Hunsrückisch

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O Hunsrückisch é um dialeto alemão falado na região do Hunsrück no sudoeste da Alemanha. Vale notar que existem vários dialetos similares em regiões vizinhas, do Mosel ao Franco-renâno).

No Brasil

Com a imigração alemã ao Brasil, no decorrer dos últimos 180 anos, o Hunsrückisch também veio a se estabelecer como uma língua regional sul-brasileira. Em vista das diferenças entre o dialeto falado na Europa e o que é praticado no sul do Brasil, em 1996, Cléo Altenhofen cunhou o termo Riograndenser Hunsrückisch. Obviamente a forma brasileira do dialeto foi muito influenciada pela nova fauna, flora e pelo novo idioma nacional dentro do qual foi inserido. Muito embora em menor escala, direta ou indiretamente, o hunsrückisch também foi influenciado por outros idiomas minoritários presentes seu redor (i.e. italiano, em situações de convivência, mbyá-guaraní através do português, etc...). O fato do Husrückisch ter surgido numa região da fronteira da Alemanha com a França, ao se analisar cuidadosamente o seu vocabulário (por exemplo, palavras como pêssego, envelope, retorno), pode-se perceber que ele que sofreu influência também da língua francesa.

Não existem estatísticas precisas quanto ao número de pessoas que consideram o hunsrückisch sua língua materna ou que são fluentes ou mesmo que conseguem se comunicar nessa língua em algum grau de fluência, mas as estimativas são na casa dos milhões. Note-se que a vasta maioria dos falantes do hunrückisch no Brasil são fluentes em português. Em muitos casos as pessoas preferem não falar em hunsrückisch fora do lar ou fora de suas comunidades devido à intolerância ligüística reinante no Brasil desde os seus primórdios (tanto em relação às chamadas línguas de imigrantes ou exóctones quanto aos idiomas nativos ou autóctones).

Imigração

A imigração própriamente dita de povos teutos da Europa central ao Brasil teve início oficialmente em 1824 quando aportaram as primeiras famílias alemãs no Rio Grande do Sul. Logo após teve início a colonização de gentes de fala alemã nos estados vizinhos de Santa Catarina e Paraná; e em menor escala em outros estados do Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo). A maioria das regiões sul-brasileiras colonizadas por imigrantes germânicos se deram não em centros urbanos previamente estabelecidos mas em espaços por desenvolver e, em certos caso, subseqüentemente urbanizados pelos mesmos (i.e. Santa Cruz do Sul, São Leopoldo, Joinville, Blumenau, etc...). Mas isso não significa que não contribuiram de forma remarcável na construção e identidade de capitais como Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba.

A origem dos imigrantes teutos não era de uma "Alemanha" em si como ela é conhecida hoje mas eram provenientes de diferentes "Estados" independentes ou mesmo semi-dependentes. Uma família que imigrou da localidade de Niederhausen da então Bavária ou Baviera (ou Bayern em alemão), digamos em 1846, hoje não buscaria as suas raízes genealógicas naquele estado da Alemanha moderna mas em seu estado vizinho na Renânia-Palatinado (ou Rheinland-Pfalz em alemão). A maior parte dos imigrantes da Europa central era da região do Hunsrück e de regiões cercanas. Outros também partiram de outras regiões e de países europeus onde predominavam culturas germânicas (i.e. Pomerânia, hoje território polonês, etc.). É interessante notar que até mesmo o ídiche falado por judeus da Europa central e do leste europeu chegou a marcar presença no Rio Grande do Sul. Em termos gerais, com o passar do tempo, o dialeto adotado pela maioria dos imigrantes da europa germânica estabelecidos no Brasil e seus descendentes veio a ser o hunsrückisch. Não é fora do comum na atualidade se encontrar pessoas que falam o hunsrückisch fluentemente, mesmo como língua materna, embora seus sobrenomes sejam de origem italiana, francesa, dinamarquesa, neerlandesa, polonesa ou mesmo portuguesa...

Ainda hoje um número considerável de pessoas usam o hunsrückisch em seus lares, em eventos comunitários, mas especialmente nos espaços rurais. A razão principal do declínio do uso do idioma alemão no sul do Brasil e o seu recuo para ambientes privados e aos meios rurais foi o Integralismo do Estado Novo de Getúlio Vargas que criminalizou o uso desta língua não só em público como no lar. O mesmo ocorreu com os ítalo-brasileiros mas o talian, também chamado de vêneto (por causa das fortes similaridades com este dialeto italiano), sobreviveu e hoje se procura resgatar esta riqueza cultural regional brasileira.

O dialeto pomerano, pertencente idioma plattdüütsch ou plattdietsch (ver versão plattdüütsch da Wikipédia) se manteve lado a lado ao hunsrückisch no Brasil meridional, mas em menor escala. O plattdüütsch é falado em partes dos Países Baixos, norte da Alemanha, sul da Dinamarca e em regiões do noroeste da Polônia. No Brasil, o pomerano e formas relatas do platt são faladas em cidades como Pomerode, Santa Catarina (situada perto de Blumenau); no Rio Grande do Sul existem núcleos de diversas dimensões (por exemplo na vila Dona Otília, município de Roque Gonzales, Rio Grande do Sul). O pomerano e também outras formas do chamado alemão platt (i.e. oriundo das regiões planas e baixas do norte europeu) também são falados no Paraná, Espírito Santo e outras partes do Brasil e em outros países da América do Sul. Diferentes formas do platt são faladas em todos os continentes do mundo, exceto na Antártica.

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