Jean-Jacques Rousseau
Keywords: Jean-Jacques Rousseau, 1712, 1730, 1742, 1762, 1766, 1767, 1778, 1794
thumb|Jean-Jacques Rousseau Jean-Jacques Rousseau (28 de Junho de 1712 - 2 de Julho de 1778) foi um filósofo franco-suíço, escritor, teórico político e um compositor autodidata. Uma das figuras marcantes do Iluminismo francês, Rousseau é também um precursor do romantismo. Rousseau conta-se entre aqueles autores que mitificaram um passado fraternal e feliz de todos os Homens, face a um presente desordenado e desigual do século XVIII. Voltaire criticou Rousseau afirmando que: "ninguém colocou alguma vez tanto engenho em nos querer converter em animais" do que ele. Ler Rousseau faz nascer "o desejo de caminhar em quatro patas".
Rousseau é associado frequentemente às ideias anti-capitalistas e considerado um antecessor do socialismo e comunismo. Foi um dos primeiros autores modernos a atacar a propriedade privada. Victor Klemperer, ao estudar o Iluminismo francês em geral e Rousseau em particular, viu em Adolf Hitler a concretização suprema dos ideiais defendidos pelo filósofo do século XVIII. Rousseau questionou a assumpção de que a maioria está sempre correcta e argumentou que o objectivo do governo deveria ser assegurar a liberdade, igualdade e justiça para todos, independentemente da vontade da maioria.
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Biografia
Nascido em Genebra, Suíça, numa família protestante, faleceu em Ermenonville (40 km a nordeste de Paris). Sua mãe morreu à sua nascença e o pai entregou-o com 10 anos de idade aos cuidados do seu tio, que por sua vez o entregou a um padre, com o qual Rousseau viveu uma infância infeliz. Após breve período de vagabundagem, acabou por entrar num hospício em Turim. Após tentativas frustradas de acolhimento num seminário, atravessou em 1730 a Suíça e França até que em 1742 assentou em Paris, onde conheceu Denis Diderot, alguns anos mais tarde. Através deste conhecimento, Rousseau tornou-se um dos muitos colaboradores da Encyclopédie. Ele escreveu alguns artigos sobre música, sua grande paixão.
Com a publicação do seu romance "Émile ou de l'éducation" (1762) entrou em conflito com as autoridades, razão pela qual fugiu para Inglaterra em 1766, a convite de David Hume. Em 1767 regressou para França sob a protecção de um nome falso, tendo casado um ano mais tarde com a sua amada de longa data, Thérèse Levasseur.
O túmulo de Rousseau foi transferido para o Panthéon em Paris em 1794, seis anos após a sua morte. A tumba foi desenhada como um templo rústico, por associação com as suas teorias da natureza.
O contrato social
Talvez a sua obra mais importante, "o contrato social" delineia a base de uma ordem política legítima. Publicado em 1762 e condenado pelo parlamento de Paris quando surgiu, tornou-se uma das obras mais influentes do pensamento político da tradição ocidental. Elaborado com base na sua obra anterior, nomeadamente os "discursos sobre a desigualdade", Rousseau supõe, aqui, o estado da natureza degenerado numa condição embrutecida sem lei nem moralidade, a um ponto em que a humanidade deverá optar por reunir suas forças pois não pode criá-las, mas direcioná-las a fim de que se preservem a igualdade e a liberdade. Apesar de se parecer com o estado de natureza de Hobbes, esse estado degenerativo, o qual descreve Rousseau, é uma suposição usada como argumento retórico de sua obra e sem fundamento histórico.
De acordo com Rousseau, ao associar-se através de um contrato social, os indivíduos associados alienam seus direitos ao recém formado corpo político. Essa total alienação é vantajosa, pois que se forma aqui um novo corpo, indivisível e com vontade própria, assim qualquer dano ao corpo será um dano a todos, e qualquer vantagem ao corpo será uma vantagem a todos, logo ninguém desejará prejudicar os demais. Afim de preservarem-se, os indivíduos associados deverão obedecer a este corpo, o que não afronta à liberdade, mas substitui-a da natural pela convencional que será cumprir as leis que são as vontades de um povo estabelecidas para ele mesmo, logo obedecendo ao corpo, obedece-se a si mesmo. Isto porque a submissão à autoridade da vontade geral da população como um todo protege os indivíduos da subordinação às vontades de outros pela força e assegura que estes lhe obedeçam pois eles são, colectivamente, os autores da lei.
Enquanto Rousseau argumenta que a soberania deveria estar nas mãos do povo, ele também faz uma distinção clara entre soberano, governo e estado. Este governo é criado num aparente impasse: Tem-se o povo. O soberano tanto quanto o estado são aspectos desse mesmo povo, a diferença é que em um aspecto o povo é ativo, senhor de vontades que deverão ser cumpridas por ele mesmo, que neste aspecto é o estado, o povo enquanto súditos, cumpridores da vontade geral. Mas como então fazer-se obedecer? E a resposta é o governo. Este, também povo, é o orgão encarregado de executar as leis. Temos então uma relação estreita entre soberano, governo e estado. O soberano determina sua vontade ao governo que a fará cumprir pelos súditos.
Rousseau opôs-se ferozmente à ideia de que as pessoas devam exercer a soberania através de uma assembléia representativa, a soberania é inalienável e indivisível. E como é da vontade geral que se fazem as leis, cabe somente ao consenso determinar quais estas serão. Mas, longe de defender uma infalibilidade da vontade geral, Rousseau argumenta pelo trabalho dos legisladores dizendo que apesar de sempre querer seu bem, o povo nem sempre o encontra. Caberia então a uma alma sábia, conhecedora da natureza dos homens (Rousseau os metaforiza com deuses) positivar essas leis.
Ver Também
- Lord Kames
- Ossian
- Adam Ferguson
- Karl Marx
