Homeopatia

Keywords: Homeopatia, 1491, 1541, 1755, 1779, 1789, 1790, 1796, 1801

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História

Hipócrates

É dito que os princípios gerais da homeopatia foram enunciados por Hipócrates há cerca de 2500 anos. Segundo Albert Lyons, podemos resumir os princípios do método hipocrático em quatro pontos:

Esses princípios guardam evidente semelhança com as conclusões de Samuel Hahnemann no século XVIII, como veremos adiante.

Hipócrates foi também o primeiro a descrever as duas maneiras principais de se abordar a terapêutica:

A visão integradora de Hipócrates permeia toda a sua obra, cujos textos mais conhecidos são Aforismos e Juramento. A saúde, para ele, é resultado da harmonia entre os quatro humores presentes no corpo e da interação da pessoa com o meio. Higiene, dieta, exercícios físicos, clima e outras circunstâncias são levadas em consideração na avaliação da saúde. O adoecimento obedece a três estágios facilmente reconhecíveis por um observador atento: degeneração (desequilíbrio) dos humores, cocção e crise. Não dá importância à classificação das doenças, levando muito mais em conta a pessoa e seu contexto. Na terapêutica é parco no uso de medicamentos, interferindo somente nos momentos considerados necessários, quando a natureza o indicar. Ficou muito conhecido no seu tempo por sua honestidade científica e na relação com os pacientes e seus familiares, insistindo na necessidade de se trabalhar com a verdade e de se fazer a leitura do prognóstico do estado de saúde. Estabeleceu as bases da ética nas relações entre médicos, entre médico e discípulos e entre médicos e pacientes.

De Hipócrates a Paracelso

Os séculos seguintes apresentaram preponderância crescente das crenças de Cnidos e das práticas de Galeno, chegando ao dogmatismo. O establishment da Antigüidade e, posteriormente, da Idade Média, não permitia qualquer tipo de oposição às idéias galênicas que reinaram quase absolutas por quinze séculos. Galeno ficou conhecido por seus preparados farmacêuticos que incluíam várias substâncias em cada um deles. Sua teriaga, uma de tantas misturas preparadas, chegou a ter mais de setenta ingredientes em sua composição até a época de sua morte. Na Idade Média o preparado já continha mais de cem substâncias, sendo usado como antídoto universal. Até o final do Século XIX a teriaga estava registrada nas farmacopéias oficiais de vários países europeus.

Paracelso

Um dos maiores críticos de Galeno, e, não casualmente, devoto de Hipócrates, foi Paracelso (14911541). Dotado de um espírito questionador, iconoclasta e revolucionário, esse médico e alquimista, nascido em Zurique, abalou as estruturas acadêmicas de sua época, questionando os clássicos e afirmando a necessidade de se realizarem experiências e observações próprias para o conhecimento da ciência. A medicina paracelsista é um retorno à filosofia da natureza, ao holismo. Ele vê a pessoa submetida às mesmas leis e princípios que governam o universo; em suas palavras: “Assim como é em cima, é em baixo”. Para ele, a saúde é resultante da harmonia entre o homem (microcosmo) e o Universo (macrocosmo). Paracelso aceita o princípio da cura pelo semelhante e prescreve: “Scorpio escorpionem curat”.

Samuel Hahnemann

No Século XVIII, Samuel Hahnemann (1755-1843) nasce na Alemanha e inicia sua prática médica em 1779 em um ambiente em que imperava a falácia médicaica. Naquela época, sangrias, eméticos e purgantes eram receitados sem nenhum resguardo. Os médicos julgavam-se autoridades máximas, acima da natureza, e não duvidavam de seus métodos mesmo diante de desastrosas evidências do dano que causavam.

Hahnemann frustra-se profundamente com a prática médica e decide abandoná-la em 1789. Um de seus escritos reflete a angústia e o desânimo que pousaram sobre ele naquela época: “converter-me em assassino de meus irmãos era para mim um pensamento tão terrível que renunciei à prática para não me expor mais a continuar prejudicando”. Essa postura mostra sintonia com a máxima hipocrática: “Primo nil nocere”, ou seja, primeiramente não prejudicar.

Ele era um poliglota, consta que conhecia grego, latim, hebraico, árabe, caldeu, alemão, inglês, francês, italiano, espanhol, entre outras línguas. O conhecimento desses idiomas é decisivo no futuro de Hahnemann, pois, havendo abandonado a prática médica, começa a sobreviver realizando trabalhos de tradução. Traduz, sobretudo, obras médicas e científicas, retomando estudos de antigos mestres como Hipócrates, Paracelso, van Helmont, Sydenham, Boerhaave, Stahl e Haller.

A história registra sua personalidade prodigiosa, dotada de uma ímpar capacidade de observação e de agudo senso crítico. Foi quando trabalhava na tradução da Materia Medica de Cullen, em 1790, que um fato descrito por aquele autor chamou sua atenção. A Cinchona officinalis (quinina ou simplesmente quina) era usada na Europa, proveniente do Peru, para o tratamento do paludismo. Segundo explicações do autor do livro, a Cinchona atuaria fortalecendo o estômago e produzindo uma substância contrária à febre. Movido por curiosidade e intuição científicas, Hahnemann decide provar, nele mesmo, o medicamento. Observou em si o aparecimento de sintomas semelhantes ao das crises febris da malária (esfriamento das extremidades, rubor facial, sonolência, prostração, pulsações na cabeça) ao ingerir a quina e seu desaparecimento ao cessar o uso. Repetiu várias vezes o experimento com a quinina e depois continuou fazendo provas com beladona, mercúrio, digital, ópio, arsênico e outros medicamentos. Inspirado pela obra de von Haller, que preconizava o estudo do medicamento na pessoa saudável, antes de ser ministrada ao doente, inclui seus parentes nas experiências, observa e anota pormenorizadamente os resultados.

Depois de seis anos de pesquisas intensas, Hahnemann dá à luz um “Ensaio sobre um novo princípio para descobrir as virtudes curativas das substâncias medicamentosas, seguido de alguns comentários a respeito dos princípios aceitos na época atual.” É assim que o ano de 1796 entra para a História da medicina como o ano de sistematização dos conhecimentos homeopáticos (para alguns o “nascimento” da homeopatia). Como vimos acima, os princípios já haviam sido enunciados por outros médicos anteriormente, mas é Hahnemann quem dá um corpo único, coerente, sintético, com fundamentos nitidamente compreensíveis à homeopatia. É curioso mencionar que foi ele quem cunhou os termos homeopatia (à qual também se referia como Arte de Curar) e alopatia (prática abusiva, agressiva e pouco eficaz).

A partir de 1801 Hahnemann começa a usar medicamentos dinamizados (técnica própria da homeopatia que visa ao desenvolvimento da força medicamentosa latente na substância e que consiste em submeter a droga a diluições e sucussões sucessivas) e observa que isso dá mais potência ao medicamento. Em 1810 publica sua obra fundamental, “Organon da Medicina Racional”, mais tarde, “Organon da Arte de Curar”. Em vida, chega a publicar cinco edições do Organon. A sexta e definitiva edição vai para o prelo post mortem, em 1921.

Princípios da prática homeopática

Além da visão holística impressa em toda a obra de Hahnemann, ou seja, a visão do todo sobre as partes, há quatro princípios que orientam a prática homeopática, quais sejam:

É surpreendente que Hahnemann tenha enunciado os princípios da homeopatia no final do século XVIII, somente como resultado da observação, pois só no século XX (principalmente na segunda metade) é que a expressão integral desse preceito começou a ser notada pelos cientistas contemporâneos, com destaques para as pesquisas de George Vithoulkas, Masaru Emoto, Benveniste, Fritjof Capra, C.G.Jung, Lovelock, Lynn Margulis, Gregory Bateson, Humberto Maturana, Lorenz, Bohr dentre vários outros. É evidente que esta pequena lista mostra cientistas de ramos muito diferentes e que a relação de suas pesquisas com a homeopatia pode não ser direta. Mas todos têm algo muito forte em comum: a ruptura com a visão cartesiana-positivista de parte substancial da ciência ocidental.

Vários outros cientistas renomados, porém, rejeitam a homeopatia por falta de indícios sólidos de que funciona -- existem diversos estudos publicados a favor da validade da homeopatia, mas outros estudos indicam que ela não funciona; estudos meta-analítico mais robustos tendem a apontar uma falta de efeito.

Depois de Hahnemann, a homeopatia expandiu-se por boa parte do mundo. Mas a expansão não foi linear, tendo seu desenvolvimento e sua aceitação atingido diferentes níveis nas várias regiões do mundo. Por exemplo, na Índia e no Brasil a homeopatia faz parte das políticas oficiais de saúde. Já na Argentina está banida das políticas públicas, chegando a ser praticamente proibida em algumas províncias.

Argumentos a favor da homeopatia

A homeopatia tem uma visão integrada do ser humano, vendo-o como um todo onde corpo e psique são indissociáveis. Neste aspecto aproxima-se das medicinas clássicas orientais. E, como dito acima, aproxima-se também do que viria a se constituir, no século XX, no pensamento sistêmico.

Os proponentes da homeopatia alegam que a maior parte das pessoas que usam esse tratamento estão satisfeitos com seus resultados. Eles sustentam que qualquer tratamento que faça um paciente se sentir melhor funcionar de alguma forma.

Os adeptos da homeopatia repetem a suposição inicial da homeopatia: uma substância que induz um certo sintoma pode curar uma doença com um certo sintoma. Nessa visão, uma substância pode causar um sintoma de três maneiras:

1. Causa dano similar à própria doença; esse mecanismo é obviamente indesejável.

2. Ao imitar um patógeno, aumenta-se a resposta imune ao patógeno real. Por exemplo, uma substância quimicamente similar a uma toxina (mas que não é, ela mesma, tóxica em uma dose diluída) pode induzir uma resposta imune que ajudaria na cura à toxina real.

3. Ao ativar diretamente uma resposta imunológica, por exemplo ao imitar os mensageiros internos do corpo que ativam a resposta imune.

Reconciliação com a química molecular

Pesquisas recentes indicam que em certas situações, quanto mais diluída é uma substância, mais as suas moléculas tendem a se aglomerar. Alguns gostaria de ver isso como evidência a favor das terapias homeopáticas. No entanto, esses dados não explicam por que as substâncias precisam ser diluídas, de modo que elas se mantenham ativas depois dessa preparação. Ademais, esse fenômeno não tem relação com a homeopatia, por que nesses casos não há tentativa de diluir as concentrações da molécula para zero. A homeopatia tenta diluir moléculas até que nenhuma delas permaneça na solução, enquanto esses experimentos sempre mantiveram quantidades mensuráveis das moléculas em suas soluções. Esses experimentos meramente examinaram a diferença nas propriedades que as moléculas tiveram quando juntas em agregados e polímeros, ao invés de pequenos polímeros e monômeros.

Em 2002, um estudo publicado na revista PhysicaA - (referência: Physica A 323 (2003) 67 – 74) ([1]) Louis Rey demonstra que mesmo em diluições acima do número de Avogadro, há conservação da termoluminescência de amostras de medicamento homeopáticos irradiadas com raios gama e X, ao contrário de amostras de água purificadas. Isto corrobora com a hipótese de "memória da água" levantada por Jacques Benveniste em 1988. Contudo, ainda existe a possibilidade do estudo ter sido mal conduzido e haver contaminação na água usada para fazer os medicamentos.

Causa estranheza ao modelo farmacológico dose-dependente que substâncias diluídas e agitadas repetidamente(dinamizadas), em concentrações inferiores ao número de Avogadro (10-23 M), possam despertar alguma resposta em sistemas biológicos ou seres vivos, sendo este o principal alvo das críticas ao modelo homeopático. Contudo, uma explicação para o funcionamento dos remédios homeopáticos que não entre em choque com o modelo farmacológico parece ser bastante plausível. Seria, então, uma ação "medicamentosa" não farmacológica.

Estudos controlados e experimentos clínicos

Dana Ullman, em seu livro de 1995, The Consumer's Guide to Homeopathy, devota um capítulo inteiro para "Evidências Científicas para a Medicina Homeopática". Ele cita um estudo de 1991, em que escreve:

Três professores de medicina dos Países Baixos, nenhum deles homeopatas, fizeram uma meta-análise de 25 anos de estudos clínicos usando medicamentos homeopatas e publicaram seus resultados no periódico British Medical Journal. Essa meta-análise cobriu 107 estudos controlados, dos quais 81 mostraram que medicamentos homeopáticos foram eficazes, 24 se mostraram ineficazes e 2 foram inconclusivos. Os professores concluiram, "A quantidade de resultados positivos veio como uma surpresa para nós".

Ainda sobre meta-análise, um dos últimos últimos trabalhos do pesquisador Jacques Benveniste relacionados à homeopatia (Are the clinical effects of homoeopathy placebo effects? A meta-analysis of placebo-controlled trials. Lancet, Volume 350, Issue 9081, 20 September 1997, Pages 834-843 [2] -link somente acessível via computadores de Universidades) demonstra que, se comparados tratamentos homeopáticos com os placebo, há uma intrigante vantagem no primeiro tipo. Nesse trabalho, propos-se avaliar a eficácia de ambas alternativas revisando trabalhos da literatura, e a homeopatia pareceu se sair melhor. Em seguida, foram publicadas na mesma revista 2 críticas de céticos. Um deles levanta a questão de se estar comparando dois elementos não-comparáveis, uma vez que, por princípio, parece não haver diferença entre o medicamento homeopático e a água, e as diferenças observadas nesse estudo serem fruto do acaso (apesar do elevado número de casos avaliados). O outro levanta a questão de viéses na análise, uma vez que os pacientes apresentam diferenças entre si, de método de diagnóstico, entre os trabalhos analisados por Benveniste e colaboradores.

Diversos ensaios clínicos que desrespeitaram a individualização do tratamento, administrando o mesmo medicamento para os indivíduos portadores de uma mesma enfermidade, não mostraram resultados significativos (exemplificado no emprego indiscriminado da Arnica montana),71 ferindo a racionalidade científica do modelo homeopático. Buscando avaliar a eficácia da homeopatia em estudos que priorizaram a individualização do tratamento como padrão ouro (estado-da-arte) da epidemiologia clínica homeopática, uma metanálise foi realizada com 32 ensaios clínicos, de qualidades metodológicas variáveis, sugerindo que o tratamento homeopático individualizado é mais efetivo que o placebo.72

Alguns praticantes da homeopatia apontam que a falta de precisão de estudos controlados é a ausência de uma ligação emocional médico-paciente, que é necessária para que o tratamento tenha sucesso (um argumento que é comum à religião e às pseudo-ciências, apontam os críticos, e que contradiz o método científico). Outros praticantes da homeopatia, no entanto, acreditam que a pesquisa não justifica a eficácia da homeopatia, e que Ullman argumentou que a pesquisa clínica não precisa ser invalidada pela necessidade de um remédio customizado para um dado indivíduo. Por exemplo, ele cita um artigo publicada em 1994 pelo periódico Lancet ("Is Evidence for Homeopathy Reproducible?"), que documenta um estudo clínico a respeito do uso de medicamentos homeopáticos para tratar asma. Ele também citou diversos outros experimentos, como um envolvendo crianças com diarréia, documentado em 1994 no periódico Pediatrics ("Treatment of Acute Childhood Diarrhea with Homeopathic Medicine: A Randomizes Clinical Trial in Nicaragua").

Críticas à homeopatia

Falta de indícios de eficácia terapêutica

Os defensores do paradigma cartesiano consideram a homeopatia como um resquício pseudocientífico dos tempos da alquimia. Os resultados iniciais atribuídos à Homeopatia podem ser explicados efeito placebo. Alega-se que os medicamentos homeopáticos foram cientificamente testados (no chamado estudo duplo cego para controlar os efeitos placebos) várias vezes e alguns desses testes produziram resultados positivos. A maioria dos cientistas rapidamente atribuem isso a flutuações aleatórias, uma vez que os resultados quase não são mensuráveis, não podem ser reproduzidos de modo confiável e há uma grande quantidade de testes em que a Homeopatia falha. Além disso, o modo básico com que os testes são realizados leva a uma pequena fração dos testes a produzirem falsos resultados positivos. Normalmente, isso é evitado por meios estatísticos, mas quando uma grande quantidade de testes são realizados, um ou dois produzirão um resultado positivo por efeitos aleatórios.

Falta de consistência lógica

Uma outra crítica à Homeopatia é que ela não é logicamente consistente. Essa teoria assume que a água "contaminada" pelas propriedades químicas das moléculas que entram em contato com ela. Por essa técnica, dilui-se a solução original ao ponto de retirar todas as moléculas, ainda assim alega-se que a água retém algumas propriedades químicas dessas moléculas. Se assim for, qual é a proveniência da água pura usada nessa processo? A áhia que os próprios homeopatas usam estiveram uma vez em contato com outras substâncias, incluindo rejeitos químicos, urina, metais radioativos, urina de dinossauros e vários venenos. Segundo a teoria homeopática, toda a água do mundo deveria conter memórias de seu contato com milhões de substâncias químicas. Assim, na prática concluímos que a água não se lembra de nada, exceto daquelas propriedades das substânicas que os homeopatas alegam ser úteis.

Pensamento mágico

Muitas pessoas aceitam a homeopatia devido ao pensamento mágico. Em Magical Thinking in Complementary and Alternative Medicine article[3] (Skeptical Inquirer journal, November–December, 2001) Dr. Phillips Stevens afirma:

A Homeopatia e outras terapias populares demonstram os princípio antigos e universais do pensamento mágico, que algumas pesquisas recentes sugerem serem fundamentais à cognição humana, sendo mesmo enraizados na neurobiologia. Muitos dos sistemas atuais de cura ’ “complementares” ou “alternativos” envolvem crenças mágicas, manifestando modos de pensar baseados nos princípios de cosmologia e causalidade que são atemporais e absolutamente universais. Tão similares são esses princípios entre todas as populaces humanas que alguns cientistas cognitivos sugerem que eles são inatos na espécie humana e essa sugestão tem sido fortalecida pela pesquisa científica corrente. [...] Alguns dos princípios das crenças mágicas acima descritas são evidentes nos sistemas atuais de crenças populares. Um exemplo claro é a Homeopatia. Falácias das alegações homeopáticas foram discutidas por muitos, incluindo Barrett (1987) e Gardner (1989) neste periódico; mas é curioso que esse sistema de cura não foi mais amplamente reconhecido como baseado no pensamento mágico. O princípio fundamental de seu criador, Samuel Hahnemann (17551843), similia similibus curentur (“o semelhante cura o semelhante”), é uma expressão explítica de um princípio mágico.

Com a superdiluição resta apenas água

Diluir substâncias tanto quanto é feito na Homeopatia não apenas diminui drasticamente qualquer efeito que a substância em questão possua como, na verdade, elimina completamente o agente de cura. De outro lado a análise cristalográfica que tem sido levada a efeito em laboratórios suíços demonstra que as moléculas de água registram informações dos solutos que nelas se diluíram, mesmo quando retirado o soluto. Este método tem sido usado como diagnóstico há algumas décadas pala medicina antroposófica.

Robert L. Park, professor de Física e diretor do escritório de Washington da American Physical Society, escreve em seu livro Voodoo Science: The Road from Foolishness to Fraud:

[Samuel] Hahnemann [o “inventor” no século 18/19 da Homeopatia] utilizou um processo de diluições seqüenciais para preparar seus medicamentos. Ele diluía um extrato de certas hervas e minerais “naturais”, na proporção de um parte de medicamente para dez partes de água, ou 1:10, agitava a solução e, então, diluía por outro fator de dez, resultando ao final em uma diluição de 1:100. Uma terceira repetição do processo produzia 1:1.000 e assim por diante. Cada diluição subseqüente adicionaria outro zero à direita. Ele repetia o processo várias vezes. Diluições extremas são rapidamente obtidas por esse método. O limite de diluição é alcançado quando sobra apenas uma molécula do medicamento. Além desse ponto, não sobra nada a se diluir. Em um sem número de medicamentos homeopáticos, por exemplo, a diluição de 30X é basicamente o padrão. A notação 30X significa que a substância foi diluída em uma parte em dez e agitada e o processo, então, repetido seqüencialmente trinta vezes. A diluição final é de uma parte de medicamento em 1.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000 partes de água. Isso está além do limite de diluição. Para ser exato, em uma diluição de 30X seria necessário se beber 7.874 galões [30 m³] da solução para se esperar encontrar apenas uma única molécula de medicamento. Comparado a muitas preparações homeopáticas, mesmo 30X é concentrado. Oscillococcinum, o remédio homeopático padrão para a gripe, é produzido a partir de fígado de pato, mas o seu uso generalizado na Homeopatia cria pouco risco à população de patos — a diluição padrões é de estonteantes 200C. O C significa que o extrato é diluído em uma parte em cem e agitado, repetindo-se duas centenas de vezes. Isso resultaria em uma diluição de uma molécula de extrato para cada 10400 moléculas de água — isto é, 1 seguido de 400 zeros. Mas há apenas 1080 (1 seguido de 80 zeros) átomos em todo o universo. A diluição de 200C está muito, muito além do limite de diluição de todo o universo visível! [1]

Park destaca que Hahnemann provavelmente não estava ciente do limited a ultradiluição porque ele desconhecia o número de Avogadro, uma constante física que torna possível calcular o número de moléculas em uma amostra com uma certa massa de uma substância. Park explica o sucesso que a Homeopatia teve no início comparando com o uso à época de tratamentos verdadeiramente perigosos: “Os médicos ainda tratavam os pacientes com sangria, lavagens e freqüentes doses de mercúrio e outras substâncias tóxicas. Se o nostrum infinitamente diluído de Hahnemann não faziam nenhum bem, ao menos não faziam nenhum mal, permitindo as defesas naturais do paciente corrigirem o problema.”

Park explica ainda como os modernos homeopatas concordam que realmente não há nenhuma molécula de medicamento em seus remédios, mas que o líquido se “lembra” da substância após o processo de diluição. Como essa memória da substância é obtida nunca foi satisfatoriamente explicada. Os críticos também apontam a dissociação espontânea da água em ácido e base (o que explica porque seu pH é 7). A quantidade de ácido em um medicamento homeopático, embora pequena, é geralmente muito maior do que a quantidade de agents ativos.

Recentemente, céticos em relação à Homeopatia consumiram diante do público grandes quantidade de medicamentos homeopáticos a fim de demonstrar sua falta de efeito. Alguns, como James Randi, Richard Saunders e Peter Bowditch consumiram caixas inteiras de pílulas para domir homeopáticas no começo de suas palestras públicas. SKEPP (um grupo de céticos belgas) realizaram um conferência à imprensa na qual céticos tentaram cometer suicídio coletivo tomando diluições homeopáticas de veneno. [4]. Porém, o ato “falhou” porque ninguém ficou nem ao menos doente.

O desafio James Randi de um milhão de dólares

O cético James Randi oferece um prêmio de um milhão de dólares (americanos) a qualquer um que possa provar a existência de qualquer coisa sobrenatural ou paranormal. O milhão de dólares está disponível também a qualquer um que consiga, por qualquer meio que o desafiante escolha, detectar a diferença entre água pura e qualquer medicamento homeopático a sua escolha.

Recentemente o programa Horizon da BBC de Londres financiou um teste de homeopatia na tentativa de ganhar o prêmio. Duas soluções (uma de água 'pura', outra de solução homeopática) foram testada de acordo com sua habilidade de produzir efeito biológico. Nenhum efeito acima do nível aleatório foi produzido pela solução homeopática. Assim, a Homeopatia falhou no desafio. O desafio foi transmitido pela Rede Globo no programa Fantástico.

Transcrição do programa 'Horizon' da BBC discutindo a Homeopatia e o Desafio Randi

Transcrição do programa 'Fantástico' da Rede Globo baseado no programa da BBC

Termos Relacionados

Medicina | Biologia | Ciência | Natureza | Holismo | Vitalismo | Hipócrates | Hahnemann | Paracelso | Galeno | Farmácia | Potência | Dynamis | Physis

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