Língua iídiche
Keywords: Língua iídiche, Alemanha, Aramaico, Argentina, Bielorrusso, Bielorrússia, Bélgica
Língua Iídiche, ou somente Iídiche ou idiche, (jüdisch deutsch = judeu alemão, ייִדיש) é uma língua da família indo-européia, do subgrupo germânico, falada por judeus, particularmente na Europa Central e na Europa Oriental.
O Iídiche é falado especialmente nas comunidades judaicas dos seguintes países: Alemanha, Argentina, Estados Unidos da América, França, Israel, Lituânia, Rússia, Ucrânia, Canadá.
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Bibliografia
História
A Língua Iídiche refere-se a um sistema de escrita cuidadosamente elaborado por rabinos alemães, o seu alfabeto é formado com caracteres do hebraico e tem por finalidade escriturar textos de origem religiosa e cuja língua hospedeira é próprio idioma alemão, escrito da direita para a esquerda.
(alto alemão médio, especialmente os dialetos meridionais), mesclando-a com e aramaico. Esses rabinos Alemães, são denominados ashkenazis e consistem dos habitantes das regiões centrais e orientais da Europa para diferenciá-los dos sefarditas, originários da Espanha e do sul da Europa.
Os judeus europeus orientais desenvolveram um iídiche
mais distante do alto alemão que os judeus moradores
em terras alemãs, devido à influência báltica, o que
levou à existência de dois dialetos iídiches: o ocidental
e o oriental.
O iídiche atual é o resultado de uma compilação lingüística de três nações:
1- o germânico (dominante do ponto de vista fonetico ) derivado das variedades urbanas medievais do alto alemão médio falado nas fronteiras;
2 - dos dialetos modernos, o eslavo, do polonês, ucraniano, bielorrusso e russo.
3 - O semita, derivado do hebraico e do aramaico pós-clássicos que referem-se aos caracteres utilizados na representação fonética (a parte escrita) como se fossem um alfabeto em paralelo do idioma local escrito da direita para a esquerda.
Fora o vocabulário, estes três componentes contribuíram em maior ou menor grau na fonologia, morfologia, sintaxe e semântica da língua; a fusão entre eles tem sido bastante fecunda.
Esta nova civilização judia recebeu o nome de Askenaz, um termo que em princípio significava Alemanha, mas que passou a se utilizar em alusão a todas as terras vizinhas às ocupadas pelos ashkenazis e finalmente, a toda a sua cultura por si. Dessa forma, Askenaz se derivou dos decadentes núcleos de autoridade rabínica no Oriente Próximo e evoluiu de forma autônoma. O édito contra a poligamia, de Rabeynu Gershom (aprox. 960-1028) nos fins do primeiro milênio constituiu sua simbólica declaração de independência.
Das três línguas semíticas instaladas no centro da Europa a única língua vernácula era o iídiche. Ainda que as três línguas (hebraico, aramaico e iídiche) se utilizassem por escrito, o iídiche se empregou em princípio para obras laicas e correspondência privada, enquanto que para correspondência comunitária, comentários bíblicos e toda uma série de documentos era utilizado o hebreu; o aramaico, era utilizado para os textos mais importantes: os tratados oficiais (especialmente comentários sobre o Talmud) e a Cabala (misticismo judaico).
Ao longo de sua história, os falantes de iídiche quase sempre foram bilíngues, usando o alfabeto aramaico para escrita mas com normas ortográficas próprias. Pode-se distinguir três períodos para língua iídiche:
- A falta de um idioma hospedeiro, não permite a existencia
de um Iídiche primitivo muito anterior a (1250) o que é evidenciado por pequenos pequenos textos originários da fronteira com a Polônia epoca em que os judeus se estabelecem nessa região;
- Iídiche antigo (cerca de 1250 a 1500). Desde o século
XII ao século XVI os ashkenazis se espalharam pelos territórios eslavos (atuais Polônia , Ucrânia, Bielorrússia, Rússia e Lituânia) e sua língua adotou elementos eslavos ao mesmo tempo que adquire estabilidade nessa região graças a uma política de incentivos desenvolvida pelo príncipe Boleslau “o Piedoso de Kalisz” que elabora um estatuto com privilégios em favor dos Judeus na Polônia O Estatuto Polonês.
- Iídiche médio (1500-1700). Período onde o centro de
gravidade se desloca para o leste.
- Iídiche moderno (a partir de 1700).
A partir do século XVII em diante a língua diferia sufucientemente da dos judeus habitantes das regiões de falantes de línguas germânicas, o que justificou a divisão entre iídiche oriental e iídiche ocidental. Esta última variante começou a declinar no final do século XVIII e desapareceu quase completamente durante o século XIX. Ao contrário no leste durante o século XIX, a língua ressurgiu, pois os artistas, socialistas e propagandistas religiosos, no lugar do hebraico, alemão ou eslavo, usavam a língua falada pelo povo judeu: o iídiche. Em 1908 em uma conferência celebrada em Czernowitz (na atual Ucrânia) o iídiche foi aceito como “língua nacional do povo judeu”. O iídiche continuou florescendo na literatura, teatro e imprensa, sendo a língua da educação, com Varsóvia e Vilnius como centros intelectuais, desenvolvendo-se uma língua normativa a partir dos dialetos do iídiche polonês e lituano.
Sem dúvida o Holocausto de 6 milhões de judeus na 2ª Guerra Mundial provocou a dispersão dos sobreviventes e a assimilação do russo, na antiga União Soviética, do inglês na América do Norte e do hebraico em Israel.
Houve uma tentativa de se criar uma região judia dentro da ex-URSS, uma espécie de Comunidade Autônoma situada no extremo oriental da Sibéria, mas o experimento não obteve êxito.
Dados
Atualmente calcula-se que falam iídiche entre 1 e 3,2 milhões de judeus, a metade dos quais reside nos [[Estados Unidos]]. É mantido especialmente em comunidades ortodoxas, onde se usa entre os membros como a língua do grupo, o hebraico é reservado para a religião e a língua local para o contato com as pessoas de fora da comunidade.
Em 1995 a Comunidade Européia aprovou uma resolução pela qual se garantia apoio à língua e à cultura iídiche. O iídiche continua sendo mantida como uma língua vernácula natural entre muitos grupos de judeus hasidi (chasidim) “ultra-ortodoxos”, encarregados de conservar o askenazi como uma civilização em toda sua totalidade. A forte resistência à assimilação e as altas porcentagens da natalidade tem levado os demógrafos a prever que, em cerca de 100 anos, haverá um milhão de chasidim falando iídiche. Atualmente, contam com comunidades numerosas em Amberes, Londres e vínculos muito estreitos com os centros mais importantes nos Estados Unidos e em Israel.
Dialetos
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Iidiche_dialetos.org
image:iidiche dialetos.org
No seu momento de máxima expansão geográfica (século XVI), o iídiche englobava da Holanda e Itália a oeste a té a Rússia a leste. O iídiche ocidental, variante mais antiga, compreendia por sua vez o iídiche norte-ocidental (Holanda, norte da Alemanha e Dinamarca) e o iídiche sul-ocidental (Alsácia, Suiça e sul da Alemanha). O iídiche oriental, por sua vez, contava com três dialetos principais: o norte-oriental (Lituânia, Bielorrússia, Letônia) conhecido popularmente como lituano; o centro-oriental (Polônia e Hungria), denominado popularmente polonês e o sul-oriental (Ucrânia e Romênia), conhecido geralmente como ucraniano ou volínio.
Os dialetos atuais são so seguintes:
- Central, também denominado polonês;
- Setentrional ou lituano, mesmo que se extenda por grandes
áreas do territótio bielorrusso;
- Meridional ou ucraniano.
O critério fonológico para estas divisões se reflete nas variantes para a frase “comprar carne”:em iídiche ocidental kafn flash, no central kojfn flash, no sul-oriental kojfn flejs e no norte-oriental kefjn flejs. Outras diferenças fonológicas e léxicas reforçam a singularidade do dialeto ocidental. No leste, o dialeto central se distingue por um jogo completo de contrastes na duração da vocal, enquanto as variedades sul-orientais têm feito trocas vocálicas originando palavras como hont mão, huz casa e rign chuva. O dialeto norte-oriental se caracteriza pela perda do gênero neutro.
O iídiche normativo está inspirado na pronúncia pelos dialetos setentrionais ainda que a gramática tenha influência meridional. O alemão contribuiu também com a normatização do iídiche, especialmente por aqueles que acreditavam que o iídiche como uma corruptela do alemão.
Escrita
O sistema de escrita Iídiche, utiliza caracteres do alfabeto hebraico e escreve-se em sentido oposto ao convencional, isso é , da direita para a esquerda. Embora esse modelo alfabético contasse apenas de consoantes sem vogais, desde seus primeiros estágios, o iídiche reciclava letras em desuso, antigos sinais semitas constituídos de “pontos e virgulas” que se usavam como vogal no aramaico adaptando-os nos caracteres do hebraico, desse modo ao longo dos anos conseguiram converter as consoantes hebraicas em silabas e assim, no início do milênio passado o iídiche foi se aperfeiçoando até adquirirem na fronteira com a Alemanha um idioma hospedeiro, que no caso, é a própria língua Germânica cuja as palavras são escritas da direita para a esquerda com os caracteres resultados da fusão hebraico-aramaica .
Gramática
Uma das grandes influências do iídiche tem sido o vocabulário hebraico (ou mais exatamente hebraico-aramaico) e não só no que concerne ao uso religioso como também em palavras de uso cotidiano que não tem conexão particular com o modo de vida judeu. As palavras hebraico-aramaicas foram transportadas ao iídiche em sua pronúncia ashkenazi, ainda que em Israel a pronúncia seja segundo os judeus sefarditas. Quando as palavras hebraico-aramaicas passaram ao iídiche usou-se a pronúncia do plural segundo as normas hebraicas, não segundo as normas alemãs.
A outra grande influência no desenvolvimento do iídiche foram as línguas eslavas, devido às migrações judaicas para o leste da Europa, junto com a expansão germana da Idade Média, aproveitando também as facilidades que em matéria de tolerância religiosa havia no Reino da Polônia. Nas regiões onde habitavam falantes eslavos o iídiche foi submetido a forte influência léxica, morfológica, fonológica e sintática das línguas eslavas. Muitas palavras de uso cotidiano são eslavas de origem (káchke pato, do polonês kachka; táte pai, do tcheco tata).
As vogais em iídiche normativo consiste das vogais simples i, e, a, o, u e os ditongos ej, aj, oj. Sob influência eslava surgiram uma série de consoantes palatais. A letra iídiche x que corresponde à alemã ch não possui variante palatal;o som /ng/ é simplesmente uma variante posicional de n, não havendo oclusiva glotal. As palavras de origem hebraico-aramaicas e eslavas introduziram uma rica variedade de grupos consonânticos que não existem no alemão.
A desinência dos casos foram preservadas só no singular e aparecem em modificações dos substantivos mas raramente nos substantivos em si. Os casos dativo e acusativo se fundiram no masculino enquanto o nominativo e o acusativo se fundem no feminino e no neutro. O sistema para formar substantivos plurais, de origem alemã, é enriquecido por elementos de origem hebraica. Muitos substantivos diferem de seus similares alemães tanto no gênero quanto na forma plural. O iídiche possui um sistema bem desenvolvido de diminutivos de origem alemã mas de base gramatical eslava. O verbo se conjuga apenas no presente do indicativo, expressando-se os demais tempos e modos mediante palavras auxiliares. O Iídiche é falado especialmente nas comunidades judaicas dos seguintes países: Alemanha, Argentina, Estados Unidos da América, França, Israel, Lituânia, Polônia, Rússia, Ucrânia, Canadá.
| Iídiche | |
|---|---|
| Falado em: | Alemanha, Suiça, França, República Tcheca,
Holanda, Bélgica, Israel, Hungria, Romênia, Polônia, Lituânia, Estados Unidos, Canadá, Bielorrússia, Rússia, Moldávia. |
| Total falantes: | 3,2 milhões |
| Posição: | -- |
| Genética [[Famílias de línguas e línguas|classificação]]: |
Indo-européia |
| Estatuto Oficial | |
| Língua oficial de: | -- |
| Regulado por: | -- |
| Código de Línguas | |
| ISO /DIS 639-3: | yih |
Veja também
Links externos
- HARSAHAV, Benjamin. O significado do Idiche. São Paulo: Perspectiva, 1994. 230p.(Coleção Estudos, 134).
- KOGOS, Fred. 1001 provérbios em Iídiche. Sefer, 1999.
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