Humberto de Alencar Castello Branco

Keywords: Humberto de Alencar Castello Branco, 15 de Abril, 15 de Março, 18 de julho, 1900, 1921, 1923, 1927, 1938

right|Castello Branco O general Humberto de Alencar Castello Branco foi um militar e político brasileiro (Fortaleza, 20 de setembro de 190018 de julho de 1967), presidente da república designado após o Golpe Militar de 1964.

Nomeado chefe do Estado-Maior do exército por João Goulart em 1963, Castello Branco foi um dos líderes do Golpe de Estado de 31 de Março de 1964, que depôs Goulart. Eleito presidente pelo Congresso, assumiu a presidência em 15 de Abril de 1964, e ficou no posto até 15 de Março de 1967. Durante seu mandato, Castello Branco desmantelou a esquerda do Congresso e aboliu todos os partidos. Ele promoveu reformas econômicas e tributárias, e foi sucedido pelo seu ministro de Guerra, Marechal Costa e Silva.

Castello Branco faleceu logo após deixar o poder, em um acidente aéreo. Era filho do General Cândido Borges Castello Branco e de D. Antonieta Alencar Castello Branco.

Conteúdo

Carreira

Seu início de carreira foi na escola militar de Rio Pardo no Rio Grande do Sul, tendo sido declarado aspirante a oficial em 1921 e designado para o 12º Regimento de Infantaria em Belo Horizonte. Em 1923 alcançou o posto de primeiro tenente, e então foi para a Escola Militar de Realengo como instrutor de infantaria em 1927.

Na FEB, planejou e implementou manobras militares na Amazônia e no IV Exército. Foi diretor do ensino da Escola do Estado Maior.

Promovido a capitão em 1938, tenente coronel em 1943, e marechal da reserva ao tomar posse da presidência da República em 1964.

Em 1955, ajudou a remodelação administrativa do Exército e apoiou o movimento militar chefiado pelo ministro da Guerra, general Henrique Lott, que garantiu a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek.

Meses depois, quando organizações sindicais resolveram entregar ao ministro uma espada de ouro, Castello rompeu duramente com Lott. A imprensa registrou alguns momentos desse desentendimento

Influência Acadêmica

Quando capitão, foi estudar na França na École Supérieur de Guerre, onde aprendeu temas táticos, técnicas de domínio sócio-político, e temas sobre a publicidade e censura, entre outros.

Quando tenete coronel, estudou no Fort Leavenworth War School, nos EUA, onde aprimorou seus conhecimentos de tática e estratégia militar, absorvendo boa parte da cultura guerreira norte-americana.

Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial

Foi chefe de seção de operações da Força Expedicionária Brasileira (FEB) durante a Segunda Guerra Mundial, na Itália, permanecendo durante trezentos dias nos campos de batalha. Enviou sessenta cartas, à sua esposa, dona Argentina, e a seus dois filhos.

Publicações e ensaios acadêmicos

Escreveu alguns ensaios militares que condiziam com sua doutrina e sua carreira: Alto Comando da Tríplice Aliança na Guerra do Paraguai, A Doutrina Militar Brasileira, A Estratégia Militar, A Guerra, O Poder Nacional, Tendências do Emprego das Forças Terrestres na Guerra Futura. Além de seus ensaios deixou cerca de 3.000 documentos manuscritos.

Em 1962, em seu ensaio A Guerra escreveu:

(sic) ...A guerra revolucionária é uma luta de classes, de fundo ideológico, imperialista, para a conquista do mundo; tem uma doutrina, a marxista-leninista. É uma ameaça para os regimes fracos e uma inquietação para os regimes democráticos. Perfaz, com outros, os elementos da guerra fria.

(sic) ...A guerra fria foi concebida por Lênin para, de qualquer maneira, continuar a revolução mundial soviética. É uma verdadeira guerra global não declarada. Obedece a um planejamento e tem objetivos a conquistar, desperta entusiasmo e medo em grupos sociais e reações contrárias na opinião pública.

(sic) ...Seus objetivos capitais: dissociação da opinião pública, nacional e internacional, criação da indecisão e, o principal, retirar das nações a capacidade de luta.


(sic)...0 nacionalismo é uma posição decisiva para uma nação, sobretudo na época atual. Não pode ser uma panacéia para os seus males, nem uma operação de guerra, e muito menos uma conspiração de sentido internacional. Seus grandes males atuais são principalmente dois nos países subdesenvolvidos: um, o desvinculamento com o meio; outro, o de ser, às vezes, um instrumento nacional e internacional do comunismo soviético. É também um grande penacho dos ditadores e candidatos a ditador.


(sic)...As divisões que têm lavrado no Exército são mais conseqüências de lutas político-partidárias do que separações existentes nos meios militares ( ... ). Legalistas e revoltosos, a partir de 1922 e por pouco tempo. Em 1930 surge a alternativa revolucionários e anti-revolucionários, que desaparece pouco a pouco. A partir de 1955, governistas e golpistas, em meio a ódios e ressentimentos mantidos pelos comunistas e pela política partidária fardada e à paisana. Em seguida, esses mesmos elementos lançaram a injúria sobre o Exército de que seus oficiais se dividiam entre nacionalistas e entreguistas, enquanto a oficialidade era fiel à honra do Brasil e à sua independência política e econômica. Agora, renasce a teimosia, com a divisão alardeada em legalistas e golpistas. Politiqueiros e comunistas estão interessados em que tal exista. Isso amofina o Exército.

(sic)...Forças Armadas não fazem democracia. Mas garantem-na. Não é possível haver democracia sem Forças Armadas que a garantam. Daí, dizer Forças Armadas democráticas. Como é isto, então? Sim. Entra na sua doutrinação o fim de defender as instituições democráticas ( ... ). Muita gente diz que as Forças Armadas são democráticas quando há militares políticos e que conhecem a máquina de conduzir o Estado. Os generais aprendem isso para melhor situarem-se no cumprimento da destinação das Forças Armadas.

(sic)...Qual o militar que não tem ouvido, desde jovem tenente, a frase enunciada por doutores, congressistas, banqueiros, comerciantes, industriais e nunca pelo chamado homem do povo: '0 Exército precisa tomar conta disso!"? É permanecer no regime legal ou marchar para a ilegalidade ( ... ). A questão tem interessado muito mais ao meio civil que ao próprio Exército.


(sic) Acreditam os senhores que o Exército tenha dentro de suas fileiras um conflito ideológico? Já se pode dizer que a luta entre duas ideologias que, de fato, lavra em setores da nossa nação, tenha se prolongado no Exército? Pessoalmente, eu não acredito. 0 Exército tem em suas fileiras alguns comunistas, uns atuantes, outros de ação bem dissimulada e vários timidamente embuçados. Tais elementos não constituem, porém, uma parte apreciável de um grande todo, a ser, então, considerado como dividido ideologicamente.

(sic) As Forças Armadas não podem atraiçoar o Brasil. Defender privilégios de classes ricas está na mesma linha antidemocrática de servir a ditaduras fascistas ou sindico-comunistas.

Falecimento

Humberto de Alencar Castello Branco, morreu quando estava voltando de uma visita à fazenda da romancista Rachel de Queiroz e o pequeno avião Aztec do Exército, em que viajava , chocou-se no ar com um jato da FAB, caindo sobre as terras da lagoa de Messejana, em Mondumbim (Fortaleza) -CE, em 18.07.1967,

Governo presidencial

Quando assumiu a presidência da República do Brasil, logo após o Ato Institucional Número Um, o AI-1, segundo historiadores, Castello seguiu as idéias de seus ensaios.

As medidas tomadas

As medidas tomadas, não atingiram apenas o legislativo, mas também todas as organizações consideradas pelos golpistas como nocivas à implantação do novo regime, que segundo versão oficial pretendia corrigir os males sociais e políticos; muitas dessas organizações foram dissolvidas.

Organizações dissolvidas durante o governo militar

O Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), as ligas camponesas e a União Nacional dos Estudantes (UNE), foram algumas das instituições atingidas pela repressão desencadeada pelo governo militar. Algumas das principais lideranças do país foram presas e enquadradas em Inquérito Policial Militar (IPM).

Medidas para a manutenção do poder

A linha descrita por Castello Branco em sua obra O Poder Nacional defendia ações com o objetivo de impedir a quem fosse considerado obstáculo para a efetivação de novos planos políticos de atuar; para tal, teria que obrigar o congresso a aprovar a Emenda da Inelegibilidade que afastava de disputas eleitorais os adversários do regime para conseguir permissão para a Justiça Militar julgar civis por crimes políticos (entre eles havia o crime de opinião).

A presidência da República

Castello foi transferido para a reserva no posto de marechal, em 1964, para assumir presidência da República.

Composição do Ministério

Seu ministério era formado por elementos da chamada linha dura do exército. Em seu governo promulgou vários decretos-leis, e alguns atos institucionais. Reprimiu as manifestações contrárias às atitudes do governo com certa severidade.

AI-2

Em 1965, o Ato Institucional Número Dois declarou extinto o pluripartidarismo, levando o Brasil ao bipartidarismo com a criação da Aliança Renovadora Nacional (ARENA) e do Movimento Democrático Brasileiro (MDB).

Serviço Nacional de Informações

Seguindo suposta orientação dos militares dos Estados Unidos, com financiamento para compra de equipamentos norte-americanos para monitoração e espionagem, criou o Serviço Nacional de Informações (SNI), uma organização parecida com a CIA.

Realizações na área política e econômica

Em seu governo surgiu o Cruzeiro Novo como unidade monetária, além de serem criados o Banco Central do Brasil e o Banco Nacional de Habitação (BNH). Seguindo orientação de economistas estrangeiros do Fundo Monetário Internacional (FMI), fixou o coeficiente de correção monetária.

A Lei de Imprensa

Em fevereiro de 1967 foi decretada a Lei de Imprensa (que pode ter sido baseada no ensaio A Estratégia Militar), cuja finalidade era controlar a informação.

Reforma Agrária e institucionalização do governo militar

Castello Branco aprovou o regulamento geral do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA) e promulgou a constituição de 24 de novembro de 1967, que institucionalizava o governo militar.

Internacionalização da economia

No plano econômico, acentuou-se a internacionalização da economia para a entrada de capitais estrangeiros no país para construção de obras rodoviárias, liberação e financiamento governamental de facilidades tributárias para fabricantes de equipamentos e insumos rodoviários.

Medidas contra a inflação

Para combater a inflação tomaram-se medidas monetárias clássicas, conforme as recomendações do FMI.

As obras de engenharia

Os projetos pendentes da construção de ferrovias para a interligação Norte-Sul, Leste-Oeste, passando por Brasília, iniciados por Juscelino Kubitschek, foram abandonados pelos militares.

Os projetos e construções de rodovias, devido ao custo elevado, foram financiadas por instituições internacionais como o BID, Banco Mundial, FMI, entre muitos outros, e tiveram apoio de grandes empreiteiros.

As estradas BR-163 chamada de Rodovia Cuiabá-Santarém, Rodovia Belém-Brasília BR-010 iniciada em 1962, Rodovia Perimetral-Norte BR-210, Transamazônica BR-230, Transbrasiliana BR-153, Rodovia Castelo-Branco, entre outras obras, foram incentivadas e aceleradas no governo militar sob o binômio segurança e desenvolvimento.

Alguns apontam que a prática do governo foi seguida do ensaio Tendências do Emprego das Forças Terrestres na Guerra Futura, no qual se diz que a mobilidade e supremacia dos eixos rodoviários em velocidade e mobilidade superava a vantagem do deslocamento ferroviário.

Segundo crença apregoada por institutos de desenvolvimento norte-americanos, entre eles a CIA, no "avanço tecnológico das Américas", as ferrovias eram meio de transporte lento, e ultrapassado, portanto deveriam ser abandonadas. Esta orientação foi seguida pelo presidente e sua equipe em sua "Tese Desenvolvimentista" descrita no ensaio citado.

Previdência Social

Castelo unificou os institutos de previdência IAPI, IAPC, IAPTEC, entre outros em um só, o INPS, conforme sugerido na obra O Poder Nacional. Em seu governo foi executada a cassação dos direitos políticos de centenas de pessoas entre deputados, governadores, ex-presidentes, lideranças de entidades civis, atitude também delineada em outro ensaio.

O fechamento do Congresso Nacional

Diante da resistência parlamentar, Castello Branco decretou o fechamento do Congresso Nacional, com a intervenção das forças armadas no ato. Assim o parlamento foi influenciado a aprovar a nova constituição.

Sucessão

A sucessão do governo Castello Branco dividiu os militares, pois de um lado encontramos aqueles que eram oriundos da Escola Superior de Guerra (o denominado "grupo Sorbone") e do outro, a "linha dura", seguidores da filosofia do Fort Leavenworth War School.

Na luta entre os dois grupos, saiu vencedor o grupo da linha dura com o general Arthur da Costa e Silva, que futuramente veio a tornar o regime ainda mais autoritário com a decretação do AI-5.

Links Externos

Bibliografia


Presidentes do Brasil 50px|Bandeira do Brasil

Deodoro da Fonseca | Floriano Peixoto | Prudente de Morais | Campos Salles | Rodrigues Alves | Affonso Penna | Nilo Peçanha | Hermes da Fonseca | Wenceslau Braz | Delfim Moreira | Epitácio Pessoa | Arthur Bernardes | Washington Luís | Getúlio Vargas | Eurico Gaspar Dutra | Café Filho | Juscelino Kubitschek | Jânio Quadros | João Goulart | Castello Branco | Costa e Silva | Emílio Médici | Ernesto Geisel | João Figueiredo | Tancredo Neves | José Sarney | Fernando Collor de Mello | Itamar Franco | Fernando Henrique Cardoso | Luiz Inácio Lula da Silva

Keywords: Humberto de Alencar Castello Branco, 15 de Abril, 15 de Março, 18 de julho, 1900, 1921, 1923, 1927, 1938