História dos Países Baixos
Keywords: História dos Países Baixos, 1369, 1433, 1477, 1555, 1579, 1648, 1652, 1654, 1665
As invasões normandas do século IX e as divisões territoriais enfraquecem o país. Constituem-se então numerosos principados feudais. Enquanto novas terras são conquistadas nos mares, as cidades desenvolvem-se notavelmente, situadas na convergência das rotas terrestres, fluviais e marítimas, enriquecem com o comércio dos tecidos, a indústria alimentar e a metalurgia. Ao mesmo tempo, as cidades arrancam aos senhores cartas que lhes permitem administrarem-se a si próprias, mas as divisões sociais aparecem logo, opondo os patrícios urbanos e o povo. Estes tumultos provocam a aliança do patriciado com o rei da França, a vitória de Carlos V, Sacro Imperador Romano sobre as milícias comuns em Rozebeke consagra o recuo do movimento de emancipação urbana. Em 1369, o conde da Flandres Luís, o Vigoroso, dá a mão da sua filha Margarida ao duque da Borgonha, Filipe, o Corajoso. Este casamento faz da Flandres o primeiro principado dos Países Baixos; no reinado de Filipe, o Bom, a administração é centralizada através da criação de um grande conselho, de duas câmaras de contas e de um tribunal de justiça na Holanda.
A maior parte dos pequenos estados que existiam na região onde são actualmente a Holanda e a Bélgica foram finalmente unidos Pelo Duque da Borgonha em 1433. A filha herdeira de Carlos, Maria de Borgonha, desposa em 1477 Maximiliano da Áustria e os Países Baixos passam a fazer parte dos domínios dos Habsburgo.
No reinado de Carlos V, Sacro Imperador Romano e rei de Espanha, a região era parte das Dezessete Províncias dos Países Baixos, abrangendo a maior parte do que hoje é a Bélgica. Simultaneamente, o pais tem uma forte expansão económica. Paralelamente às correntes comerciais e intelectuais, as ideias da reforma difundem-se largamente favorecidas pela tolerância da governante dos Países Baixos, Margarida da Áustria. O problema da liberdade religiosa vai estar, a par do reflexo contra o absolutismo de Filipe II.
| Conteúdo |
Guerra dos Oitenta Anos
Artigo principal: Guerra dos Oitenta Anos
Príncipe dos Países Baixos a partir de 1555, Filipe II impõe como governante Margarida de Parma e empreende uma política autoritária e hostil aos protestantes, que voltam contra ele o povo e a nobreza, a pequena nobreza une-se e requer a Margarida de Parma a supressão da Inquisição. Tratam-se estes fidalgos por «malditos», um movimento anticatólico subleva então a Flandres, Hainaut e depois as províncias do Norte. Uma perseguição impiedosa é levada a cabo pelo duque de Alba, resultando na revolta geral da Holanda e da Zelândia.
Esta revolta, conduzida por Guilherme de Orange, é logo seguida pela de Brabante, Hainaut e Artois. A pacificação de Gant marca a expulsão das tropas espanholas e o regresso á tolerância religiosa. Entretanto, as revoltas dividem-se e as províncias do sul, de maioria católica, submetem-se à Espanha, enquanto que as do Norte, calvinistas, proclamam a União de Utreque, em 1579, que lança as bases da República das Sete Províncias Unidas. A Holanda tornou-se assim a primeira nação européia a assumir uma forma de governo republicana.
Em 1581, os Estados do Norte repudiam solenemente a autoridade de Filipe II, o novo governador dos Países Baixos, assegura a reconquista definitiva dos Países Baixos meridionais pela Espanha pela Igreja. Seriam precisos mais de sessenta anos de guerra , marcados numa primeira fase pela aliança com a Inglaterra e a afirmação da potencia marítima das províncias do Norte, depois, após o final das Tréguas dos Doze Anos, pelo apoio francês no contexto da Guerra dos Trinta Anos, para que a Espanha reconhecesse, com o Tratado de Munster, assinado a 30 de Janeiro de 1648 a independência das Províncias Unidas.
A Idade de Ouro Neerlandesa
Ainda que o novo Estado exercesse autonomia apenas sobre as províncias do norte, a República das Sete Províncias Unidas dos Países Baixos desenvolveu-se e tornou-se uma das mais importantes potências navais e econômicas do século XVII. Neste período, conhecido como a sua Idade de Ouro, os Países Baixos estenderam suas redes comerciais por todo o planeta, estabelecendo colônias em lugares tão distantes quanto Java e o nordeste brasileiro (Brasil neerlandês).
A primeira Guerra Anglo-Holandesa (1652 a 1654) terminou com o Tratado de Westminster, mantendo em vigor a Lei da Navegação de 1651. A Segunda Guerra Anglo-Holandesa começou em 1665 quando os ingleses declararam guerra - de facto, eles já tinham atacado a Nova Holand – e durou até 1667 quando os holandeses destruiram grande parte da frota inglesa no Tamisa. Este incidente levou ao Tratado de Breda, que terminou com estes conflitos.
Os Países Baixos meridionais regressam á Espanha depois da morte da infanta Isabel, após a Guerra da Sucessão de Espanha, voltam á Áustria, no século XVIII, enquanto os soberanos tentam promover a prosperidade dos Países Baixos do Sul. As reformas mal sucedidas de José II e as medidas visando reduzir a autonomia das províncias provocam túmulos, uma insurreição armada expulsa os Austríacos do país, nas Províncias Unidas, o resultado das ideias democráticas e o resultado desastroso da quarta guerra inglesa terminam com os tumultos revolucionários de 1786. Obrigado a evadir-se Guilherme IV é restauro graças á ajuda estrangeira , muitos patriotas refugiam-se em França. A intervenção da Áustria a favor de Luís XVI arrasta os Países Baixos para a guerra contra a Convenção.
Em 1795, as Províncias Unidas tornam-se na República Batava (Bataafse Republiek, em neerlandês), enquanto os Países Baixos meridionais são organizados em departamentos franceses. Napoleão I dita uma Constituição em 1805, depois transforma a República Batava em Reino da Holanda, em proveito do seu irmão Luís.
Em 1810, Luís, que coloca os seus interesses antes dos do seu irmão, perde o seu reino, que passa a estar sob administração directa dos franceses. Em 1815, o Congresso de Viena decide reunir a Bélgica e a Holanda num único Reino dos Países Baixos. A Bélgica, no entnto, conseguiu a sua independência em 1830 e o Luxemburgo, que seguia regras sucessórias distintas, seguiu seu próprio caminho após a morte do rei Guilherme III.
Esta independência reduz o Reino dos Países Baixos praticamente aos limites das Províncias Unidas. O rei Guilherme I encoraja a indústria do pais e preside á reinstalação dos neerlandeses na Indonésia. Em 1848, Guilherme II promulga uma constituição que estabelece um modo de escrutínio censitário para as duas câmaras. Em 1849, Guilherme III ascende ao poder e nomeia como chefe de governo o liberal Thorbecke, que domina a vida política até á sua morte. A reconstituição da hierarquia da sua Igreja permite aos católicos exercer uma influencia política, aliados aos liberais e depois aos calvinistas anti-revolucionários. No fim do século XIX, os Países Baixos recuperam uma posição comercial de primeiro plano. O resultado económico é favorecido pela livre troca, instaurada em 1862. Sob a influencia dos liberais, uma importante legislação social é aplicada de 1867 a 1901, enquanto se desenvolve um poderoso sindicalismo. Em 1894, Troelstra funda o partido socialista.
Em 1890, Wilhelmina, de dez anos, sucede ao seu pai, Guilherme III, e reina sob regência da sua mãe Ema até a sua coração em 1898. O excessivo parcelamento dos partidos leva a rainha a formar um único governo, extraparlamentar. As Instituições políticas são democratizadas: sufrágio universal, sufrágio feminino. O princípio da igualdade entre o ensino do Estado e ensino privado é igualmente adoptado. A coligação cristã mantém-se no poder até á ruptura das relações diplomáticas com o Vaticano.
A Holanda moderna
Neutra na Primeira Guerra Mundial, a vida política neerlandesa é marcada pela crise económica mundial de 1926 a 1939, e pelos progressos do nacionalismo na Indonésia. Em 1940, o reino é invadido pelos alemãs, a rainha e o governo refugiam-se em Inglaterra, onde continuam a guerra, os Países Baixos sofrem, até 1945, uma penosa ocupação.
No pós-guerra, a economia reergueu-se, e o país ingressou em organizações como o Benelux, a Comunidade Económica Europeia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte.
Em 1948, a rainha Wilhelmina abdica a favor da sua filha, a rainha Juliana, confrontados com a desintegração do seu império colonial , os Países Baixos procuram com seus vizinhos uma cooperação económica. A vida política é marcada, após é marcada após a libertação pela alternância no poder do partido do trabalho e do partido popular católico, as duas principais formações politicas do pais. De 1973 a 1977, um governo dirigido pelo socialista Joop Den Uyl enfrenta os efeitos do embargo petrolífero enquanto que o Iraque nacionaliza os bens neerlandeses da Shell. Em 1980, a rainha Juliana abdica a favor da sua filha Beatriz. Em 1982, o novo líder democrata-cristão Ruud Lubbers forma um governo centro-direita.
Em 1986, é reconduzido nas suas funções de chefia de uma coligação idêntica. Mas, a partir de 1989, mantém-se no poder apoiando-se numa nova coligação governamental, em que os socialistas substituem os liberais.
Sediando, em Maastricht, a assinatura do Tratado da União Européia, o país foi um de seus membros fundadores, e aderiu ao Euro em 1999, com as moedas e cédulas circulando a partir de 2002.
Ver Também:
- Guerra dos Oitenta Anos, a Guerra da Independência Holandesa
- Lista de reis dos Países Baixos
Paises Baixos
