqueológicos das primeiras expedições científicas napoleônicas ao oriente médio.
Essa história é fascinante, magnífica em si mesma e efetivamente influente em toda a história posterior de toda a humanidade. Até hoje escritores e leitores de horóscopo repetem a milenar arte de perscrutar o futuro.
Sinteticamente, a história inicia com o estabelecimento dos Caldeus no sul da Mesopotâmia, sobre população já aculturada de sumérios e Acádios, e subsequente invasão pelos Assírios vindos do noroeste, que lhes cooptaram a adiantada civilização, em especial a escrita a partir da qual nos legaram registros.
Boa parte do período antigo é coberto pelas cidades-estado, muitas das quais enlaçadas em alianças temporárias e ocasionais. Mais adiante, a demorada hegemonia de algumas destas cidades, o acúmulo de poder bélicos de alguns reinos, resultaram na ampliação de territórios organizados sob impérios dinásticos.
Assim sucedeu com a Babilônia, que a certa altura, em expedição de guerra ao Egito, acabou por submeter os judeus ao conhecido Cativeiro da Babilônia de que fala a Bíblia, ocasião em que, afirmam historiadores de renome, estes teriam aprendido a escrita e teriam compilado lendas mesopotâmicas que inseriram na Bíblia.
É no período mais brilhante da civilização mesopotâmica que se fizeram as leis escritas mais antigas, tratando-se do Código de Hamurabi no qual, em três escritas diferentes, estão gravadas leis então vigentes, mas de origem muito mais antigas.
É aí que está escrita a Lei de Talião, cujo conhecido preceito olho por olho, dente por dente era realidade jurídica e legal. Foi também neste documento lítico que se iniciou a decifração do alfabeto cuneiforme, já que continha versões em outras escritas já conhecidas.
Mais adiante, o último e poderoso império babilônico acabou derrotado pelos Persas, cuja civilização e império aí se inicia (e novamente é a Bíblia que registra a libertação dos judeus e retorno à Palestina).
A região saiu do domínio persa com a conquista pelo macedônico Alexandre e subsequente incorporação ao Império Selêucida, e em 565 a região foi conquistada pelos vizinhos árabes, que em 762 estabeleceram o Califado de Bagdá, legando a atual regigião dominante.
Num período seguinte a região foi incorporada ao império Turco Otomano (1534) que a perdeu para o Império Britânico, seus adversários da Primeira Guerra Mundial, através do tratado de 1918. À exploração colonial britânica seguiu-se a independência em 1932 com estabelecimento da monarquia que foi derrubada em 1958.
| Conteúdo |
Início da República do Iraque (1958-1979)
No dia 14 de Julho de 1958 o exército Iraquiano fez um golpe de estado. O rei Faisal II, de 23 anos de idade, foi assassinado, juntamente com a sua família. O primeiro-ministro Nuri as-Said, que era tido como uma figura símbolo da ligação ao Reino Unido foi linchado nas ruas de Bagdad. A União com a Jordânia foi terminada e posto fim à monarquia. Foi fundada a República do Iraque.
No seguimento do golpe de estado de 1958 tiveram lugar algumas reformas sociais e democráticas. Foi aprovada uma nova Constituição, foi permitida a formação de partidos e de sindicatos.
Na luta pelo poder que se seguiu (entre os golpistas) Qasim levou a melhor sobre Arif, que foi preso. Qasim prosseguiu inicialmente as reformas (reforma agrária de 30 de Setembro de 1958), passou no entanto a governar de forma cada vez mais autoritária. Em pouco tempo tinha-se estabelecido um regime militar autoritário.
Na Política internacional, o Iraque distanciou-se neste período das nações ocidentais e passou a ser apoiado pela União Soviética.
Nos anos 60 houve vários golpes de Estado até que em 1968 o partido Baath (o qual tinha sido fundado por Michel Aflaq na Síria) finalmente chegou ao poder e Ahmed Hasan al-Bakr tornou-se presidente.
Em Junho de 1972 a companhia petrolífera nacional iraquiana foi nacionalizada. Ela era até aí propriedade de consórcios britânicos, franceses e americanos, bem como da Fundação Gulbenkian.
Regime ditatorial de Saddam Hussein
A 15 de Julho de 1979 Ahmed Hasan Al-Bakr demitiu-se e Saddam Hussein tomou o poder.
A primeira guerra do golfo: A guerra Irão-Iraque
- A guerra Irão-Iraque teve início a 22 de Setembro de 1980.
- A 7 de Julho de 1981 um raid da aviação israelita destruiu um reactor nuclear na posse do Iraque. Um reactor que tinha sido vendido a Saddam Hussein pelos franceses.
- A partir de 1983 os EUA aumentaram a sua presença no Golfo Pérsico. O Iraque foi apoiado na guerra contra o Irão pelo Kuwait, a Arábia Saudita e outras nações árabes.
- Em Fevereiro de 1986 a península iraquiana de Fao é ocupada por tropas iranianas.
- A 16 de Março de 1988, a cidade curda de Halabdscha é bombardeada com gás venenoso.
- A 20 de Agosto de 1988 termina a guerra Irão-Iraque, com 250000 mortos do lado iraquiano.
- Em Setembro de 1988 são gaseados os curdos que apoiaram o Irão.
A segunda guerra do Golfo: 1991
Terminada a Guerra, Saddam Hussein estava fortemente endividado. Um dos principais credores era o vizinho Kuwait. Saddam decidiu depois a invasão do Kuwait, a qual motivou a retaliação de uma coligação de nações para a primeira guerra do Golfo, em 1991.
As forças iraquianas no Kuwait foram derrotadas facilmente.
Período das sanções económicas: 1991-2003
A 6 de Agosto de 1990 o conselho de segurança das Nações Unidas adoptou a resolução 661, a qual impunha sanções económicas ao Iraque, incluindo o embargo comercial, excluindo material médico, alimentação e outros itens de necessidade humanitária, a serem determinados pelo comité de sanções do conselho de segurança.
O Iraque foi autorizado, de acordo com o programa das Nações Unidas Oil-for-Food (Resolução 986), a exportar $5,2 bilhões de dólares de petróleo todos os 6 meses (ou seja $10,4 bilhões de dólares por ano) para poder comprar os itens de sustento da população. No entanto, apesar do programa, de acordo com estimativas da ONU, cerca de um milhão de crianças iraquianas morreram durante o embargo, devido à malnutrição e falta de medicamentos.
A terceira Guerra do Golfo: 2003
Em 2003, Norte-americanos e Ingleses (com concurso de outros países), sob alegação que o Iraque detinha armas de destruição massiva, invadiram o Iraque, sem o aval da Organização das Nações Unidas, que não se convenceu com as "provas" mostradas pelo Secretário de Estado dos Estados Unidos, Collin Powell, e em total desrespeito à justiça internacional.
A decisão de invadir o Iraque teve declarada oposição de muitas nações entre as quais sobretudo a França, cuja empresa estatal Total-Fina-Elf detinha contratos com Sadam Hussein para a exploração de campos de petróleo de Majnoon e Nahr Umar, os quais representam cerca de 25% do petróleo do Iraque, para além de ser credor de uma larga dívida do ditador. A França era antes da invasão do Iraque também um dos principais parceiros comerciais do ditador, sendo responsável por cerca de 13% das importações de armas entre 1981 e 2001, de acordo com o Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI).
A Rússia/União Soviética era o maior fornecedor de armas para Saddam Hussein. Entre 1981 e 2001 forneceu cerca de 50% das importações de armas de Saddam Hussein. A dívida do ditador à Rússia da era soviética atingiu entre o período 1988-1988 um montante entre 7 e 8 bilhões de dólares.
O segundo maior fornecedor de armas para o Iraque no período 1981-2000 foi segundo o SIPRI a China, fornecedora de 18% do equipamento militar neste periodo. A empresa petrolífera nacional chinesa, associada com um outro consórcio chinês negociava com Saddam Husseim a atribuição da exploração petrolífera no campo de Al Ahdab, no sul do país.
França, China e Rússia opuseram-se à Guerra de 2003, juntamente com a Alemanha, cujo Chanceler Gerhard Schröder ganhara as eleições gerais de 2002 prometendo aos votantes que a Alemanha não entraria num possível conflito. Esta manobra eleitoral, juntamente com a promessa de ajudas para as vítimas das intempéries que assolaram o leste da Alemanha em 2002 valeu-lhe a inesperada reeleição, a qual já se julgava perdida para a CDU.
Grande parte da infra-estrutura foi destruída na Guerra de 2003, foram contabilizados cerca de 140000 mortos iraquianos, militares e civis.
Em 28 de Junho de 2004, a ocupação terminou oficialmente e o poder foi transferido para um novo governo liderado pelo primeiro-ministro Iyad Allawi, apesar de, em dezembro de 2004, tropas dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e do Japão ainda ocuparem o território iraquiano, com cerca de 160000 soldados e cerca de 20000 servidores civis.
As alegadas causas da invasão e seus efeitos
As supostas armas de destruição massiva que deteria o Iraque jamais foram encontradas pelas forças de ocupação. As também alegadas ligações de Saddam com grupos terroristas islamistas nunca foram comprovadas. Na verdade, os grupos terroristas islamistas opunha-se à Saddam, pois o Iraque era um dos países mais laicos da região.
A maior parte dos contratos de reconstrução do Iraque foram obtidos por empresas norte-americanas.
As hostilidades não cessaram até a presente data (dezembro de 2004) e continuam sob a forma de guerrilha de resistência e/ou terrorismo na qual os chamados insurgentes atacam diariamente as forças de ocupação. Existem vários grupos diferentes de insurgentes. Há terroristas islamistas que pretendem desestabilizar a situação. Muitos deles são estrangeiros infiltrados no país, que por sua vez combatem outros estrangeiros infiltrados no país, os soldados estado-unidenses. Há também notícias de ataques por antigos elementos do aparelho sunita de Saddam. Por sua vez também houve desacatos provocados por elementos mais radicais entre os xiitas no sul.
Só para a retomada da cidade de Faluja, com cerca de 300000 habitantes, o conflito rendeu, além de mortos e feridos, cerca de 210000 desabrigados que se somam às demais vítimas desta guerra. Em Faluja os rebeldes tinham instaurado um regime semelhante ao dos Talibans no Afeganistão, havendo relatos de tortura e assassinatos sistemáticos e um regime de terror. Tais relatos devem ser, no entanto, analisados com cuidado, pois quem os divulga são as tropas de ocupação estado-unidenses, via cadeias de televisão igualmente estado-unidenses.
Sobre as razões da invasão do Iraque, veja também Why USA-Iraq, em inglês.
Sobre os efeitos da invasão, ver também (vários autores, vários jornais) usbombingwatch-reportagens diárias testemunhais.
Veja também
- Kanan Makiya
Iraque Categoria:Iraque
