Livro

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Livro é um volume transportável, composto de páginas encadernadas contento texto manuscrito ou impresso e/ou imagens e que forma uma publicação unitária (ou foi concebido como tal) ou a parte principal de um trabalho literário.

Em ciência da informação o livro é chamado monografia, para distinguí-lo de outros tipos de publicação como revistas, periódicos, teses, tesauros, etc.

O livro é um produto intelectual, e como tal, encerra conhecimento e expressões individuais ou colectivas. Mas também é nos dias de hoje um produto de consumo, um bem, e como tal exige a produção por meios industriais. A tarefa de criar um conteúdo passível de ser transformado em livro é tarefa do autor. Já a produção dos livros, no que concerne a transformar os originais do autor em um produto, algo concreto, é tarefa do editor. Também há uma terceira função associada ao livro, que é a coleta e organização e indexação de coleções de livros, típica do bibliotecário.

thumb|right|200px|Fotografia de um livro publicado em 1866.

Conteúdo

História

thumb|right|200px|Bíblia. A história do livro é uma história de inovações técnicas que permitiram a melhora da conservação dos volumes e do acesso à informação, da facilidade em manuseá-lo e produzí-lo. Esta história é intimamente ligada às contigências políticas e econômicas, e à história de idéias e religiões.

Antiguidade

Na antiguidade surge a escrita, anteriormente ao texto a ao livro. A escrita consiste de código capaz de transmitir e conservar noções abstratas ou valores concretos, em resumo: palavras. É importante destacar aqui que o meio condiciona o signo, ou seja, a escrita foi em certo sentido orientada por esse tipo de suporte; não se esculpe em papel ou se escreve no mármore.

Os primeiros suportes utilizados para a escrita foram tabuletas de argila ou de pedra. A seguir veio o khartés (volumen para os romanos, forma pela qual ficou mais conhecido), que consistia em um cilindro de papiro, facilmente transportado. O volumen era desenrolado conforme ia sendo lido, e o texto era escrito em colunas na maioria das vezes (e não no sentido do eixo cilíndrico, como se acredita). Algumas vezes um mesmo cilindro continha várias obras, sendo chamado então de tomo. O comprimento total de um volumen era de c. 6 ou 7 metros, e quando enrolado seu diâmetro chegava a 6 centímetros.

O papiro consiste de uma parte da planta, que era liberada, livrada (latim libere, livre) do restante da planta - daí surge a palavra liber libri, em latim, e posteriormente livro em português. Os fragmentos de papiros mais "recentes" são datados do século II a.C..

Aos poucos o papiro é substituído pelo pergaminho, excerto de couro bovino ou de outros animais. A vantagem do pergaminho é que ele se conserva mais ao longo do tempo. O nome pergaminho deriva de Pérgamo, cidade da Ásia menor onde teria sido inventado e onde era muito usado. O volumen também acaba sendo substituído pelo códex, que era uma compilação de páginas, não mais um rolo. O códex surgiu entre os gregos como forma de codificar as leis, mas foi aperfeiçoado pelos romanos nos primeiros anos da Era Cristã. O uso do formato códex (ou códice) e do pergaminho era complementar, pois era muito mais fácil costurar códices de pergaminho do que de papiro.

Uma consequência fundamental do códice é que ele faz com que se comece a pensar no livro como objeto, identificando definitivamente a obra com o livro.

A consolidação do códex acontece em Roma, como já citado. Em Roma a leitura se dava tanto em público (para a plebe), evento chamado recitatio, e em particular, para os ricos. Além disso, é muito provável que em Roma tenha surgido pela primeira vez a leitura por lazer (voluptas), desvinculada do senso prático que a caracterizara até então. Os livros eram adquiridos em livrarias, e também aparece a figura do editor, com Atticus, homem de grande senso mercantil. Algumas obras eram encomendadas pelos governantes, como a Eneida, encomendada a Virgílio por Augusto.

Acredita-se que o sucesso da religião cristã se deve em grande parte ao surgimento do códice, pois era mais a partir de então tornou-se mais fácil distribuir informações em forma escrita.

Idade Média

Na idade Média o livro sofre um pouco, na Europa, as consequências do excessivo fervor religioso, e passa a ser considerado em si como um objecto de salvação. A característica mais marcante da Idade Média é o surgimento do monges copistas, homens dedicados em período integral a reproduzir as obras, herdeiros dos escribas egípcios ou dos libraii romanos. Nos monastérios era conservada a cultura da Antiguidade. Apareceram nessa época os textos didáticos, destinados a formação dos religiosos.

O livro continua sua evolução com o aparecimento de margens e páginas em branco. Também surge a pontuação no texto, bem como o uso de letras maiúsculas. Também aparecem índices, sumários e resumos, e na categoria de gêneros, além do didático, aparecem os florilégios (coletâneas de vários autores), os textos auxiliares e os textos eróticos. Progressivamente aparecem livros em língua vernacular, rompendo com o monopólio do latim na literatura. O papel passa a substituir o pergaminho.

Mas a invenção mais importante, já no limite da Idade Média, foi a impressão, no século XIV. Consistia originalmente da gravação em blocos de madeira do conteúdo de cada página do livro; os blocos eram mergulhados em tinta, e o conteúdo transferido para o papel, produzindo várias cópias.

Em 1405 surgia na China, através de Pi Sheng, a máquina impressora de tipos móveis. No Ocidente a "invenção" é creditada a João Gutenberg, que imprimiu como primeiro livro a Bíblia em alemão. Houve certa resistência por parte dos copistas, pois a impressora automática roubava-lhes o emprego. Mas com a impressora de tipos móveis o livro se popularizou definitivamente, se tornando mais acessível pela redução enorme dos custos de produção em série.

Idade Moderna

Com o surgimento da impressora desenvolveu-se a ciência e arte da tipografia, da qual dependia a confiabilidade do texto e a capacidade do mesmo para atingir um grande público. As necessidades do tipo móvel exigiram um novo desenho de letras; caligrafias antigas, como a Carolíngea, estavam destinadas ao ostracismo, pois seu excesso de detalhes e fios delgados era impraticável, tecnicamente.

É considerado inventor da tipografia o italiano Aldus Manutius. A maturidade desta nova ciência levou, entretanto, cerca de um século.

Na idade Moderna aparecem livros cada vez mais portáteis, inclusive os livros de bolso. Estes livros passam a trazer novos gêneros: o romance, a novela, os almanaques.

Idade Contemporânea

thumb|right|240px|Biblioteca moderna em Chambery, França

Cada vez mais aparece a informação não-linear, seja através dos jornais, seja através da enciclopédia. Novas mídias acabam influenciando e relacionando-se com a indústria editoral: os registros sonoros, a fotografia e o cinema.

O acabamento dos livros sofre grandes avanços, surgindo aquilo que conhecemos como edições de luxo.

Livro eletrônico

De acordo com a definição dada no início deste artigo, o livro deve ser composto de um grupo de páginas encadernadas e ser portável. Entretanto, mesmo não obedecendo a essas características, surgiu em fins do século XX o livro eletrônico, ou seja, o livro num suporte eletrônico, o computador. Ainda é cedo para dizer se o livro eletrônico é um continuador do livro típico ou uma variante, mas, como mídia ele vem ganhando espaço, o que de certo modo amedronta os amantes do livro típico - os bibliófilos.

Existem livros eletrônicos disponíveis tanto para computadores de mesa quanto para computadores de mão, os palmtops. Uma dificuldade que o livro eletrônico encontra é que a leitura num suporte de papel é cerca de 1,2 vezes mais rápida do que em um suporte eletrônico, mas pesquisas vêm sendo feitas no sentido de melhor a visualização dos livros eletrônicos.

A produção do livro

A criação do conteúdo de um livro pode ser tarefa tanto de um autor sozinho quanto de uma equipe, composta por autores, redatores, ilustradores e/ou tradutores. Tendo o manuscrito terminado, o autor envia-o para o editor, que é o equivalente a um empresário do livro. Cabe a ele assumir os riscos de publicar o livro. Suas funções são intelectuais e econômicas: deve selecionar um conteúdo de valor e que seja vendável, que gere lucros. Modernamente o desinteresse de editores comerciais por obras de valor mas sem garantias de lucros tem sido compensado pela atuação de editoras universitárias (pelo menos no que tange a trabalhos científicos e artísticos).

O editor pode inclusive sugerir alterações ao autor, com vistas a ajustar o livro ao mercado. Subordinados ao editor trabalham os revisores, impressores, encadernadores, etc. Esse grupo de pessoas forma a editora. O trabalho industrial principal de uma editora é confeccionar o livro-objeto, trabalho que se dá através dos processos de diagramação e depois encadernação.

Terminada a edição do livro, ele é encaminhado aos livreiros (através da publicidade feita pelas editoras), para daí chegar ao público através das livrarias ou bibliotecas.

Classificação dos livros

Os livros atualmente podem ser classificados de acordo com seu conteúdo em duas grandes categorias: livros de leitura sequencial e obras de referência.

Leitura sequencial

Cabem ainda outras sub-categorias.

Obras de referência

Curiosidades

Referências

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