Jean-Baptiste Joseph Fourier
Keywords: Jean-Baptiste Joseph Fourier, 16 de Maio, 1768, 1794, 1798, 1801, 1802, 1807, 1815, 1816
Jean-Baptiste Joseph Fourier (21 de Março, 1768 - 16 de Maio, 1830) foi um matemático e físico francês, celebrado poir iniciar a investigação das séries de Fourier e a sua aplicação aos problemas da condução do calor. A Transformada de Fourier também foi assim designada em sua homenagem.
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Biografia
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Jean-Baptiste Joseph Fourier, nasceu em 21 de Março de 1768, em Auxerre, França. Filho de um alfaiate, ficou órfão com a idade de oito anos. Encaminhado para a escola militar dirigida por Beneditinos, logo mostrou sua genialidade. Com a idade de doze anos estava escrevendo magníficos sermões que os chefes dignitários de Paris apresentavam como sendo seus. Aos treze anos, petulante e endiabrado, teve seu primeiro encontro com a matemática e mudou como por um passe de mágica. Para poder estudar matemática à noite ele recolhia pedaços de vela realizando seus estudos secretos atrás de um biombo. Atendendo aos Beneditinos foi para a Abadia de São Benedito para o seu noviciado, interrompido pela Revolução Francesa de 1789.
Em dezembro de 1789 Fourier foi a Paris para apresentar, na Academia, suas pesquisas para a solução de equações numéricas, assunto que o interessou pelo resto da vida. Este trabalho ia além do que havia sido feito por Lagrange e ainda hoje é válido. Foi um entusiasta da Revolução por antever o renascimento da ciência e da cultura. Cedo desapontou-se. Ignorando o perigo para si mesmo, protestou contra a brutalidade desnecessária.
Com o advento de Napoleão, a ordem era a criação de escolas, porém não havia professores. Todos as cabeças que poderiam ter sido postas imediatamente no trabalho tinham sido guilhotinadas. Tornou-se imperativo treinar uma equipe de mil e quinhentos professores. Para isto foi criada, em 1794, a Escola Normal. Fourrier foi chamado para a cadeira de matemática. Uma nova era no ensino da matemática começou na França. Foram chamados, para lecionar, professores que fossem criadores, sendo proibido ensinar através de anotações. As aulas tinham que ser dadas de pé e deveriam ser um livre intercambio de perguntas e explicações entre o professor e os alunos. O sucesso deste projeto ultrapassou as expectativas e iniciou um dos mais brilhantes períodos da história da matemática e ciência na França. Tanto na Escola Normal em que ficou pouco tempo, quanto na Politécnica, Fourier demonstrou sua genialidade como professor. Suas aulas eram criativas e objetivas.
Ele ainda se encontrava lecionando na Escola Politécnica quando Napoleão, em 1798 decidiu levá-lo como participante da Legião da Cultura, junto a Monge e Berthollet, para “civilizar” o Egito socorrendo o povo para “libertá-lo do jugo da ignorância, sob o qual eles vergavam por séculos, e para oferecer-lhes sem demora, os benefícios da civilização européia”. Tudo fracassou porque os habitantes do Egito rejeitaram “todos os benefícios da civilização Européia”, que Monge, Berthollet e Fourier esforçavam-se para empurrarem-lhes goela abaixo. Os obtusos egípcios não deram a menor importância ao banquete cultural que lhes era oferecido, criticando a civilização superior de seus conquistadores na única língua que eles entendiam, ou seja, trezentos dos mais bravos soldados de Napoleão tiveram suas gargantas cortadas numa briga de rua. Esta ingratidão dos incorrigíveis egípcios desapontou Napoleão. Notícias de Paris obrigaram-no a voltar rapidamente para preservar a honra da França e a sua própria pele. Fourier foi deixado no Cairo para educar os egípcios ou ter sua garganta cortada. Monge e Berthollet acompanharam Napoleão que se retirou secretamente para a França sem dizer até logo para as tropas que tinham sofrido o diabo, nas lutas travadas até então.
Fourier sem a necessária autoridade para deixar seu posto e salvar-se do perigo, lá ficou até 1801, quando os franceses, depois de Trafalgar, finalmente reconheceram que os britânicos e não eles deviam regenerar os Egípcios. Só então o devotado, mas desiludido Fourier voltou a França. Em 1802 Fourier escreveu sua imortal “Theorie analytique de la chaleur” Teoria Analítica do Calor, um marco na física- matemática. Seu primeiro memorial sobre a condução do calor foi apresentado em 1807, sendo tão promissor, a Academia incentivou Fourier a continuar pesquisando este tema para concorrer ao Grande Prêmio de 1812. Fourier ganhou o prêmio, mas não sem algumas críticas das quais ressentiu-se, embora tivessem elas razão de ser. Laplace, Lagrange e Legendre eram os árbitros.
Embora admitindo a novidade e importância do trabalho de Fourier eles sugeriram que o tratamento matemático dado era defeituoso, deixando muito a desejar no que dizia respeito ao rigor. O próprio Lagrange, já tendo tentado, tinha considerado impossível alcançar um resultado, pelas dificuldades que agora apontava. Na verdade, teria sido impossível ultrapassar tais dificuldades com o conhecimento daquele tempo. Mais de um século foi necessário para que tais dificuldades fossem superadas.
É interessante observar que esta controvérsia tipifica a diferença radical entre matemáticos- puros e físico-matemáticos. O único instrumento à disposição dos matemáticos-puros é a comprovação rígida e, a menos que um suposto teorema possa resistir à mais severa crítica possível de sua época, pouco interesse pode despertar. Os físico-matemáticos, por seu lado, raramente têm o otimismo de acreditar que a infinita complexidade do universo físico possa ser descrita por uma simples teoria matemática, passível de ser compreendida por seres humanos. Desde que Fourier aplicou seu método da condução do calor para a teoria matemática, muitos matemáticos foram além do que ele jamais pensara que fosse possível, mas aquele seu primeiro passo foi decisivo.
Inteiramente consciente da magnitude do que realizara, não deu nenhuma atenção aos que o criticavam. Talvez eles tivessem razão porém, mesmo que estivesse errado, tinha dado um grande passo, o que lhe dava o direito de continuar em seu caminho. O trabalho que foi iniciado em 1807 ficou terminado em 1822 e reunido num Tratado de Condução do Calor. Foi quando se descobriu que Fourier não tinha mudado nenhuma palavra da sua apresentação original. Fourier achava que os matemáticos puros tinham mais era que cuidar de seus negócios e não viessem meter-se com os físico-matemáticos.
Curiosidades
Em março de 1815, quando Napoleão escapou de Elba e voltou a França, Fourier encontrava-se em Grenoble, exercendo o cargo de Prefeito. Temendo que o populacho, mais uma vez, se revoltasse, correu para Lyons a fim de avisar aos Bourbons do que estava acontecendo que se recusaram a acreditar. Ao voltar, tendo Grenoble capitulado, foi feito prisioneiro e levado à frente de Napoleão.
— "Então, Senhor Prefeito! Declarou-me guerra?"
— "Senhor" — gaguejou Fourier — "cumpri os deveres de meu cargo."
— "Um dever? Ninguém neste país tem a sua opinião. Eu sofro apenas por ver entre meus adversários um velho amigo que esteve no Egito e comeu o pão da campanha ao meu lado. Como pode o senhor esquecer que eu o elevei ao ponto em que se encontra?"
Ao invés de lembrá-lo do abandono em que fora deixado no Egito, que lhe estava preso na garganta e lhe faria muito bem ao coração mas poria em grande perigo sua cabeça, calou. Alguns dias mais tarde Napoleão perguntou ao, agora leal, Fourier:
— "O que você acha do meu plano"
— "Senhor, acredito que falhará. Há muitos fanáticos do lado dos Bourbons. Eles atravessarão em seu caminho e tudo estará perdido."
— “Bah! Ninguém agora está do lado dos Bourbons - nem mesmo um fanático.”
Os Bourbons venceram e Fourier foi parar em Paris, totalmente desamparado, já que se bandeara para o lado de Napoleão. Seus velhos amigos, penalizados, pelo estado de penúria em que se encontrava, recomendaram-no para dirigir o Bureau de Estatística no Seine. A Academia tentou elegê-lo membro em 1816, mas o governo Bourbon recusou: nenhum amigo de seu inimigo devia obter tal honraria. A Academia corajosamente elegeu Fourier no ano seguinte. Os últimos anos de Fourier evaporaram-se em nuvens de palestras e como Secretário da Academia promovendo reuniões sobre reuniões em que apresentava enfadonhos relatórios do que estava sendo feito. Na verdade, entretanto, ele já tinha dado mais do que a sua quota para o avanço da ciência, merecendo tornar-se imortal.
Ter passado tanto tempo no Egito, no calor do Saara fê-lo acreditar que o calor era ideal para a saúde. Vivia em ambientes insuportavelmente aquecidos. Morreu de aneurisma em 16 de Maio de 1830 aos sessenta e três anos.
Ver também
Ligações externas
- Universidade de St Andrews: http://www-gap.dcs.st-and.ac.uk/~history/Mathematicians/Fourier.html
- Fourier 1827: MEMO sobre as temperaturas do globo terrestre e dos espaços planetários
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