Mastaba
Keywords: Mastaba, Calcário, Egipto, Etimologia, História do Egipto, Museu do Louvre, Paris, Tijolo de adobe, Tronco
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Uma mastaba é um túmulo egípcio, cujo centro nevrálgico era uma capela, com a forma de um tronco de pirâmide (paredes inclinadas em direcção a um topo plano de menores dimensões que a base) cujo comprimento era aproximadamente quatro vezes a sua largura. Começaram-se a construir desde a primeira era dinástica (cerca de 3500 a. C.). A mastaba foi, simultaneamente o género de edifício que precedeu e preparou as pirâmides e a sua mais simples alternativa desde que estas, mais exigentes do ponto de vista técnico e económico, começaram a ser construídas. Eram construídas com tijolo de barro e/ou pedra (geralmente, calcário) talhada com uma ligeira inclinação para o interior, o que vai de encontro com a etimologia da palavra. Etimologicamente, a palavra provém do árabe "maabba" = banco de pedra (ou lama, segundo alguns autores), do aramaico "misubb", talvez com origem persa ou grega. Efectivamente, vistos de longe, estes edifícios assemelham-se a bancos de lama, terra ou pedra...
[[Imagem:Mastaba.png|thumb|right|300px| Diagrama de uma mastaba:
- A azul, a capela funerária com a porta fictícia ao fundo.
- A vermelho, o poço que parte do topo da mastaba e se afunda a partir daí.
- A verde, a câmara mortuária e o seu sarcófago.
- A cinzento, o tijolo de adobe que ocupa, de facto, uma grande parte da mastaba.
]] Uma das portas da mastaba ligavam a um género de capela funerária ou templo de menores dimensões. As paredes dessa capela, paralelas às das paredes exteriores, estão revestidas, no interior de pinturas murais. Na parede em frente à porta da capela simula-se uma outra porta, fictícia, simbolizando a ligação ao Reino dos mortos. A simbologia mistura-se com a crença de que poderá facilitar o regresso do morto ao Reino dos vivos.
As mastabas tinham câmaras funerárias, muitas das vezes escavadas bem abaixo da base da mastaba, ligando à entrada. Para ver imagens do interior de uma mastaba e dos seus corredores subterrâneos, siga o link:[1]. Geralmente, há um poço que liga o topo da mastaba à câmara funerária onde repousa o sarcófago. Esse poço varia consoante a posição social do defunto. Quanto mais fundo, presume-se que maior seria o seu "status".
Acima da base do solo, o edifício visível, sinalizando a sepultura, era constituído essencialmente por paredes feitas de tijolo de adobe empilhado. Isto fazia com que o túmulo atingisse as proporções monumentais tão ao gosto egípcio, no entanto, era responsável por um maior arrefecimento do seu interior, o que não permitia que o corpo sepultado se mantivesse seco. Como consequência, a humidade favorecia a decomposição do corpo. O que, segundo as crenças religiosas do Antigo Egipto, era preocupante.
Crê-se que a pirâmide de Zhoser em Saqqara foi inicialmente projectada para ser uma mastaba, ainda que já por si original - seria totalmente construída em pedra. Esta mastaba foi sendo expandida, construindo-se gradualmente cinco troncos piramidais cada vez mais pequenos, até ficar com a forma piramidal.
Por todo o Egipto existem milhares de mastabas com uma grande variedade de pinturas murais, algumas com valor artístico inestimável. Essas imagens fazem geralmente o retrato das actividades quotidianas no antigo Egipto, pelo que estes monumentos funerários são uma fonte importantíssima de informação sobre aquele período da história da humanidade, no que diz respeito à vida das classes mais modestas (ainda que fossem túmulos de luxo de personalidades eminentes). Isto, em contraste com as pinturas que ornamentam as pirâmides que representam, essencialmente, a vida na corte e as actividades no palácio do faraó.
As mastabas eram muitas vezes utilizadas como túmulo familiar. Por isso, apesar da sua antiguidade (mesmo se comparadas unicamente com a história do Antigo Egipto), continuaram a ser utilizadas como última morada dos descendentes do defunto que as tinha inaugurado. Assim, remodelações posteriores levam à substituição do tijolo de barro original pelo calcário e à perfuração do poço a diversas cotas, segundo a posição social dos sucessivos defuntos. No Museu do Louvre pode-se visitar a capela funerária da mastaba do nobre Akhethétep, transportada do planalto de Saqqara para Paris.
Medidas médias de uma mastaba:
- Comprimento 30 m
- Largura 15 m
- Altura 6 m
