Irrigação
Keywords: Irrigação, Agricultura, Brasil, Cana-de-açúcar, Fertilização, Mar de Aral, Água
Irrigação é uma técnica utilizada na agricultura que tem por objetivo o fornecimento controlado de água para as plantas em quantidade suficiente e no momento certo, assegurando a produtividade e a sobrevivência da plantação. Complementa a precipitação natural, e em certos casos, enriquece o solo com a deposição de elementos fertilizantes.
Métodos e sistemas de irrigação
Método de irrigação é a forma pela qual a água pode ser aplicada às culturas. Os principais métodos são por escorrimento, a partir de regos ou canais, de onde a água desliza, sendo o seu excesso recolhido por uma vala coletora; por submersão, em terrenos planos; por infiltração, a partir de sulcos abertos entre as fileiras de plantas; e por aspersão, método em que a água cai no terreno à semelhança da chuva. Cada método tem um ou mais sistemas associados.
A escolha do método mais adequado depende de diversos fatores: da topografia (declividade do terreno), do tipo de solo (taxa de infiltração), da cultura (sensibilidade da cultura ao molhamento) e do clima (frequência e quantidade de precipitações, temperatura e efeito do vento). Além disso, a vazão e o volume total de água disponível durante o ciclo da cultura devem ser analisados.
A eficiência de um sistema de irrigação refere-se ao porcentual da água de fato absorvida pela planta. right|thumb|Irrigação por aspersão, em terreno na França Abaixo, alguns dos principais sistemas de irrigação:
- Gotejamento - nesse sistema, a água é levada sob pressão por tubos, até ser aplicada ao solo através de emissores diretamente sobre a zona da raiz da planta. Possui eficiência na ordem de 90%. Tem no entanto um elevado custo de implantação. É utilizado majoritariamente em culturas perenes e em fruticultura.
- Aspersão convencional - nos métodos de aspersão, jatos de água lançados ao ar caem sobre a cultura na forma de chuva. São práticas, pois podem ser removidos e transportados para outras áreas, além de totalmente automatizados. No método convencional, a linha principal é fixa e as laterais são móveis. Requer menor investimento de capital, mas exige mão-de-obra intensa, devido às mudanças da tubulação.
- Microaspersão - é bem mais eficiente que a aspersão convencional. Tem eficiência de 90%.
- Pivô central - é outro tipo de aspersão, desta vez construído sobre estruturas metálicas circulares (o pivô). Uma única lateral gira em torno do centro do pivô. O suprimento de água é feito por adutoras enterradas. Tem a maior eficiência (90%), com mão-de-obra reduzida e elevada automação. Podem ser empregados para irrigar áreas de até 120 hectares, embora o ideal é que a área irrigada não ultrapasse 50 hectares por unidade.
- Canhão hidráulico - o canhão é manobrado manualmente. É um dos métodos menos eficientes, com alto desperdício. Geralmente utilizado em lavouras de cana-de-açúcar.
- Sulco - usa o método de irrigação por superfície. A distribuição da água se dá por gravidade através da superfície do solo. Tem menor custo fixo e operacional, e consome menos energia que os métodos por aspersão. É o método ideal para cultivos em fileiras. Deve ser feito em áreas planas. Exige elevado investimento em mão-de-obra. Tem baixa eficiência.
- Subirrigação - o lençol freático é mantido a certa profundidade, capaz de permitir um fluxo de água adequado à zona radicular da planta. É comumente associado a um sistema de drenagem subsuperficial. Em condições satisfatórias, pode ser o método de menor custo.
Fatores ambientais
O surgimento da irrigação foi fundamental ao florescimento da civilização, e os ganhos de produtividade agrícola permitidos por ela são, em grande parte, os responsáveis pela viabilidade da alimentação da população mundial.
Apesar disso, a irrigação também apresenta perigos ambientais. Deve ser utilizada com critério e consciência ecológica, pois um sistema mal-planejado pode causar sérios desastres ambientais. Alguns dos maiores desastres ambientais da história são oriundos de projetos mal-feitos de irrigação: entre eles, o secamento do Mar de Aral, ocorrido devido ao mal planejamento feito pelos soviéticos.
No Brasil, antes de construir um sistema de irrigação, o produtor é forçado a ir até a prefeitura local verificar se há restrições no uso de água para irrigação. Dependendo da região, obter uma autorização é virtualmente impossível. Se o agricultor constrói o sistema à revelia, sem consulta aos órgãos públicos, corre o risco de ver a obra embargada e ter seus equipamentos confiscados, além de estar sujeito a multa.
