Oscar Niemeyer

Keywords: Oscar Niemeyer, 15 de Dezembro, 1907, 1934, 1939, 1940, 1943

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Oscar Niemeyer (Rio de Janeiro, 15 de Dezembro de 1907 - ) é um arquiteto brasileiro considerado um dos nomes mais influentes na arquitetura modernista internacional. Foi um pioneiro na exploração das possibilidades construtivas únicas do concreto armado. Apesar de ser um defensor do utilitarismo, suas obras não tinham a aparência fria ou forma blocada tão criticada por pós-modernistas. Seus prédios têm formas tão dinâmicas e curvas tão sensuais que fazem com que se diga que Niemeyer seja mais um escultor monumental que um arquiteto. Curiosamente seus críticos acusam-no da mesma coisa.

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Biografia

Oscar Niemeyer (Oscar Niemeyer Ribeiro Soares Filho) nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1907, em uma rua que mais tarde receberia o nome de seu avô Ribeiro de Almeida. Passou sua juventude como um jovem carioca típico da época: boêmio, sem a menor preocupação com os rumos de sua vida. Conclui o ensino secundário aos 21 anos, mesma idade com que casa com Annita Baldo, filha de imigrantes Italianos de Veneza, com quem teve somente uma filha Anna Maria Niemeyer, marchande. Niemeyer tem 5 netos, bisnetos e tataranetos.

Após o casamento sente o peso da responsabilidade que havia assumido para si e decide trabalhar e continuar seus estudos.

Começa a trabalhar na oficina tipográfica do pai e entra para a Escola Nacional de Belas Artes, de onde sai formado como engenheiro arquiteto em 1934. Na época passava por dificuldades financeiras, mas mesmo assim decidiu trabalhar sem remuneração no escritório de Lucio Costa e Carlos Leão. Ele se sentia insatisfeito com a arquitetura que via na rua e acreditava poder encontrar respostas a suas dúvidas de estudante com eles.

Em 1945, já um arquiteto com algum nome, filia-se ao PCB. Niemeyer era um menino na época da revolução russa, um jovem idealista durante a Segunda Guerra Mundial e viveu nos auges da Guerra Fria. Sempre foi um forte defensor de sua posição como comunista. Durante alguns anos da ditadura militar do Brasil exilou-se na França. Um ministro da Aeronáutica da época diria que "lugar de arquiteto comunista é em Moscou". Visitou a União Soviética, teve encontros com diversos líderes socialistas e foi amigo pessoal de alguns deles. Fidel Castro teria dito a respeito dele: "Niemeyer e eu somos os últimos comunistas deste planeta".

Primeiros trabalhos

Em 1937, o escritório de Lucio Costa e Carlos Leão onde trabalhava é chamado pelo ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema (que anulara o concurso público ganho por Arquimedes Memoria), para projetar o novo edifício do Ministério da Educação e Saúde no Rio de Janeiro. Este projeto estava inserido no contexto político da República Nova, quando Getúlio Vargas, presidente do Brasil, usava a arquitetura e o urbanismo como ferramentas para ilustrar os novos rumos da nação em uma fase intermediária, tentando se transformar de potência agrícola exportadora de café em um país industrializado.

O palácio Capanema (o Ministério da Educação) tinha um projeto extremamente ousado para a época. Foi um dos primeiros grandes prédios construídos seguindo rigorosamente a cartilha modernista. Tanto que, Lucio chamou outros jovens arquitetos para 'dividir' o projeto: Affonso Eduardo Reidy, Ernani Vasconcellos, Jorge Moreira e também o principal teórico do modernismo, o arquiteto franco-suíço Le Corbusier. Le Corbusier, apesar de ter escrito diversos livros, jamais havia tido a oportunidade de colocar suas idéias em prática, salvo em algumas casas de veraneio européias, e era admirado por Lucio Costa e Oscar Niemeyer, que descreve como um garoto prodígio (Niemeyer foi escalado para ser o desenhista de Corbusier durante sua estada no Rio de Janeiro. O edifício, terminado em 1943, eleva-se da rua imponentemente apoiando-se apenas por pilotis de concreto que deixam o espaço abaixo funcionar como um espaço público de passagem. O prédio uniu os maiores nomes do modernismo brasileiro, com azulejos de Di Cavalcanti, esculturas de Alfredo Ceschiatti e jardins de Roberto Burle Marx.

Em 1939, Niemeyer viaja com Lucio Costa para projetar o pavilhão brasileiro na Feira Mundial de Nova York, e apresenta o Palácio Gustavo Capanema. Em uma época onde a Europa e os Estados Unidos estavam concentrando suas potências industriais na II Guerra Mundial, o Brasil estava investindo em arquitetura, o que lhe colocou na vanguarda da Arquitetura Modernista internacional, onde ainda permaneceu por várias décadas, graças em boa parte ao talento de Oscar Niemeyer.

O projeto da Pampulha

Em 1940, Niemeyer conhece Juscelino Kubitschek. Este era na época o prefeito de Belo Horizonte, estado de Minas Gerais, e tinha interesse em desenvolver uma área ao norte da cidade, chamada Pampulha. Chamou Niemeyer para projetar uma série de prédios que seriam conhecidos como conjunto da Pampulha. Este seria o primeiro trabalho individual de Niemeyer, com 33 anos de idade.

Prontos em 1943, os prédios renderam muitas críticas e admiração. Conseguiu sua primeira projeção internacional e muitas polêmicas locais. A Igreja católica negou-se a benzer a Igreja de São Franscisco de Assis (Belo Horizonte), em parte por sua forma não ortodoxa, em parte pelo mural moderno pintado por Di Cavalcanti. O mural era totalmente abstrato e sua única forma reconhecível era de um cachorro, possivelmente representando São Franscisco de Assis.

No conjunto da Pampulha Niemeyer começa um estilo que irá marcar o seu trabalho quase todo: utiliza-se das propriedades estruturais do concreto armado para dar formas sinuosas aos prédios. Quando Niemeyer desenha um prédio ele o faz com o mínimo de traços possíveis, todos eles orgânicos e tremidos como um gesto da mão. Ele porém nega que seus prédios tenham uma estética que ofusca o utilitarismo: sempre escreveu enormes justificativas de projetos, onde descreve a função de cada curva do edifício. Ele costuma dizer que se não pode justificar uma idéia em um parágrafo, desiste dela.

décadas de 40 e 50

Em 1947, seu reconhecimento mundial é atestado: Niemeyer viaja para os Estados Unidos para projetar a sede das Nações Unidas em Nova York. No ano anterior havia recebido um convite para lecionar na Universidade de Yale, porém teve seu visto negado devido à sua posição política. Em 1950, o primeiro livro sobre seu trabalho (The Work of Oscar Niemeyer) é publicado, nos EUA, por Stamo Papadaki.

No Brasil, projeta em São Paulo o Conjunto do Ibirapuera (um parque com pavilhões de exposições em homenagem ao aniversário de 400 anos da cidade) e o COPAN, em 1951 e no ano seguinte constrói sua própria casa no Rio de Janeiro. Esta, chamada a Casa das Canoas, nome da estrada em que se encontra, tornar-se-á muitos anos mais tarde parte da Fundação Oscar Niemeyer.

Juscelino Kubitschek, eleito presidente do Brasil em 1956, volta a entrar em contato com Niemeyer. Desta vez tem um projeto político mais ambicioso, e o chama para a direção da Novacap, empresa urbanizadora da nova capital, um projeto para mover a capital nacional para uma região despovoada do centro do país.

Brasília

Niemeyer abre um concurso para o projeto urbanístico de Brasília, a nova capital e o vencedor é o projeto de seu antigo patrão e grande amigo, Lucio Costa. Niemeyer ficaria com os projetos dos prédios e Lucio Costa com o plano da cidade.

Em poucos meses, Niemeyer projeta dezenas de edifícios residenciais, comerciais e administrativos. Entre eles a residência do Presidente (Palácio da Alvorada), o Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado Federal), a Catedral de Brasília, os prédios dos ministérios, a sede do governo (Palácio do Planalto) além de prédios residencias e comerciais. A própria forma da cidade, em forma de avião, dá elementos que se repetem em todos os prédios, dando-lhes uma unidade formal. A Catedral de Brasília é especialmente bela, com diversos simbolismos modernos. A sua entrada se dá pelo subsolo, um corredor mal-iluminado que contrasta com um saguão com iluminação natural forte que deixa transparecer o céu único de Brasília.

right|thumb|250 px|Brasília com a Catedral em destaque

Por trás da construção de Brasília, uma campanha monumental para construir uma cidade inteira a partir do nada, no centro árido do país, estava a intenção de Kubitschek de alavancar a industria do país, integrar suas áreas distantes, povoar regiões inóspitas e trazer progresso onde havia somente vaqueiros (diversos historiadores comparam a construção de Brasília com a marcha do oeste americana). Niemeyer e Lucio Costa aproveitaram para pôr em prática os seus conceitos modernistas de cidade: ruas sem trânsito (Niemeyer diria que é um desrespeito ao ser humano que ele tome mais de 20 minutos no transporte de uma região a outra), prédios flutuando sobre o solo, apoiados em colunas e permitindo o espaço em baixo livre, integração com a natureza. Uma ideologia socialista também se ensaiou: em Brasília todos os apartamentos deveriam ser do governo que os cedia para seus funcionários, não havia regiões mais nobres, ministros e operários dividiriam o mesmo prédio. Brasília deveria ser uma cidade contida em si, não se expandir além dos projetos originais, previa-se que assim que ficasse cheia, outras em moldes parecidos seriam construídas em diversas regiões.

Brasília é projetada, construída e inaugurada no intervalo de tempo de um mandato presidencial, 4 anos. Após sua construção, Niemeyer é nomeado coordenador da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Brasília. Em 1963 é nomeado membro honorário do Instituto Americano de Arquitetos dos Estados Unidos, no mesmo ano em que ganha um prêmio soviético de paz,oprêmio Lênin.

Em 1964 viaja para Israel a trabalho e volta para um Brasil completamente diferente. Em março o presidente João Goulart, (Jango), que assumira após o presidente eleito Jânio Quadros renunciar, havia sido deposto por um golpe dos militares. Os militares assumem o controle do país que se torna uma ditadura.

Exílio e projetos nos além mares

A posição esquerdista de Niemeyer lhe custará caro nos anos de uma ditadura militar do Brasil ligada com a política de direita norte-americana. A revista do qual é diretor, Módulo, tem a sede destruída, seus projetos começam a ser misteriosamente recusados e clientes a desaparecer.

Em 1965, duzentos professores, entre eles Niemeyer, pedem demissão da Universidade de Brasília, em protesto contra a política universitária. No mesmo ano viaja para França, para uma exposição sobre sua obra no Museu do Louvre.

No ano seguinte, impedido de trabalhar no Brasil, muda-se para Paris. Começa aí uma nova fase de sua vida e obra. Abre um escritório nos Champs Elysées, e tem clientes em diversos países, em especial na Argélia, onde desenha a Universidade de Constantine. Na França, cria a sede do Partido Comunista Francês, e na Itália a da Editora Mondadori.

Anos 80 até a atualidade

A ditadura no Brasil dura 21 anos. Nos anos 80 se distende, tem uma abertura política lenta e gradual. É neste contexto que Niemeyer volta ao seu país. Ele próprio define esta época como o início da última fase de sua vida. Nesta época Niemeyer fez o Memorial Juscelino Kubitschek (1980), o Sambódromo (1984), o Panteão da Pátria de Brasília (1985) e o Memorial da América Latina (1987), em São Paulo, este último tem uma bela escultura representando uma mão ferida como um Cristo, de cuja chaga na palma sangram a América Central e Sul.

Niemeyer tem hoje mais de 96 anos e se mantém perfeitamente lúcido, ativo e genial. Em 1996, já com 89 anos, criou o que muitos consideram sua obra prima, o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, MAC. Um museu em um lugar improvável, com uma forma bela e original, uma escultura que se projeta sobre a pedra, dando uma linda visão da Baía de Guanabara e do Rio de Janeiro. As piores críticas que se fazem do museu é que sua forma é tão bela que ofusca as obras de arte dentro delas.

Em 2003, Niemeyer foi chamado para construir a Serpentine Gallery, em Londres, uma galeria que a cada ano chama um arquiteto consagrado para sua própria reconstrução. Atualmente Niemeyer ainda está constantemente envolvido em diversos projetos, principalmente esculturas e reformas ou readaptações de antigas obras suas que, protegidas pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e que em Brasília, foram consideradas Patrimônio da Humanidade pela Unesco e, só podem ser alteradas por ele próprio.

Foi inaugurado no dia 22 de Novembro de 2003 o complexo que abriga o Museu Oscar Niemeyer, na cidade de Curitiba, Paraná.

Livros

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