Línguas germânicas

Keywords: Línguas germânicas, Africâner, Alemão, Bíblia, Feroês, Flamengo, Frisão, Gótico, Holandês, Inglês

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História

O registro mais antigo em línguas germânicas, deixando de lado as inscrições rúnicas, são os textos góticos. Os principais representantes deste grupo de línguas são o inglês, o alemão e o holandês. Ainda que muitas dessas línguas, sobretudo o inglês, o alemão e o islandês, possuam abundantes textos na denominada idade escura do período medieval, os textos mais antigos, sem dúvida estão em língua gótica germana, falada na região do Mar Negro até o século XVI. Os godos haviam emigrado do norte da região do Mar Negro onde governaram até a chegada dos hunos no século IV d.C., que empurraram as tribos godas até os Bálcãs. Graças a Ulfilas, o bispo dos godos ocidentais, criou-se um alfabeto gótico (derivado do alfabeto grego) e se traduziu a Bíblia à língua gótica.

Outros textos góticos antigos foram conservados em inscrições rúnicas, as quais parecem derivar de um dos alfabetos do norte da Itália ou do alfabeto do século I d.C.; estas inscrições foram empregadas amplamente por toda Europa setentrional desde 150 até 900 d.C. Outra evidência mais antiga é o casco Negau, descoberto na Sérvia e Montenegro contendo a inscrição harixasti teiva, que usualmente se traduz como “ao deus Harigast (Exército)”; trata-se de um inscrição alusiva a um deus germânico. O texto está inscrito em um alfabeto itálico proveniente do rúnico e está datado entre os séculos VII e II a.C.

Afora a evidência textual direta das línguas germânicas, temos os textos dos autores clássicos, o mais importante dos quais é Tácito, que descrevendo a localização e a cultura dos antigos germânicos em sua obra Germania situou a maior parte das tribos germânicas até cerca de 100 d.C. Numa região limitada a oeste pelo rio Reno, ao sul pelo Main e a leste pelo Oder. Fontes mais antigas, como Guerras das Gálias de Júlio César, também situam os germanos a leste do Reno.

Portanto, a evidência histórica e textual indica que os povos mais antigos falantes de línguas germânicas estavam distribuídos entre a zona setentrional da atual Alemanha e o sul da Escandinávia.

Abaixo podemos relacionar as línguas germânicas e as datas de seus primeiros registros:

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Dados

Há mais de 400 milhões de pessoas que falam alguma língua germânica, o que faz desse ramo o de maior número de falantes da família indo-européia.

Dialetos

O segundo delocamento fonético é um fenômeno local germânico que se completou no final do período do antigo alto alemão e pelo qual o alto alemão se diferenciou dos dialetos baixos e centrais. Historicamente, as línguas germânicas se dividem em três grupos:

No grupo ocidental de línguas germânicas também deve-se incluir o luxemburguês, que é uma das três línguas oficiais em Luxemburgo, sendo tão distinto do alemão normativo quanto o é também do holandês. O frisão, falado na Alemanha e na Holanda, consiste de três dialetos divergentes (oriental, ocidental e setentrional) a se fosse aplicado o princípio da inteligibilidade mútua seriam três línguas distintas.

Gramática

As maiores mudanças que produziram a diferenciação do proto-germânico em relação ao proto-indo-europeu se completaram por volta de 500 a.C. Fonologicamente consiste em: desmembramento em várias vogais; mudançãs no modelo de acentuação no nível das palavras e reduções e perdas em sílabas não tônicas. O primeiro desmembramento do som afetou todas as oclusivas sonoras e surdas do proto-indo-europeu.

A outra grande mudança fonológica é denominada segundo desmembramento do som e teve lugar posteriormente, consistindo na variação que sofreram várias consoantes indo-européias nas línguas germânicas. Por exemplo, a consoante d se converteu em t (latm duo, inglês two), k ou c passou a h (latim collis, inglês hill), a t em th (latim tonitus, inglês thunder), a p em f (piscis/fish), e a g em k ou c (ager/acre). Esta caractarística foi descrita em detalhe no século XIX pelo filólogo alemão Jacob Grimm (mais conhecido por ser o autor, junto com seu irmão Wilhelm, dos famosos contos dos irmão Grimm).

A passagem citada abaixo em várias línguas germânicas a partir da Bíblia gótica de Ulfilas, mostra variações interessantes. A palavra hairda (rebanho) tem relação com a inglesa herd, com a sânscrita sardha-, com a lituana kerdzius e com a galesa média cordd, todas significando “tropa”. Igualmente a palavra nahts (noite) é parte do vocabulário básico que achamos em muitas línguas indo-européias: hitita nekut, sânscrito nakt, grego nyks, albanês nate, latim nox, irlandês in-nocht, lituano naktis, eslavo eclesiástico nosti. A palavra para “temor” agis se relaciona com a grega akhos e com a irlandesa agor.

Tradução: Havia pastores na mesma região, que velavam e guardavam as vigílias da noite sobre seu rebanho. E eis que se apresentou um anjo do Senhor, e a glória do senhor os rodeou de explendor; e tiveram um grande temor. (Lucas 2:8-9)

Fontes

Keywords: Línguas germânicas, Africâner, Alemão, Bíblia, Feroês, Flamengo, Frisão, Gótico, Holandês, Inglês