Marechal Rondon

Keywords: Marechal Rondon, 17 de dezembro, 1824, 1864, 1865, 1874, 1881, 1883

Cândido Mariano da Silva Rondon nasceu em Mimoso, Mato Grosso, em 5 de maio de 1865.

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Biografia

Infância

Filho de Cândido Mariano da Silva, fazendeiro modesto, e Claudina de Freitas Evangelista da Silva, nasceu em 5 de maio de 1865. Tinha origem indígena por parte de seus bisavós maternos (Bororô e Terena) e bisavó paterna (Guaná). Seu pai faleceu antes dele nascer, em dezembro de 1864, quando parte do Mato Grosso havia sido invadida pelos paraguaios, no ataque ao Forte Coimbra, em 29 de novembro de 1864. Sua mãe faleceu quando ele tinha 2 anos. Passou a viver com o avô paterno, e com ele aprendeu a ler. Ficou com o avô até completar 7 anos, mudando-se para Cuiabá para viver com seu tio, Manoel Rodrigues, que ficou viúvo quando Rondon tinha 9 anos. Frenquentou a escola do mestre Cruz e trabalhava com seu tio, como ajudante em sua venda. Em 1874 passou a freqüentar a escola pública, onde conclui o primário com 13 anos. Em seguida ingressou no Liceu Cuiabano, formando-se professor aos 16 anos, em 1881.

Carreira Militar

Licenciado como professor primário, Bacharel em Ciências Físicas, Naturais e Matemáticas ( Escola Militar do RJ ): 1890. Nasceu em família de modesto fazendeiro, no antigo estado de Mato Grosso. Ao contrário do que é freqüentemente afirmado, e talvez sugiram suas fotografias de tempos de velhice, não é filho de índios. Tinha, é verdade, algum sangue indígena por parte das bisavós paterna ( guaná ) e materna ( borôro e terena). Tomou o caminho usual, na época, para os filhos de famílias pobres que desejavam educação de terceiro grau: veio para o Rio de Janeiro para ingressar na Escola Militar. Lá, além dos estudos serem gratuitos, os alunos da escola recebiam - desde que assentassem praça - soldo de sargento.

Decidiu seguir carreira no Exército, o que era comum naquela época entre jovens de origem humilde que queriam receber graduação de terceiro grau, pois na Escola Militar o ensino era gratuito e os alunos recebiam soldo de Sargento. Alistou-se em 26 de novembro de 1881, no 2o Regimento de Artilharia a Cavalo. Foi para Escola Militar da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, em 1883. Foi incluído na 4a Bateria então comandada pelo Capitão Hermes da Fonseca, futuro Ministro do Exército e Presidente da República e atual denominação histórica da 1a Região Militar.

Em 1888 fez o Curso de Estado Maior de 1ª Classe. Em 1889 cursou Matemática e Ciências Físicas e Naturais da Escola Superior de Guerra, ESG, tendo sido graduado bacharel em 8 de janeiro de 1890. Foi o melhor aluno de sua turma. Ainda estudante, sob influência do positivismo, ensinado a ele por Benjamin Constat, do qual era seguidor, teve participação nos movimentos abolicionista e republicano, do qual fez parte, junto com Augusto Tasso Fragoso.

Formado, foi nomeado professor de Astronomia e Mecânica da Escola Militar, cargo do qual afastou-se em 1892. Casou-se com D. Francisca Xavier em 1 de fevereiro de 1892. Teve com ela sete filhos:

Foi nomeado chefe do Distrito Telegráfico de Mato Grosso. Foi então designado para a Comissão de Construção da linha telegráfica que ligaria Mato Grosso e Goiás.

O governo republicando tinha preocupação com a região oeste do Brasil, muito isolada dos grandes centros e em regiões de fronteira. Assim decidiu melhorar as comunicações construindo linhas telegáficas para o o centro-este. Rondon cumpriu essa missão abrindo caminhos, desbravando terras, lançando linhas telegráficas, fazendo mapeamentos do terreno e principalmente estabelecendo relações cordiais com os índios. Manteve contato com muitas tribos indígenas, entre elas os Bororo, Nhambiquara, Urupá, Jaru, Karipuna, Ariqueme, Boca Negra, Pacaás Novo, Macuporé, Guaraya, Macurape

Realizou expedições com a comissão Rondon, com o objetivo de explorar a região Amazônica:

Em 1908 foi promovido a tenente-coronel. Já em 7 de setembro de 1910 organizou e passou a dirigir o Serviço de Proteção aos Índios (SPI). Seguindo seu trabalho de expandir as comunicações telegráficas, desbravando o oeste do Brasil, inaugurou em 12 de outubro de 1911 a estação telegráfica de Vilhena e em 13 de junho de 1912 mais uma, a 80 km de Vilhena, que recebeu seu nome.

De maio de 1913 a maio de 1914 realizou mais uma expedição, em conjunto com ex-presidente dos Estados Unidos da América, Theodore Roosevelt.

Em 7 de setembro de 1913, após descobrir o Rio Jurema, Rondon foi atingido por uma flecha envenenada dos índios Nhambiquaras, sendo salvo pela bandoleira de couro de sua espingarda. Ordenou a seus comandados, porém, que não reagissem e batessem em retirada, fiel ao seu princípio de penetrar no sertão somente com a paz.

Em 1914, com a Comissão Rondon, construiu 372 km de linhas e cinco estações telegráficas: Pimenta Bueno, Presidente Hermes, Presidente Pena (depois Vila de Rondônia e atual Ji Paraná), Jaru e Ariquemes, na área do atual estado de Rondônia. Em 1º de janeiro de 1915 conclui sua missão com a inaugurou a estação telegráfica de Santo Antonio do Madeira.

Em 20 de setembro de 1919 foi nomeado Diretor de Engenharia do Exército, ficando no cargo até 1924. Fez curso de atualização com a missão militar francesa e comandou com sucesso uma das peças das manobras de Saicã em 1922. Foi convidado para arbitrar o incidente das cartas falsas atribuídas a Arthur Bernardes, o qual recusou.

Ainda em 1922 foi convidado pelo Dr Borges de Medeiros para comandar a Revolução de 1922 , o que recusou sob o argumento de ser positivista e segundo a formação francesa que recebera, o exercito não dever se meter em questões políticas.

De 1 de outubro de 1824 a 12 de junho de 1925, comandou as operações contra os revolucionários comandados pelo General Isidoro Dias Lopes em Ponta Grossa. Tornou-se um drama de consicência para ele o fato de combater contra irmãos, porém assumiu para si que a defesa do estado constituído era a defesa do bem comum da humanidade.

Sua maior batalha se deu em Catanduvas, onde os revolucionários, ao comando do Capitão Nelson de Melo, foram cercados e aprisionados. Forçou os revolucionários a irem se refugiar no Paraguai, sob comando do General Miguel Costa, de onde passaram para o Paraná, reunindo-se com as forças de Luis Carlos Prestes, que havia partido do Rio Grande do Sul, e dali partiram do Mato Grosso ao Nordeste no que ficou conhecido como coluna Prestes. Nesta missão, escapou por pouco da morte, num plano ousado executado pelo tenente Cabanas da Polícia Militar de São Paulo. Canas chegou à barraca de Rondon, mas não o encontrou.

Rondon, sempre fiel ao seu pacifismo, enviou os prisioneios por caminhos discretos, de modo que não fossem humilhados nem desacatados, e ainda teceu elegoios ao capitão Juarez Távora, que recusara ajuda de tropas paraguaias para lutar contra as forças brasileiras.


Pelo seu desempenho no combate à revolução de 1924, disse o então Ministro da Guerra, General Setembrino de Carvalho, no Boletim de 17 ago 1924 ,do Departamento da Guerra :

"O General Cândido Mariano Rondon, como Comandante em Chefe das Tropas de Operações contra os rebeldes no Paraná e em Santa Catarina, impôs - se a nossa franca admiração, pela capacidade de que deu provas do cabais desempenho das funções a que foi chamado a exercer, tendo realizado com inquebrantável energia cívica uma grande obra em benefício da civilização. Temos por isso de louvar, em nome do Presidente da República, esse general que acaba de enriquecer a sua fé de ofício com uma página brilhante de inteligência, cultura, iniciativa, ponderação, magnanimidade e tenacidade que o tornam incomparável Chefe Militar . "

Com a revolução de 1930, que destituiu Washington Luís e levou Getúlio Vargas ao poder, foi preso, em Marcelino Ramos, pelo general Miguel Costa, o mesmo da coluna Prestes. Detito, pediu para ficar preso em navio, como comandante deposto da 3a RM, o que foi negado pelo governo, que o acomodou no Grande Hotel de Porto Alegre. Osvaldo Aranha e sua esposa, que estavam no hotel, tentaram convencê-lo a aderir à revolução, o que ele recusou, apresentando os mesmos argumentos que em 1922.

Ficou muto magoado ao saber pela imprensa que Juarez Távora havia dito que considerava "Rondon dilapidador dos cofres públicos, a distribuir pelo sertão bruto linhas telegráficas aos índios, para lhes servir de brinquedo e que em qualquer país civilizado e policiado, um general como Rondon estaria na cadeia."

Juares Tavora, em 29 de maio de 1956, procurou se retratar, numa carta a Esther de Viveiros: "Esclareço que o fato de haver oposto restrição quanto à oportunidade do empreendimento (linhas telegráficas) do Marechal Rondon, não significava desapreço pelo conjunto de sua obra sertanista - e aí incluo o nobre esforço de catequese leiga de nossos índios — Rondon foi sem dúvida um pioneiro."

Mas ainda magoado, Rondon pediu reforma do Exército a Getúlio Vargas, que aceitou o pedido por Rondon declarar como irrevogável. Getúlio então lhe falou "que estava em dia com o Serviço Militar no Exército, mas não com o serviço da nação que muito precisa e muito espera deles ! "

Pediu que fosse submetido a um conselho de Justiça ou de Guerra para inevstigar qualquer irregularidade cometida. Cobrou isso do ministro da Guerra, general Leite de Castro, que não o atendeu dizendo: "Não se constituirá nenhum tribunal, pois o mais alto tribunal da Nação que é a Opinião Pública, já o julgou general! "

Apoio aos Índios

Desbravador do interior do país, criou em 1910 o Serviço de Proteção ao Índio (SPI). Teve seu primeiro encontro com os índios (alguns hostis, outros escravos de fazendeiros) quando construía as linhas telegráficas que ligaram Goiás a Mato Grosso. Obteve a demarcação de terras de vários povos, entre eles os Bororo, Terena e Ofayé. Em 1939, foi nomeado presidente do Conselho Nacional de Proteção ao Índio. Recebeu do Congresso Nacional, em 1955, através de lei especial, o posto de marechal do Exército.

Apoio a Vargas

Tornou-se então colaborador de Getúlio Vargas. Em 1942, pronunciou discurso em apoio de Getúlio Vargas "por este conduzir a Bandeira política e administrativa da Marcha para o Oeste, visando ao alargamento do povoamento do sertão e de seu aproveitamento agro-pecuário com fundamentos econômicos mais sólidos e eficientes. Homenagem pela sua expressão de simpatia à raça indígena e disposição de ocupar o vazio do território que permanecia despovoado."

No mesmo discurso fez um retrospecto da marcha para ocupação do oeste brasileiro, comparando as ações de Afonso Pena na ocupação do Nordeste e do Norte, com as de Getúlio Vargas na ocupação do oeste. Exaltou também José Bonifácio, o Patriarca da Independência, como pioneiro da redenção do índio brasileiro, explorado e massacrado.

E, em seguida, revelou o motivo principal da homenagem: "Por o Governo atual haver praticado os seguintes atos que bem evidenciam a firme resolução de prosseguir na senda interrompida no começo de 1931:

  1. º - Forneceu recursos para o início da reorganização do Serviço de Proteção aos índios no corrente ano.
  2. º – Criou o Conselho Nacional de Proteção aos Índios, convergente à solução do dito problema e a esse Conselho assegurou o Presidente todo o seu concurso moral e material".

Entre julho de 1934 e julho de 1938 foi presidente da missão diplomática brasileira, arbitrando o conflito que estabelecido entre o Peru e a Bolívia pela posse do Porto de Letícia. Quando encerrou sua missão, com o acordo de paz entre os países, estava já quase cego.

Homenagens

Cronologia militar

Cronologia

Positivismo

Sob influência do positivismo, Rondon fez seu credo:

"Eu Creio:

Que o homem e o mundo são governados por leis naturais.

Que a Ciência integrou o homem ao Universo, alargando a unidade constituída pela mulher, criando , assim , modesta e sublime simpatia para com todos os seres de quem , como poverello , se sente irmão .

Que a Ciência, estabelecendo a inateidade (sentimento nato) do amor , como a do egoísmo, deu ao homem a posse de si mesmo .e os meios de se transformar e de se aperfeiçoar .

Que a Ciência, a Arte e a Indústria hão de transformar a Terra em Paraíso, para todos os homens, sem distinção de raças, crenças, nações – banido os espectros da guerra, da miséria, da moléstia .

Que ao lado das forças egoístas – a serem reduzidas a meios de conservar o indivíduo e a espécie – existem no coração do homem tesouros de amor que a vida em sociedade sublimará cada vez mais .

Nas leis da Sociologia, fundada por Augusto Conte, e por que a missão dos intelectuais é, sobretudo, o preparo das massas humanas desfavorecidas, para que se elevem, para que se possam incorporar à Sociedade .

Que, sendo, incompatíveis às vezes os interesses da Ordem com os do Progresso, cumpre tudo ser resolvido à luz do Amor .

Que a ordem material deve ser mantida, sobretudo, por causa das mulheres, a melhor parte de todas as pátrias e das crianças, as pátrias do futuro.

Que no estado de ansiedade atual, a solução é deixando o pensamento livre como a respiração, promover a Liga Religiosa, convergindo todos para o Amor, o Bem Comum, postas de lado as divergências que ficarão em cada um como questões de foro íntimo, sem perturbar a esplêndida unidade – que é a verdadeira felicidade . "

Rondon ingressou na Igreja Positivista ao final de 1898, como major e como ardoroso membro na teoria e na prática positivista.


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