Mona Lisa
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Mona Lisa (também conhecida como a Monna Lisa; Italiano La Gioconda; Francês La Joconde), é uma pintura feita pelo artista italiano Leonardo da Vinci mostrando uma mulher com uma expressão introspectiva, ligeiramente sorridente. É provavelmente o retrato mais famoso na história da arte. Poucos outros trabalhos de arte são assim comemorados ou reproduzidos. Leonardo começou o retrato em 1503 e terminou-o três ou quatro anos mais tarde. A pintura a óleo em madeira exposta agora no Museu do Louvre em Paris é a maior atração do museu.
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História
A pintura foi trazida da Itália para França pelo próprio Leonardo em 1516, quando foi convidado pelo rei Francisco I de França para trabalhar na sua corte. Francisco terá então comprado a pintura, que passou a estar exibida em Fontainebleau e depois no Palácio de Versailles. Após a revolução francesa, o quadro foi movido para o Museu do Love. O imperador Napoleão Bonaparte era um apaixonado pelo quadro e mandou colocá-lo nos seus aposentos. Durante as guerras com a Prússia, a Mona Lisa, bem como outras peças da colecção do Museu, foram escondidas num lugar seguro.
A 22 de Agosto de 1911 a Mona Lisa foi roubada. O poeta francês Guillaume Apollinaire foi preso e posto na cadeia sob suspeita do roubo em 7 de Setembro, Pablo Picasso foi preso para interrogatório, mas ambos foram liberados mais tarde. Acreditou-se então que a pintura estava perdida para sempre. O que se passou na realidade foi mais simples do que se julgou então. O empregado do Louvre Vincenzo Peruggia, acreditando que a pintura pertencia à Itália e não devia ser mantida na França, roubou-a simplesmente andando para fora do museu com ela escondida sob seu casaco. O quadro foi recuperado quando Peruggia tentou vendê-lo a um negociante de arte de Florença. A Mona Lisa foi depois exibida em vários museus italianos e retornou ao Louvre em 1913. Durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial a pintura foi outra vez removida do Louvre e armazenada em um lugar seguro.
Em 1956, a parte inferior da pintura foi severamente danificada depois de um ataque com ácido. Diversos meses mais tarde, a pintura foi novamente alvo de um atentado, desta vez por um indivíduo que lhe atirou uma pedra. Desde então, o quadro encontra-se protegido por um vidro da segurança. Em 1962, a pintura foi emprestada aos Estados Unidos e exibida em Nova Iorque e Washington. Antes desta viagem, a pintura foi segurada em cerca de 100 milhões de dólares americanos, o que lhe mereceu uma menção no Guinness Book of Records como o objecto mais valioso de sempre [1]. Este valor só foi ultrapassado recentemente (4 de Maio de pelo quadro de Picasso Garçon à la pipe vendido por 104,1 milhões de dólares. A Mona Lisa saíu do Louvre uma vez mais, em 1974, numa tournée que incluiu Tóquio e Moscou.
Identidade do modelo
Muitos historiadores da arte acreditam que o modelo usado para a pintura pode ter sido a esposa de Francesco del Giocondo, um rico comerciante de seda de Florença e uma figura proeminente no governo fiorentino. Esta opinião fundamenta-se numa indicação feita por Da Vinci durante os últimos anos de sua vida, a propósito de um retrato de uma determinada senhora florentina feita da vida ao pedido do magnífico Giuliano de' Medici. O primeiro biógrafo de Da Vinci, Vasari, também pintor, descreve o retrato como sendo de Mona Lisa, esposa do cavalheiro florentino Francesco del Giocondoque. Porém pouca coisa se sabe da sua vida e muito menos da história de sua mulher, Lisa Gherardini, nascida em 1479. Sabe-se que casaram em 1495, mas do fato não há nenhuma prova que poderia ter sido a senhora de um Medici a mulher que Da Vinci referenciou. O título alternativo ao trabalho, La Gioconda, aparece apenas pela primeira vez num texto escrito mais tarde, em 1625, que se refere ao trabalho como um retrato de uma determinada Gioconda. Esta referência não contradiz nem suporta a hipótese de o modelo ser a mulher de Giocondo, uma vez que em italiano gioconda pode significar uma mulher alegre.
Lillian Schwartz, cientista dos Laboratórios Bell, sugere que a Mona Lisa é na verdade um auto-retrato de Leonardo. Esta teoria baseia-se no estudo da análise digital das características faciais do rosto de Leonardo e os traços do modelo. Comparando um auto retrato de Leonardo com a mulher do quadro, verifica-se que as características dos rostos alinham perfeitamente. Os críticos desta teoria sugerem que as similaridades são devidas ao facto de ambos os retratos terem sido pintados pela mesma pessoa usando o mesmo estilo. A teoria de que Mona Lisa é um auto-retrato levanta-se no livro O Código Da Vinci.
O historiador Maike Vogt-Lüerssen de Adelaide sugeriu, após ter pesquisado o assunto por 17 anos, que a mulher por trás do sorriso famoso é Isabel de Aragão, Duquesa de Milão, para quem Leonardo da Vinci trabalhou como pintor da corte durante 11 anos [2]. O padrão do vestido verde escuro de Mona Lisa indica, segundo este estudioso, que o modelo é um membro da casa de Visconti-Sforza. O retrato de Mona Lisa terá sido o primeiro retrato oficial da nova Duquesa de Milão e pintado no inverno ou verão 1489. O autor compara cerca de 50 retratos de Isabel de Aragão, representada como a Virgem ou Santa Catarina de Alexandria (nos quais só a própria duquesa poderia servir de modelo), e conclui que a semelhança à Mona Lisa é evidente [3].
Estética
A Mona Lisa determinou um padrão para retratos futuros. O retrato apresenta o seu modelo visto apenas acima do busto, com uma paisagem distante visível em plano de fundo. Leonardo usou uma composição em pirâmide, onde a modelo surge no centro com uma expressão calma e serena. A mãos dobradas encontram-se no centro da base piramidal, reflectindo a mesma luz que lhe ilumina o regaço, pescoço e face. Esta luminosidade estudada dá às superfícies vivas uma geometria subjacente de esferas e círculos, que acentua o arco de seu sorriso famoso. Sigmund Freud interpretou 'o sorriso' como uma atracção erótica subjacente de Leonardo para com a sua mãe; outros descreveram o sorriso como inocente, convidativo, triste ou mesmo lascivo. Os sorrisos de interpretação dúbia eram uma característica comum dos retratos durante o tempo de Leonardo.
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Muitos investigadores tentaram explicar por que o sorriso é de forma tão diferente para diferentes culturas. As explicações são diversas e variam desde teorias científicas sobre a visão humana a suposições sobre a identidade de Mona Lisa e seus sentimentos. A professora Margaret Livingstone da Universidade de Harvard arguiu que a percepção do sorriso é adquirida através de frequências visuais baixas, o que torna visível através da visão periférica [4]. Christopher Tyler e Leonid Kontsevich do Instituto Smith-Kettlewell para a Investigação do Olho (São Francisco) acreditam que a natureza em mudança do sorriso é causada por níveis variáveis do ruído aleatório no sistema visual humano [5]. O historiador Maike Vogt-Luerssen discute que Isabel de Aragão (considerada como modelo) era infeliz porque o seu marido era alegadamente impotente, alcoólatra e propenso à agressão física. Isabel descreveu-se como A mais infeliz esposa do mundo.
Embora utilizando uma fórmula aparentemente simples, a síntese expressiva que Leonardo conseguiu entre modelo e paisagem tornou este trabalho numa as mais populares e analisadas pinturas de todos os tempos. As curvas sensuais do cabelo e da roupa da mulher, criadas completamente através de sfumato, encontram eco nos rios ondulantes da paisagem subjacente. A harmonia total conseguida no quadro, visível especialmente no sorriso, reflecte a unidade entre Natureza e Humanidade que era parte importante da filosofia pessoal de Leonardo.
Em segundo plano, a paisagem estende-se às montanhas geladas e inclui caminhos ondulantes e uma ponte que dão indicação de presença humana. Os contornos desfocados, a figura graciosa, os contrastes dramáticos entre claro e escuro que se traduzem em serenidade são característicos do estilo de Leonardo. A pintura foi um dos primeiros retratos a descrever o modelo no seio de uma paisagem imaginária. Uma característica interessante da paisagem é a sua desigualdade. À esquerda da figura, a paisagem é visivelmente mais baixa do que à direita. Isto levou alguns críticos a sugerir que este elemento foi adicionado mais tarde.
A pintura foi restaurada numerosas vezes. Exames de raio X mostraram que há três versões escondidas sob a actual. O revestimento em madeira mostra sinais de deterioração numa taxa mais elevada do que se pensou previamente, causando preocupação dos curadores do museu sobre o futuro da pintura.
Influência e aspectos culturais
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A Mona Lisa, enquanto quadro mais famoso do mundo, adquiriu um estatuto de ícone cultural. São numerosas as suas reproduções e utilização na publicidade, objectos do dia a dia e como referência cultural. Algumas incluem:
- Em 1919, o dadaísta Marcel Duchamp pintou uma paródia à Mona Lisa que incluía um bigode e pêra na modelo e a inscrição LHOOQ (que significa Elle a chaud au cul, algo como Ela tem fogo no rabo, em português)
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- Em 1950, Mona Lisa, uma balada de Nat King Cole em tributo do quadro, foi o single mais vendido durante 8 semanas, atingindo 3 milhões de cópias vendidas e foi premiada com um Oscar para a Melhor Canção numa Banda Sonora. Outras canções sobre o quadro são Mona Lisas and Mad Hatters de Elton John (Honky Chateau, 1972), Mona Lisa de Willie Nelson (Somewhere over the Rainbow, 1981), Mona Lisa de Slick Rick (The Great Adventures of Slick Rick, 1988) e A Mona Lisa dos Counting Crows (inédita, 1992).
- Em 1953, o realizador Roberto Rossellini dirigiu o filme La Gioconda.
- Salvador Dalí, o famoso pintor surrealista espanhol, pintou o Auto-retrato como Mona Lisa em 1954.
- Em 1963, Andy Warhol lançou uma série de serigrafias a cores da Mona Lisa, afirmando o seu estatuto de ícone, ao lado de Marilyn Monroe ou Elvis Presley.
- O Sorriso de Mona Lisa (2003) é um filme que explora os ideais femininistas.
- A pintura detém um papel central no livro best seller O Código da Vinci de Dan Brown (2003).
Links externos
- Musée du Louvre: Museu do Louvre: Mona Lisa/La Joconde
- Jay Meattle: A Mona Lisa exposta (em inglês)
- Artigo da BBC sobre deterioração do fundo da pintura (em inglês)
- Interpretação alternativa da Mona Lisa (em inglês)
- Mona Lisa na Webdiretório com 475 paródias e outras versões (em inglês)
- Imagens da Mona Lisa para um Mundo Moderno, uma redação de Robert A. Baron (em inglês).
